René Xavier François Prinet (França, 1861-1946)
crayon, aquarela sobre papel, 55 x 106 cm
René Xavier François Prinet (França, 1861-1946)
crayon, aquarela sobre papel, 55 x 106 cm
Marc Chalmé (França, 1969)
óleo sobre tela, 162 x 130 cm
Acho surpreendente a chuva de elogios ao livro A delicadeza do escritor francês David Foenkinos. Trata-se de uma história sobre a lenta recuperação, o processo de luto, sofrido por uma viúva. A história culmina na escolha de um novo parceiro; uma escolha que parece improvável e imprevisível por aqueles que conheciam a viúva. O luto como tema, não é surpreendente. Muitos livros já foram escritos sobre o assunto. Recentemente lançado no Brasil, Nora Webster, do irlandês Colm Tóibin, trata justamente do tema, com muito maior complexidade.
Aqui, no entanto, temos uma história banal. Previsível. Um livro que pretende descrição de emoções complexas, mas cai no enfoque raso e simplório. O texto, repleto de frases intencionalmente forjadas com o desejo de parecerem “pensamentos profundos”, não é nada mais do que uma maneira superficial de explorar os sentimentos humanos. Não recomendo.
Lucien Lévy-Dhurmer (França, 1865-1953)
Pastel, 59 x 29 cm
Musée d’Orsay
“O Silêncio.
Não, os silêncios.
Poderia escrever um breve ensaio sobre o silêncio. Ou antes, um catálogo de silêncios para a boa ilustração dos surdos.
1 – O silêncio que precede as emboscadas;
2 – O silêncio no instante do pênalti;
3 – O silêncio de uma marcha fúnebre;
4 – O silêncio de girassóis;
5 – O silêncio de Deus depois dos massacres;
6 – O silêncio de uma baleia agonizando na praia;
7 – O silêncio das manhãs de domingo numa pequena aldeia do interior do Alentejo;
8 – O silêncio da picareta que matou Trotsky;
9 – O silêncio da noiva antes do sim.
Etc.
Há silêncios plácidos e outros convulsos. Silêncios alegres e outros dramáticos. Há aqueles que cheiram a incenso, e os que tresandam a estrume. Há os que sabem intensamente a goiabas maduras; os que se guardam no bolso interior do casaco, juntamente à fotografia do filho morto; os que andam nus pelas ruas; os silêncios arrogantes e os que pedem esmola.”
Em: As mulheres do meu pai, de José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Língua Geral: 2012, p.82-3.
Isaac Grünewald (Suécia, 1889 – 1946)
óleo sobre tela
Stendhal
Jean-Baptiste Emile Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre madeira, 83 x 55 cm
Louvre, Paris
André Deymonaz (França, 1946)
William Boyd
William Boyd (GB, 1952)