Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Pintura pré-histórica da Caverna das Mãos na Patagônia, Argentina.
Se o plural de pão é pães
por que das mãos que se tem
não se diz “são duas mães”
direita e esquerda também?
(Paulo Amorim Cardoso)
Parecia ter sotaque
aquele relógio chique:
— Soltava o tique no taque,
e vice-versa no tique!
(Eno Teodoro Wanke)
A lua branca passava,
Pelo céu devagarinho
E no mar a onda olhava
A lua no seu caminho.
(Maria Dulce Prado Carvalho Rosas)

Ilustração: Cartão postal [Alemanha], 1929.
Quem julga ser importante
nem sempre importância tem;
e além de deselegante,
é presunçoso também.
(Lucina Long)
Ilustração: Maurício de Sousa.
Na solidão da carteira
O aluno vadio cola
Pensando que a vida inteira
Viverá dessa “esmola”.
(J. Eloy Santos)
A rosa, meu bem, a rosa
É fonte de mil amores…
E o beija-flor todo prosa,
Beija a mais linda das flores.
(Frei Afonso Maria da Paixão)

Aquele que no fracasso
nos estende a sua mão
e não nos nega um abraço,
é mais que um amigo, é um irmão.
(José Augusto Fernandes)
Formiguinha, ilustração: MW Editora & ilustrações.
AS FORMIGAS
Olavo Bilac
Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando…
Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.
Entre os calhaus vão abrindo
Caminho estreito e seguro,
Aqui, ladeiras subindo,
Acolá, galgando um muro.
Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.
Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada.
Vede! enquanto negligentes
Estão as cigarras cantando,
Vão as formigas prudentes
Trabalhando e armazenando.
Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome…
Recordai-vos todo o dia
Das lições da Natureza:
O trabalho e a economia
São as bases da riqueza.
Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro, pp. 41-3
—
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos. Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo. Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro.
Obras:
Poesias (1888 )
Crônicas e novelas (1894)
Crítica e fantasia (1904)
Conferências literárias (1906)
Dicionário de rimas (1913)
Tratado de versificação (1910)
Ironia e piedade, crônicas (1916)
Tarde (1919); poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas

Papa-capim e um amigo, ilustração: Maurício de Sousa
Vêm das fábricas descendo
impurezas em excesso.
A Natureza morrendo…
Chamam a isto progresso?
(Luiz Evandro Innocêncio)
Gatinha observadora, por Michael Leu ( Formosa, China/EUA)
De olhos azuis transparentes,
a Mimi não é francesa,
mas seduz bichos e gentes
essa gatinha… siamesa.
(Dorothy Jansson Moretti)