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Michael de Bono (Grã-Bretanha, 1983)
óleo sobre tela
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Michael de Bono (Grã-Bretanha, 1983)
óleo sobre tela
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Beryl Cook (Inglaterra, 1926-2008)
silkscreen, 61 x 56cm
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Armindo Rodrigues
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Esta gente que vai e vem,
de cá para lá,
de lá para cá,
que se cruza comigo,
que esbarra comigo,
que tem com certeza
os seus dramas iguais aos meus,
as suas esperanças iguais à minhas,
não sabe nada da minha vida,
nem eu sei dos seus segredos.
Cada um segue absorto em si
como se fosse de olhos fechados
e não tivesse as mãos para dar
a outras mãos desamparadas.
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Em: Voz arremessada no caminho; poemas, Armindo Rodrigues, Lisboa: 1943, p. 52
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Elizabeth Adela Stanhope Forbes (Canadá, 1859-1912)
aquarela, 61 x 43 cm
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Elizabeth Stanhope Forbes nasceu em Kinston, Ontário, Canadá em 1859. Foi educada artisticamente na Inglaterra onde permaneceu a maior parte de sua vida. Em 1889 casou-se com o pintor Stanhope Forbes. Teve um filho, Alec, em 1893. Morreu em 1912.
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Anthony A. González (EUA)
óleo sobre tela
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Bisbilhotando na internet hoje, cheguei a essa estatística que coloco abaixo porque me pareceu estarrecedora, os dados são de 2007 ou seja quase sete anos atrás, mas acredito que não tenha havido qualquer mudança significativa. Refere-se a livros publicados em tradução.
2% dos livros publicados no Reino Unido e nos Estados Unidos são traduções.
13% na Alemanha
27% na França
28% na Espanha
40% na Turquia
70% na Eslovênia
Não tenho os dados sobre o Brasil. Não achei. Talvez não tenha sabido procurar. Talvez caia sob o véu do silêncio que aflige a nossa cena editorial.
Essas estatísticas foram mencionadas no artigo Writers attack ‘overrated’ Anglo-American literature at Jaipur Festival, do jornal inglês The Guardian, sobre a acusação de escritores não anglófonos da dominância mundial da literatura produzida nos países de língua inglesa. Não vou entrar no assunto, nessa postagem, mas me pergunto se no século XIX também havia muita reclamação sobre a dominância do francês nas letras mundiais, que dadas as devidas proporções me parece ter sido igualmente abrangente. Fica aqui a consideração.
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Juliet, filha de Richard H. Fox de Surrey, 1931
Alfred Lambart (Inglaterra, 1902- 1970)
óleo sobre tela, 137 x 137cm
Laing Art Gallery, Newcastle-upon-Tyne, GB
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O terceiro-mundismo das ideias no Brasil é aparente nas entradas da Wikipedia em português. Muitas das definições e explicações na Wikipedia de assuntos internacionais, de história, literatura, arte, cultura em geral – exceto é claro a cultura televisiva e cinemática, em português, são pobres, falham nos detalhes, na significância do que se está procurando. Os ensaios traduzidos são cortados e não dão detalhes já existentes em inglês ou em francês, ou em qualquer outra língua.
Não conheço a razão para essa diferença entre os textos em português e os de outras línguas. Mas vou dar o meu palpite. Como exemplo mostro o que finalmente me irritou o suficiente para alavancar essa postagem:
Imperador Romano Marco Aurélio.
Em português temos aproximadamente uns 10 parágrafos sem qualquer referência às suas famosas Meditações. Na verdade elas não são nem mencionadas no parágrafo sobre influências desse imperador. Em inglês temos acima de 70 (parei de contar em 70) parágrafos, com extensa explicação sobre seu governo, sua contribuição literária, histórica, filosófica. Lendo a enciclopédia em português temos a impressão de que esse imperador não teve grande importância no desenvolvimento do império que tanto defendeu.
Mas, pior ainda, sua influência no destino do pensamento ocidental não é mencionado em português. Sua influência nas artes — no verbete em português — resume-se à estátua no Capitólio que influenciou estátuas equestres na Renascença. Além disso, aprendemos sobre sua influência no cinema. Não sobre sua influência filosófica na arte cinematográfica, mas sua “presença” na indústria, como no filme de 1964 A queda do Império Romano; no filme Gladiador de 2000 – “ o papel de Marco Aurélio sendo desempenhado por Richard Harris”, e também aprendemos que Marco Aurélio é citado pelo personagem Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, de 1991. A pessoa que escreveu esse verbete da Wikipedia não teve nem a curiosidade de se perguntar o motivo de Hannibal Lecter citar Marco Aurélio. Se o fizesse talvez tivesse aprendido sobre a obra literária do imperador romano. No entanto, em nenhum momento na descrição da importância de Marco Aurélio fala-se da obra Meditações. A versão em português de suas Meditações que são até hoje estudadas por serem um dos grandes livros sobre liderança, uma obra marcante no desenvolvimento da cultura ocidental tem outro nome. Meditações de Marco Aurélio, agora são conhecidas em português como O Guia do Imperador, tradução direta do inglês The Emperor’s Handbook. Mas, espera aí, do inglês? Importante notar que a tradução publicada — nas livrarias no momento — foi feita do inglês e não do latim. O latim é uma língua muito mais próxima à nossa (outro mistério que mostra a nossa pobreza intelectual). Então temos uma tradução de uma tradução. Por si só isso já representa um desvio do original de uma obra considerada excepcional. Ela constitui a expressão máxima do estoicismo, doutrina grega, trazida para os países do império romano (onde devo lembrar se encontram as raízes culturais brasileiras) pelos historiadores romanos. Dentre os pensadores estóicos além de Marco Aurélio temos Sêneca, Cleanto, “o estóico”.
Essa diferença de tratamento em verbetes tais como esse limita o horizonte do estudante brasileiro; a compreensão do cidadão curioso sobre história; dá um tiro no pé na cultura nacional. Se alguém quisesse, por exemplo, checar a razão do personagem Hannibal Lecter do filme O Silêncio dos Inocentes citar Marco Aurélio, encontraria a resposta? Esse desleixo com a informação que chega ao grande público é a expressão clara do preconceito social reinante na nossa terra, retrato da crença de que o “brasileiro que se interessa por isso lê em outra língua”. Por que? Por que ser obrigado a ler em outra língua? É a antiga separação de classes entre os letrados e o iletrados, entre os doutores e o público, os estudantes, os não-iniciados; que educação é coisa para a elite. É essa atitude que mantém até hoje milhões de brasileiros na docilidade da ignorância. É o retrato preciso da vergonha nacional.
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Meus pais, 1977
David Hockney (Inglaterra, 1937)
Óleo sobre tela, 183 x 183 cm
Tate Gallery, Londres
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David Hockney nasceu em Bradford,na Inglaterra em 1937. Estudoou no Bradford College of Art e on Royal College of Art em Londres. Um dos pintores da Pop Art Britânica. Mais tarde mudou-se para os EUAm onde viveu por muitos anos na Califórnia. É considerado um dos pintores de maior influência na arte contemporânea britânica.
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre madeira, 23 x 30 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela, 41 x 56 cm
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Filhotes em monte de feno, s./d.
Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
aquarela, 19 x 29 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela, 51 x 71 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela
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“Vixon”, “Venom” e “Viper”, 1898
Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela, 30 x 46 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre madeira
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela, 41 x 33 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre madeira, 28 x 21 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre tela, 51 x 38 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
aquarela e guache sobre papel, 23 x 17 cm
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Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre madeira, 25 x 33 cm
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[também conhecido como “velhos adversários“]
Valentine Thomas Garland (Inglaterra, 1868 – 1914)
óleo sobre madeira, 35 x 24 cm
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Menina do espelho, 2008
Inha Bastos (Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 50 x 50 cm
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Vaidade e status social de uma mulher que viveu há aproximadamente 4.500 anos, no que hoje é a Inglaterra, são provavelmente as causas das joias encontradas com seu esqueleto em Windsor na Inglaterra. Carinhosamente chamada de “Rainda de Kinsmeade” — Kingsmead é o local próximo a Windsor onde foi descoberta — esta mulher, foi encontrada em sítio explorado por arqueólogos de Wessex. Suas joias, como lembram os cientistas, devem ter sido símbolos de sua afluência e importância para a sociedade em que vivia.
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Domínio do Povo dos Copos.–
O pouco que restou de seus ossos, aparentemente corroídos pela acidez do solo, deixou que se concluísse ser uma mulher de aproximadamente 35 anos. Foi enterrada usando um colar com contas de ouro intercaladas com contas de lignite. No túmulo também foram encontradas contas de âmbar, perfuradas, que podem ter sido botões da vestimenta que usava quando enterrada. E parece ter usado também um bracelete de contas negras.
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Copos de barro encontrados no túmulo do arqueiro de Amesbury.–
Por causa de um copo encontrado ao seu lado, é possível que “a rainha de Kinsmead” tenha pertencido ao Beaker Folk [Povo dos Copos] uma cultura com raízes na península ibérica que dominava com grande técnica a manufatura de artefatos de cobre e de ouro. O Povo dos Copos era assim chamado por fazer uso de copos, provavelmente para beber cerveja ou outra bebida fermentada. Por volta de 2400 a.C. o Povo dos Copos dominou toda a península ibérica, parte do sul e do norte da França, a Alemanha, as terras onde hoje encontramos a Holanda e a Bélgica, a costa da Sardenha e Sicília, a Irlanda e o sul da Inglaterra. Pessoas desse povo eram frequentemente enterradas com todo tipo de pertences incluindo copos de barro. É quase certo que esse senhora fosse de fato mulher de prestígio pois tinha pertences que seriam raros e exóticos.
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Contas de ouro encontradas no local.
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Análise de seus pertences colocam a origem do ouro provavelmente na Irlanda, a do lignite no leste da Inglaterra e o âmbar podendo ser de um lugar tão longínquo quanto o Báltico.
Recentemente o sítio em Kingsmead tem sido fonte de grandes descobertas para a arqueologia britânica. Em março de 2013 noticiou-se a existência de um pequeníssimo vilarejo – um grupo de quatro casas vizinhas — algumas das casas mais antigas já descobertas na Inglaterra, construído aproximadamente há 6.000 anos. Essas casas, cujas grossas e pesadas fundações sobreviveram, algumas com pilastras de apoio, assim como a fonte para o fogo do lar – local da lareira – sugerem casas substanciais, altas com um mezanino provavelmente para a estocagem de grãos e outros alimentos durante o inverno. Devem ter sido construídas por volta de 3.800 a 3640 a.C. e todas tinhas subdivisões em cômodos internos. A maior dessas casas mede 17 x 7 m. E todas tinham telhado de sapê.
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Estudo mais detalhado dos objetos encontrados com a “rainda de Kingsmead” certamente trarão mais detalhes sobre o povoamento da Inglaterra na Idade do Bronze.
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FONTES: GUARDIAN — “Rainha de Kinsmead”; GUARDIAN — Casas de sapê ; WSHC
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A tradição dizia que o retrato a óleo [acima] em uma das salas particulares do Palácio de Lambeth mostrava a sexta esposa de Henrique VIII, Catarina Parr (1512-1548). Mas especialistas da National Portrait Gallery de Londres, que foram ao palácio, residência oficial do Bispo de Canterbury, com a intenção de estudar o retrato de William Warham (1450-1532), arcebispo de Canterbury no século XVI, parte de um projeto titulado: Fazendo Arte na Inglaterra Tudor, ficaram interessados no retrato da dama, parte da decoração da sala íntima da residência, desde o século XIX. Examinaram o Retrato de Catherine Parr e notaram algumas discrepâncias, colocando em dúvida a atribuição. Alguns detalhes não se encaixavam: a moldura do quadro era obviamente de data anterior ao casamento de Catarina Parr. As roupas da rainha consorte também pareciam ser antiquadas, para o período supostamente retratado e por fim, a pessoa retratada tinha uma semelhança enorme com a primeira esposa de Henrique VIII, Catarina de Aragão (1485-1536). Os especialistas pediram, então, ao atual arcebispo de Canterbury e aos Comissários da Igreja, o empréstimo do quadro para submetê-lo a uma análise técnica mais aprofundada. O bispo permitiu, começando assim o projeto da nova atribuição de um antigo quadro.
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Os testes logo mostraram que os especialistas tinham razão em querer examinar o quadro com cuidado. Submetido a raios-X e luz infra-vermelha o painel – é um óleo sobre painel de madeira – mostrou surpresas. A equipe descobriu que, se removida, a pintura de fundo mostraria o fundo original, uma pintura de um painel [um pano de fundo] de seda adamascada verde, semelhante ao de um retrato de Henrique VIII, pintado em 1520, e parte da coleção da National Portrait Gallery em Londres. O exame de raio-X do adorno de cabeça de Catarina Parr mostrou que ele fora alterado, que originalmente havia um véu, ítem semelhante aos usados na época de Catarina de Aragão. Além disso suas feições haviam sido modificadas. As evidências ajudaram à conclusão de que era de fato um retrato de Catarina de Aragão, que se tornou a primeira esposa de Henrique VIII, depois que seu irmão mais velho Artur, que ela havia esposado em 1501, morreu.
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Além das análises feitas na pintura em si, Charlotte Bolland, curadora da National Portrait Gallery de Londres, lembrou que até mesmo a moldura do quadro ajudou a refazer a identificação da pessoa retratada. “Ficou imediatamente aparente que se tratava de uma moldura bem mais antiga, produzida de uma maneira relativamente rara, típica do início do século XVI, um tipo de moldura que havia ficado fora de moda”. Alguns detalhes do acabamento decorativo da moldura sobreviveram, entre a pintura posterior e a folha de ouro. Isso foi de grande valia para a equipe de especialistas do museu porque molduras com acabamentos da época Tudor são extremamente raras. A moldura combina detalhes pintados em ouro com faixas coloridas em azul e vermelho, que eram pintadas com pigmentos de azurite e vermillion. Como uma grande parte do acabamento original foi recuperado, a equipe de reatauração da National Portrait Gallery conseguiu reconstruir as áreas perdidas ou prejudicadas. A restauração do contraste de cores usados na moldura dessa obra ajuda na compreensão dos valores estéticos da época. Outro aspecto considerado foi o vestuário: o que aparece, já não era usado na época de Catarina Parr, que nasceu em 1512, três anos depois do casamento de Catarina de Aragão com Henrique VIII. Além disso havia as características faciais em maior harmonia com Catarina de Aragão do que com Catarina Parr.
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Numa ironia do destino, hoje os retratos de Henrique VIII e Catarina de Aragão estão expostos lado a lado na National Portrait Gallery em Londres. Para quem se lembra, esse casamento acabou em divórcio, servindo de marco para a separação da família real inglesa da igreja católica. “Henrique VIII e Catarina de Aragão foram casados por 24 anos e durante esse período seus retratos teriam sido mostrados em conjunto, como rei e rainha da Inglaterra”, observou Charlotte Boland.
A princesa espanhola Catarina de Aragão foi a primeira esposa de Henrique VIII. Ela havia sido anteriormente casada, aos 15 anos de idade, com Artur o irmão mais novo de Henrique VIII. Mas Artur morreu seis meses depois do casamento. Ela ficou viúva aos 16 anos. Henrique VIII, então herdeiro do trono, casou-se com Catarina de Aragão, que foi coroada rainha da Inglaterra em uma cerimônia de coroação conjunta com seu marido.
Pouco depois de seu casamento Catarina ficou grávida, mas deu à luz uma filha natimorta em janeiro de 1510. A gravidez subseqüente resultou no nascimento do Infante D. Henrique em 1511 e houve grande festa, mas ele morreu depois de 52 dias de nascimento. Catarina de Aragão depois teve um aborto espontâneo, seguido por um outro filho de vida curta, mas em fevereiro de 1516, deu à luz uma filha saudável, Maria. E a criança sobreviveu.
Henrique VIII ainda amava a sua esposa, mas ficou frustrado com a falta de um herdeiro masculino e tomou várias amantes, entre eles Maria Bolena, irmã de Ana Bolena. Ana se recusou a se tornar amante de Henrique VIII, mas ele foi insistente e ela sucumbiu. A preocupação de Henrique VIII com um filho só aumentou.
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Maria I de Inglaterra, por Mestre John, óleo sobre painel de carvalho, 1544, National Portrait Gallery, Londres.–
Esta preocupação tornou-se ainda maior quando ele leu em Levítico que se um homem se casasse com a mulher de seu irmão, o casal permaneceria sem filhos. Apesar de ter uma filha, Henry ainda se sentia “sem filhos” por não ter um filho homem. Henrique VIII então pediu ao papa para que anulasse seu casamento. Quando Catarina – uma católica devota – soube disso, ela mesma também apelou para o Papa, defendendo sua posição, contra o divórcio. Ela argumentou que, como ela e Artur nunca haviam consumado o casamento, eles não eram marido e mulher de fato.
Essa briga continuou por seis anos e as coisas chegaram a um ponto em 1533, quando Ana Bolena engravidou e Henry decidiu que a única maneira de se casar com ela seria rejeitar o poder do Papa na Inglaterra. E conseguiu que Thomas Cranmer, arcebispo de Canterbury, anulasse o casamento.
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Catarina de Aragão implora a Henrique VIII contra o divórcio, s/d
[pintura do século XIX]
Henry Nelson O’Neil (Rússia, 1817- Inglaterra, 1880)
óleo sobre tela, 42 x 65 cm
Museu e Galeria de Arte de Birmingham, Inglaterra
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Catarina teve que renunciar seu título de Rainha e ser conhecida como a Viúva Princesa de Gales, o que rejeitou para o resto de sua vida.
Catarina e sua filha Mary foram separadas e ela foi forçada a deixar a corte real, vivendo em casas senhoriais úmidas e castelos com apenas uma meia dúzia de servos. Dizia-se que sofreu problemas de saúde por esse motivo, mas nunca se queixou, e passou grande parte de seu tempo rezando. A filha de Catarina e Henry tornou-se rainha Maria I de Inglaterra em 1553 e era conhecida por sua brutal perseguição aos protestantes – ganhando o apelido de “Bloody Mary” [Maria Sangrenta].
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Lembrando as esposas de Henrique VIII:
Catarina de Aragão (Espanha, 1485-1536)
Ana Bolena ( Inglaterra, 1501-1536)
Jane Seymour ( Inglaterra, 1508-1537)
Ana de Cleves ( Alemanha, 1515-1557)
Catarina Howard (Inglaterra, c. 1518–1524 – 1542)
Catarina Parr ( Inglaterra, 1512-1548)
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Esta postagem é em comemoração à exposição dos quadros de Henrique VIII e Catarina de Aragão, juntos, a partir do dia 23 de janeiro de 2013, na National Portrait Gallery em Londres.
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Fontes: National Portrait Gallery. The Daily Mail