Ilustração de Walter Crane.
Ó minha mãe! em meus cantos,
num grato e eterno estribilho,
bendigo a Deus que, entre tantos,
me escolheu para teu filho!
(J.G. de Araújo Jorge)
Ilustração de Walter Crane.
Ó minha mãe! em meus cantos,
num grato e eterno estribilho,
bendigo a Deus que, entre tantos,
me escolheu para teu filho!
(J.G. de Araújo Jorge)
Ilustração de moda, assinatura ilegível, 1930 (França).
Mamãe, boa mamãezinha,
Deus a proteja e abençoe;
mãezinha, minha rainha,
se sou ingrata, perdoe!
(Maria Guiomar Galvão Coelho Leal)
Ilustração de Elizabeth Tyler Wolcott.
Teu dia, Mãe, se reveste
dos remorsos que chorei:
pelo muito que me deste
pelo pouco que te dei.
(Roberto Medeiros)
–
Muita gente vai hoje à Europa ou aos Estados Unidos e gostaria de ter uma melhor ideia do que deveria ver nos museus internacionais.
Esta é uma boa oportunidade de saber as razões dessas visitas.
–
Historiadora da arte: Ladyce West
peregrinacultural.wordpress.com
Quintas-feiras das 18:00 às 20:00 horas
Início: 8 de maio de 2014 [duração 9 semanas]
por causa do feriado nacional de Corpus Christi, dia 19 de junho
Local: Auditório Helena Lodi, VOZ PLENA
Rua Djalma Ulrich 154, 5º andar, esq. N. Sra. de Copacabana, Copacabana, Rio de Janeiro
Informações e inscrições, contato aqui, através do blog, ou do Facebook
Vagas limitadas
–
–
Ilustração de livro escolar britânico da década de 1950. Veja.
–
–
Walter Nieble de Freitas
–
Sapateiro, bate sola,
Bate sola, sem parar,
Faze já os sapatinhos
Para o “seu” doutor calçar.
–
Bate sola, martelinho,
Vamos, pois, bem trabalhar:
São três horas e às quatro
“Seu” doutor vai-se casar.
–
Bate sola, martelinho,
Bate sola sem cessar:
“Seu” doutor é a pessoa
Mais ilustre do lugar!
–
Quando à noite “seu” doutor
Com a noiva for dançar:
— Que lindíssimos sapatos!
Toda gente vai falar.
–
–
Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 45-46
NB: Agradeço ao blog Tú Lisa, yo Conda, a referência à ilustração usada nesta postagem.
–
Ilustração botânica do maracujá [Passiflora edulis Sims] de Maria Cecília Tomasi.
–
–
Sônia Carneiro Leão
–
Pego o maracujá e me assusto
Tão dura e tão oca
essa fruta mais louca
me deixa perplexa
de tão desconexa.
Sua carne é só casca.
Seu ventre, sementes.
Sua polpa tão pouca,
não dá pros meus dentes,
Maracujá intrigante,
enrugado, velhinho,
de gosto aceso, bacante,
como o do vinho.
Quero morder, não consigo.
Chupar, tão pouco não posso.
Que fazer, então, contigo,
com o teu paradoxo?
Ninguém o fura com o dedo
para evitar contusão,
esconde dentro o segredo
o doce-azedo da paixão.
Respeitamos o non-sense
da sua concepção.
–
–
Em: Respostas ao Criador Das Frutas, Sônia Carneiro Leão, auto-publicação,Holos Design, ilustrado por Renata Vilanova, p. 13.
–
Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
–
–
Charidotella sexpunctata, nativo dos Estados Unidos.
–
Esse inseto pequenino — entre 5 e 7 milímetros de tamanho — costuma ser encontrado nas folhas de uma planta conhecida por aqui como glória-da-manhã, que é o seu quitute favorito. No entanto, existem algumas particularidades que tornam o C. sexpunctataainda mais interessante, como uma película transparente que o recobre e que pode mudar de cor.
–
–
São Luís rumo à Tunísia, em sua segunda cruzada, depois de 1332, antes de 1350.
Mahiet, Mestre do Missal de Cambrai
Cambrai, Bibliothèque municipale ms. no. 224
–
Há pessoas que nos influenciam apesar de nunca as termos visto ou encontrado. Devo muito a Jacques Le Goff, o grande historiador que faleceu dia 1º aos noventa anos, em seu país de origem, França. Não, ele não sabia da minha existência. Nunca trocamos uma palavra em carta, email, telefone. Ao que eu saiba não temos amigos em comum. Mas seus livros fizeram parte da minha vida, uma grande parte da minha vida.
Não fui uma criança prodígio. Não descobri em tenra idade aquela habilidade que outros dissessem, “vá estudar história da arte … Você tem sensibilidade nata para o assunto“. Pelo contrário, cheguei aqui por caminhos tortos, becos sem saída, pela constante reinvenção e redirecionamento dos meus objetivos. Quem hoje examinasse os meus boletins dos anos de adolescência descobriria que minhas notas em história não eram boas. Ninguém poderia imaginar que este seria o caminho a ser traçado no futuro. Não. O oposto parecia apontar no horizonte. Pensei seriamente em fazer medicina, isso depois de pensar em ser astrônoma e engenheira naval. O curso de letras que foi a entrada para as ciências humanas, não havia sido minha primeira escolha. E a história da arte aconteceu de surpresa, caminho conduzido em parte por uma excelente professora de literatura, na Universidade Federal Fluminense, que ao ensinar Balzac trouxe para a sala de aula imagens de quadros franceses da época. Ideias trocadas, informações sobre pintores e descobri que havia a tal história da arte. Que influência bons professores exercem sobre seus alunos!
–
Inicial iluminada, Boécio ensinando a seus alunos, 1325
Manuscrito: Consolação da filosofia, Itália (?)
MS Hunter 374 (V.1.11), Glasgow University Library
–
Há mais de uma maneira de se ensinar. Minha paixão pela história só se acendeu, através de dois grandes historiadores cujos livros, lidos paulatinamente, parágrafo a parágrafo, incendiaram minha imaginação e me acompanharam desde então a qualquer hora, em qualquer momento: Arnold J. Toynbee e Jacques Le Goff. Toynbee já havia morrido quando fui apresentada ao seu trabalho. Um bom escritor vive para sempre através de seus leitores, e sua prosa era de fácil entendimento. Apaixonante sua visão da imensa continuidade da história, para não falar de sua erudição. Jacques Le Goff foi o outro historiador que marcou a minha formação principalmente aquela formação pós-universitária, quando temos a liberdade de ir atrás dos pequenos detalhes que nos deixam curiosos, sem a preocupação de preencher um currículo ou uma determinada etapa da vida. Jacques Le Goff foi aquele historiador de quem eu esperava as novas publicações com ansiedade. Foi ele quem fez a história europeia pós-império romano viva para mim. Concentrando-se no homem comum ele coloriu o mundo pré-renascentista de tal maneira e com tanta precisão que podemos nele ver as raízes de muito das nossas vidas diárias hoje. Não sou medievalista. Minha porção de especialização formal é a era moderna europeia: 1860-1945. Pelo menos foi assim que deixei os bancos universitários. Mas a cada nova contribuição de Le Goff e de todos aqueles que ele formou mais me virei para a Europa medieval, esses grandes e sedutores séculos. Séculos que parecem cantos de sereia nos levando a profundezas enigmáticas. Mesmerizantes. É portanto com muito pesar que recebo a noticia de que não poderemos mais contar com suas brilhantes publicações. Registro então o vazio que sinto pelo que não virá, e o agradecimento pela riqueza do que ele nos deu.
–
–
Nathaniel Guimarães (Brasil, contemporâneo)
aquarela, 23 x 30cm
Museu Ado Malagoli, Porto Alegre