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Meu Natal, hoje, é melhor,
pelo conforto e os bons tratos,
mas o sonho era maior
quando eu não tinha sapatos!
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(José Messias Braz)
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Meu Natal, hoje, é melhor,
pelo conforto e os bons tratos,
mas o sonho era maior
quando eu não tinha sapatos!
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(José Messias Braz)
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Flores, ilustração de B. Midderigh Bokhorst.–
Só não ama a Primavera,
nem lhe vê a luz e a cor,
quem nada mais considera
nem acredita no amor.
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(Alberto Fernando Bastos)
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Lenços brancos, acenando,
para a Maria Fumaça,
que vão, também retirando
o “cisco” que o olhar embaça!
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(Therezinha Radetic)
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José Teófilo de Jesus (Brasil, 1758-1847)
óleo sobre tela, 65 x 82 cm
Museu de Arte da Bahia, Salvador
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(Indígena Brasileiro)
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Bruno Seabra
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O branco disse ao timbira:
— Não me inspiram, sertanejo,
Estes bosques, estas matas;
— Nem eu vejo
De que te ufanes aqui:
Vem comigo — minha terras
Tem mais lindas variedades
Vida, amor, ouro, prazeres,
Nas cidades
Tudo enfim, terás — ali. —
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O timbira disse ao branco:
— Cariúra, deixa a cidade,
__ Vem viver co’o sertanejo,
— Aqui tens a liberdade. —
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(1858)
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Em: O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 5, de outubro de 1859, p.69. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 9
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São gêmeos o riso e o pranto,
em doce-amargo torpor,
porque a lágrima vem tanto
no prazer como na dor…
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(Venturelli Sobrinho)
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Antônio Rocco (Itália, 1880 – Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
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Carmen Freire
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Nascida na ternura ou na tristeza
Límpida gota dos orvalhos d’alma
Tu, lágrima saudosa, muda e calma,
Que força enorme tens nessa fraqueza?
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Possuis mais que o poder da realeza,
Quando és filha da dor que o pranto acalma,
E, qual gota de orvalho em verde palma
À pálpebra chorosa ficas presa!
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Estrela da saudade, flor de neve,
Que o vento da tristeza faz brotar,
Amo o teu brilho nessa luz tão breve
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De breve globo teu… imenso mar
Cujos fundos arcanos não se atreve
Nem se atreveu ninguém jamais sondar!
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Em: Poetas cariocas em 400 anos, selecionados por Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, pp. 176-177 —
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Carmen Freire, Baronesa de Mamanguape, nasceu no Rio de Janeiro em 1855. “De família de poucos recursos, aos 13 anos torna-se Baronesa de Mamanguape, pelo casamento com o senador e latifundiário Barão Flávio Clementino da Silva Freire. Faleceu em 1891, quase ao mesmo tempo que o marido, depois de uma rápida enfermidade.
“Espírito de grande versatilidade e atraída pela literatura e artes, Carmen Freire se notabilizou pelas famosas tertúlias poéticas, realizadas em seu palacete, com a presença de literatos do tempo: Olavo Bilac, Guimarães Passos, Paula Ney, Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Pardal Mallet, Rodolfo Amoedo...” [para mais informações veja: Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001, Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002]–
Obras:
Visões e sombras, 1897, poesia (póstuma)
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Jovem lendo,ilustração de Joseph Christian Leyendecker.–
Ante a investida do mar,
no seu vaivém tão constante,
penso na vida a passar,
um vai-sem vem incessante.
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(Margarida Ottoni)
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Dona Cebola pede desculpas ao Seu Cebola, ilustração de Maurício de Sousa.–
Quem não cultiva a humildade
dentro do seu coração
por orgulho ou por vaidade
não sabe pedir perdão.
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(José Augusto Fernandes)
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Paisagem de subúrbio, 1930
Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre tela
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Martins D’Alvarez
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Subúrbio…
Fim da cidade!…
Em frente fica a Estação,
ostentando na fachada
a tabuleta pintada
com nome e quilometragem
do rincão.
Por trás da estação,
há casas
e mato
e casas
e mato…
Ruas tortas, mutiladas…
Praças que se arrependeram…
Lá no alto, a capela branca…
E mato, cercas, buracos,
alguns becos sem destino;
boteco da Dona Guida…
Tudo cheio de menino.
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De vez em quando,
bufando,
passa o trem pela estação.
Esse trem para o subúrbio
representa o coração,
a vida, no movimento
dos que vêm
e dos que vão.
Mas, o subúrbio é cardíaco,
o trem só anda atrasado,
daí o pobre coitado
sofrer da circulação.
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De madrugada e de noite
é que o subúrbio desperta,
o casario se alegra,
não se vê rua deserta,
chove gente em toda parte,
ruge-ruge…
Vaivém.
E há quem acorde bem cedo
pra na birosca do Alfredo
castigar um mata-bicho
antes de tomar o trem.
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Durante o dia,
marasmo,
pasmaceira,
fuxicada,
da turma desocupada
que não se foi pro batente.
Mexericos de comadres
que exibem secretamente
as nódoas da roupa-suja
guardadas por muita gente.
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Só nos domingos de folga,
o subúrbio pega fogo…
Há de tudo para todos:
missa pra quem é de missa,
jogo pra quem é de jogo…
Há batida com feijoada,
dança, namoro, pelada,
briga, tragédia, conflito
que leva gente ao distrito
e, às vezes, não leva nada.
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Subúrbio, fim de caminho…
Começo de outra jornada!
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Em: Poesia do cotidiano, Martins D’Alvarez, Rio de Janeiro, Edições Clã: 1977.
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Menina do campo, cartão postal antigo.–
Muita perna tenho visto,
Perna fina, perna grossa…
Mas as pernas mais bonitas
São as das moças da roça.
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(Anônima)
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Em: Trovas Brasileiras: populares e popularizadas, Afrânio Peixoto, Rio de Janeiro, W.M. Jackson Inc: 1944, nº.536