Frevo II
[Olinda, Carnaval]
Sandro Maciel (Brasil, 1965 )
acrílica sobre tela, 90 x 70 cm
Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)
óleo sobre tela, 50 x 62 cm
Sônia Carneiro Leão
Ouvi uma batucada
vindo da encruzilhada
de uma rua do Recife.
Parei para dar uma olhada
e vi uma frota armada
de alfafas e abes
num batuque alucinado
o tal do baque virado
batuque de endoidecer.
Não um baque arrumadinho
feito o pagode e o chorinho
que cantam devagarinho
coisas boas de dizer.
Não.
Era um baque puro corte
saudando a vida e a morte
indo fundo até doer.
E algo foi-me exibido
em pleno Recife antigo
que mexeu tanto comigo
como nunca aconteceu.
Minh’alma já desarmada
pelo baque seco e cru
viu descer do céu Xangô
e toda nação Nagô
pra dançar Maracatu.
Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.
Sinos, 1934.
Carlos Pena Filho
— Sino, claro sino,
tocas para quem?
— Para o Deus menino
que de longe vem.
— Pois se o encontrares
traze-o ao meu amor.
— E que lhe ofereces
velho pecador?
— Minha fé cansada,
meu vinho, meu pão,
meu silêncio limpo,
minha solidão.
Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição, p.36.
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Neste carnaval sem fim
do mundo que Deus nos deu,
fantasiei-me de mim
e ninguém me conheceu.
(Maria Helena Vaquinhas de Carvalho)*
*Como apareceu na Coluna Falando de Trova, de José Ouverney.
Igreja Nossa Sra. do Bom Parto, Olinda, 1957
George Wambach (Bélgica/Brasil, 1901-1965)
óleo sobre tela, 16 x 24 cm