–
–
Henri-Jules Jean Geoffroy, dito GEO (França, 1853-1924)
aquarela sobre papel
–
“A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor.”
–
–
–
Henri-Jules Jean Geoffroy, dito GEO (França, 1853-1924)
aquarela sobre papel
–
–
–
–
Antonio Canova (Itália, 1757-1822)
Mármore
155 x 168 cm
Museu do Louvre, Paris
–
A lenda grega de Eros e Psiquê está entre as mais conhecidas por todos aqueles que se dedicam aos estudos humanistas, das artes visuais à psicologia. É uma história deliciosa, constantemente referenciada na pintura, na escultura. Também serve de pano de fundo ou de base de estudo para a psicologia – Freud, Carl Jung, James Hillman entre outros fizeram uso extensivo do mito para o entendimento do ser humano.
A versão mais difundida dessa lenda é de autoria de Apuleio, autor latino do século II que escreveu o romance picaresco Metamorfose, ou como é mais popularmente conhecido O asno de ouro. Psiquê e Eros é na verdade uma das histórias contadas no livro de Apuleio, em que um homem, transformado em burro, precisa passar por diversos obstáculos a ele impostos para receber a graça de voltar à forma humana. Mas sabemos que a lenda de Eros e Psiquê data dos tempos áureos da Grécia antiga. Há representações desse romance por volta de 400 a.C. Platão e Plotino entre outros pensadores de longa data também fazem referências à essa história. Em suma, trata-se de um clássico da cultura ocidental, texto essencial para melhor conhecimento dos princípios humanísticos.
–
Eros sentado ao lado de sua esposa Psyquê, séc. I-II d.C.
Mosaicos Zeugma
Museu de Gaziantep, Turquia
—
De todos os clássicos que li na minha formação como historiadora da arte O asno de ouro foi um dos pude ler sem quaisquer dificuldades de entendimento graças à belíssima tradução de E.F. Kennedy. Sim, como estudei fora do país, fiz a leitura desse clássico, em inglês, The Golden Ass, na edição Penguin de bolso. O meu volume, com anotações a lápis, com marcas em tinta amarela para ressaltar partes do texto, está caindo aos pedaços e subsiste preso com um forte elástico que mantém capas e recheio juntos. Desfazer-me dele? Nunca. Este volume tem a história das minhas leituras. Sendo uma edição de bolso, de custo mínimo, nunca pensei que poderia estar tratando casualmente demais uma obra que pudesse ser um dia tratada como rara. Era e é uma ferramenta de trabalho.
Fiquei escandalizada quando ao preparar minhas notas para a discussão em aula do quadro Primavera, 1478-82, de Sandro Botticelli [acervo da Galleria degli Uffizi, Florença] e procurei nas livrarias cariocas O asno de ouro de Apuleio. Não existe. Há no momento duas edições em português que, se interessada, eu poderia encomendar em Portugal. Há a edição simplificada do romance original titulada: Conto de Amor e Psiquê, que reduz o livro de Apuleio justamente à história que dá nome à esta edição, publicada pela Biblioteca dos Editores Independentes, 128 páginas. Para essa compra teria que esperar 70 dias para a entrega. Esta beleza, sem custo de transporte, me custaria R$23,90. Não gosto de clássicos reduzidos. Perde-se a beleza do texto, ainda mais quando o texto já é traduzido [nesse caso traduzido do latim]. É como ler as notas chamadas BURRO, notas de resumos de obras clássicas para se dar a impressão se ser mais erudito do que se é. Essas edições me lembram os anos em que eu estudava piano e no afã de mostrar que fazia progresso, muitas vezes tentei as “peças facilitadas” que nunca soaram bem: uma idiotice que não engana ninguém.
–
Anônimo
afresco
Salle delle Gesta Rossiane
Rocca dei Rossi, San Secondo, Itália
–
Há também a possibilidade de comprar O Burro de Ouro [sic] [Por que trocar o nome de um clássico? No mundo inteiro a palavra usada é ASNO.] da editora portuguesa Cotovia, 250 páginas, também levando 70 dias no mínimo para entrega. Esta beleza leva o preço de R$113,90. Ou seja, não é só o burro que é de ouro, as letras impressas também devem ser. R$113,90 equivalem a 17% do salário mínimo brasileiro, sem o custo de transporte de Portugal para o Brasil.
–
Henry Justice Ford (1860-1941)
–
Agora vamos a algumas considerações. Portugal tem 10.000.000 – dez milhões de habitantes, o Brasil tem 198.000.000 – cento e noventa e oito milhões. Portugal tem duas edições do romance de Apuleio. O Brasil tem ZERO. Há algo de errado. O Brasil tem 19 vezes mais habitantes do que Portugal. Mesmo que tenhamos uma percentagem pequena que letrados, não se justifica que não tenhamos a possibilidade de acesso a um clássico de importância em diversos campos de estudos universitários, em português. É inadmissível que não se possa comprar por um preço razoável esse texto; que não haja uma única editora dedicada ao nicho dos clássicos; é bom lembrar que se trata de uma publicação do século IV, ou seja, em domínio público. A tradução pode não estar em domínio público, mas quanto custa re-editar, quanto custa o pagamento de uma revisão da tradução já feita?
–
O rapto de Psiquê, 1883
Adolphe-William Bouguereau (França, 1825-1905)
óleo sobre tela, 209 x 120 cm
Coleção Particular
–
Porque eu só tinha acesso ao meu texto em inglês, continuei querendo uma edição em que pudesse colocar as mãos sem ter que ir à Biblioteca Nacional. Eu queria poder fazer uma citação em português para meus alunos e vendo-me exasperada com os 70 dias de espera e com o preço exorbitante, fui ao portal da Estante Virtual, e as surpresas continuaram: há muitas publicações na seção infanto-juvenil – as tais facilitadas. Há uma até na seção de Genealogia (essa eu também não entendi). Mas só uma única publicação do texto integral à venda nesse consórcio de sebos brasileiros. É de 1963, da editora Cultrix. E pasmem: está classificada como LIVRO RARO, e custa a bagatela de R$99,90 + R$4,63 de frete de São Paulo para o Rio de Janeiro. E tem mais, não está lá em boas condições, segue a descrição no portal: Livro com sinais de uso, fitas adesiva na lombada devido a rasgos, manchas no miolo, lombada levemente descolando, manchas no verso da capa e da contracapa, sinais de desgastes, sinal de dobra na lombada, 235p. O livro Asno de Ouro é o único romance a ter sobrevivido inteiro da época do Império Romano, foi escrito em no século II d. C e conta a história de um rapaz chamado Lucius que foi transformado em asno por uma feiticeira. Esse livro serviu como inspiração para muitos autores clássicos como Boccaccio, Cervantes e Shakespeare.[o negrito é meu] Ah, eles também tem uma edição em italiano…
Para ter certeza de que não estava me revoltando sem razão fui a Amazon, onde encontrei um clássico de bolso, edição integral, igual ao meu volume, tradução de E.F. Kennedy, por USD$ 10.89 [no câmbio de hoje, R$26,00]; encontrei também outras edições, um mundo de opções a preços muito tentadores: uma com a tradução de Sarah Ruden, a USD$ 12.60 [R$30,00], pela Yale University Press; uma edição com tradução do grande Robert Graves, da editora Farrar, Straus and Giroux, a USD $ 11.08 [R$ 26,00]; uma edição da Oxford University Press, tradução de P. G. Walsh ao custo de USD$ 10.45 [R$25,00]; Jack Lindsay é o tradutor na edição da Indiana University Press USD$ 14.40 [35,00]; a edição da Hackett Pub Co, com tradução Joel C. Relihan tem o preço de USD$ 13,30 [R$32,00], isso sem me ater ao livros que eu poderia baixar da internet, para leitura digital.
–
afresco
Pompéia
–
São muitas as edições a preços populares encontradas nos Estados Unidos. Não devemos portanto nos surpreender da preferência que nossos alunos têm pelo uso constante do inglês; nem nos surpreender pelo desenvolvimento na maior parte das áreas de humanas e das ciências do nosso vizinho no norte. Porque é de detalhes como esse, é da facilidade de se poder acessar informação que se faz uma cultura, que se distribui conhecimento.
Essa experiência demonstra uma das muitas dificuldades encontradas na educação brasileira. É lamentável. É um exemplo pequenino que ilustra eloqüentemente as razões do nosso constante subdesenvolvimento intelectual. Se esses volumes de obras clássicas não trazem lucro para as editoras, seria o caso de se abrir uma ONG com o intuito de publicar e distribuir clássicos no Brasil? De cuidar que eles estivessem sempre nas prateleiras das nossas livrarias para venda? Não tenho a solução. Tampouco acredito em soluções governamentais porque no Brasil elas não parecem ter continuidade. Nossa salvação será a Penguin brasileira, talvez. Mas deixaremos as decisões do que faz a cultura brasileira nas mãos de estrangeiros, mais uma vez. Pena.
–
–
Franz Kupka (República Checa,1871-1957)
óleo sobre tela, 79 x 75 cm
Museu de Belas Artes de Houston, EUA
–
–
Marcel Proust
–
–
Consertando a cerca, Ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002).–
Uma nova pesquisa sobre livros infantis ilustrados, feita nos Estados Unidos, constatou que os estereótipos de gênero, como as mães dando carinho e os pais sendo responsáveis pelo sustento da família, continuam teimosamente persistentes até os dias de hoje.
Os livros continuam retratando o que hoje pode ser considerada uma ficção dando preferência a uma realidade incompatível com o presente, no dia a dia da criança. Os livros infantis nos EUA estão com ilustrações anacrônicas, com papéis sexuais das histórias ilustradas estagnados a décadas atrás.
A pesquisa se baseou em uma amostra aleatória de 300 livros infantis “fáceis” de mais de 1.400 listados no catálogo de livros infantis, usado para ajudar bibliotecas escolares e comunitárias na escolha de livros de qualidade. Os livros foram então divididos de acordo com a data de publicação, começando com um grupo de 50, publicados entre 1900 e 1959. Grupos adicionais de 50 foram escolhidos a partir de cada uma das últimas quatro décadas do século XX. Os últimos 50 foram escolhidos dentre os livros publicados no ano de 2000.
–
Fazendo a cama, ilustração de J. H. Wingfield (Inglaterra, 1910-2002)–
Os pesquisadores procuraram por atitudes específicas dos pais representados, observando o comportamento de pais e mães nas ilustrações. Dividiram em comportamentos de afeto ou conforto à criança; comportamentos de prestação de cuidados (como preparar refeições ou limpar a criança); comportamentos disciplinares (como repreensão), companheirismo (como brincar com a criança ou dar um passeio), e o trabalho fora de casa.
Ninguém se surpreendeu de ter encontrado uma grande quantidade de estereótipos de gênero. Mas ao contrário das expectativas, esta tendência não diminuiu significativamente com o passar do tempo. Pais em geral sendo retratados trabalhando fora e as mães sendo as principais cuidadoras das crianças. Os pesquisadores relatam esses estereótipos têm suavizado ao longo das décadas, mas apenas ligeiramente e de forma esporádica. Houve um pico de de ilustrações de comportamentos mais modernos, em 1970, mas desde então tudo permaneceu no mesmo patamar até o ano 2000.
“Os pais, em livros publicados em 2000, se mostraram, nas ilustrações como capazes de maior prestação de cuidados e carinho do que em períodos anteriores, e as mães foram representadas em maior número trabalhando fora de casa”, sugeriram os pesquisadores. “Mas falta significância nos resultados estatísticos para que isso seja considerado uma tendência. O exemplo de 1970 mostra que pode haver picos de mudanças e depois as coisas darem para trás. Há evidentemente uma teimosia cultural que não deixa o retrato da vida no presente. Há uma idealização de papéis? .
–
FONTE: PS MAGAZINE
–
–
Christophe Vacher (França, 1966)
aquarela sobre papel, 23 x 34 cm
–
Uma questão antiga: qual é o valor da literatura para quem a lê? O que ela faz? Por que motivo devemos ler romances? Essas perguntas voltam a ser debatidas no livro How Literature Saved My Life [Como a literatura salvou a minha vida] de David Shields, recentemente resenhado por André Alexis para o The Globe & Mail. A pergunta central do livro de Davis Shields parece ser: o que acontece conosco quando lemos? E a tentativa de responder a essa pergunta uma, duas ou múltiplas vezes, produz a coletânea de pequenos ensaios esmiuçando o papel da literatura na vida do leitor.
André Alexis nota que o livro de Shields começa com a frase: “Toda crítica é uma forma de autobiografia”, [“All criticism is a form of autobiography.”]. Concordo. E isso me levou não só a ler o resto da resenha, como a colocar o livro de David Shields na minha lista de desejados.
Mas achei também interessante outras afirmações que aparecem no livro:
● A literatura nos permite adquirir uma perspectiva sobre aspectos daquilo que é mais assustador no ser humano.
● A literatura mantem tudo — o que pensamos, queremos, sonhamos, tudo o que amedronta — no ar, em equilíbrio.
Essas questões me levaram a procurar entre minhas anotações, afirmações que ajudam a definir o papel que a literatura tem para o leitor.
Acho bastante pertinente e contemporânea a visão do professor de literatura Santi Tafarella, que no blog Prometheus Unbound, afirma que o que a literatura nos traz de importante:
● Des-familiarização e a linguagem carregada são duas das coisas que encontramos na literatura. [Defamiliarization and charged language: these are two of the things we go to literature for]. Desfamiliarização é a procura e o achado daquilo que não nos é conhecido. Ou seja, travamos um diálogo com um mundo desconhecido. E linguagem carregada, é aquela em que cada palavra pode ter além dos valores tradicionais e convencionais, aqueles emotivos em que o contexto e as variações trazem nuances ao entendimento que nos enriquecem.
–
Sem título
Marina V. Chulovich (Rússia, 1956)
óleo sobre tela
–
Por outro lado a crença de que a literatura preserva os ideais do ser humano tais como amor, fé, liberdade parece ser generalizado e um conceito que alguns imaginam voltar até o período grego.
O autor inglês C. S. Lewis, é citado como tendo dito que,
● A literatura soma à realidade, não a descreve simplesmente. Ela enriquece a vida cotidiana e a alimenta; e sobre esse aspecto, ela irriga os desertos em que nossas vidas se transformaram.
E se não me engano Horácio na Arte Poética, diz que:
● a literatura une o útil ao agradável: deleita e instrui ao mesmo tempo.
Há muitas maneiras de se ver como e porque devemos dedicar nosso tempo à literatura. Cada um tem uma opinião, cada época vê o papel da literatura na vida do homem de uma maneira diferente.
Você tem uma opinião? Gostaria de dizer por que a literatura é importante para você? Que papel ela tem na sua vida? E que papel ela tem na vida de todos?
–
–
–
Ana Maria Machado
–
Siri
não ri
em serviço.
Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.
Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.
–
Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.
–
–
Dois modelos, 1914
Diego Rivera (México, 1886-1957)
óleo sobre tela
–
–
–
Nélida Piñon
–
–
–
De acordo com Frank Catalano, autor e analista em educação digital, a geração dos primeiros Geeks chega ao momento de se reproduzir, de ter seus próprios filhos. Os “geekinhos”, como ele chama, certamente precisarão de uma boa educação. Pensando nisso ele fez uma lista de sete regras para educar bem essa nova geração de Geeks. Abaixo vocês encontrarão um resumo de seus conselhos, publicados na revista Wired de fevereiro deste ano.
–
1) Deixe o seu filho errar, falhar.
Todo mundo diz isso, mas especificamente no mundo dos jogos eletrônicos não ofereça dicas. Deixe que seu filho descubra os truques de forma independente. Não compre uma placa mais rápida de vídeo, configure uma conexão de baixa latência ou desbloqueie certas portas do roteador, a menos que a criança aprenda a fazê-lo. Será uma boa preparação não apenas para o empreendedorismo em um ambiente de negócios, mas como treinamento para o suporte técnico futuro.
2) Exponha o seu filho à arte.
Não aos quadrinhos, mas à arte tradicional, como a que se encontra no museu de arte ou no teatro. Você ficaria surpreso de saber como mesmo as pequenas exposições à arte, numa idade jovem, têm um efeito enorme. Mesmo que inicialmente seu filho rejeite a ideia e vá de má vontade, esperneando, reclamando, esses pequenos contatos podem permanecer como sementes dormentes por um longo tempo e podem ajudar mais tarde na gestação de uma explosão de interesses criativos que terão, como referência para um trabalho futuro, essas portas abertas na infância.
–
3) Expor a criança a Star Trek. (Ou, se for preciso, a Star Wars).
É muito mais difícil construir um futuro que você nunca tenha visto, imaginado ou lido a respeito. As visões de outras pessoas, dos clássicos, as idéias projetadas em pensar futuros possíveis são muito importantes. A leitura de ficção científica ajuda a internalizar o que poderia ser, tanto do bom quanto do ruim.
4) Deixe-os descobrir a leitura por prazer.
Todos os bons jogos digitais e de entretenimento em sua essência começam com um texto, com uma história. Então deixe seu filho ler, seja em papel ou leitura digital, deixe que ele se divirta com esses textos. Deixe os livros de papel à mão, à sua volta, onde possam ser consultados, apanhados, explorados (também servindo de lembrete tácito do conhecimento do mundo, ou de conteúdo que vale a pena ser digitalizado). Inicie seu filho ao hábito de visitar uma biblioteca e usá-la regularmente. Seus filhos podem não se tornar escritores, mas provavelmente vão ter um melhor vocabulário e desenvolver o gosto por palavras que são, em última análise, o coração de muitas obras expressas em formas visuais e verbais. Se eles conseguirem manipular a linguagem que estimula a imaginação, eles poderão criar alguma coisa.
5) Incentive-os a mexer no computador, e explorá-lo obsessivamente.
Há horas em que a computação é melhor que os brinquedos, porque, por exemplo, você não se machuca pisando em blocos digitais como no jogo Minecraft, como pode acontecer de você machucar o pé pisando nas peças de LEGO. Independente da idade é bom construir coisas baseadas em regras e em aprendizagem de programação e lógica. É bom ser competitivo em tecnologia de engenharia matemática, mesmo que esse conhecimento não o leve a uma carreira em computação. Você deve incentivar seu filho a construir computadores e, ele adquirirá os conhecimentos técnicos básicos, aprenderá a pesquisar o que precisa ser feito, onde comprar os componentes e como montá-los. A melhor maneira de se aprender uma nova tecnologia é mergulhar nela, o que vem naturalmente às crianças, e as ajuda a desenvolver uma compreensão mais profunda do que estão fazendo.
–
6) Dê o seu tempo, seja um voluntário na escola de seu filho.
Você pode pensar que sabe o que está acontecendo na escola porque vai às conferências para pais e professores, observa os boletins de seu filho e participa dos eventos para que é chamado. Mas nada supera a visão de dentro quando você dá uma ajuda durante o horário escolar, mesmo que seja apenas para umas duas horas por mês. Não só você vai entender melhor os verdadeiros interesses e desafios das crianças, mas também a melhor forma de apoiar o professor. Você pode também oferecer a sua ajuda naquilo que você mais sabe, mais conhece: se você é um geek, participe como puder na parte de apoio tecnológico por exemplo.
7) Promova relacionamentos reais.
Apesar de tudo a tecnologia não supera nem a biologia nem a psicologia. O calor do contato humano persiste por muito tempo após os pixels terem se apagado. Somos animais sociais e a palavra chave não é o “social”, mas o “animal”. Os relacionamentos virtuais e o mundo virtual deve contar para seu filho sem esquecer que os relacionamentos cara a cara são ainda mais importantes.
Além do conselho de ser permanentemente paciente, de manter o equilíbrio e construir a responsabilidade pessoal para com os seus filhos, nunca pare de aprender. Caso contrário, não haverá nenhuma esperança de se manter próximo ao seu filho.
–
–
–
–
Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado , de horrendo aspecto.
— Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? — disse o monstro arreganhando os dentes. Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…
O cordeirinho, trêmulo de medo,respondeu com inocência:
— Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?
Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta. Mas não deu o rabo a torcer.
— Além disso — inventou ele — sei que você andou falando mal de mim o ano passado.
— Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?
Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:
— Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.
— Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?
O lobo furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:
— Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!
E — nhoc! — sangrou-o no pescoço.
–
–
–
–
Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.
–
–
José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
———————————-
Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
——————————
–
–
–
–
Ilustração, assinatura ilegível.–
–
Monteiro Lobato
–
–
Ao sair do buraco viu-se um ratinho entre as patas de um leão. Estacou, de pelos em pé, paralisado pelo terror. O leão, porém, não lhe fez mal nenhum.
— Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei.
Dias depois o leão caiu numa rede. Urrou desesperadamente, debateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso no laço ficava.
Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.
— Amor com amor se paga – disse ele lá consigo e pôs-se a roer as cordas. Num instante conseguiu romper uma das malhas. E como a rede era das tais que rompida a primeira malha as outras se afrouxam, pode o leão deslindar-se e fugir.
–
–
–
José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948). Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.
Obras:
A Barca de Gleyre, 1944
A Caçada da Onça, 1924
A ceia dos acusados, 1936
A Chave do Tamanho, 1942
A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955
A Epopéia Americana, 1940
A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924
Alice no País do Espelho, 1933
América, 1932
Aritmética da Emília, 1935
As caçadas de Pedrinho, 1933
Aventuras de Hans Staden, 1927
Caçada da Onça, 1925
Cidades Mortas, 1919
Contos Leves, 1935
Contos Pesados, 1940
Conversa entre Amigos, 1986
D. Quixote das crianças, 1936
Emília no País da Gramática, 1934
Escândalo do Petróleo, 1936
Fábulas, 1922
Fábulas de Narizinho, 1923
Ferro, 1931
Filosofia da vida, 1937
Formação da mentalidade, 1940
Geografia de Dona Benta, 1935
História da civilização, 1946
História da filosofia, 1935
História da literatura mundial, 1941
História das Invenções, 1935
História do Mundo para crianças, 1933
Histórias de Tia Nastácia, 1937
How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926
Idéias de Jeca Tatu, 1919
Jeca-Tatuzinho, 1925
Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921
Memórias de Emília, 1936
Mister Slang e o Brasil, 1927
Mundo da Lua, 1923
Na Antevéspera, 1933
Narizinho Arrebitado, 1923
Negrinha, 1920
Novas Reinações de Narizinho, 1933
O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926
O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930
O livro da jangal, 1941
O Macaco que Se Fez Homem, 1923
O Marquês de Rabicó, 1922
O Minotauro, 1939
O pequeno César, 1935
O Picapau Amarelo, 1939
O pó de pirlimpimpim, 1931
O Poço do Visconde, 1937
O presidente negro, 1926
O Saci, 1918
Onda Verde, 1923
Os Doze Trabalhos de Hércules, 1944
Os grandes pensadores, 1939
Os Negros, 1924
Prefácios e Entrevistas, 1946
Problema Vital, 1918
Reforma da Natureza, 1941
Reinações de Narizinho, 1931
Serões de Dona Benta, 1937
Urupês, 1918
Viagem ao Céu, 1932
———————————-
Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC. Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC. Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada. Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.
——————————