Pato Donald, fonte de inspiração em Hollywood, na Ciência e no Japão

16 02 2011
Tio Patinhas considera uma história para roteiro de filme, ilustração Walt Disney.

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Muita gente que conheço se surpreende com a coleção de quadrinhos que tenho.  A maioria foi comprada depois de adulta.  A surpresa também acontece quando as pessoas percebem que tenho muitas vezes a pachorra de tirar fotos de alguns quadrinhos para postagem neste blog.  Este é um dos meus instrumentos de comunicação visual.  Muitos quadrinhos conseguem, numa só cena, contar uma idéia ou uma historieta inteira, principalmente quando estamos familiarizados com seus personagens. 

Lá em casa histórias em quadrinhos nunca foram proibidas.  Aliás, nenhum tipo de leitura foi proibido.  Meu gosto pelos quadrinhos vem desde pequenina, sempre os li e minha mãe também.  Ela era uma ávida leitora de gibis.  Papai, que era mais chegado aos textos científicos por sua própria profissão, também se deliciava com as invenções do Professor Pardal, chegando a conversar conosco sobre as possibilidades dessa ou daquela invenção estar no caminho certo de uma nova descoberta.  Todos nós na família éramos adeptos do  Pato Donald, que foi sempre um preferido; mais até do que o Mickey.  Mas sabíamos de cor e salteado todos os nomes dos personagens das revistinhas – inclusive os nomes dos personagens coadjuvantes e um dos passatempos favoritos de quando éramos crianças, nas longas viagens de carro, consistia em  nomearmos os diversos personagens de Patópolis, dos mais óbvios aos mais insignificantes. 

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Pateta lê os quadrinhos do jornal, ilustração Walt Disney.

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Ontem, para minha surpresa, meu marido me mandou um link para um artigo na revista CRACKED: 5 amazing things invented by Donald Duck, seriously, [5 coisas surpreendentes inventadas pelo Pato Donald, verdade.].  Neste longo ensaio sobre os quadrinhos do Pato Donald como fonte de inspiração, D. McCallum mostra, passo a passo,  como dois filmes de sucesso, vindos de Hollywood, têm semelhanças descabidas nas sequências de texto com histórias famosas dos personagens de Patópolis.

Entre os roteiros baseados nas histórias dos quadrinhos do Pato Donald estão:

1)      A origem, [Inception](2010), de Christopher Nolan,  cujos sonhos de personagens em comum, de roubo de pensamentos, de purgatório psicológico e de fuga do inconsciente transcorrem na mesma sequencia em que aparecem nas história  Tio Patinhas e o sonho de uma vidaUncle Scrooge and the Dream of a Life-time, publicada em 2002, 8 anos antes do filme.   

2)      Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida, ( Raiders of the Lost Arc] (1981) de Steven Spielberg, baseado na história de George Lucas.  Não, não, não, não não!  Aparentemente Lucas e Spielberg se inspiraram separadamente em duas histórias do Tio Patinhas.  Steven Spielberg admitiu que duas idéias:  a pedra que o ídolo deslanchou e o raio que corre atrás de Indiana Jones, foram inspirados na história – Sete Cidades de CibolaThe Seven Cities of Cibola, publicada em 1954.  Já Lucas se inspirou na história de 1959, The Prize of Pizarro, O Prêmio de Pizarro, com o corredor de flechas e os nativos hostis em perseguição a Indiana Jones.  Ambos Spielberg e Lucas admitem terem se inspirado no Tio Patinhas por serem grandes fãs de suas histórias.

O robô traz a solução de um problema para o Professor Ludovico, ilustração Walt Disney.

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Na ciência aplicada, as histórias do Pato Donaldo também foram fonte de inspiração.  O dinamarquês Karl Kroyer, em 1964 seguiu a idéia da história The Sunken Yacht, os seja, O Iate submerso, escrita por Carl Barkes e publicada em 1949, quinze anos antes.   Inspirado, achou a solução para trazer à tona um navio que havia afundado na costa do Kuait.  Kroyer conseguiu suspender o navio cargueiro em questão enchendo-o com 27 milhões de bolas flutuantes injetadas através de um tubo.   Quando quis patentear sua idéia, teve problemas.  Sua solução foi aceita na Alemanha e na Grã-Bretanha.  Mas quando quis patenteá-la na Holanda, não aceitaram o caso, pois a idéia havia sido publicada anteriormente, na revista do Pato Donald.  Na história O Iate Submerso, os sobrinhos do Pato Donald, trazem das profundezas do mar, um navio do Tio Patinhas que havia afundado.  Procurando por uma solução bem baratinha, — e não poderia ser diferente — o método que usaram foi simples: encheram-no de bolas de pingue-pongue.   Visitem o site da Cracked, para observarem tanto os desenhos de Kroyer como a história do Donald, e terão a certeza de que o governo holandês estava correto.

Foi Carl Barkes (EUA, 1901-2000), que escrevia as histórias do Pato Donald, quem antecipou a descoberta de uma nova molécula nos quadrinhos de  1944.  A história se chamava The Mad CientistO cientista maluco, e girava em volta de um trabalho de ciências que Luizinho, Huguinho e Zezinho faziam para a escola.  Tentando ajudar, Donald, acaba levando uma pancada na cabeça e descobrindo um explosivo chamado “Duckmite”, [“Patomite”].  Nesta história, em uma espécie de transe, Donald descreve uma molécula CH2, aparentemente 20 anos antes dela mesma ser descoberta ou melhor encontrada, pelo mundo científico. 

Tio Patinhas e Pato Donald, ganham uma carona graças à revista que deram de presente ao carroceiro em um lugar longínquo, ilustração Walt Disney.

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Talvez a maior influência que Carl Barkes e principalmente seus personagens possam ter tido através das histórias do Tio Patinhas e consequentemente, Pato Donald e seus familiares, tenha sido sobre o cartunista, desenhista e ilustrador Ozamu Tesuka (Japão 1928-1989), um magaká, ou melhor, um desenhista de mangás, conhecido também como  O Pai dos Mangás [apesar de não ter sido o criador dos mangás, ele leva esse cognome por ter popularizado o gênero], O Padrinho dos Anime,  e O Criador do Astro Boy, entre outros personagens de mangás.   Ozamu Tesuka é o primeiro reconhecer sua dívida com Carl Barkes, na criação dos mangás, a qual se dedicou logo após o término da Segunda Guerra Mundial.  Todos os anos até sua morte mandava um cartão de Boas Festas a Carl Barkes com agradecimentos sobre sua influência no seu trabalho.

Esse artigo de D. McCallum, vale a pena ler, inteiramente.  O que temos aqui é apenas um sumário de seu trabalho e mesmo que você possa não entender inglês vá até o site do artigo para ver as ilustrações de todos os pontos aqui mencionados.    O autor promete que há mais fatos de interesse sobre o Pato Donald, no livro editado pela Cracked chamado: You Might Be a Zombie and Other Bad News: Shocking but Utterly True Facts, Plume: 2010.  

Com essa nota de humor, deixo aqui um pequeno vídeo de Astro Boy, com vozes lusitanas.  Divirtam-se.

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VÍDEO DO ASTRO BOY:

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Imagem de leitura — Agata Nowicka

16 02 2011

Audrey Hepburn,  2008

[Mural para a maior cadeia de café-livrarias da Polônia]

Agata Nowicka (Polônia, contemporânea)

Ilustração digital

www.agatanowicka.com

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Agata Endo Nowicka nasceu em Varsóvia, na Polônia  em 1976. É uma artista gráfica, ilustradora trabalhando com ilustração digital.  É cartunista e editora artística da Revista GAGA.  Suas ilustrações já apareceram em muitas revistas de renome: Exklusiv, ELLE, Viva, Newsweek e The New Yorker.





Imagem de leitura — Paul Gustave Fischer

9 02 2011

Lendo a carta,  1914

Paul Gustave Fischer ( Dinamarca, 1860-1934)

óleo sobre tela

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Paul Gustave Fischer (Dinamarca 1860-1934) nasceu em Copenhagen filho de um pintor que mais tarde abandonou a pintura e teve sucesso como fabricante de tintas e vernizes.   Começou a pintar com seu pai que desde cedo lhe instrui nos segredos da pintura.   Teve pouca instrução artística formal freqüentando por apenas dois anos a Real Academia de Arte da Dinamarca.  Dedicou-se à pintura de gênero, naturalista– seus primeiros quadros retratavam a vida da cidade.  Passou quatro anos em Paris , onde adquiriu maior sensibilidade para cores mais ricas, e onde também deu preferência à pintura de cenas urbanas.





Imagem de leitura — Robert Sarsony

31 01 2011

Moda de verão, s/d

Robert Sarsony ( EUA, 1938)

óleo sobre tela,  75cm x 60 cm

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Robert Sarsony (EUA, 1938) é um pintor autodidata, que começou a expor em galerias de Nova Jersey, nos Estados Unidos, em 1963.  De 1969 a 1974 ele fez uma série de quadros baseados em ilustrações de livros e revistas dos anos 20 aos anos 40; deu o nome a essa série de Pop-Antiques.  Atualmente ele se dedica mais à pintura de gênero com muita atenção aos efeitos de luz.





Papa-livros, leitura para fevereiro: Jeff em Veneza, morte em Varanasi, de Geoff Dyer

26 01 2011

 

Mulher contemplando o mar , 1933

Max Beckmann (Alemanha, 1884 – EUA, 1950)

Óleo sobre tela

Museu Ludwig, em empréstimo do Museu de Arte de Bremen

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A partir deste mês vou colocar aqui, a escolha que o grupo Papa-livros fez para leitura e discussão.  Assim aqueles que quiserem acompanhar as nossas leituras estarão a postos.

Leitura para FEVEREIRO, discussão a partir do dia 21.

SINOPSE ( com texto das descrições das editoras brasileiras e portuguesa):

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O jornalista Jeff Atman está em Veneza para cobrir a abertura da Bienal de Arte. Espera ver muitas obras de arte, ir a muitas festas e beber muitos bellinis. Não espera conhecer a sedutora irresistível galerista americana e  Laura, que irá mudar completamente a sua curta estadia na cidade e o faz protagonista de um romance incandescente que provoca mudanças e revelações radicais.

 Outra cidade, outro trabalho: desta vez nas margens do Ganges, em Varanasi. Por entre as multidões, os ghats e o caos da mais sagrada cidade hindu, espera-o um tipo diferente de transformação.  Nessa segunda história, um narrador misterioso, que pode ser ou não o mesmo Atman visto em Veneza, tem sua estada ampliada na Índia, em uma missão jornalística. Mas o que seriam apenas alguns dias transformam-se em meses. Assim, entre turistas e peregrinos nas margens do rio Ganges, em Varanasi, a cidade mais sagrada da Índia, ele passa de ator a observador. Torna-se testemunha do romance de um casal de turistas e de episódios que refletem prazeres aos quais renunciaria.

Pontuado por meditações sobre o amor erótico e o anseio espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi confirma Geoff Dyer como um dos mais notáveis escritores da Grã-Bretanha. Com diversas referências a clássicos como Morte em Veneza, de Thomas Mann; O fio da navalha, de Somerset Maugham, e Venice Observed, de Mary McCarthy, foi saudado pela crítica como um livro divertido, elegante, sensual, engraçado, bem-construído e absolutamente fascinante.  

Nessas duas aventuras  o autor aborda o desejo em todas as suas manifestações: o desejo de sensações, de fuga e de se tornar outra pessoa, seja por meio do amor ou da arte, seja através do entorpecimento ou da transformação espiritual. O resultado é um livro repleto de alusões aos mitos sobre essas duas velhas cidades debruçadas sobre a água, que se tornaram ícones da arte ocidental e da religiosidade oriental.

Uma narrativa muito bela sobre amor erótico e desejo espiritual, Jeff em Veneza, Morte em Varanasi é divertido, elegante, sensual, cômico, engenhoso e absolutamente cativante. Consagra Geoff Dyer como um dos mais provocantes e originais escritores britânicos.

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Título: Jeff em Veneza, Morte em Varanasi 

Autor: Geoff Dyer 

Tradução:  José Rubens Siqueira

Editora: Intrinseca 

ISBN: 9788598078861 

Número de Páginas: 320   

 





Imagem de leitura — Carlos Leão

11 01 2011

Modelo, 1960

Carlos Leão ( Brasil, 1906-1983)

óleo sobre madeira, 54x 70 cm

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Carlos Leão (Rio de Janeiro, 1906 – 1983) arquiteto, pintor, aquarelista e desenhista brasileiro. Formou-se pela Escola Nacional de Belas-Artes em 1931. Foi amigo e sócio no escritório de arquitetura de Lúcio Costa.   Trabalhou com Gregori Warchavchik, famoso arquiteto ucraniano que construiu em São Paulo a casa modernista, uma das primeiras manifestações aparecidas no Brasil do estilo moderno na arte de construir.   Integrou a equipe de jovens arquitetos que projetou, entre 1937 e 1943, o Edifício Gustavo Capanema, sede do Ministério da Educação e da Saúde Pública, no Rio de Janeiro.   Nas artes plásticas ele fez diversas exposições principalmente no Rio e São Paulo  mas o que mais o destaca além dos seus nus femininos, são seus trabalhos de ilustrador que se inicia em 1946 com o livro de Vinicius de Moraes Poemas, Sonetos e Baladas.





Imagem de leitura — Herman Wessel

5 01 2011

 

Tarde de verão, 1924

Herman Wessel (EUA, 1878-1969)

óleo sobre tela

Cincinnati Art Museum, Cincinnati, Ohio

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Herman Henry Wessel (EUA, 1878-1969) nasceu em Vincennes, no estado da Indiana, filho de imigrantes prussianos.  Estudo na Escola Luterana Alemã de Vincennes ficando fluente nessa língua.  Aos 13 anos herdou algum dinheiro de seu pai que faleceu e Herman aproveitou para sair da sua cidade natal e se estabelecer em Cincinnati para estudar arte.  Lá estudou com Henry Fanny, L.H. Meakin, Edward Potthast, Joseph Sharp e Frank Duvenec, todos conhecidos profissionais nas artes plásticas.





Imagem de leitura — Félix Revello de Toro

2 12 2010

Sempre Feliz, 1977

Félix Revello de Toro ( Espanha, 1928)

Óleo sobre tela,  73 x 50 cm.

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Félix Revello de Toro, (Espanha, 1928) Nascido em Málaga, teve sua primeira exposição de arte aos dez anos de idade, em 1938.  Estudou pintura na Escuela Superior de Bellas Artes de San Fernando com César Alvarez Dumond, Antônio Burgos Oms, Rafael Murillo Carrera e Federico Bermúdez Gil.  Isto o fez muito familiarizado  com as obras de outros grande artistas tais como Sorolla, Casas, Benlliure, Muñoz Degrain , Martinez Cubells, Fernández Ocón, etc.  Aos dezesseis anos ganhou por competição duas bolsas públicas para estudar pintura em Madri onde permaneceu por cinco anos.  Ganhou diversos prêmios inclusive o Premio extraordinário de Belas Artes e a bolsa Carmen del Rio, em 1951, que lhe permitiram permanecer em Roma.  Em novembro de 2010 a cidade de Málaga abriu um museu dedicado à sua obra.

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NOTA: Há discrepâncias quanto ao ano de nascimento de Félix Revello de Toro.   Mais ou menos metade dos livros e sites dão como 11 de junho de 1926, enquanto que a outra metade dá 1928,  Escolhi a informação do Museu Félix Revello de Toro, recém-inaugurado (novembro de 2010) em Málaga.





A chuva fez azul nosso horizonte, poesia de Ladyce West

16 11 2010

Paisagem, s/d

Georgina de Albuquerque ( Taubaté, SP 1885 — RJ,RJ, 1962)

Aquarela sobre papel,  34 x 44 cm

Coleção Particular

A chuva fez azul nosso horizonte

 

Ladyce West

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A chuva fez azul nosso horizonte.

Pintou no vale a cor da esperança.

Encheu de anêmonas, miosótis, margaridas,

Do campo aberto, ao sopé do monte.

Brotaram pintassilgos e abelhas.

No rio, a cada curva um jatobá.

No cheiro do capim ao sol ardente

Paravam insetos, lagartos e até o ar.

Na sombra escura o gado se perfila,

Debaixo de mangueiras generosas,

E espera em silêncio sonolento

O alívio do calor.  Passam-se as horas.

Ao sinal distante da capela na aldeia,

Quando o sol se apaga atrás da serra,

As nuvens, uma a uma,  se enfileiram.

Primeiro, brancas, alegres, arredondadas,

Depois cinzas, sem forma e pesadas.

Acomodam-se, ao sul,  entre montanhas.

E qual ninhada de cachorros desmamada,

Que luta, reclama e se aquieta ’inda faminta

Com roncos e rugidos passam a noite.

O vento as nina… Mas ao brilho de relâmpago

Fugaz,  recomeça o murmúrio no horizonte.

Qual relógio mecânico e em tempo,

As nuvens acordam o sol sem cerimônia,

E em prantos limpam bem o firmamento,

Para de novo azularem o horizonte.

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28/8/06

© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro





Dez milhões de futuros escritores na língua inglesa, será?

13 11 2010

Ilustração, Onde está Wally?  — de Martin Handford.

A revista americana More Intelligent Life publicou um artigo by Alix Christie, intitulado We ten million, que me deixou estarrecida quando li a projeção matemática, feita pela autora, sobre o número que pessoas que gostaria de ter sua obra publicada.  Ainda que o artigo enverede pelos caminhos da frustração de um escrito desconhecido ao receber cartas e mais cartas de rejeição, o que me impressionou DE FATO, foi a simples matemática que ela menciona ao calcular o número de aspirantes à carreira de escritor.  Se você estiver interessado em saber como um escritor se sente com essas rejeições de ano após ano, sugiro que siga o link nessa postagem.  Por outro lado, vou fazer a tal matemática da autora. 

Alix Christie acredita que esteja perto de 10.000.000 [isso mesmo, dez milhões] o número de pessoas que pretendem publicar seus primeiros livros, em inglês.   Como chegou a essa figura?  É fácil.  Começou com o número de novos títulos publicados anualmente no mundo, aproximadamente: 250.000.  Voltou-se então para o número de novos títulos publicados anualmente em inglês: 100.000.   Esses manuscritos, por sua vez, devem representar, mais ou menos, ¼ dos livros representados por agentes.  100.000 x 4 = 400.000  Mas este número é na verdade uma pequeníssima porção dos manuscritos que esses agentes receberam para representar.  Ela acredita que possa ser 1/10, ou seja:  400.000 x 10 = 4.000.000 manuscritos nas mãos de agentes, por ano.  Se levarmos em conta que nem todo pretendente a escritor tem um agente, o número de 10.000.000 mencionado anteriormente parece bastante razoável.  

Não é de arrepiar?