Quadrinha dos ninhos

5 12 2012

ninho de passarinhos,

Ninho, ilustração dos anos 60, sem autoria.

Que venham chuva e calor,

que os ventos desçam ou subam,

pois ninhos feitos de amor

tempestades não derrubam…

(Ademar Macedo)





Quadrinha do diploma

4 12 2012

formatura, R. John Holmgren (1897-1963)

Formatura, ilustração de R. John Holmgren (1897-1963).

Qual imagem, na redoma,

que sem a fé jamais cura,

de nada vale um diploma

sem o primor da cultura.

(Alberto Fernando Bastos)





Trova da vida

3 12 2012

barco no rio, blanche wright
Todos no rio, ilustração de Blanche Fisher Wright.

 

 

A vida é barco sem remos

em mar sombrio a vagar.

Vamos nele e não sabemos

a que porto vamos dar.

(Álvaro Faria)





Quadrinha da liberdade

1 12 2012

passaros, soltando,  J. Stanley, AmericanGirl1935-02

Soltando pombas, ilustração de J. Stanley, para capa da revista American Girl de fevereiro de 1935.

Liberdade é conviver

com sua própria razão,

sem a ninguém ofender,

nem magoar o coração.

(Durval Lobo)





Realidade, poema de Martins d’Alvarez

16 11 2012

Outono, Capa da Revista Fruit, Garden & Home, Setembro de 1929.

Realidade

Martins D’Alvarez

—  Que bairro bonito e grande!

Tu me dizes, debruçada

na sacada

da janela

deste meu primeiro andar.

De fato, a rua é um viveiro

de mocidade e de graça,

entre um recanto de praça

e um trapo verde de mar.

Bairro lindo, na verdade,

o mais belo da cidade.

Mas, nã me digas que é grande…

Não me digas, por favor!

Só eu sei, anjo moreno,

eu que provo o veneno,

como este bairro é pequeno

para abrigar nosso amor.

Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977





Cantigas — poesia de Jorge de Lima

9 11 2012

Lavadeiras no Rio Piabanha em Petrópolis, s/d

Carlos Gomes (Brasil, 1934-1990)

óleo sobre tela, 56 x 48 cm

Cantigas

Jorge de Lima

As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.

As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras

ficam tão tristes, tão pensativas!

As cantigas tangem os bois dos boiadeiros!

Os bois são morosos, a carga é tão grande!

O caminho é tão comprido que não tem fim.

As cantigas são leves…

E as cantigas levam os bois, batem a roupa

das lavadeiras.

As almas negras pesam tanto, são

tão sujas como a roupa, pesadas

como os bois…

As cantigas são tão boas…

Lavam as almas dos pecadores!

Levam as almas dos pecadores!

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968

Jorge Mateus de Lima (União dos Palmares, AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953) foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor brasileiro.

Obras:

Poesia:

XIV Alexandrinos (1914)

O Mundo do Menino Impossível (1925)

Poemas (1927)

Novos Poemas (1929)

O acendedor de lampiões (1932)

Tempo e Eternidade (1935)

A Túnica Inconsútil (1938)

Anunciação e encontro de Mira-Celi (1943)

Poemas Negros (1947)

Livro de Sonetos (1949)

Obra Poética (1950)

Invenção de Orfeu (1952)

Romance:

O anjo (1934)

Calunga (1935)

A mulher obscura (1939)

Guerra dentro do beco (1950)





A Boneca — poesia de Presciliana Duarte de Almeida

30 10 2012

Bonecas, ilustração de Maud Taub.

A Boneca

    A Bemvinda Feitosa

Que boneca tão bonita
Aquela que ontem ganhei!
Pus-lhe um vestido de chita,
Que eu mesma fiz e cortei.

Seu cabelinho é tão louro
Como cabelo de milho.
Minha boneca é um tesouro,
Tem sapatos e espartilho!

Vou lhe fazer uma cama,
Vou lhe bordar um lençol,
Para tão mimosa dama
Farei fronhas de molmol.

Depois, para o batizado,
Hei de arranjar uma festa:
Um altar muito enfeitado,
Em meio de uma floresta…

Convidarei as amigas
Com quem costumo brincar,
E muito lindas cantigas
Hei de com elas cantar.

Há de haver presunto e bala,
Sorvete para a madrinha,
E desse dia de gala
Minha boneca é a rainha!

Presciliana Duarte de Almeida

Presciliana Duarte de Almeida (MG, 1867 – SP, 1944) Pseudônimo: Perpétua do Valle. Nascida numa família literária, Presciliana era prima de Júlia Lopes de Almeida e Adelina Lopes Vieira.  Vai para São Paulo depois do casamento, onde funda, em 1889, a revista feminista A Mensageira – revista literária dedicada à mulher brasileira.  Colabora na revista Educação, em 1902, e na revista A Alvorada,  em 1909. Participa da fundação da Academia Paulista de Letras em 1909 onde ocupa a cadeira nº 8, escolhendo a poetisa Bárbara Heliodora, sua trisavó, como patrona. Morreu aos 77 anos, em São Paulo, em 1944.

Obras:

Rumorejos, 1890

Sombras, 1906

Páginas Infantis, 1908

O Livro das Aves, 1914

Vetiver, 1939





Os relógios, poema de Décio Valente

26 09 2012

Ilustração Kaili.

Os relógios

Décio Valente

Sempre andando,

sem parar um segundo,

vão eles,

em monótono tique-taque,

levando o Tempo

nos finos braços,

que se enlaçam

em contínuos abraços

e marcam,

minuto a minuto,

a pontualidade

das horas tristes e alegres,

que passam…

Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971





Andorinhas, poesia de Stella Leonardos

23 09 2012

Andorinhas no galho, aquarela, Sherri Friesman.

Andorinhas

Stella Leonardos

Namoradas do sol, andorinhas inquietas,

Poesia dos beirais de asas leves e errantes!

Vocês vêm vocês vão como versos trissantes

De sílabas azuis, de rimas incompletas.

Andorinhas azuis de revoadas constantes!

Você me lembram sempre a saudade dos poetas

Incansáveis da altura e dos céus mais distantes.

Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p. 27

Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil.  Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas.  Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.





A cidade, poesia de Luís Pimentel

8 09 2012

Dia de chuva em São Paulo, 2009

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 80 x 110 cm

www.cgentil.com.br

A cidade

Luís Pimentel

Uma cidade não é medida

por becos e logradouros,

nem lembra contas e cálculos

que a gente parte e reparte.

A cidade é o que fica:

solidão, engenho e arte.

Uma cidade é um rosário,

voltando sempre ao começo.

Não é o filho querido,

que quando cresce evapora.

A cidade  é o que se conta

no calcanhar da memória.

Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004