–
–
Emilio Sala y Frances (Espanha, 1850-1910)
óleo sobre tela, 56 x 39 cm
Coleção Particular
–
“Há alguma coisa na natureza do chá que nos leva a um mundo de contemplação silenciosa da vida.”
–
–
–
Emilio Sala y Frances (Espanha, 1850-1910)
óleo sobre tela, 56 x 39 cm
Coleção Particular
–
–
–
–
Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha 1880 — Suiça, 1938)
óleo sobre tela, 136 x 178 cm
Museu Kirchner, Davos
–
–
Francisco de Quevedo (Espanha, 1580-1645)
–
–
Antonio Vidal Rolland (Espanha, 1889-1970)
–
–
Elie Wiesel
–
–
Carlos Cosme Jimenez (Espanha, contemporâneo)
óleo sobre tela, 100 x 81 cm
–
–
Francis De Croisset (1877-1937)
–
–
Santuário da Misericórdia, em Borja, Espanha, foto: Rosaflor.–
Esta é uma postagem de domingo preguiçoso. Ou seja, um pouco diferente do normal. Mas vem à razão da minha surpresa ao constatar através do jornal inglês The Independent, que a pequena cidade de Borja na Espanha, (4.300 habitantes), que se tornou conhecida mundo afora há mais ou menos um ano por causa de erros a uma restauração mal feita no afresco Ecce Homo, do pintor Elias Garcia Martinez (Espanha, 1858-1934), no Santuário da Misericórdia, se encontra agora, pelo mesmo motivo, capaz de arrecadar uma grande quantia de dinheiro €50.000 (cinqüenta mil euros) que estão sendo usados em caridades locais.
–
[Uma combinação de três documentos providenciados pelo Centro de Estudos Borjanos em 22 de agosto de 2012, mostra a versão original da pintura Ecce Homo (Esquerda) pelo pintor do século XIX Elias Garcia Martinez, a versão deteriorada (Centro) e a versão restaurada pela velha senhora na Espanha, AFP/Foto/Centro de Estudos Borjanos.]–
A curiosidade sobre este “acidente” de restauração que há um ano tornou-se uma notícia viral, é hoje responsável pelos fundos arrecadados pelo Santuário. Cecília Gimenez, a octogenária encarregada da restauração, que já havia em anos passados dado umas pinceladas em outras pinturas necessitadas de cuidados, hoje consegue uma quantia substancial com a venda de camisetas e demais mementos turísticos com a imagem de “seu erro”. Os lucros dessas vendas são parcialmente dividos entre a restauradora e o governo do pequeno lugar, situado na província de Zaragoza.
–
A desastrosa restauração tem trazido ao vilarejo gente do mundo inteiro movida pela curiosidade de presenciar o erro; talvez, de se confraternizar com a senhora que, com a melhor das intenções, tentou “consertar” uma obra que se desfazia. A reprodução em todo canto dessa imagem fala da nossa atração nata pelo horrendo, pelo grotesco. Ela nos atrai da mesma forma que a mulher barbuda atraía, pelo preço de uma entrada, centenas de pessoas para debaixo da lona circense. Talvez haja conforto em vermos que, como nós, outros também erram. A diferença é que nossos erros geralmente não chegam à popularidade a que este chegou.
–
As lembrancinhas para turistas que a cidade vende mostra que esses espanhóis souberam dar a volta por cima depois da queda. Conseguiram ver o erro, aceitá-lo e ainda transformá-lo em benefício para a comunidade. Muito mais do que a maioria de nós seria capaz de fazer. Palmas para eles: eles merecem!
–
Legenda: “Eu prefiro a restauração”.
–
Mulher lendo
Xavier Gosé (Espanha, 1876-1915)
Guache sobre papel
=
Xavier Gosé i Rovira nasceu em Alcalá de Henares, na Catalunha em 1876. Depois da morte do pai, quando ele tinha quatro anos, foi para Barcelona com a família de sua mãe. Estudou de arte com José Luís Pellicer. Terminado o aprendizado, trabalhou com ilustração para as maiores revistas da época, de 1895 a 1898. Expõe na Catalunha, inclusive no conhecido Quatre Gats. Em 1900 mudou-se para Paris onde passou a contribuir primeiro com caricaturas para revistas de humor e depois para todo tipo de publicação. Tornou-se um ilustrador requisitado por todo o mercado. Com a aproximação da Primeira Guerra Mundial retornou à Catalunha. Mas, morreu logo a seguir, em Lleida, em 1915, de tuberculose.
–
–
Tipos de La Mancha, 1912
Joaquín Sorolla y Bastida (Espanha, 1863-1923)
óleo sobre tela, 513 x 513 cm
Museu Sorolla, Madri
–
–
Há horas em que a simples leitura de um trecho de romance, ou poesia, acorda alguma imagem na memória de quem trabalha com imagens o tempo todo. Isso acontece comigo e tenho certeza com quase todos os que dedicam a vida às artes visuais. Em geral, imagens acordam de um sono profundo porque a mente já entreabriu a porta, seduzida pelo texto, norteada pela beleza poética que um autor foi capaz de semear. E as ocasiões poéticas no livro que ainda leio nesse fim de semana são muitas, consequência da esplendorosa delicadeza narrativa de Alexandra Lucas Coelho. Mas como o objetivo agora não é a resenha do romance, paro aqui a análise, sabendo que essa virá quando concluída a leitura. Mas não posso deixar de registrar o trecho em que me lembrei da pintura de um dos grandes mestres espanhóis, Joaquín Sorolla y Bastida. Espero que gostem da justaposição. Um bom domingo a todos.
–
–
Planícies de oliveiras num horizonte azulíssimo. Tamanho é o frio que não se formam nuvens, será isso. Estamos a ir para Campo Criptana, desde o século XVI terra de moinhos, daqueles redondos e brancos com velas negras.
Foi aqui que Quixote os combateu. Eram 30 ou 40 contra um. Agora são dez, no cimo de uma colina, com a aldeia aos pés.
Deixamos o carro junto ao mais alto, e quando saímos é como se nos dessem um golpe na cabeça. Já estava frio, mas agora está frio com pazadas de vento. Nem na Sibéria, em dezembro, me doeu tanto.
Avançamos com os cachecóis por cima da cara e as mangas puxadas até a ponta dos dedos, a segurar caderno e caneta.
— Está ali um homem – gritas tu.
— Vamos lá – grito eu.
O homem são dois, Anastasio e Crisanto, nomes que quem-nos-dera, mesmo Cervantes chamava-lhes um figo. Um tem 75, o outro 68 e sentam-se como na praia ao poente. De tanto para aqui virem, o vento já nem lhes toca. Este é o melhor moinho de todos, dizem eles, “nem demasiado largo, nem torto.” Chama-se Burleta.
Os velhos do mar têm barcos. Os velhos de Campo Criptana têm moinhos.
–
Em: E a noite roda, Alexandra Lucas Coelho, Rio de Janeiro, Tinta da China: 2012
–
Moça lendo o jornal
Cayetano Arquer Buigas (Espanha, 1932)
–
–
Louisa May Alcott
–
–
Didier Lourenço (Espanha, 1968)
óleo sobre tela, 127 x 198 cm
–
Didier Lourenço nasceu em Premia de Mar, próximo a Barcelona, na Espanha, em 1968. Começou sua vida artística no ateliê de gravuras de seu pai, aprendendo a arte da litografia a partir de 1987. Simultaneamente começou a pintar em tela e sobre papel, e passou a fazer parte da cena artística catalã. Em 1988 fez sua primeira exposição solo e publicou a primeira série de litografias de seu trabalho. Hoje é um artista plástico conhecido por sua pintura, suas litogravuras e esculturas.
–
–
Homem lendo jornal
Cayetano de Arquer Buigas (Espanha, 1932)
óleo sobre tela
–
Cayetano de Arquer Buigas nasceu na Espanha em 1932. Passou a adolescência entre Madri e Barcelona. Mostrou talento para o desenho desde cedo. Antes de se dedicar à pintura, dedicou-se à fotografia e ao cinema. Aos vinte e sete anos finalmente rendeu-se ao desenho e à pintura e o tem feito desde então.