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Quem vai ao mar deitar rede,
que tome cuidado, tome!
O mar nunca teve sede,
mas nunca vi tanta fome!
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(Eno Teodoro Wanke)
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Quem vai ao mar deitar rede,
que tome cuidado, tome!
O mar nunca teve sede,
mas nunca vi tanta fome!
—
(Eno Teodoro Wanke)
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Se um dia necessitares
Uma árvore derrubar,
Tu deves, no mesmo instante,
Plantar outra em seu lugar
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(Walter Nieble de Freitas)
Ilustração Maurício de Sousa.—
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Maria Eugênia Celso
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Brancas, verdes, rajadinhas,
Amarelas,
As bolinhas
Vão rolando,
Vão dançando
Seja liso ou seja rude
O chão onde vão rolando
Lá vão elas, lá vão elas…
As bolinhas de gude.
—
—
Brincam os meninos com elas,
Estão jogando
No jardim ou nas calçadas,
As bolinhas vão correndo
Azuis pardas, amarelas,
Rajadinhas,
—
—
E tão vivas, tão ligeira, tão alegres e estouvadas
Que até fica parecendo
Que são elas
As bolinhas
Que com eles estão brincando.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.
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Maria Eugênia Celso
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Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, Minas Gerais, 1886 – 1963), usou também o pseudônimo Baby-flirt. Jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista. Funcionária de carreira do Ministério da Educação e Cultura. Veio de Minas Gerais para Petrópolis, ainda criança, onde cursou o Colégio Sion. Em 1920 começou sua carreira jornalística no Jornal do Brasil. Participou ativamente do “Movimento Feminista”, em favor da emancipação política e social da mulher, dedicou-se ao assistencialismo junto às “Damas da Cruz Verde”, aparecendo como uma das lideranças que criaram a maternidade “Pro-Matre” do Rio de Janeiro. Batalhou pelo direito das mulheres ao voto. Faleceu em 1963.
Obra:
Em Pleno Sonho, poesia, 1920
Vicentinho, 1925
Fantasias e Matutadas, poesia, 1925
Desdobramento, poesia, 1926
Alma Vária, poesia
Jeunesse, poesia
O Solar Perdido, poesia, 1945
Poemas Completos, 1955
Diário de Ana Lúcia, prosa,
De Relance, crônicas
Ruflos de Asas, teatro
Síntese Biográfica da Princesa Isabel, biografia
Ilustração, Mark Arian—
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Zalina Rolim
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RAUL não sabe ler;
É um traquinas, que vive toda a hora
Pela campina em fora
A correr, a correr…
—
—
Desde pela manhã,
Salta do leito em fraldas de camisa,
E por tudo desliza
Numa alegria sã.
—
—
Nada de livros, não;
Para ele a campina, os passarinhos,
Os assaltos aos ninhos,
A pesca ao ribeirão
—
—
E as corridas em pós
Dos bezerros e cabras e novilhas,…
Rasgando ásperas trilhas,
Veloz, veloz, veloz!
—
—
Mas, um dia, ele viu
A irmãzita no livro debruçada,
E o som de uma risada
O ouvido lhe feriu.
—
—
Que teria, meu Deus!
Aquele grande livro tão pesado,
Ali dentro guardado,
Longe dos olhos seus?
—
—
E aproximou-se mais.
Ceci, toda entretida na leitura,
Mostrava, rindo, a alvura
Dos dentinhos iguais.
—
—
E o pequenito a olhar,
Mas debalde; no livro, aberto em frente,
Letras, letras, somente…
Raul pôs-se a chorar.
—
—
Pois não estava ali
Um livro injusto e mau, que até escondia
A causa da alegria
Da risonha Ceci?
—
—
Mas a irmã, tal e qual
Uma bondosa mãe ao filho amado,
Fê-lo assentar-se ao lado
E explicou-lhe o seu mal.
—
—
E com tanta razão
Que, abrindo atento o livro misterioso,
Raul pediu, ansioso,
A primeira lição.
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Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
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– Bastos Tigre
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De todos os animais
merecem nossa afeição
estes três, mais que os demais:
– o boi, o cavalo, o cão.
–
–
O boi, os seus músculos de aço
ao nosso serviço entrega
e, com a canga no cachaço,
pesadas cargas carrega.
–
–
E depois dá-nos a vida
que à nossa vida é sustento:
a carne assada ou cozida,
o ensopado suculento.
–
–
Vale o seu corpo um tesouro,
dele nada se rejeita:
chifres, cauda, ossos e couro,
tudo, tudo se aproveita.
–
–
O cavalo é o companheiro
que nos carrega no lombo
(a quem não for bom cavaleiro,
cuidado, que leva tombo!)
–
–
Conhece caminho e atalho
e, seja a passo ou a correr,
nosso amigo é no trabalho
quanto amigo é no prazer.
–
–
A morte, somente, encerra
seu labor nobre e eficaz;
com os homens morre na guerra,
morre, a servi-los, na paz.
–
–
É o terceiro amigo, o amigo
que nos tem mais afeição;
no momento do perigo
nos vem socorrer: — é o cão.
–
–
Quer de noite, quer de dia,
podemos nele confiaar;
da nossa casa é vigia,
é o guarda do nosso lar.
–
–
“Caniche”, dos pequeninos,
que graça o cãozinho tem!
Quando brinca com os meninos
ele é um menino também.
–
–
Seja humilde, ou cão de raça,
cão de cego, ou de pastor,
são -bernardo ou cão de caça,
ou de ratos caçador.
–
–
Os seus dias se consomem
num labor sincero e leal!
Salve, excelso amigo do homem,
que és quase um ser racional!
–
–
Que se ame, pois, e bendiga
do fundo do coração,
a nobre trindade amiga:
o boi, o cavalo e o cão.
–
–
Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972.
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Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.
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Obras:
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Saguão da Posteridade, 1902.
Versos Perversos, 1905.
O Maxixe, 1906.
Moinhos de Vento, 1913.
O Rapadura, 1915.
Grão de Bico, 1915.
Bolhas de Sabão, 1919.
Arlequim, 1922.
Fonte da Carioca, 1922.
Ver e Amar, 1922.
Penso, logo… eis isto, 1923.
A Ceia dos Coronéis, 1924.
Meu bebê, 1924.
Poemas da Primeira Infância, 1925.
Brinquedos de Natal, 1925.
Chantez Clair, 1926.
Zig-Zag, 1926.
Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.
Poesias Humorísticas, 1933.
Entardecer, 1935.
As Parábolas de Cristo, 1937.
Getúlio Vargas, 1937.
Uma Coisa e Outra, 1937.
Li-Vi-Ouvi, 1938.
Senhorita Vitamina, 1942.
Recitália, 1943.
Martins Fontes, 1943.
Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.
Cancionário, 1946.
Conceitos e Preceitos, 1946.
Musa Gaiata, 1949.
Sol de Inverno, 1955
—
Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
—
(Antônio Bispo dos Santos)
Ilustração de Meredith Johnson—
Zilda Maria Vasconcellos
Bem na pontinha dos pés,
sobre a erva do caminho,
com os sapatos na mão,
fui caminhando sozinho.
—
—
Belo dia de verão!
Tudo parado, quietinho…
perfumes para todo lado,
e um gostoso calorzinho.
—
—
O sol bateu em meu rosto
e a leve aragem do vento.
Fui caminhando com gosto
num passo lento, bem lento.
—
—
Demorei a encontrar
as minhas vespas amigas,
as cigarras a cantar,
as diligentes formigas.
—
—
Então, no grande silêncio,
uma formiga ouvi:
Precisamos trabalhar,
O outono está quase aí.
—
—
Já vão-se abrir as escolas,
Irás estudar também.
Adeus, meu bom amiguinho,
até o verão que vem!
—
—
Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971
Ilustração, Walt Disney.
—
Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
—
(Luiz Evandro Innocêncio)
—
A teia se expande e estica
porque a aranha o fio tece.
O milagre não se explica
e simplesmente acontece.
—
(José Augusto Fernandes)
Canato ( SP, Brasil, 1985)
Óleo sobre tela, 80 x 100 cm
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A cantiga da mucama,
que embalava o sinhozinho,
tinha mimo de quem ama,
de quem sofre tinha espinho.
—
(Margarida Ottoni)