Trova da aurora

5 10 2016

 

 

canto do passarinhoChico Bento ouve o canto dos passarinhos © Maurício de Sousa

 

 

Trinam pássaros nos galhos,

a brisa é leve e sombria;

a aurora sobre os orvalhos,

abre as cortinas do dia.

 

 

(Manoel Cavalcante de Souza Castro)

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Quadrinha da Caravana

29 09 2016

 

66530-0Caravana com família

Rikhard-Karl Karlovich Zommer (Alemanha, 1866-1939)

óleo sobre tela, 52 x 93 cm

 

 

 

À caravana, que de longe vem

Cansada, a se arrastar num passo incerto,

As palmeiras do oásis oferecem

Um poema de sombras, no deserto.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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Trova do foguete

10 09 2016

 

 

 

tomem seus lugaresProfessor Pardal pronto para decolar, © Walt Disney

 

 

 

Pra que foguete, pra quê?

Pra ir à lua distante?

Eu, quando beijo você,

não subo aos céus num instante?

 

(Wilson Montemór)

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O pássaro, poesia de Sabino de Campos

6 09 2016

 

passaros-no-galho-noel-hopkingPássaros no galho, ilustração de Noel Hopking.

 

 

 

O pássaro

 

A Genolino Amado

 

 

Vede em seus lares como ao sol trabalha

O diligente e alegre passarinho:

Uma paina, um graveto, folha ou palha,

Ele conduz para fazer o ninho.

 

E no berço onduloso se agasalha,

Depois de horas de luta e de carinho,

Sem precisar de cobertor e toalha

A não ser o do céu estreladinho.

 

E bem feliz, na tépida mansão,

Cuida de sua meiga geração,

Sem vexames, sem lágrimas, sem guerra.

 

Humilde e bom, amando e sendo amado,

Cantando em meio às árvores do prado,

Antes eu fosse um pássaro na terra.

 

Rio, 29-10-1954

 

 

Em: Natureza: versos, Sabino de Campos, Rio de Janeiro, Pongetti: 1960, p. 36





Trova da lição aos professores

23 08 2016

 

 

professora, provaChico Bento tirou 7, ©Maurício de Sousa.

 

 

“Amor no plural amores…”

Dizem aí… Não há tal!

Enganam-se os professores,

porque amor não tem plural.

 

 

(Antonio Sales)

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Rio de Janeiro, cidade olímpica!

19 08 2016

 

 

BRITO, ORLANDO (1920-1981)Canal da Barra ao Fundo Pedra da Gávea, óleo s tela, 42 x 34.Canal da Barra, ao fundo a Pedra da Gávea

Orlando Brito (Brasil, 1920-1981)

óleo sobre tela, 42 x 34 cm





“Futebol” poesia de Carlos Drummond de Andrade

18 08 2016

Manasses Andrade (Brasil, 1955) A jogada, ano 2013, 100x80cm,Acrilica sobre TelaA jogada, 2013

Manasses Andrade (Brasil, 1955-2021)

acrílica sobre tela,  100 x 80 cm

Futebol

Carlos Drummond de Andrade

Futebol se joga no estádio?

Futebol se joga na praia,

futebol se joga na rua,

futebol se joga na alma.

A bola é a mesma: forma sacra

para craques e pernas de pau.

Mesma a volúpia de chutar

na delirante copa-mundo

ou no árido espaço do morro.

São voos de estátuas súbitas,

desenhos feéricos, bailados

de pés e troncos entrançados.

Instantes lúdicos: flutua

o jogador, gravado no ar

— afinal, o corpo triunfante

da triste lei da gravidade.

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Trova para o cansaço da vida

16 08 2016

 

 

pensando na vidaPiteco pensando na vida © Maurício de Sousa

 

 

Da vida ao brando balanço

diz o malandro, folgado:

— Se a morte é mesmo descanso,

prefiro viver cansado.

 

 

(Maia D’Athayde)

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Soneto à Bomba Atômica, de Lêdo Ivo

8 08 2016

 

 

atomic-garden-ii-carissa-rose-stevensJardim Atômico II, 2010

Carissa Rose Stevens (EUA,contemporânea)

aquarela e marcador permanente sharpie

 

 

Soneto à Bomba Atômica

Lêdo Ivo

 

 

O mundo em peso cai-me sobre os ombros

e em seguida se evola, sol de urânio.

Arquipélago branco, sai da terra

a rosa nuclear da anunciação.

 

Fossem meus braços límpidas colunas

e eu deteria o mundo enfurecido

por esta luz atômica que sobe

ao convívio dos céus despedaçados.

 

Ó corola de átomos, leitosa

flor da quinta estação da terra em pânico

que se exibe à feição do Apocalipse,

 

sê para nós igual à rosa branca

da paz, sempre banhada pelo orvalho

monumental das lágrimas dos homens!

 

 

Em: Central poética, Lêdo Ivo,  Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 98-9.

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“O caçador de borboletas” poema de Álvaro Magalhães

2 08 2016

 

 

Armen VahramyanCaçadora de borboletas

Armen Vahramyan (Armênia, 1968)

www.vahramyan.com

 

 

 

O Caçador de borboletas

 

Álvaro Magalhães

 

 

Sorridente, ao nascer do dia,

ele sai de casa com sua rede.

Vai caçar borboletas, mas fica preso

à frescura do rio que lhe mata a sede

ou ao encanto das flores do prado.

Vê tanta beleza à sua volta

que esquece a rede em qualquer lado

e antes de caçar já foi caçado.

 

À noite regressa à casa cansado

e estranhamente feliz

porque sua caixa está vazia,

mas diz sempre, suspirando:

Que grande caçada, que belo dia!

 

Antes de entrar limpa as botas

num tapete de compridos pelos

e sacode, distraído,

as muitas borboletas de mil cores

que lhe pousaram nos ombros, nos cabelos.

 

 

Em:O Reino Perdido,  Alvaro Magalhães, Porto, ASA: 2000

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