A volta do mercado, poema de Carlos Chiacchio

3 01 2010

mercado flutuante2

A volta do mercado

                                  Carlos Chiacchio

Desce a canoa de fio

Pela corrente do rio.

Vem arisca, vem frecheira,

Carregada até a beira.

Fruta, ou peixe, da vazante

Ouve-se o búzio distante.

E o povo corre ao mercado.

Na praia, o remo cravado,

Começa a voz das barganhas.

E, logo, em pilha as piranhas.

Vivos, saltando, ao punhados,

Curimatans e dourados.

Matrinchans, madins, a rodo.

Pocomons, frescos, do lodo.

Numa algazarra de festa

Joga-se n’água o que resta.

Volta a canoa de fio

Contra a corrente do rio.

Volta leve, vai suave,

Peneirando como uma ave.

É uma diaba a canoa…

Pulando de popa a proa.

Em: Poesia Brasileira para a Infância,  Cassiano Nunes e Maria da Silva Brito,  São Paulo, Saraiva:1968, pp 8-9

—-

 Carlos Chiacchio

Carlos Chiacchio ( Januária, MG, 4 de julho de 1884 – Salvador, BA, 1947)  jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia. Nasceu na antiga cidade de Januária, situada entre a Serra da Tapiraçaba e o Rio São Francisco, em Minas Gerais. Filho de Jacome Chiacchio e de D. Patrícia de M. Chiacchio. Estudou como interno  no colégio Spencer em Salvador, quando mostrou ter vocação literária.  Em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina, fez parte da Nova Cruzada, associação cultural fundada em 1901 e extinta em 1916. Foi proprietário de farmácia, funcionário da Estrada de Ferro, e médico de bordo. Por fim, fixou-se mesmo em Salvador, onde ficou até o fim de sua vida. Foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Foi um dos mais típicos e valorosos intelectuais de província, e muito trabalhou para a difusão da cultura na Bahia, algumas vezes até sacrificando seus interesses pessoais. Sua produção extensa, dela salientando-se, contudo, um livro de poemas Infância e Biocrítica.

 

Obras: 

A Dor, 1910  

A Margem de uma polêmica, 1914  

Biocrítica, 1941  

Canto de marcha, 1942  

Cronologia de Rui, 1949  

Euclides da Cunha, 1940  

Infância, poesia, 1938  

Modernistas e Ultramodernistas, 1951  

Os grifos, 1923  

Paginário de Roberto Correia, 1945  

Presciliano Silva, 1927  

Primavera, 1910, 1941

 





Quadrinha filosófica

3 01 2010

choro 6

Ilustração, Maurício de Sousa.

Cada um tem sua sorte

pelo destino traçado,

mas não há ninguém tão forte

que nunca tenha chorado.

(Rômulo Cavalcante Mota)





Quadrinha dos olhos negros

3 01 2010

menina com flores azuis-julie-ann-bowdenIlustração, Julie Ann Bowden.

 

Olhos negros, cismadores…

Olhos de intenso brilhar.

Olhos que falam de amores

e vivem sempre a sonhar.

(Therezinha Radetic)





O Natal das crianças, quadrinha.

23 12 2009

Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.

 

—-

 

Deus na Terra… Eis o Natal!
Repicam sinos… Festanças…
Feriado nacional          
no coração das crianças!

 

(J. G. de Araújo Jorge)





Trova: Natal é esperança.

19 12 2009

 

Anjinhos semeam estrelas, cartão de Natal, Inglaterra, sem data.

Natal… e a gente acredita
num mundo menos atroz
porque a esperança bendita
renasce dentro de nós.

 

(Newton Vieira)





Poesia de Natal de Vinícius de Moraes

18 12 2009

Presépio, autor desconhecido.

Natal

——

                                                       Vinicius de Moraes

—–

De repente o sol raiou

E o galo cocoricou:

—–

— Cristo nasceu!

—-

O boi, no campo perdido

Soltou um longo mugido:

— Aonde? Aonde?

—-

Com seu balido tremido

Ligeiro diz o cordeiro:

—-

— Em Belém! Em Belém!

—-

Eis senão quando, num zurro

Se ouve a risada do burro:

—-

— Foi sim que eu estava lá!

—–

E o papagaio que é gira

Pôs-se a falar: — É mentira!

—–

Os bichos de pena, em bando

Reclamaram protestando.

—–

O pombal todo arrulhava:

— Cruz credo! Cruz credo!

—-

Brava

A arara a gritar começa:

—–

— Mentira! Arara. Ora essa!

—-

— Cristo nasceu! canta o galo.

— Aonde? pergunta o boi.

—-

— Num estábulo! — o cavalo

Contente rincha onde foi.

Bale o cordeiro também:

—-

— Em Belém! Mé! Em Belém!

—-

E os bichos todos pegaram

O papagaio caturra

E de raiva lhe aplicaram

Uma grandíssima surra.

—-

——

Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.

Livros:

O caminho para a distância (1933)

Forma e exegese (1935)

Ariana, a mulher (1936)

Novos Poemas (1938 )

Cinco elegias (1943)

Poemas, sonetos e baladas (1946)

Pátria minha (1949)

Antologia Poética (1954)

Livro de Sonetos (1957)

Novos Poemas (II) (1959)

Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)

A arca de Noé; poemas infantis (1970)

Poesia Completa e Prosa (1998 )





Quadrinha de Natal, com pedido a Papai Noel

18 12 2009

Papai Noel com brinquedos e árvore.

Cartão Postal Alemão, década de 1890.

Papai Noel, por favor,
do Natal afasta os medos,
e coloca mais amor
no meio dos teus brinquedos!

(Delcy Rodrigues Canales)





Minha árvore, poema de Natal de Diógenes Pereira de Araújo

17 12 2009

 

Cartão de Natal da Polônia, década de 1950.
—–

——

MINHA ÁRVORE

 

                                                                          Diógenes Pereira de Araújo

 —–

 

Vou armar uma árvore, escondida

no coração, recôndito de mim.

Será planta odorífera: alecrim,

por faces de pessoas preenchida

 —–

Tais faces vou colhê-las no jardim

dos amigos de sempre cuja vida

fazem a minha vida colorida

e perfumada: há rosas e jasmins

 —–

Amigos do passado eu ponho ao centro

amigos do presente mais à mão

para incluir a todos na oração:

 —–

“Senhor, – que trago aqui também por dentro –,

meu coração, com carga especial

transplanta para o teu neste Natal.”

—–

——

——

—–

——

Diógenes Pereira de Araújo ( SP, 1935).  Advogdo, escritor e poeta.  Blog:  http://diogenespereiradearaujo.blogspot.com

—-

—-

 





Prece de Natal, poema de Vicente Guimarães

14 12 2009

 

Presépio africano, desenho

———–

PRECE DE NATAL

 

                                                             Vicente Guimarães

Natal! Natal!

Jesus nasceu

No céu a estrela

Apareceu.

—-

Os sinos tocam!

Delém…delém…

Jesus nasceu

Lá em Belém.

=====

Viva Jesus

O Deus-menino

Que ele abençoe

Nosso destino.

——

Jesus nasceu

Lá em Belém

Os sinos tocam

Delém…delém…

—-

—-

Vicente de Paulo Guimarães, [Vovô Felício] ( Cordisburgo, MG, 1906 – 1981) — Poeta, contista, biógrafo, jornalista, autor de Literatura Infanto-Juvenil (1979), funcionário público, educador, membro da Academia Brasileira de Literatura (1980), prêmio Monteiro Lobato -ABL (1977). Em 1935, Vicente criou em Belo Horizonte a revista “Caretinha”, dedicada a jovens leitores; dois anos depois, foi o responsável pelo suplemento infantil do jornal “O Diário”.  Um dos projetos de sucesso foi a revista “Era uma vez”, que começou a circular em 1947.  Criou também no mesmo ano a Revista do Sesinho, para divertir e educar as crianças.

Obras:

Tranqüilidade

O pequeno pedestre

Campeão de futebol

Os bichos eram diferentes

Frangote desobediente

João Bolinha virou gente

Boa vida de João Bolinha

Histórias divertidas

Lenda da palmeira, 1944

Quinze minutos de poder

Os três irmãos, 1978

Festa de Natal, 1964

Rui, 1949

O pastorzinho de Pouy, 1957

Princesinha do Castelo vermelho

Gurupi

Marisa, a filha da Mireninha

Vida de rua, 1954

Era uma vez uma onça

O tesouro da montanha

Anel de vidro, 1956

História de um bravo, 1960

Gurupi

Ultima aventura do sete de ouros

Aventuras de um cachorrinho vira lata

Princesinha do Castelo Vermelho

História de uma menina pobre

A fama do jabuti

O macaquinho Guili

Bilac, história de um príncipe, 1968

Biografia de Rui Barbosa para a infância, 1965

Joãozito, infância de João Guimarães Rosa, 1971

Nonô, o menino de Diamantina, 1980

O menino do morro – Machado de Assis, 1980

Coleção vovô Felício –  em seis volumes





Quadrinha da noite de Natal

12 12 2009

Noite de Natal.

Cartão Postal, década de 20, século XX.

—-

Há sussurros pelo espaço…
Na terra há luz e cristal,
quando a noite estende o braço,
proclamando que é Natal!

(Cidoca da Silva Velho)