Língua portuguesa, poesia de Raquel Naveira

8 09 2013

Erico Santos (Brasil) Sala de Estar, 1988, ost, 40x 50 cm, wwwericosantos.comSala de estar, 1988

Érico Santos (Brasil, 1952)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

Acervo pessoal do artista

www.ericosantos.com

Língua Portuguesa

Raquel Naveira

Língua Portuguesa,

Tuas regras são as cordas da minha harpa,

Duras e firmes,

Que procuro dedilhar

Desde a infância.

Que prazer reconhecer tuas notas graves e agudas!

Ata-me nos teus laços afinados,

Na tua lei tensa

E criarei poemas

Como pássaros.

Que delícia o esforço de cortar,

Esticar,

Retesar!

Livra-me da frouxidão,

Da lassidão de cometer pecados

Contra ti.

Língua Portuguesa,

Tuas regras são as cordas de minha harpa,

Torna meu canto angélico,

Feito de forma e beleza,

Oferenda consagrada a ti,

Ao Tejo,

Às espumas do mar.

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.71





Quadrinha do novo ninho

3 09 2013

passarinhos, ninho, andrew loomis. the dionne quintuplets. 001Passarinho no ninho, ilustração de Andrew Loomis. [Dionne quintupletos]

Com singela perfeição

um pequeno passarinho

faz uma linda mansão

da construção do seu ninho.

(Eva Garcia)





Terras do Brasil, poesia de D. Pedro II, na Semana da Pátria

1 09 2013

Bandeira_do_Brasil_1-_By_Digerson_Araaujo__(1)Bandeira do Brasil, 2011

Digerson Araújo (Brasil, 1952)

60 x 40 cm

Digerson Araújo

Terras do Brasil

D. Pedro de Alcântara

Espavorida agita-se a criança,

De noturnos fantasmas com receio.

Mas se abrigo lhe dá materno seio,

Fecha os doridos olhos e descansa.

Perdida é para mim toda esperança

De volver ao Brasil; de lá me veio

Um pugilo de terra, e nesta, creio,

Brando será meu sono e sem tardança.

Qual o infante a dormir em peito amigo,

Tristes sombras varrendo da Memória,

Ó doce Pátria, sonharei contigo!

E entre visões de Paz, de Luz, de Glória,

Sereno aguardarei, no meu jazigo,

A Justiça de Deus na voz da História.

Em: Poetas Cariocas em 400 anos, seleção de Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi:1965, pp.149-150





Marés, poesia de Luís Pimentel

22 08 2013

Mar, ilustração de George Barbier.

Marés

Luís Pimentel

A vida dá muitas voltas

e volta sempre ao começo.

Nos mostrando em cada volta

seus passos e seus tropeços.

A vida é maré revolta.

A morte é que vem de berço.

Em: O calcanhar de Aquiles, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004





Manhã, poesia de Domingos Pellegrini

19 08 2013

Casarios e  igreja, s/d

Durval Pereira ( Brasil, 1917-1984)

óleo sobre tela 50 x 65 cm

Manhã

Domingos Pellegrini

Os galos disputando a alvorada

o retorno dos pés para as sandálias

o espelho que me olha e sempre cala

a pia minha mais gentil criada

Fogão com seu milagre que não falha

armário com modéstia tão calada

perto da geladeira dedicada

a resmungar tanto quanto trabalha

O céu a me espiar pelas janelas

novidades florindo no jardim

formigas a cuidar da vida delas

Sangrando sol varrendo as amarguras

sem pesadelos nem sonhos enfim

cada manhã me pare e inaugura

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Quadrinha da sabedoria

18 08 2013

pensando, Jonathan Greene, distant-thoughtsIlustração, “Pensamentos distantes”, Jonathan Green. www.jonathangreenstudios.com

Há tempo de flor… de espinho…
Tempo de ouvir… de falar…
Tempo de dar um tempinho…
Tempo.. de o tempo matar!

(Dirce Davenia Guayato)





Nas asas das horas, poesia de Olegário Mariano

16 08 2013

SwallowsWisteriaAndorinhas na glicínia, s/d

Virgínia Lloyd-Davies (EUA, contemporânea)

aquarela, 45 x 69 cm

www.joyfulbrush.com

Nas asas das horas

Olegário Mariano

As asas das horas passam ligeiras

Como andorinhas riscando o ar…

Ruídos de penas de aves viajeiras

Que as minhas penas vêm aumentar.

Porque no vôo do tempo a vida

Passa com as horas, de braços dados.

Quanta poesia mal compreendida!

Quantos amores mal compensados!

E as horas passam levando a vida

Como andorinhas nos céus nublados.

E os rios passam levando a vida…

Tudo que corre, tudo que voa,

O vento… as águas… E, na corrida,

Quanto castelo no ar se esboroa,

Quanta esperança desiludida!

E pelos ares, angustiado

Coro de vozes longe ressoa:

“Tempo maldito! Tempo apressado!

Ventos bravios! Águas correntes!

Não corram tanto! Vão devagar!…”

E as andorinhas indiferentes

Passam ligeiras, riscando o ar…

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, volume II (1932-1955), Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, pp: 552-553

 





Quadrinha do pássaro na gaiola

10 08 2013

Capa da revista Fruit & Garden, década 1910.

Um pássaro engaiolado

qualquer maldade suplanta.

Pois ele foi condenado,

simplesmente porque canta!

(Hildemar de Araújo Costa)





Quadrinha para o Dia dos Pais

8 08 2013

papai e filhinha

Dia dos Pais,  eu  desejo

que seja um dia de brilhos,

que a brisa leve o meu beijo

a  cada  pai  e  seus filhos!

(Delcy Canalles)





Quadrinha do criminoso

29 07 2013

Ladrão, batendo no ladrãoMonica faz justiça, ilustração de Maurício de Sousa.

Neste mundo de cobiça,

o criminoso se esquece

que embora falhe a justiça,

sempre a verdade aparece.

(Simeão Cohen)