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Avenida Paulista, São Paulo, s/d
Élon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 130cm
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Abrigo dos bondes em Porto Alegre, 1945
Benito Mazon Castañeda (Espanha,1885- Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 75 x 80 cm
Pinacoteca Aldo Locatelli, Porto Alegre

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Feliz Ano Novo!
A felicidade… Sua busca está na moda.
Estudos em neurologia, sociológicos e de direito examinam, no mundo inteiro, neste preciso momento, o que é a felicidade. E mais, se é um direito do indivíduo. Termos chegado a esse debate representa um passo enorme na história da humanidade: um módico dos direitos humanos foi alcançado por uma parte significativa da população mundial ou não estaríamos a discutir com tanto ardor um sentimento tão completamente subjetivo.
A música de Clarice Falcão “O que você faz para ser feliz?” usada recentemente como jingle para o anúncio de um supermercado na televisão, revela um importante conhecimento, mesmo com seu jeitinho de cultura pop: a felicidade, como a beleza, está nos olhos de quem vê, ou nesse caso, de quem sente. Ela depende exclusivamente de você. Daquilo que você escolhe, do que você constrói. Ela requer autoconhecimento e auto-aceitação. Ela está presente, aí dentro de você. É preciso só despertá-la…
Que 2014 lhe traga o autoconhecimento necessário à sua felicidade.
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Ilustração de Nicolas Gouny.–
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Vinicius de Moraes
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Eu vi a estrela polar
Chorando em cima do mar
Eu vi a estrela polar
Nas costas de Portugal!
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Desde então não seja Vênus
A mais pura das estrelas
A estrela polar não brilha
Se humilha no firmamento
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Parece uma criancinha
Enjeitada pelo frio
Estrelinha franciscana
Teresinha, mariana
Perdida no Polo Norte
De toda a tristeza humana.
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Em: Poemas para a Infância – antologia escolar – de Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s.d., p.18.
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Minie e Clarabela vão ao teatro, ilustração de Walt Disney.–
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Cartões postais do Brasil, de Manuel Móra.–
Todos que seguem este blog sabem que há tempos reclamo da falta de divulgação ou até mesmo interesse nosso pelos nossos ilustradores. Tento na medida do possível trazer à superfície um ou outro nome mais relevante. Hoje, à procura de informações sobre outro assunto, me deparei em um site americano, com este maravilhoso grupo de cartões postais impressos pelo Departamento de Turismo da cidade do Rio de Janeiro, com o intuito de aumentar o turismo internacional. A cidade era a capital do Brasil em 1934 quando esses postais foram impressos. E o uso de diferentes línguas nos postais: inglês, francês, alemão, italiano, espanhol e português mostra a diversidade do apelo turístico pretendido, algo que se enquadrava no perfil ecumênico da metrópole.
O ilustrador é o brasileiro (português por nascimento mas naturalizado) Manuel Móra. Já trabalhava no Brasil na década de 1920 e a data de sua chegada aqui ainda está incerta. Nasceu em 1884. Por aqui construiu uma carreira como ilustrador que o coloca hoje entre os mais importantes da época. Fez muitos cartões postais e capas de revistas nacionais como Para Todos, Cinearte e O Cruzeiro. Trabalhou também para a grande e sofisticada loja Parc Royal, no centro do Rio de Janeiro (na Avenida Central 130 e 132) entre as ruas Sete de Setembro e Ouvidor, que pegou fogo em 1943, em um dos mais famosos e alarmantes incêndios do Rio de Janeiro de outrora. Provavelmente os originais de grande parte de seus trabalhos se encontravam nesse local. Sua assinatura, com características Art Deco, é ocasionalmente confundida com a de J. Carlos, mas os estilos de traçado são completamente diferentes. Faleceu no Rio de Janeiro em 1956.
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Grupo escolar de Patópolis, ilustração de Walt Disney.–
Acabo de comprar em versão eletrônica o livro The Smartest Kids in the World: And How They Got That Way de Amanda Ripley considerado pelo New York Times um dos melhores livros de não-ficção publicados nos EUA em 2013. A lista completa pode ser vista aqui: 100 notable books of 2013. O assunto é de interesse: há muito que me preocupo com a educação das crianças no Brasil e consolo a minha ansiedade me familiarizando com o que outros países fazem. Digamos que minha curiosidade no assunto tornou-se um hobby. Por isso mesmo investi meus quase R$29.00 para satisfazer a minha curiosidade sobre os modos de educação de três diferentes países que estão entre os melhores colocados em todos os testes internacionais medidores de desempenho escolar: Finlândia, Coréia do Sul e Polônia.
Antes mesmo de me enfronhar nessa leitura já me surpreendi com o pouco vislumbrado pela resenha de Annie Murphy Paul. Na Finlândia a escola analisada não é ultra moderna, e seus alunos não estão usando os últimos lançamentos do mundo virtual em classe. A escola é “escura e fria, suja com mesas em filas e um quadro-negro antiquado. Não há um iPad ou tela interativa à vista”. O que a escola tem são “professores brilhantes, talentosos, que estão bem treinados e amam seus empregos”. Há a garantia de um ensino de qualidade desde o início. A profissão de professor é valorizada e “apenas os melhores alunos se inscrevem em programas de formação de professores“.
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Chico Bento vai à escola. Ilustração Maurício de Sousa.–
Na Coréia do Sul parece que a dedicação total dos estudantes e de suas famílias é o que leva aos resultados fenomenais dos testes internacionais. Os alunos depois das aulas formais, dedicam o resto das horas de seu dia a estudar com tutores rigorosos e exigentes. O hábito de estudar muito depois da escola gera uma pressão acadêmica tão forte que funcionários do governo e administradores das escolas pensam em impor um toque de recolher do estudo às 22 horas. Mas tanto os estudantes quanto seus pais sabem que para passar nos rigorosos exames do país é necessário fazer-se grandes sacrifícios. A persistência nos estudos diários e intensos por horas a fio é a solução.
A Polônia apostou em professores bem treinados, num currículo rigoroso e num exame desafiador exigido de todos os que acabam certos estágios de formação. Tanto alunos quanto suas famílias entendem que o que importa são as oportunidades de vida no futuro para suas crianças e não se importam de sacrificar nem mesmo o tempo dedicado aos esportes.
O interessante é notar que nenhum desses países, que agora conseguem os melhores resultados na educação de suas crianças, era conhecido como uma superpotência educacional duas décadas passadas. Mas seus governos, aliados aos pais, mudaram os sistemas educacionais e conseguiram resultados expressivos. Nesses países as crianças são educadas para fazerem argumentos complexos, e resolverem problemas cujas soluções desconhecem. Elas aprendem a pensar e a usar da disciplina do estudo. Só assim poderão crescer seguros de um lugar ao sol na sociedade moderna.
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Josephine de Beauharnais, 1812
Firmin Massot (França, 1766-1849)
óleo sobre tela, 32 x 28 cm
Coleção Particular
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Josefina de Beauharnais teve só dez anos para deixar uma bela herança cultural para as gerações futuras. Durante os seis anos em que foi Imperatriz da França adquiriu, renovou e cuidou do Castelo de Malmaison, no meio de um imenso parque em Paris. Lá plantou uma grande variedade de plantas exóticas, que o marido mandava dos lugares que conquistava. Josefina continuou residindo em Malmaison e cuidando dos jardins, mesmo depois do divórcio. Conseguiu manter o parque com todas as plantas exóticas até sua morte quatro anos mais tarde. De todas as plantas que cultivava a ex-esposa de Napoleão Bonaparte preferia as rosas. E não só se dedicava a cultivá-las como a desenvolver novos exemplares.
Em 1798 Josefina de Beauharnais se tornou patrocinadora do pintor Pierre-Joseph Redouté, que havia sido pintor da corte de Maria Antonieta. Redouté era não só um excelente aquarelista mas também um botânico. Foram sua competência e arte as qualidades que o levaram a sobreviver o período de turbulência na França durante a Revolução Francesa e também ao Reino do Terror, para então, ser reconhecido também pela imperatriz Josefina.
Rosa gallica purpuro violacea magna
Redouté, nascido na Bélgica, havia aprendido a arte da pintura em casa: seu pai e avô haviam sido pintores também. Uma vez em Paris, começou a trabalhar com o irmão na decoração de interiores, mas a carreira como ilustrador botânico acabou o seduzindo quando, em 1786, foi orientado pelo botânico Charles Louis L’Héritier de Brutelle e René Desfontaines, encantados com suas aquarelas, a se dedicar a este ramo emergente que combinava a arte com a ciência.
Rosa noisettiana
Foi durante o patrocínio da imperatriz Josefina que Redouté pintou algumas das mais belas aquarelas de plantas e flores exóticas. E depois da morte de sua patrocinadora, Redouté publicou diversos livros de gravuras baseados em suas aquarelas. A precisão dos detalhes que retratava na pintura, a delicadeza e quase transparência das pétalas desenhadas com cuidado, o colorido muitas vezes em degradé na mesma pétala, tudo contribuiu para que suas gravuras fossem apreciadas até os dias de hoje. Elas são também preciosos documentos de algumas plantas que hoje se tornaram raras. Redouté morreu em 1840. Juntos Josefina de Beauharnais e Redouté deixaram uma grande contribuição para as gerações futuras. Ela, por ter-se dedicado ao desenvolvimento e plantio de plantas exóticas. Ele por tê-las documentado com suas aquarelas e distribuído seu conhecimento com suas gravuras. Hoje Malmaison é a sede do Senado francês e seus jardins são uma pequena percentagem daqueles tratados por Josefina.
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Casas, s/d
Maria Ávila ( Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
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Domingos Pellegrini
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Os cheiros que te assaltam suavemente
floradas de quintais e de jardins
de murta na calçada ou alecrim
ou santa-bárbara a chover sementes
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A fragância envolvente do jasmim
esse cheiro de chuva já no vento
e nos escuros entre vaga-lumes
o perfume moleque dos capins
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Um fedor de lixeira de repente
aqui carroças com cheiro de estrume
ali cheiro de graxa e de trabalho
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E duma casa pobre mas decente
aquele cheiro que o bairro resume
bife fritando com cebola e alho
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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005
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Nick Botting (Inglaterra, 1963)
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Geneviève Cacerès (1923-1982)