Trova do passarinho

12 04 2015
passarinho na janela.Ilustração de Jimmy Liao.

Passarinho, o teu encanto
é teu canto de alegria;
ai de mim que quando canto,
canto só por nostalgia…

(Izo Goldman)





O Cântico da Terra , poesia de Cora Coralina

9 04 2015

 

 

antônio ferigno,Lide diária - arredores de São Paulo OST,27 x 42 Circa de 1895Lide diária, arredores de São Paulo, c. 1895

Antônio Ferrigno (Itália, 1863-1940)

óleo sobre tela, 27 x 42 cm

 

 

O Cântico da Terra

 

Cora Coralina

 

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

 

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

 

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

 

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

 

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

 

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

 





Trova do bebê dormindo

25 03 2015

 

bebe dormindo, Maria Pia Franzoni (1902 – , Italian)Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.

 

Não há música mais bela

do que a canção de ninar:

a mãe canta em voz singela,

e o bebê põe-se a sonhar!

 

(Alba Helena Corrêa)





O enamorado das rosas, poesia de Olegário Mariano

23 03 2015

 

 

66f8f6f784f6376200145e95a190d4baDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

O enamorado das rosas

Olegário Mariano

 

 

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,

Ouvindo a água da fonte que murmura,

Rego as minhas roseiras com ternura

Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

 

Cada uma tem um suave movimento

Quando a chamar minha atenção procura.

E mal desabrochada na espessura,

Mandam-me um gesto de agradecimento.

 

Se cultivei amores às mancheias,

Culpa não cabe às minhas mãos piedosas

Que ele passassem para mãos alheias.

 

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,

Alimento a ilusão de que essas rosas,

Ao menos essas rosas, sejam minhas.

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.





Trova dos tons cinzentos

17 03 2015

 

pintar a casa, ajudando na pinturaDesconheço a autoria.

 

 

Não deixe que maus momentos

Ofusquem seus ideais.

Sobre “velhos” tons cinzentos

“novas” cores brilham mais.

 

(Wandira Fagundes Queiroz)





Trova do meu adeus

7 03 2015

 

adeus, meu amor, cartão postalAdeus, cartão postal francês.

 

Meu lenço, na despedida,

tu não viste em movimento:

— Lenço molhado, querida,

não pode agitar-se ao vento.

 

(Carlos Guimarães)

 





Trova do livro

18 02 2015

 

leitor, leyendecker_001,Joseph Christian Leyendecker was born in Germany in 1874 and came to America ...Ilustração de Joseph Leyendecker.

 

O livro é o portão de acesso

à liberdade e ao saber.

E nem sequer cobra ingresso:

basta abri-lo, entrar… e ler!

 

(Antônio Augusto de Assis)





Verão, de Hélio Pellegrino

17 02 2015

 

 

Mae Besom-カイ-13Ilustração de Mae Besom.

 

 

Verão

 

Hélio Pellegrino

 

 

Colho a sombra das coisas

sob o sol

 

Como quem colhe  frutas

 

Rio, 24/2/80

 

Em: Minérios Domados, poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993, p. 79.

 





O cisne, poema de Geir Campos

6 02 2015

cisnes brancos, alice haversCisnes Brancos

Alice Havers (Inglaterra, 1850-1890)

O Cisne

Geir Campos

Pluma e silêncio, vinha pela vida

aceita com resignação, conquanto

talvez em hora alguma pretendida.

Pressente no ar o aviso da partida

— urge tentar o eterno: um voo, um canto,

um gesto nunca ousado, alguma prece…

Canta, e se vai. O canto permanece.

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 86.

 

 

 

 

 

 

 

 

 





Trova da conquista difícil

3 02 2015

 

gift-cards-girl-1996cf11f8c7d744d33eca19e58c25b1

Êta mulher jogo duro!

Por mais que eu implore e tente,

não me garante o futuro…

Só quer saber de … presente!

 

(João Costa)