Ilustração de Jimmy Liao.
Passarinho, o teu encanto
é teu canto de alegria;
ai de mim que quando canto,
canto só por nostalgia…
(Izo Goldman)
Ilustração de Jimmy Liao.Passarinho, o teu encanto
é teu canto de alegria;
ai de mim que quando canto,
canto só por nostalgia…
(Izo Goldman)
Lide diária, arredores de São Paulo, c. 1895
Antônio Ferrigno (Itália, 1863-1940)
óleo sobre tela, 27 x 42 cm
Cora Coralina
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Bebê dormindo, ilustração de Maria Pia Franzoni.
Não há música mais bela
do que a canção de ninar:
a mãe canta em voz singela,
e o bebê põe-se a sonhar!
(Alba Helena Corrêa)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Olegário Mariano
Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.
Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura.
E mal desabrochada na espessura,
Mandam-me um gesto de agradecimento.
Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que ele passassem para mãos alheias.
Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 597.
Desconheço a autoria.
Não deixe que maus momentos
Ofusquem seus ideais.
Sobre “velhos” tons cinzentos
“novas” cores brilham mais.
(Wandira Fagundes Queiroz)
Adeus, cartão postal francês.
Meu lenço, na despedida,
tu não viste em movimento:
— Lenço molhado, querida,
não pode agitar-se ao vento.
(Carlos Guimarães)
Ilustração de Joseph Leyendecker.
O livro é o portão de acesso
à liberdade e ao saber.
E nem sequer cobra ingresso:
basta abri-lo, entrar… e ler!
(Antônio Augusto de Assis)
Ilustração de Mae Besom.
Hélio Pellegrino
Colho a sombra das coisas
sob o sol
Como quem colhe frutas
Em: Minérios Domados, poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993, p. 79.
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Alice Havers (Inglaterra, 1850-1890)
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Geir Campos
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Pluma e silêncio, vinha pela vida
aceita com resignação, conquanto
talvez em hora alguma pretendida.
Pressente no ar o aviso da partida
— urge tentar o eterno: um voo, um canto,
um gesto nunca ousado, alguma prece…
Canta, e se vai. O canto permanece.
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Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 86.
Êta mulher jogo duro!
Por mais que eu implore e tente,
não me garante o futuro…
Só quer saber de … presente!
(João Costa)