Ó sino de minha aldeia, poema de Fernando Pessoa

24 11 2016

 

José Pancetti, Igreja do Senhor do Bonfim, 1945,ost, 46x38Igreja do Senhor do Bonfim, 1945

José Pancetti (Brasil, 1902-1958)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

 

 

 

Ó sino de minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro de minh’alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto.

 

 

Em: Poesias, Fernando Pessoa, Lisboa, Ática, 1987, 12ª edição, p. 95-6.

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Trova do tropeço

21 11 2016

 

 

escorregaoPato Donald escorrega,©Walt Disney.

 

 

 

Certo dia madruguei,

ao sair, um bom começo,

porque  dinheiro encontrei

no chão, após um tropeço.

 

 

(Flávio Ferreira da Silva)

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Desafio #Poemaday nº 20, meus pecados

18 11 2016

 

moça, Jon Whitcomb 1906-1988Moça, ilustração de Jon Whitcomb (1906-1988)

 

Meus Pecados

 

Ladyce West

 

 

Meus pecados
Escolho mantê-los discretos
Pesando na consciência
Que Deus em onipotência
Já os sabe por completo.

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2014

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Trova da andorinha

15 11 2016

 

une-annee-avec-les-hirondelles_336_frAndorinhas, ilustração francesa.

Se acaso eu fosse rainha,

dava a você meu reinado;

e se fosse uma andorinha,

o meu ninho no telhado.

 
(Colombina)

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Quadrinha do luar

11 11 2016

 

luar, christine barnesLuar, ilustração de Christine Barnes.

 

 

A lua, pelo céu, passeia airosa,

A copa do arvoredo prateando,

E passando entre as folhas, sobre o lago,

Um poema de rendas vai bordando.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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O gato, poesia de Marina Colasanti

7 11 2016

 

 

vicente-do-rego-monteiro-oleo-sobre-tela-gato-com-bola-med-65x80

Gato com bola

Vicente Do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)

óleo sobre tela,  65 X 80 cm

 

 

O Gato

 

Marina Colasanti

 

No alto do muro

pulando no escuro

miando no mato

entrando em apuro

é o gato, seguro.

 

De antigo passado

e jeito futuro

movimento puro

ar sofisticado

é o gato, de fato.

 

Só pode ser gato

esse bicho exato

acrobata nato

que só cai de quatro.

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Trova da saudade

27 10 2016

 

 

13364122295_faec51b688_cIlustração na Revista Collier’s de 1951.

 

Embora dela me esquive,

a saudade, tão ladina,

tem manhas de detetive,

e me espreita … em cada esquina…

 

 

 

(Élbea Priscila de Sousa e Silva)

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O navio cheio de bananas, poesia de Lêdo Ivo

20 10 2016

 

caravela3[8]

 

 

O navio cheio de bananas

 

Lêdo Ivo

 

 

Paisagem; maresia

azul e bananais!

No porão do navio,

o ouro dos litorais.

 

Fruto de um paraíso

de mormaço, num alvo

formigueiro de sal

entre negros trapiches.

 

O horizonte derrama

cal entre as bananeiras.

São roupas de operários,

Cantos de lavadeiras.

 

Como as bananas verdes

à luz do carbureto

logo ficam maduras

quaradas pelo sol

 

de uma falsa estação,

assim este cargueiro

esplende, no terral,

seu cacheado tesouro.

 

E o panorama é de ouro.

E o dia sabe a sal.

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Trova da espera

18 10 2016

 

 

 

esperando-ilustracao-blanche-wrightIlustração Blanche Wright.

 

 

Quem espera, sempre alcança…
Alcançarás, tu, que és forte:
na vida – eterna esperança…
sossego – depois da morte..

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)

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Café, poesia de Ribeiro Couto

15 10 2016

 

cafe-uma-xicara-dePato Donald pede um café © Walt Disney
Café

Ribeiro Couto

Sabor de antigamente, sabor de família

Café que foi torrado em casa,

Que foi feito no fogão de casa com lenha do mato de casa.

Café para as visitas de cerimônia,

Café para as visitas de intimidade,

Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada, para toda gente.

Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,

Café para todas as horas do riso ou da pena,

Café para as mãos leais e os corações abertos,

Café da franqueza inefável,

Riqueza de todos os lares pobres,

Na luz hospitaleira do Brasil.

Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 50

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