Sublinhando…

21 10 2015

 

 

Pietro Rotari (Verona, 1707-1762) -- Jovem lendo,sanguinea e bico de pena sobre papel. 13 x 15 cmMuseu de Castelvecchio VeronaJovem lendo

Pietro Rotari (Verona, 1707-1762)

sanguinea e bico de pena sobre papel, 13 x 15 cm

Museu de Castelvecchio, Verona

 

 

“Como a palmeira tens a majestade,
E dela tens a desgraçada sorte:
A avareza da sombra e da piedade.”

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865 -1918), Palmeira Imperial.





Cuidado, quebra! Tinteiro de cerâmica, século XVI

5 10 2015

WOA_IMAGE_1Tinteiro, 1560-70

Faiança policromada

Itália, escola de Pesaro, 35 x 22 x 23 cm

Hermitage, São Petersburgo


Ladyce West é historiadora da arte e escritora. Seu primeiro livro de poesias À meia voz, foi publicado em  novembro de 2020, pela Autografia. Encontra-se à venda em todas as livrarias e em ebook na Amazon.

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Resenha: “O corpo humano” de Paolo Giordano

31 08 2015

 

foglian7Barracas de soldados, c.1330

[DETALHE]

Retrato Equestre de Guidoriccio da Fogliano

Simone Martini (Siena, 1280 a 1285 — 1344)

Afresco, 340 x 960 cm

Palazzo Publico, Siena, Itália

 

 

Com um título que mais lembra compêndios científicos para a sala de aula, O corpo humano de início não me atraiu. Mas vinha assinado por Paolo Giordano, autor de um dos mais sensíveis livros que li em 2010, A solidão dos números primos. Além disso, aprendi, há algum tempo, a desconfiar de segundos livros de autores cujas primeiras publicações achei espetaculares. Em geral, as segundas tentativas desapontam. Por isso posterguei a leitura. Mas felizmente meus medos não se realizaram dessa vez. Pelo contrário, Paolo Giordano consegue mais uma vez, abordar temas que invadem o nosso dia a dia, de uma maneira sensível, e por um ângulo inusitado.

Sim, esse é um livro de guerra. Guerra no Afeganistão. Mas não se trata do exército americano, como a situação poderia nos levar a crer. Trata-se de soldados italianos que fazem parte dos esforços da OTAN naquele país. E em lugar da narrativa se concentrar na guerra, ela nos mostra o dia a dia de um grupo de soldados, e não só acompanha os homens desde antes da guerra, como lá, no estrangeiro, em local minado por perigo. Somos expostos aos dilemas diários desses homens, jovens, sem muita experiência, como se comportam e se exasperam, o que os limita física e emocionalmente. Daí, o corpo humano, essa máquina orgânica que nos prende, limita, nos trai e suporta.

 

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Paolo Giordano surpreende mais uma vez por conseguir retratar a angústia pessoal de cada um de seus personagens, cada qual com seu problema íntimo — aqui, neste livro, problemas deixados para trás nos vilarejos ou cidades de onde vieram — com sensibilidade e distanciamento. Isso permite o leitor de se interessar pelo que pode acontecer a cada um, com o que parece ser um envolvimento mínimo. No entanto, quando finalmente um evento muda radicalmente a perspectiva dos soldados, é um choque perceber o quanto nos envolvemos com cada um deles e o quanto sabemos de seus desejo e frustrações e o fervor com que torcemos para que cada consiga ultrapassar os obstáculos físicos e emocionais.

 

 

Paolo GiordanoPaolo Giordano ©Niko Giovanni Coniglio

 

Não considero O corpo humano um livro de guerra nos moldes tradicionais. Ele é um livro sobre o ser humano, seus desejos, sonhos, experiências, necessidades, desilusões, decepções: emocionais e físicas. Ele nos mostra como ou porque chegamos a atos de audácia, fazemos juízo, nos mostramos corajosos, decididos e firmes. E ele nos mostra a chama, o piloto de energia que, no âmago, se incendeia quando cada um de nós age, decide, se droga, se perde, se desintegra, se constrói. Por isso mesmo Paolo Giordano passa a ser para mim, um dos autores que melhor se dedica ao entendimento do ser humano.

 

Recomendo a todos, amantes ou não dos livros de guerra

 

foglian2Retrato Equestre de Guidoriccio da Fogliano, c. 1330
Simone Martini (Siena, 1280 a 1285 — 1344)
Afresco, 340 x 960 cm
Palazzo Pubblico, Siena, Itália




Imagem de leitura — Cristina Iotti

17 08 2015

 

 

Cristina IottiMoça lendo

Cristina Iotti (Itália, 1965)

Desenho a lápis de cor

www.cristinaiotti.it

 





Cuidado, quebra! Tinteiro em faiança do século XV!

25 07 2015

 

 

Faenza Maiolica Inkwell, late 15th centuryMonumental tinteiro em faiança policromada,  final do século XV (1475-1500)

29 cm de largura

À venda na Sotheby’s, leilão em 2013.

 

Tem formato de quatro lóbulos redondos que suportam as Quatro Virtudes Cardeais: Prudência, Coragem, Justiça e Temperança com quatro receptáculos, em base cruciforme.

Este tinteiro é um dos mais importantes exemplares em existência do trabalho da geração de escultores em faiança, que antecedem o conhecido artista Giovanni di Nicola Manzoni del Colle, de quem temos datas precisas para sua produção: entre 1507 e 1516. Pertence à mesma época das esculturas em terracota encontradas na região de Emília, ao norte da Itália, produzidas nas últimas décadas do século XV. As figuras alegóricas das Virtudes lembram, por causa da qualidade escultural, as de Compianto, datadas de 1487, hoje no Museu Metropolitan de Nova York.





Imagem de leitura — Agnolo Bronzino

15 07 2015

 

 

f_mediciRetrato de Francesco de’ Medici, 1551
Agnolo Bronzino (Florença, 1503-1572)
Têmpera sobre madeira, 58 x 41 cm
Galleria degli Uffizi, Florença





Da presença de livros, José Eduardo Agualusa

13 07 2015

 

Gianni Strino (Italian artist, 1953-) Café del Matino -Café da manhã

Gianni Strino (Itália, 1953)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

Fiumano Fine Art

 

 

“A presença de livros, de muitos livros, tem um poder calmante, como flutuar num oceano pacífico, olhando o céu, numa tarde de sol.”

 

José Eduardo Agualusa

 

Em: “A extinção dos unicórnios”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 13/07/2015, 2º caderno, página 2.

 

 





Mulheres notáveis: Galla Placídia, texto de Francisco da Silveira Bueno

10 07 2015

 

 

Aelia_Galla_PlacidiaRetrato atribuído a Galla Placídia, séc. III a V

Pintura em miniatura, medalhão de vidro

Museu Cívico Cristão, Bréscia

 

 

Galla Placídia

 

Se do pai tinha sangue espanhol, tinha sangue oriental, pelo lado materno, e dessa mistura saiu tão raro tipo de mulher política, administradora, de grande visão artística e sumamente religiosa. A sua entrada no mundo político de Roma foi, justamente, num momento angustioso da Cidade Eterna: Alarico vencia os romanos, ele que aprendera os segredos da guerra sob as ordens de Teodósio, saqueava e devastava toda a Itália com as suas hordas de visigodos. O momento era trágico e dentre as cinzas e labaredas da destruição de Roma, surge Galla Placídia para vencer, sozinha, esses bárbaros. E de que jeito? Pelo sacrifício de todo o seu orgulho. Ela, filha de Teodósio, o Grande, grega pelo nascimento, aceita casar-se com Ataulfo, cunhado de Alarico, com uma condição, os visigodos iriam para a Espanha a fim de destruir os Vândalos. Era o ano 414. Integrada agora na gente visigótica, acompanha Ataulfo: os Vândalos são batidos, expulsos, jogados da Espanha para o norte da África. Mas na batalha final, no ano 415, morre Ataulfo e Placídia está livre. De volta a Roma, onde seu irmão Honório é o imperador, casa-se com Constâncio, o maior capitão do momento. Nascem-lhe dois filhos: Honória e Valentiniano. Escolhida Ravena para capital do império romano pelo próprio Honório, ei-la que aí sonha o seu sonho maior: colocar no trono o seu próprio filho. Era uma criança, como seria possível? A sua tenacidade, a sua habilidade, jogando contra as próprias ideias do irmão todo poderoso, prepara toda a ascensão de Valentiniano. A morte de Honório vem ajudar os seus projetos: Valentiniano sobre ao trono, mas quem reina, de verdade, é a Galla Placídia e reinará por trinta – cinco anos.

 

Em: Pelas estradas do sol, Francisco da Silveira Bueno, São Paulo, Saraiva: 1967, pp. 108-109.





Nápoles, texto de Sra. Leandro Dupré

1 07 2015

 

 

(c) Compton Verney; Supplied by The Public Catalogue FoundationBaía de Napoles do Posilipo, c.1770

Pietro Fabris (Itália, ativo 1740-1792)

óleo sobre tela, 75 x 128 cm

Compton Verney, GB

 

 

“Às onze horas, o trem entrava na estação de Nápoles. O frio continua forte, mas há sol em Nápoles.

Vedere Napoli, poi morire“.  Essa frase sugestiva inventada por um sentimental num belo por do sol de uma tarde de primavera, não está adequada para um frio dia de inverno como hoje.  Nápoles é uma bela cidade, alegre, movimentada, cheia de vida. Tomei um automóvel e passei pelos lugares principais. As praias são bonitas, o Mediterrâneo é de um azul intenso, o porto cheio de chaminés de grandes e pequenos navios, as montanhas ao longe se confundem com o azul do céu; e de um lado, numa elevação, o Vesúvio lançava, para o ar, rolos de fumaça negra, vagaroso e concentrado, como um velho marinheiro sentado na porta de casa e cachimbando, enquanto o pensamento procura seguir o rasto da fumaça para países distantes, percorridos na mocidade. Tomei apartamentos no hotel Isotta-Genève, no quinto andar.  Através da janela, vejo o Vesúvio sempre fumegando. Passei a tarde dando um passeio pelo centro da cidade e, à noite não saí. A baía é encantadora, mas quem vem do Rio de Janeiro não pode achar encantos em outras baías.”

 

 

Em: O romance de Teresa Bernard, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Ed. Brasiliense Ltda: 1945, 4ª edição, pp. 311-12





Esmerado: Carteira em prata, Art Nouveau

30 06 2015

 

f7f24b13408c270401df6eaf981a023bCarteira italiana em prata decorada com lírio, 1900

Prata de lei, marca: Bolonha: 835

13 x 7,8 cm

Tadema Gallery

 

ITALIAN ART NOUVEAU 2 Interior da carteira.