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Ilustração, autoria desconhecida.
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Quanta gente nos ilude
e julgamos ser verdade
aquela máscara rude
que finge sinceridade!
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(Gabriel Bicalho)
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Quanta gente nos ilude
e julgamos ser verdade
aquela máscara rude
que finge sinceridade!
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(Gabriel Bicalho)
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Ano Novo, s/d
Alexandre Gulyaev (Rússia, 1917-1995)
óleo sobre tela
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Lindolfo Gomes
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Nas noites de Natal, da minha infância,
Tinha brinquedos nos meus sapatinhos,
Que um Anjo transformava em doces ninhos,
Iludindo-me à ingênua vigilância.
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Do nosso lar na idolatrada estância,
A mesa posta, com iguaria, vinhos…
Minh’alma respirava a sã fragrância
Dessas flores silvestres dos caminhos.
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Agora no Natal desta velhice,
Seguindo a vacilar por ínvios trilhos,
Arrasto os sapatões, ao léu do fado…
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Mas me revejo em plena meninice,
Ao ver nos sapatinhos de meus filhos
Meus brinquedos, meus sonhos, meu passado…
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Lindolfo Eduardo Gomes (SP 1875 – RJ 1953) Poeta, Jornalista, contista, ensaísta, folclorista, professor e teatrólogo. Passou sua juventudo em Resende, no estado do RJ, mudando-se mais tarde para Juiz de Fora, MG, onde passou grande parte da sua vida profissional tendo redigido para os jornais O Pharol, Jornal do Commercio, Diário do Povo, Diário Mercantil, revista Marília,entre outros.
Obras:
Folclore e Tradições do Brasil, 1915
Contos Populares Brasileiros, 1918
Nihil novi, 1927
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Ilustração, Jesus Blasco (Espanha, 1919 – 1995).–
Planta uma árvore e repara
o exemplo que ela oferece:
vai dar fruto à mão avara
e sombra a quem não merece.
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(José Valeriano Rodrigues)
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Que venham chuva e calor,
que os ventos desçam ou subam,
pois ninhos feitos de amor
tempestades não derrubam…
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(Ademar Macedo)
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Qual imagem, na redoma,
que sem a fé jamais cura,
de nada vale um diploma
sem o primor da cultura.
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(Alberto Fernando Bastos)
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A vida é barco sem remos
em mar sombrio a vagar.
Vamos nele e não sabemos
a que porto vamos dar.
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(Álvaro Faria)
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Liberdade é conviver
com sua própria razão,
sem a ninguém ofender,
nem magoar o coração.
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(Durval Lobo)
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Martins D’Alvarez
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— Que bairro bonito e grande!
Tu me dizes, debruçada
na sacada
da janela
deste meu primeiro andar.
De fato, a rua é um viveiro
de mocidade e de graça,
entre um recanto de praça
e um trapo verde de mar.
–
Bairro lindo, na verdade,
o mais belo da cidade.
Mas, nã me digas que é grande…
Não me digas, por favor!
Só eu sei, anjo moreno,
eu que provo o veneno,
como este bairro é pequeno
para abrigar nosso amor.
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Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977
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Lavadeiras no Rio Piabanha em Petrópolis, s/d
Carlos Gomes (Brasil, 1934-1990)
óleo sobre tela, 56 x 48 cm
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Jorge de Lima
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As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!
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As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves…
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras.
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As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, pesadas
como os bois…
As cantigas são tão boas…
Lavam as almas dos pecadores!
Levam as almas dos pecadores!
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968
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Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.
Obras:
Poesia:
XIV Alexandrinos (1914)
O Mundo do Menino Impossível (1925)
Poemas (1927)
Novos Poemas (1929)
O acendedor de lampiões (1932)
Tempo e Eternidade (1935)
A Túnica Inconsútil (1938)
Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)
Poemas Negros (1947)
Livro de Sonetos (1949)
Obra Poética (1950)
Invenção de Orfeu (1952)
Romance:
O anjo (1934)
Calunga (1935)
A mulher obscura (1939)
Guerra dentro do beco (1950)
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A Bemvinda Feitosa
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Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.
Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!
Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.
Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…
Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.
Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!
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Presciliana Duarte de Almeida
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Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira. Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira. Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada, em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.
Obras:
Rumorejos, 1890
Sombras, 1906
Páginas Infantis, 1908
O Livro das Aves, 1914
Vetiver, 1939