Resenha: “Cavalos Roubados” de Per Petterson

2 07 2016

 

 

carol-kossak, cavalos, ost, 90x120Cavalos

Carol Kossak (Polônia/Brasil, 1895-1968)

óleo sobre tela, 90 x 120 cm

 

 

Raramente gosto de romances de formação.  Cansei deles.  Há enorme inflação do estilo e poucas obras seduzem um leitor mais experiente. Portanto, já é grande cumprimento não só eu ter gostado dessa obra como ter-lhe dado a pontuação máxima. A forte voz narrativa de Per Petterson é em grande parte responsável pelo encantamento.  Senti-la mesmo através da tradução de Kristin Lie Garrubo, que me pareceu impecável ainda que eu não conheça nada, absolutamente nada de norueguês, mostra a força de suas imagens.

Cavalos Roubados tem magia própria.  Às vezes percebida no relacionamento do autor com a natureza. Não se trata de descrições hiperbólicas sobre a beleza do céu, a grandeza das árvores ou a mão de Deus que nos afaga nas árvores ou pássaros.  Não.  Tampouco me refiro ao sentimento de veneração e temor evocados pelo movimento romântico do início do século XIX.  Esse é um livro de quem passou muito tempo junto às árvores, aos cheiros e perfumes, que os ama e os respeita,  sem exagero, ainda que profundamente. A narrativa contida traz consigo a força dos sentimentos guardados e profundos.  São observações singelas que comovem.

“…Em vez disso, levamos os cavalos ao longo de outra trilha que logo virava para o leste, estreitando-se gradualmente em pouco mais de uma sinuosa vereda entre as bétulas antigas e altas, cujas enormes copas sussurravam se você inclinasse a cabeça para trás e olhasse por entre a folhagem, e fiz isso até ficar com torcicolo e lágrimas nos olhos, e cruzamos um riacho fundo onde a água parecia gelada. E estava gelada quando respingou entre as patas do cavalo e atingiu minhas pernas, encharcando as calças de imediato, e algumas gotas até atingiram meu rosto quando seguimos a trote, e os cavalos gostavam daquilo, das variações do terreno a caminho de Furufjell. Nas encostas íngremes, a floresta de abetos era densa e intocada por lenhadores, e seguimos a vereda até o cume da colina e paramos por um momento no ponto mais alto, onde viramos os cavalos para olhar para trás, e entre os campos recém-ceifados o rio desenhava  seus meandros em prata fosca sob a copa das árvores, e os bancos de nuvens pairavam sob a colina do outro lado do vale.“ [221]

 

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O livro, narrado em dois tempos é situado durante a década de 1940 na Noruega e no final do século XX, com o personagem central, aos sessenta e sete anos, imprevisivelmente levado a relembrar acontecimentos passados na infância.

Uma característica do texto que me intriga e fascina é a omissão do óbvio. Per Petterson não nos ajuda; ele não nos dá descrições de sentimentos. Apesar dos sentimentos fortes, entre eles mais de uma forma de traição, estes não são denominados.  São as ações que nos contam o que acontece e o que aconteceu.  E assim de maneira oblíqua, nas entrelinhas. Talvez seja exatamente por isso que seu texto tem tanto poder sobre o leitor, que vai descobrindo assim como o jovem Trond, os caminhos tortuosos do mundo dos adultos.

 

per-petterson2Per Petterson

 

A traição é um dos temas mais comuns na literatura.  No entanto aqui ela é tratada de diversas maneiras e sem drama.  Há a traição entre amigos, companheiros de trabalho, fraternal, conjugal, paternal, política, além daquela de si mesmo, todas essas formas tratadas unicamente pelo relato de eventos, de maneira contida, ponderada, realista. Com maestria.

Não há como não recomendar esse livro. Pena que tenha sido lançado no Brasil em 2010 e, portanto, não tão fácil de encontrar nas livrarias. Valerá o esforço de adquiri-lo.

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Imagem de leitura — C. Sampaio

27 06 2016

 

 

C SAMPAIO - Dama em leitura, O.S.T, assinado no canto inferior direito e datado de 1989,25x20 cm.Dama em leitura, 1989

C. Sampaio (Brasil, 1941)

[Márcio Sampaio]

óleo sobre tela, 25 x 20 cm





Imagem de leitura — Francis Henry Newbery

24 06 2016

 

 

Francis Henry Newbery, (1855-1946) A Summer's Day, Looking Across The Estuary From Walberswick To Southwold,ost.110 x 74 cm,Public collectionUm dia de verão, vista através do Estuário de Walberswick para Southold

Francis Henry Newbery (Grã-Bretanha, 1855-1946)

óleo sobre tela, 110 x 74 cm

Coleção Pública





Sublinhando…

21 06 2016

 

 

Louis_RitmanSenhora lendo ao sol, 1914

Louis Ritman (EUA, 1889-1963)

óleo sobre tela, 90 x 90 cm

Coleção Particular

 

 

“Ver o mundo transformar-se é, ao mesmo tempo, milagroso e desolador.”

 

 

Simone de Beauvoir, A mulher desiludida [A idade da discrição], 1968

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Imagem de leitura — Jean-Baptiste Emile Corot

18 06 2016

 

 

corot19Valléda, 1870

Jean-Baptiste Emile Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre madeira, 83 x 55 cm

Louvre, Paris

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Trova das histórias escritas

18 06 2016

 

 

escola, jessie willcox smithsssssIlustração de Jessie Willcox Smith, 1928, para capa da Revista Good Housekeeping.

 

 

Quebra-cabeças é a vida,

e as letras peças de amor,

formando, após reunidas

histórias de glória ou dor!

 

 

(João Paulo Ouverney)

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Imagem de leitura — Armin Glatter

15 06 2016

 

 

Armin Glatter (Hungria, 1861-1916), A leitora, ost, 70 x 50cmA leitora

Armin Glatter (Hungria, 1861-1916)

óleo sobre tela, 70 x 50cm

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Sublinhando…

13 06 2016

 

 

Katya Gridneva (Ucrânia, 1965) espera, ostEspera

Katya Gridneva (Ucrânia, 1965)

óleo sobre tela

 

 

“Criança, adolescente, os livros me salvaram do desespero: isso convenceu-me de que a cultura é o mais alto valor, e eu não consigo encarar essa certeza com olho crítico.”

 

 

Simone de Beauvoir





Imagem de leitura — Philippe Jacquot

12 06 2016

 

 

Philippe Jacquot (1966, French)La lectureA leitura

Philippe Jacquot (França, 1966)

técnica mista





Imagem de leitura — Stephen Elvidge

11 06 2016

 

 

StephenElvidge.bookwormTraça de livraria

Stephen Elvidge (GB, contemporâneo)