O Patinho, poema infantil: Francisca Júlia

18 07 2008

 

O PATINHO

 

 

O pintainho do pato,

galante, amarelo e novo,

mal saiu da casca do ovo,

busca as águas do regato.

 

Todo ele, tão lindo e louro,

enquanto nas águas bóia,

tem a graça de uma jóia

feita em ouro.

 

 

 

Francisca Júlia

 

 

Francisca Júlia da Silva Munster (SP 1871 – SP 1920)  Poetisa brasileira.

 

 

 

Obras:

 

 

1895 – Mármores

1899 – Livro da Infância

1903 – Esfinges

1908 – A Feitiçaria Sob o Ponto de Vista Científico (discurso)

1912 – Alma Infantil (com Júlio César da Silva)

1921 – Esfinges – 2º ed. (ampliada)

 





BASTOS TIGRE, poema infantil: Os Dentes

17 07 2008

 

OS DENTES

 

Devemos os nossos dentes

Zelar com o maior rigor.

Ser, com eles, negligentes,

Causa sempre dissabor.

 

            Deles tudo se remova

            Que os possa prejudicar,

            Limpando-os com água e escova

            Pela manhã e ao deitar.

 

E toda atenção é pouca

No cuidá-los muito bem.

Se entra a vida pela boca,

Entra a moléstia também.

 

            A cárie apenas começa?

            Não se dê parte de fraco:

Vá-se ao dentista depressa

Que sempre a cárie é um “buraco”.

 

Dos dentes mantendo o asseio

Podemos ficar contentes,

Pois quase não há receio

De chorar com dor de dentes.

 

 

 

Bastos Tigre

 

 

Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.

 

Obras publicadas:

 

Saguão da Posteridade, 1902.

Versos Perversos, 1905.

O Maxixe, 1906.

Moinhos de Vento, 1913.

O Rapadura, 1915.

Grão de Bico, 1915.

Bolhas de Sabão, 1919.

Arlequim, 1922.

Fonte da Carioca, 1922.

Ver e Amar, 1922.

Penso, logo… eis isto, 1923.

A Ceia dos Coronéis, 1924.

Meu bebê, 1924.

Poemas da Primeira Infância, 1925.

Brinquedos de Natal, 1925.

Chantez Clair, 1926.

Zig-Zag, 1926.

Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.

Poesias Humorísticas, 1933.

Entardecer, 1935.

As Parábolas de Cristo, 1937.

Getúlio Vargas, 1937.

Uma Coisa e Outra, 1937.

Li-Vi-Ouvi, 1938.

Senhorita Vitamina, 1942.

Recitália, 1943.

Martins Fontes, 1943.

Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.

Cancionário, 1946.

Conceitos e Preceitos, 1946.

Musa Gaiata, 1949.

Sol de Inverno, 1955.

 

 

Do livro:

 

Criança Brasileira: segundo livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro.





As Profissões — poema infantil de Nelson Nunes da Costa

16 07 2008

 

AS PROFISSÕES

 

— Sou lavrador — cavo a terra

Para depois semear.

 

— Eu, pescador, passo a vida

Na canoa sobre o mar.

 

                                   — Mitigo as dores da vida

                                   Sou solícita enfermeira.

 

— Eu sou  mecânico perito,

Não sei de melhor carreira.

 

                                   — Operário, desde cedo,

                                   Que começa o meu labor.

 

— Nos incêndios, o bombeiro,

Revela o grande valor.

 

                                   — Eu sou médico excelente,

                                   Tenho curas assombrosas.

 

— Na cozinha, ao fogo ardente,

Faço comidas gostosas.

 

                                   — Comerciante zeloso,

                                   Não me afasto do balcão.

 

— Eu sou modista afamada,

Pois coso com perfeição.

 

                                   — Sacerdote caridoso,

                                   Eu trabalho pela cruz.

 

— Aprendiz de carpinteiro,

Eu sou o que foi Jesus.

 

                                   Toda profissão é nobre

                                   Exercida com carinho,

                                   Só o homem preguiçoso

                                   Acha o trabalho mesquinho.

 

 

Nelson Costa

 

Nelson Nunes da Costa ( RJ 1899 – 1976) Jornalista, professor, Membro da Academia Carioca de Letras.  Estudioso da Historiografia carioca foi diretor do departamento de História e Documentação do Município do Rio de Janeiro.  Cronista, jornalista, professor, contista e escritor.  

 

Algumas obras:

 

Bonecos e bonecas Conto, 1922  

Páginas cariocas Crítica, teoria e história literárias, 1924  

Rio de ontem e de hoje Crítica, teoria e história literárias, 1958  

O Rio através dos séculos: a história da cidade em seu 4° centenário, 1965

 

 

Do livro:

 

Criança brasileira: segundo livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro.

 

 

 

 





Manhã na Roça, poesia infantil de Alda Pereira da Fonseca

15 07 2008

 

Fazenda em São Paulo, Lucia de Lima (Brasil, contemporânea), A/T.

Fazenda em São Paulo, Lucia de Lima (Brasil, contemporânea), A/T.

MANHÃ NA ROÇA

 

 

O sol clareia o horizonte,

Canta o galo no poleiro,

Bala a ovelhinha no monte,

Piam pintos no terreiro.

 

A fazenda despertou,

Num ruído alvissareiro.

Na roça o sol já encontrou

O matutino roceiro.

 

Tudo então vibra e se agita,

Nos trabalhos da lavoura,

Enquanto a ave saltita,

Na ramagem que o sol doura.

 

A vaca chama o terneiro,

Que ainda dorme no curral!

Mais longe grunhem cevados,

Grasnam patos no quintal.

 

Eis a vida que desperta,

Para o penoso labor,

Que dará colheita certa

De lucro compensador.

 

Alda Pereira da Fonseca

 

 

Do livro:

Terra Bandeirante: a vida na cidade e na roça no Estado de São Paulo, 2° ano do curso básico, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1954, RJ

 

 

Alda Pereira da Fonseca (RJ, 1882 – ?) — Cientista carioca, especializou-se na área da botânica e representou o Ministério de Agricultura em várias comissões nacionais e também em viagem de estudos ao exterior. Além da área científica, Alda  foi romancista, cronista, contista, poeta, novelista, roteirista, escritora de Literatura Infantil.

 

Lúcia de Lima, (RJ) – professora, arquiteta, pintora, artista plástica, trabalhando no Rio de Janeiro.

http://www.luciadelima.com.br

 

 

 

 





Vozes dos animais, poema de Pedro Diniz

13 07 2008
Animais da fazenda, ilustração de Steve Morrison

Animais da fazenda, ilustração de Steve Morrison

 

 

VOZES DOS ANIMAIS

 

Muge a vaca; berra o touro;

Grasna a rã; ruge o leão;

O gato mia; uiva o lobo;

Também uiva e ladra o cão.

 

Relincha o nobre cavalo;

Os elefantes dão urros;

A tímida ovelha bala;

Zurrar é próprio dos burros.

 

Sabem as aves ligeiras

O canto seu variar:

Fazem às vezes gorjeios

Às vezes põem-se a chilrar.

 

Bramam os tigres, as onças;

Pia, pia o pintinho;

Cucurica e canta o galo;

Late e gane o cachorrinho.

 

A vitelinha dá berros;

O cordeirinho, balidos;

O macaquinho dá guinchos;

A criancinha vagidos.

 

 

Pedro Diniz

 

 

 

Criança brasileira, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro





João e Maria, poesia infantil de Martins D’Alvarez

12 07 2008

 

JOÃO E MARIA

 

João e Maria,

todos os dias.

saíam cedo

pelos caminhos.

Maria em busca

de borboletas,

João à procura

de passarinhos.

Porém um dia

João e Maria

atrás dos bichos

tanto correram,

que não souberam

voltar pra casa;

viram, chorando,

que se perderam.

E os dois, rezando

pediram a Deus

que os conduzisse

para seus pais,

que eles juravam

com borboletas

e passarinhos

não mexer mais.

E Deus, ouvindo-os,

mandou que um anjo

a casa os guiasse

pelos caminhos.

E os dois meninos

não mais mexeram

com as borboletas

e os passarinhos.

 

 

Martins D’Alvarez  ( 1904 – ?)

 

Poema no livro: Leituras Infantis, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1962, Rio de Janeiro

  

 

Martins D’Alvarez                                                         

 

 

Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904.

Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez

os estudos primarios na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceara.

Formou-se em Odontologia.. Transferiu desde o ano de 1938 a sua residência

para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades

no magistério superior.

Livros publicados:

“A Ronda das horas verdes”, 1930 (versos).

“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).

Menção honrosa da Academia Brasileira de Letras.

“Vitral”, 1934 (Poemas).

“0 Norte Canta”, 1941 (poesia popular).

“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
 
 Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:

 

 

 

 

 





João Bolinha virou gente: Apresentação – Vicente Guimarães

8 07 2008

 

 

João Bolina não quer estudar  -- Ilustração de Rodolfo

João Bolinha não quer estudar -- Ilustração de Rodolfo

APRESENTAÇÃO

 

Sabem quem eu sou?  João Bolinha,

Boneco desengonçado;

Com quem brincar eu não tinha.

Pois vivia desprezado.

 

Entre a turma tagarela

Era um boneco prudente;

Um dia, que coisa bela!

Com a luz do sol, virei gente.

 

De boneco de bolinha

Passei a ser um menino,

Mudou-se toda, todinha

A rota do meu destino.

 

Terei lucrado ou perdido?

Não posso lhe responder:

Depois de o livro ter lido,

Tudo você vai saber.

 

Que lhe sirva de lição

Esta simples vida minha;

Eis o que, de coração,

Lhe deseja o João Bolinha.

 

 

João Bolinha virou gente, Vicente Guimarães (Vovô Felício), Editora Minerva: s/d,  Rio de Janeiro, página 5.

 

 

 

 

 

 

 

Ilustração:  Rodolfo, Rio de Janeiro

 

Vicente de Paulo Guimarães ( MG 1906-1981) Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977).

 

 





Passarinhos — um poema de Zalina Rolim

1 07 2008

paisagem

 

A um passarinho que andava

Cantando pelo jardim,

Foi perguntar Elisinha

  Quem é que te cuida assim?

 

Onde achas doce alimento,

Coisas nutritivas, sãs?

— Tenho bichinhos gostosos

Figos, laranjas, romãs.

 

— E quando estás fatigado,

Onde é que vais descansar?

— Qual de nós não tem seu ninho?

Nosso ninho é o nosso lar.

 

— E sede não sentes nunca?

— Tenho rio e ribeirão,

E gotinhas de sereno,

Que as folhas verdes me dão.

 

— E no inverno não te falta

Agasalho contra o frio?

— Tenho penas que me cobrem,

Tenho agasalho macio.

 

— E quando não há bichinhos,

Grãos e frutinhas não há?

— Há uma boa criancinha

Que pão e alpiste me dá.

 

 

Passarinhos, de Zalina Rolim  (Brasil, 1869-1961)

 

 

Zalina Rolim

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora, transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)

 

 

 





A casa de Dona Rata — poema de Sérgio Capparelli

24 06 2008

Caulus, ilustração poema Dona Rata

 

Na casa de Dona Rata,

tem uma enorme goteira.

Quando chove, ninguém dorme,

acordado, a noite inteira.

A goteira é tão grande

que molha a sala e a cozinha,

quarto, banheiro, despensa

e mais de vinte ratinhas.

Dona Rata contratou

um ratão para o conserto:

— De que adianta eu subir,

se o telhado não tem jeito?

Não tem jeito, seu Ratão

explique então esse caso.

— Sua casa, dona Rata,

não tem telha nem telhado.

 Ilustração de CAULUS. 

Do livro: Boi da Cara Preta, autoria de Sérgio Capparelli, Porto Alegre:LP&M, 1998. 27ª edição.

Caulus, (MG) desenhista humorístico; ingressou na Marinha Mercante, Rio de Janeiro, mas desistiu da carreira militar e resolveu se dedicar ao desenho. Via os filmes e depois desenhava.Tornou-se desenhista exclusivamente urbano. Apresenta cenas de seus desenhos de humor e de cidades.