Minutos de sabedoria — Stendhal

30 10 2014

 

 

32ladywSenhora escrevendo carta e sua empregada, 1670

Johannes Vermeer (Holanda, 1632-1675)

óleo sobre tela, 72 x 59 cm

National Gallery, Dublin, Irlanda

 

 

“Não é de forma alguma um pequeno número de fortunas colossais que faz a riqueza de um país, mas a multiplicidade de fortunas medíocres.”

 

 

Stendhal-consul-bigStendhal





Palavras para lembrar — Francis Bacon

18 10 2014

 

 

Norbert_Gœneutte_-_Portrait_of_Anna_Gœneutte_Wearing_a_Beret (França)Retrato de Anna Goeneutte com boina, 1889

Norbert Goeneutte (França, 1854-1894)

óleo sobre tela, 55 x 28 cm

Coleção Particular

 

 

Certos livros devem ser provados; outros engolidos; uns poucos mastigados e digeridos.

 

Francis Bacon





Imagem de leitura — Edgar Degas

7 10 2014

 

 

 

1870s_10A bolsa de algodão em Nova Orleans, 1873

Edgar Degas (França, 1834-1917)

Óleo sobre tela, 73 x 92 cm

Museu de Belas Artes, Pau

França





Em três dimensões: Jean-Baptiste Carpeaux

28 09 2014

 

 

1993.83a-bNegra, 1868

[Também conhecida como:

Por que nascer escrava?, baseado na inscrição na base]

Jean-Baptiste Carpeaux (França, 1827-1875)

Gesso com patina, 35 x 23 x 18 cm

Base em pedra vermelha.

Inscrição incisa na base em francês: “Pourquoi nâitre esclave”

Brooklyn Museum, Nova York

 

Esta escultura é parte de uma série de quatro bustos, este representando a África,  dentro dos quatro continentes encomendados para o Chafariz do Observatório nos Jardins de Luxemburgo em Paris.  Uma versão em mármore foi apresentada no Salão de 1869 e comprada por Napoleão III.





Os imortais: o caçador de Harz, texto de Machado de Assis

25 09 2014

 

 

Hunt_of_the_Unicorn_-_the_Hunt_BeginsCaça ao unicórnio, 1495-1505

[As Tapeçarias do Unicórnio]

Uma tapeçaria de um conjunto de Sete

The Cloisters Museum, Nova York

 

 

Os Imortais

(Lendas)

I

O Caçador de Harz

Machado de Assis

As lendas são a poesia do povo; elas correm de tribo em tribo, de lar em lar, como a história doméstica das ideias e dos fatos; como o pão bento da instrução familiar.

Entre essas lendas aparecem os contos populares dos imortais; em muitos povos há uma legenda de criaturas votadas à vida perpétua por uma fatalidade qualquer. Sabido é o mito do paganismo grego que mostrava Prometeu atado  ao rochedo do Cáucaso em castigo de seu arrojo contra o céu, onde se guardavam as chaves da vida. Um abutre a rasgar-lhe as vísceras, o fígado a renascer à proporção que era devorado, e depois um Hércules, individualidade meio ideal, e meio verdadeira — que o desata das correntes eternas — tudo isto embeleza a arrojada concepção do grande povo da antiguidade.

Um apanhado ligeiro de algumas dessas lendas, vai o leitor contemplar diante de si. Começo por uma balada alemã; o povo alemão é o primeiro povo para essas concepções fantásticas, como um livro de seu compatriota Hoffmann. As margens do Reno são uma procissão continuada de tradições e de mitos, em que um espírito profundamente supersticioso se manifesta. É lá a verdadeira terra da fantasia.

Reza a tradição popular, que um cavalheiro daquelas regiões era doido pela caça a que se entregava de corpo e alma como o rei Carlos IX, que não tinha outro mérito além desse, exceto o de fazer matar huguenotes, doce emprego para um rei imbecil, como era.

Era pois o cavalheiro da lenda um caçador consumado, e tanto que fazia da caça o seu cuidado favorito, único, exclusivo. Esmolas? ele não as dava quando na estrada se lhe apresentava a mão descarnada do mendigo; curvo sobre o seu cavalo fogoso lá ia ele por montes e vales, como o furacão do inverno; tudo destruía, tudo derrubava, ao pobre lavrador que gastava tempo e vida nas suas messes; passava pela igreja como pela porta de uma taverna; nem lá entrava para orar — ao menos pelo descanso de seus antepassados; o sino que chamava os fiéis à oração não chegava aos seus ouvidos ensurdecidos pelo som da corneta; era a raiva da caça. Deus cansou-se com aquela vida de destruição,e o feriu com sua mão providencial. O castigo caiu sobre a cabeça desse cavalheiro condenado a vagar pelas florestas das montanhas de Harz, envoltos ele, cavalo e monteiros no turbilhão de uma caça fantástica. Todas as noites o povo crê ouvir o caçador eterno com toda a sua comitiva em busca de vítimas na floresta. Não é talvez mais que um efeito de imaginação esse rumor da montanha produzido pelo sopro de um vento dominante nessa floresta; mas o povo crê e não convém destruir as fábulas do povo.

Se é um fato, se é a demonstração de uma máxima, não podemos aqui discutir; eis aí a tradição que o engenho popular construiu, e a religião das lendas tem conservado. Há talvez aqui uma bela análise; talvez uma definição que se compadeça com os destinos do povo. Esse cultivo dos mitos não é, talvez, o aguardar laborioso das verdades eternas?

É o que não sabemos.

(1859)

Em:  O Espelho:revista de literatura, modas, indústria e artes, 18 de setembro de 1859, p.6. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008





Palavras para lembrar — Ralph Waldo Emerson

23 09 2014

 

Andre Lhote (França 1885-1962) femme Lisant, 1945Mulher lendo, 1945

André Lhote (França, 1885-1962)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

É o bom leitor que faz o bom livro.”

 

Ralph Waldo Emerson





Os maravilhosos companheiros de Suzanne Valadon

20 09 2014

 

 

Dois gatos, 1918-Suzanne-Valadon, ostDois gatos, 1918

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

Suzanne Valadon, L’arbi et la misse, 1927 Suzanne ValadonO Arbie e a Misse, 1927

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

raminou-sitting-on-a-cloth-1920Raminou sitting on a cloth (1920) by Suzanne ValadonRaminou sentado no tecido, 1920

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

Suzanne Valadon (1865-1938)   Portrait de Miss Lily Walton avec RaminouRetrato da Srta. Lilly Walton com Raminou, 1932

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

study-of-a-cat-suzanne-valadonEstudo para um gato, 1918

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

Louison et Raminou, Suzanne Valodon, 1920Louison e Raminou, 1920

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

suzanne_valadon_ma_fiere_a_quatre_ans_d5591984hMinha orgulhosa aos quatro anos, 1905

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

pastel e guache sobre papel colado em placa, 40 x 42 cm

 

raminou-and-pitcher-with-carnations-1932Raminou and pitcher with carnations - Suzanne Valadon.Raminou e jarra com cravos, 1932

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

Menina com gato, 1919, Suzanne ValadonMenina com gato, 1919

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 

Suzanne Valadon (1865-1938) Bouquet and a Cat 1919Buquê e gato, 1919

Suzanne Valadon (França, 1865-1938)

óleo sobre tela

 





Palavras para lembrar — Marcel Proust

20 09 2014

 

 

Mulher lendo,George Zlotescu (Romênia, 1906-1983)Óleo sobre telaMulher lendo

George Zlotescu (Romênia, 1906-1983)

óleo sobre tela

 

 

“A leitura é a maior das amizades.”

Marcel Proust





A realidade está nos olhos de quem vê!

19 09 2014

web_art_academy_Au-Moulin-de-la-Galette_Pierre-Auguste-Renoir1 HIGH DEFINITION 2Dança no Moulin de la Galette, 1876
Pierre Auguste Renoir (França, 1841-1919)
Óleo sobre tela, 131 x 175 cm
Musée d’Orsay, Paris

 

Hoje dando uma olhadinha na página do Facebook de um dos meus blogs preferidos, o do Mariel Fenandes, achei a seguinte frase:

 

“A gente não vê as coisas como elas são. A gente vê as coisas como nós somos”.

 

Na quarta-feira eu tinha acabado de conversar com algumas amigas justamente sobre isso.  Mas eu falava da pintura figurativa. Ela jamais acabará, como muitos imaginaram logo depois da Segunda Guerra Mundial.  Ela não vai acabar porque cada pintor vê as coisas de maneira única e diferente.  Cada qual vê as coisas como eles são.

 

Pierre-Auguste_Renoir,_Le_Moulin_de_la_Galette HIGH 1 margauxDETALHE: Dança no Moulin de la Galette de Auguste Renoir, 1876.

Assim o quadro acima, do pintor francês impressionista Auguste Renoir, um dos mais conhecidos emblemas da pintura impressionista francesa, mostra uma festa, uma dança em um dos locais populares de Paris dos últimos anos do século XIX.  O local não era frequentado por pessoas ricas. Era de fato frequentado por jovens mulheres, trabalhadoras, costureiras, lavadeiras, passadeiras, e demais profissionais de serviço, que precisavam fazer um dinheirinho extra e, no mínimo, dançavam por música. Mas a cena acima nos dá a impressão de uma grande festa, de uma sociedade feliz e sem divisões de classes sociais.  Há homens de chapéu de palha, de cartola, de chapéu coco e mulheres com belos vestidos coloridos.  Todos se olham, todos sorriem e exalam uma sensualidade comedida. Namoricos aparecem em pleno desabrochar. Montmartre, na época, onde está localizado até hoje o Moulin de la Galette, era um bairro decadente e pobre, que havia sofrido muito com a revolta civil, que tomara o governo por 3 meses em 1871, chamada de Comuna de Paris.  Mas a tela de Renoir não demonstra nenhum sinal de uma vida pobre.  Muito pelo contrário, o status social de cada um é irrelevante. O que importa é a festa, a alegria, a camaradagem.  Renoir quis ver a vida assim.

 

federi05Moulin de la Galette, 1877
Federico Zandomeneghi ( Itália, 1841-1917)
Óleo sobre tela, 80 x 120 cm
Coleção Particular

 

O pintor italiano Federico Zandomeneghi  toma o lado oposto da visão.  Cuidadosamente pinta, um ano depois de Renoir, o mesmo local.  Desta vez vemos o Moulin de la Galette do lado de fora, na entrada. Aí, diferente da imagem que temos de Renoir, vemos uma fila de mulheres cansadas, entrando no estabelecimento em fila, umas se apoiando às outras. Mais mulheres do que homens.  Vestidos escuros, do dia a dia de trabalho; uma rua mais ou menos abandonada, com cachorros de rua vagando a esmo.  As cores são menos alegres. Temos, na verdade, o retrato de pessoas resignadas a mais umas horas de trabalho.

 

federi05 detalhe 1DETALHE: Moulin de la Galette, de Federico Zandomeneghi, 1877.

 

Onde esta a realidade?

Não sabemos.  Porque ela está conosco.  Nossas preferências irão nos aproximar mais de um pintor do que do outro.  Não há verdade.  Não há uma única realidade.





Imagem de leitura — Berthe Morisot

19 09 2014

 

0017-0010_bildnis_julie_manet morisot, 1888Retrato de Julie Manet, 1890

Berthe Morisot (França, 1841-1895)

óleo sobre tela, 55 x 84 cm

Coleção Particular

 

Julie Manet é a filha única da pintora Berthe Morisot e Eugène Manet, irmão do pintor Édouard Manet.