Ilustração anônima.
Mãos em obras, em conquistas,
mãos no campo, em hospitais,
mãos em prece, mãos de artistas,
tão diversas, tão iguais…
(Orlando Brito)
Ilustração anônima.
Mãos em obras, em conquistas,
mãos no campo, em hospitais,
mãos em prece, mãos de artistas,
tão diversas, tão iguais…
(Orlando Brito)
Jean-Marc Nattier (França, 1685-1766)
óleo sobre tela, 71 x 91 cm
Coleção Particular
Ilustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.
Almir Correia
O grilo
gritou no saco
gritou no papo
do sapo
gritou no poço
gritou na cara do moço
gritou no mato
gritou no
sa
………..pato.
E de repente
pra espanto da gente
não gritou mais.
Jan van Beers (Bélgica, 1852-1927)
óleo sobre tela, 24 x 35 cm
Martins Fontes
Ao ronronar da rede preguiçosa,
ela, — morena de olhos de ouro, –embala
a esbraseante volúpia que se exala
dos seus vinte e dois anos cor de rosa.
Verão. O sol embriaga. Em plena orgia,
fundem-se os cheiros cálidos da terra.
E a moça abre o roupão, os olhos cerra,
e o que espera e deseja fantasia.
E a rede para. A viração marinha
Beija-a, lânguida e longa, loucamente…
E ela, os olhos abrindo, de repente,
Fica surpresa, por se ver sozinha!
(Volúpia)
Em: Nossos clássicos: Martins Fontes, poesia, Rio de Janeiro, Agir:1959, p.66
Noite no campo, ilustração de Sylvie Daigneault.
Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
— Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…
(Elton Carvalho)
Fritz Karl Hermann von Uhde, (Alemanha, 1848-1911)
Óleo sobre papel colado em placa, 48 x 61 cm
RISD, Rhode Island School of Design Museum
Ilustração de Marie Lawson, Revista Child Life, Outubro de 1935.
Minha sogra, aquela bruxa,
Num fusca mandando brasa,
E eu fico pensando – puxa!
Com tanta vassoura em casa!
(Magdalena Léa)
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“Por toda noite Pintarroxa debateu. A aurora encontrou-a resolvida: não ia esmorecer à primeira dificuldade. Tinha fé no combate das idéias. Acreditava que a escola era o laboratório da cidadania. Reanimou-se a alma guerreira. Armou-se e saiu para o torvo crocitar do mundo.
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Ao fim de três semanas, o número de alunos na sala de aula tinha triplicado. Pintarroxa os provocava, pedindo histórias sobre os animais do cerrado. Professora e alunos se deleitavam em romances de jaguatirica, tamanduá-mixirra, jaratataca. (Embora nada tivesse causado tanto alvoroço quanto a evolução do caso do elefante do circo que deixou em escombros a garagem de Nilo Romeiro.) Outras vezes era ela que apresentava retratos de maravilhas: a neve, a baleia. Tudo tinha nome, que ia para o quadro-negro e era copiado nas lousas individuais. Pintarroxa instituiu também a prática de as meninas corrigirem as lousas dos meninos e os meninos as das meninas. Era uma confusão dos diabos mas, pelo menos em Cupim, fortaleceu-se a crença da superioridade intelectual da mulher”.
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Em: Trilhos e quintais, Carmen Lúcia de Oliveira, Rio de Janeiro, Rocco:1998.