Resenha: Há quem prefira urtigas, de Junichiro Tanizaki

7 12 2014

 

Shibai_Ukie_by_Masanobu_OkumuraCena de uma peça, [Shibai Ukie], c. 1740

[Teatro Edo Ichimura-za]

Masanobu Okumura (Japão 1686-1764)

 

 

Uma narrativa sensível e indireta. Delicada. Com um tema que me pareceu um tanto datado: divórcio. Foi difícil, para mim, me situar em um tempo anterior à Segunda Guerra Mundial, em um Japão cujas principais metáforas para a explicação dos sentimentos foram o teatro Kabuki ou músicas cantadas que diferenciam a língua falada em Tóquio da língua falada em outra área. As metáforas, extensas, nesse livro, vêm cheias de considerações que eu sabia estar perdendo, limitada pela minha ignorância sobre a cultura do país na época.

 

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A introdução à metáfora do teatro logo no início do romance passa ao largo de quem não conhece os personagens. Sim, no palco há uma boneca mulher, que não tem vontade própria. Mas é só isso? Não há de haver mais já que passamos tanto tempo enroscados naquela descrição. Encontrei-me consultando o Google a cada vinte páginas, tentando captar mais do que uma leitura superficial do texto.

Sim, a dúvida do casal, mais dele do que dela, de se separar ou não. Entregar-se à modernidade ocidental ou às tradições nipônicas de pré-guerra é óbvia, permanente e angustiante. Mas por ser parte de uma narrativa metafórica e oblíqua, leva muito tempo para ser desenvolvida.

 

junikiro-tanizakiJunichiro Tanizaki

Penei para achar uma maneira de relatar as minhas frustrações com o romance sem tentar desencorajar quem quer que seja de lê-lo, pois a opinião da maioria dos leitores desse romance é muito mais apreciadora do que a minha. Mas fui forçosamente lembrada dos romances do início do século XX, em que as histórias podem ser longas e um tanto repetitivas porque muitas vezes apareciam em capítulos semanais.

Definitivamente não recomendo sua leitura como uma introdução à literatura contemporânea japonesa, mesmo sendo este autor considerado um dos pais da moderna literatura do país.

 





Imagem de leitura — Willem Haenraets

6 12 2014

 

WillemHaenraets (Holanda 1940)Leitora

Willem Haenraets (Holanda, 1940)

 





Imagem de leitura — Denis Gringas

3 12 2014

 

 

Denis Gringas, (França), Leitura na praia, óleo sobre tela, 75 x 90 cmLeitura na praia

Denis Gringas (França)

óleo sobre tela, 75 x 90 cm

 





Imagem de leitura — Eva Gonzales

3 12 2014

 

 

ÉVA GONZALÈS(1849 -1883), A janela1870,  55.6 x 47.9 cm,col partA janela, 1870

Eva Gonzales (França, 1849-1883)

óleo sobre tela, 55x 47 cm

Coleção Particular





Imagem de leitura — Marilyn Sears Bourbon

27 11 2014

 

girl-reading marilyn sears bourbonElena 5

Marilyn Sears Bourbon (EUA, contemporânea)

aquarela

www.marilynsearsbourbon.com





Resenha: Segredo de justiça de Andréa Pachá

27 11 2014

 

gilles sacksickMulher lendo

Gilles Sacksick (França, 1942)

 

Acabo de ler Segredo de Justiça, a nova coletânea de crônicas da juíza Andréa Pachá. Gostei tanto deste volume quanto do anterior. Esse também é de fácil leitura, grande entretenimento e como no primeiro volume virei a última página e fiquei com uma sensação de otimismo pelo futuro, coisa rara cá pelas minhas bandas.

Após a leitura do primeiro livro, A vida não é justa [Nova Fronteira: 2012] há dois anos, lembro-me de ter-me surpreendido com a criatividade das soluções encontradas no dia a dia pelos brasileiros comuns, antes mesmo dessas soluções serem testadas pelo sistema judiciário. Nessa segunda coletânea, há a mesma exuberância de soluções para o que nos aflige no cotidiano, mas minha reação foi diferente: fiquei estranhamente absorta, entregue à reflexão, considerando a disparidade entre os sonhos que trazemos conosco e possibilidade de suas realizações. Como na publicação anterior, essa coletânea de casos da vara de família mostra os seres humanos em momentos de grande fragilidade, e pelos olhos considerados da juíza, conseguimos aceitar comportamentos que, não fosse a maneira como são retratados, provavelmente não imaginaríamos aceitá-los tão prontamente. Andréa Pachá habilmente mostra a seus leitores um espelho, onde podemos ver de maneira nítida a reflexão dos nossos próprios preconceitos.

 

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O sucessivo desfilar dos casos nessa coletânea me levou a alguns dias de recolhimento, à reconsideração de experiências minhas, de familiares e amigos próximos, aos divórcios, casamentos longevos, heranças, divisão de bens, orfandade, morte súbita e demais acontecimentos não programados, que presenciei em família ou através de amigos. Todos os casos são únicos e peculiares porque os participantes são indivíduos. E é nesses momentos que se vê as verdadeiras feições de cada um dos envolvidos e os princípios respeitados pelos familiares. Acabei dedicando algumas horas a repensar as soluções de que participei em horas críticas, por ocasião de luto, de divórcios, separações ou nascimentos fora do casamento, paternidade ou maternidade inesperadas, enfim, um leque inteiro de vivências inevitáveis no convívio de uma família e na pluralidade das soluções encontradas por aqueles que conheço. Dessa vez as crônicas de Andréa Pachá me pegaram em um momento diferente, produzindo muita reflexão, sobre o passado e trazendo um pouco mais de compaixão para os meus amigos, familiares e conhecidos, protagonistas desses eventos. Não há solução genérica, ideal e feliz, que agrade a todos os envolvidos em um divórcio, em uma guarda de menores ou de idosos, ou de qualquer outra crise familiar. Existe apenas “o melhor que se pode fazer naquelas circunstâncias”. Olhei com carinho e compaixão para os divórcios, heranças, e soluções encontradas após mortes súbitas na família. Nem sempre essas soluções foram do agrado de todos, mas certamente foram o que de melhor poderia ter sido feito em cada ocasião. Dar-se esse perdão, ter-se essa compreensão das águas passadas, não tem preço!

 

ANDRÉA-PACHÁ-CRÉDITO-PARA-FÁBIO-SEIXOAndréa Pachá, foto: Fábio Seixo.

 

Recomendo a leitura dessas crônicas. Elas mostram o Brasil e os brasileiros de maneira diferente da que vemos na televisão e nos romances. Outra coisa que fazem, e muito bem, é mostrar um pouco de como a nossa justiça funciona. Diga-se que é estranho que através de filmes e de programas na televisão estejamos frequentemente mais familiarizados com o processo judicial americano do que com o brasileiro. São obras como esta que nos ensinam a função das decisões judiciais e como elas ocorrem por aqui. Uma verdadeira aula de civilidade dada de forma leve, divertida e ponderada.





Imagem de leitura — Georgina de Albuquerque

26 11 2014

 

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (1885 - 1962) - Carta de Amor, óleo s tela, 55 x 47. Assinado no c.i.dCarta de amor, s/d

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre tela, 55 x 47 cm





Imagem de leitura — Alfred Stevens

25 11 2014

 

 

alfred stevensA senhora de amarelo, 1863

Alfred Stevens (Bélgica, 1823-1906)

óleo sobre tela

Museus de Belas Artes da Bélgica, Bruxelas





Imagem de leitura — Onelio Marrero

24 11 2014

 

onelo marrero, lectriceLeitora

Onelio Marrero (Cuba/EUA, 1958)

óleo sobre tela

 





Palavras para lembrar — André Maurois

20 11 2014

 

 

Image_Resize_medium_News.aspO leitor II

Charles Bibbs (EUA, contemporâneo)

Glicée

 

“Na literatura, assim como no amor, somos sempre surpreendidos pelas escolhas dos outros.”

André Maurois