O descobrimento do Brasil pelos portugueses a 22 de abril de 1500

21 04 2012

Pedro Álvares Cabral

Às vezes tenho a impressão de que há um sentimento de “traição”, de “me ensinaram errado” quando falamos sobre o descobrimento do Brasil pela coroa portuguesa, como se tivéssemos sido logrados, enganados por séculos e séculos, sobre a nossa história.  Esquecemos que os próprios portugueses não sabiam detalhes dessa grande aventura marítima que foi a viagem de Cabral e que na época poderia muito bem não interessar ao governo luso a divulgação de todo o conhecimento que tinha sobre mares e terras estrangeiras.  Conheço alguns que por causa disso não querem celebrar o 22 de abril.  Não me associo aos que assim pensam.  Se fomos descobertos por acaso ou se a visita de Cabral foi intencional a data continua a mesma; se a costa brasileira foi visitada por outros navegantes, que não deixaram muitas pegadas, a importância da data continua  a mesma.  Para todos os efeitos foi só a partir de 22 de abril de 1500 que essas terras foram incorporadas ao império lusitano, foram exploradas regularmente e aos poucos a cultura portuguesa por aqui se estabeleceu dominante, mesmo sob constantes ameaças francesas, espanholas e holandesas.   O descobrimento do Brasil é uma data importante para nós e para os portugueses.

Ressalto abaixo dois parágrafos do excelente historiador Eduardo Bueno que clarifica e simplifica essa questão.

Por outro lado, o certo é que a expedição de Cabral foi, de fato, precedida pela de dois navegadores espanhóis. Embora nos anos 50 essa discussão tenha se revestido de um rancoroso “nacionalismo retroativo” – contrapondo historiadores lusos e espanhóis –, o fato é que tanto Vicente Yañez Pinzón quanto Diego de Lepe navegaram por costas brasileiras entre janeiro e março de 1500.  Pinzón, capitão da Niña e companheiro de Colombo na descoberta da América em 1492, chegou à Ponta de Mucuripe (no Ceará) em fevereiro de 1500 e costeou o litoral até a foz do Amazonas (do qual foi o descobridor).  Lá, encontrou-se com a expedição de Diego de Lepe, que avançaria até o Oiapoque, onde chegou em março.

Ainda assim, apesar de o tema ser ainda hoje tão polêmico, o próprio Capistrano de Abreu (que admitia a precedência de Pinzón e Lepe sobre Cabral) sepultou a questão já em 1900 ao afirmar-se que as consequências práticas dessas viagens espanholas foram irrelevantes e que o “descobrimento sociológico” do Brasil evidentemente coube aos portugueses. A tese de Capistrano também pode ser usada para encerrar a discussão sobre os supostos precursores lusos de Cabral: se alguma expedição portuguesa de fato chegou ao Brasil antes da de Cabral, seu significado histórico foi praticamente nulo.  O país só seria integrado ao império ultramarino lusitano após o desembarque de Cabral – e, ainda assim, muito lentamente, como se sabe.  De todo modo, o descobrimento do Brasil continua sendo um capítulo aberto na história da expansão ultramarina portuguesa – e isso só aumenta o seu fascínio.

Em: A viagem do descobrimento — a verdadeira história da expedição de Cabral, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998.





O descobrimento do Brasil, 22 de abril de 1500

20 04 2012

Faiança comemorativa dos 400 anos do descobrimento do Brasil, fábrica de Alcântara, Portugal.

[http://memoriadosdescobrimentosnaceramica.blogspot.com.br]

“Em junho de 1499, logo que Vasco da Gama chegou a Lisboa com a notícia longamente aguardada de que a Índia podia ser alcançada por mar, o rei de Portugal, D. Manoel, tratou de organizar o envio de uma nova expedição para o fabuloso reino das especiarias.  Em sua jornada de ida, essa expedição poderia explorar também a margem ocidental do Atlântico, cuja posse Portugal assegurara desde o Tratado de Tordesilhas, firmado em 1494.

Assim, em 9 de março de 1500, oito meses depois do retorno de Gama a Portugal – e enquanto Vicente Pinzón e Diego de Lepe já navegavam pelos limites setentrionais da América do Sul –, uma frota imponente, formada por dez naus e três caravelas, zarpou de Lisboa, com 1500 homens a bordo.  Sob o comando de Pedro Álvares Cabral, essa armada fora incumbida da missão de instalar uma missão em Calicute, na costa ocidental da Índia.  Lá deveria obter – pela diplomacia ou pelas armas – o monopólio do comércio de pimenta e canela, que, até então,  se mantinha nas mãos de mercadores árabes.  Esse era o objetivo primordial da missão comandada por Cabral.

Mas, antes de partir, Cabral manteve vários encontros com Vasco da Gama. O descobridor da Índia redigiu instruções náuticas detalhadas para o futuro descobridor do Brasil. Esse documento – que Cabral levou consigo a bordo – sobreviveu aos séculos e está preservado na Torre do Tombo, em Lisboa. Seguindo tais indicações a frota de Cabral zarpou de Lisboa em direção à Índia.

Depois de 44 dias de viagem, no entardecer de 22 de abril de 1500 – quando a frota, por motivo nunca compreendido plenamente, se encontrava muito mais a oeste do que o necessário para contornar o Cabo da Boa Esperança (a última ponta da África) –, Cabral e seus homens vislumbraram um morro alto e redondo, que batizaram de Monte Pascoal. Esse morro ficava no sul da Bahia. Foi a descoberta oficial do Brasil pelos portugueses.”

Em: Náufragos, Traficantes e Degredados: as primeiras expedições ao Brasil, 1500- 1531,  de Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, Objetiva: 1998.





As três fiandeiras, um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha

22 01 2012

As três fiandeiras

Rosália era uma rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar.  Por mais que a tia Rita, sua mãe, se encolerizasse, nada podia obter dela.

Um dia a preguiça da filha exasperou-a de tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito alto.

Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali.  Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.

Tia Rita teve vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:

— “Não posso lhe tirar o fuso da mão.  Ela quer sempre fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”

A mulher respondeu:

— “Nada me agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua filha.  Levá-la-ei para o palácio onde tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”

A velha consentiu de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.

Quando chegaram ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho, desde cima até embaixo, dizendo-lhe:

— “Fia-me todo esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho ser-te-á dote suficiente.”

A moça não disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com aqueles enormes montes de estopa.

Quando ficou só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.

No terceiro dia a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.

Sua majestade teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:

— “Vamos, amanhã é preciso começar a trabalhar”.

Quando a moça se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.

Daí a pouco viu chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo polegar extraordinariamente comprido e achatado.

Colocaram-se na rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.

Rosália contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la, sob a seguinte proposta:

— “Se nos prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e em pouco tempo o trabalho estará terminado”.

— “De todo meu coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.

Introduziu as três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as instalar.

Elas entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.

Todas as vezes que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.

Quando a primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo fiado todo o linho com a maior rapidez.

Então as três mulheres retiraram-se dizendo à moça:

— “Não te esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.

Quando Rosália mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.

O príncipe ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a amá-la com ardor.

— “Tenho três primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las na minha ventura.  Permiti que as convide para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.

A rainha e o príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.

No dia da festa as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:

— “Queridas primas, sejam bem-vindas”.

— “Ah!” disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”

Depois, dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:

— “Como foi que a senhora ficou com o pé tão disforme?”

— “Foi de tanto fazer mover a roda da fiandeira”.

À segunda:

— “Como foi que a senhora ficou com o beiço tão caído?”

— “Foi por molhar o fio no beiço”.

E à terceira:

— “E a senhora por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”

— “Foi por haver torcido muito fio”.

O príncipe aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.


Em:  Histórias do Arco da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947

Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.

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As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela cultura oral principalmente nos países nórdicos.  Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles.  Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o elogiaram como uma excelente coleção de histórias.  Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas diferenças.  Há outro conto Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.

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Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas





O bailarico das Novais, poema de Luiz Peixoto

8 01 2012

Um sarau musical, 1874

Guglielmo Zocchi (Itália, século XIX)

óleo sobre tela

O bailarico das Novais

Luiz Peixoto

Um sarau

na rua Itapiru,

em casa das Novais.

O calor

está abrasador

e tem gente demais

mas, tome polca!

No sofá

a Dona Jacintinha

faz bolas de papel

e na janela

de papelotes,

a Berenice namorica o furriel.

A reclamar silêncio

surge o seu Fulgêncio,

um rotundo e bom comendador.

Sim, porque nessa altura

chega o padre-cura

com o corregedor.

— Senhorita,

a honra desta dança

acaso quer me dar?

— Cavalheiro,

a honra é toda minha,

porém, já tenho par…

e tome polca!

Dança o Souza,

que vai pisando em ovos

com as botas de verniz,

enquantoa esposa,

de olhos em alvo,

fica torcendo os cabelinhos do nariz.

Por trás de uma cortina

vê-se a Minervina

que é mais preta que um tição,

e diz entre risadas:

— Quebra Dona Alice!

— Quebra seu Beltrão!

— Atenção! — acordes da “Dalila”,

seu Gil vai recitar!

Fazem roda

e o moço encalistrado

começa a gaguejar…

Vem o chá

Biscoitos de polvilho

e outros triviais

— São onze horas, apague o gás!

E assim termina o bailarico das Novais.

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva:1968;  coleção Henriqueta.

Luiz Carlos Peixoto de Castro, ( Niterói, RJ 2/2/1889 – RJ, RJ 14/11/ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.





O Natal à moda brasileira

18 12 2011





Imagem de leitura — Léonard Foujita

8 09 2011

No café, 1949

Léonard Foujita (Japão, 1866-1968)

Centro Pompidou, Paris

Léonard Tsugouharu Foujita ( Japão,1886 – 1968) pintor e gravurista nasceu em Tóquio.  Aos 24 anos, em 1910, formou-se em Música e Belas Artes pela Universidade Nacional de Tóquio.  Embarcou para a Europa em 1913, indo morar em Paris, onde conheceu todos os principais pintores de Montparnasse das primeiras décadas do século XX.   Atingiu fama e sucesso na Euroopa ao empregar técnicas das artes tradicionais japoneses na pintura ocidental.  Famoso pela pintura de belas mulheres e gatos.  Em 1931 veio ao Brasil e fez uma turnê da América do Sul de grande sucesso, antes de retornar ao Japão.  Saiu de novo de seu país natal depois da Segunda Guerra Mundial e se estabeleceu na França definitivamente.  Morreu em Zurique em 1968.





Por um Brasil Literário

8 07 2011





The Guardian/Observer: os 100 melhores livros de não-ficção de todos os tempos

24 06 2011

Ilustração,  Clarence Coles Phillips ( EUA, 1880-1927)

Para mim é interessante ver como no hemisfério norte, tanto nos Estados Unidos como na Europa, a chegada do verão é sempre acompanhada de listas de livros para se ler na praia, nas férias, nos dias de lagartearmos ao sol.  O ritual de nomear os melhores livros desse gênero ou daquele gênero se faz presente, chega até a criar expressões idiomáticas tais como “beach read” [ leitura de praia]. A preocupação com o que ler está sempre presente nas agendas dos que entram em férias ou dos que saem de férias.  Listas de livros abundam nas páginas dos jornais, das revistas de grande tiragem.  Ler, nesses países onde um razoável nível de educação é mais democrático do que nas nossas bandas, é uma das coisas que se faz com prazer, nas férias, nos feriados longos, para divertimento, ou para  preencher aquela lacuna intelectual.

Este mês o jornal The Guardian, da Grã Bretanha, publicou uma lista:  100 melhores livros de não-ficção, de todos os tempos [ The 100 greatest non-fiction books].  A seleção feita pelo jornal inclui muitos clássicos bastante óbvios e algumas surpresas.  Mas as opções que conheço mostram-se de fato muito apropriadas.  Talvez seja uma surpresa para quem lê esse blog com regularidade descobrir que sou grande apreciadora de livros de não-ficção, e que há épocas em que os leio em maior número do que os livros de ficção.  As áreas de minha preferência são história, biografia, memórias, ciências, economia, e livros de viagens.   São todos assuntos que complementam as áreas dos meus interesses profissionais, que adicionam perspectiva no que faço no dia a dia.  Como gostei bastante da lista, e com pouquíssimas exceções concordo com o que foi escolhido, vou colocá-la aqui para aconselhar leitores que estejam interessados em ler o que há de melhor.

NOTAS:

1 –  É importante lembrar que esta lista foi compilada com enfoque nos leitores do jornal inglês.  Por isso incluiu alguns livros que focam na Inglaterra, mas no conjunto, retirando esses títulos específicos, é uma excelente lista dos livros de não-ficção que todos nós deveríamos nos esforçar para ler ou pelo menos saber que existem.

2 – Quando encontrei os títulos em português listei-os, com a respectiva editora e ISBN para fácil acesso.  Ficam assim registradas também as lacunas editoriais no Brasil.  Alguns livros só encontrei em edições lusitanas.  Alguns, famosíssimos, como O meio é a mensagem, de Marshall McLuhan, estão sem edição em português.  E este é só um exemplo.  A verdade é que todos esses livros deveriam estar num catálogo de acesso  perpétuo, para  nosso enriquecimento cultural.  Espero que, agora, que a Editora Penguin está por aqui, que é conhecida por manter livros clássicos impressos, se apodere desse mercado e preencha as lacunas que temos com suas esmeradas traduções e publicações que cabem no bolso de qualquer um.

3 – No caso — raro — de haver mais de uma publicação em português por diferentes editoras, coloquei aqui a editora que parecia oferecer o livro por completo — sem edição abreviada, ou a edição de mais rápida entrega.  Às vezes os títulos em português não tem nada a ver com seus rescpectivos títulos originais.  Assim sendo, é possível que eu não tenha notado a existência de alguma tradução.  [Exemplo: o livro Double Helix de James Watson, em português ficou com uma tradução com maior apelo poular: DNA- o sergredo da vida].

A pintura sopra vida na escultura, 1893

Jean-Léon Gérôme (França, 1824-1904)

óleo sobre tela

Galeria de Arte de Ontário, Canadá.

Arte

1 – The Shock of the New, Robert Hughes (1980) — não traduzido para o português — história da arte moderna do Cubismo à Avant-Garde.

2 – A história da arte, Ernst Gombrich (1950) – [Editora LTC, ISBN: 9788521611851] — o mais popular livro de arte.  Gombrich examina os problemas técnicos e estéticos confrontados pelos artistas desde o início do mundo.

3 – Modos de ver, John Berger (1972) – [Editora Rocco, ISBN: 9788532508676] — um estudo sobre a maneira como vemos a arte que mudou os termos de uma geração comprometida com a cultura visual.

As três idades do homem, c. 1510

Giorgione ( Itália, 1477-1510)

óleo sobre tela

Palazzo Piti, Galleria Palatina,  Florença.

Biografia

4 – Lives of the Most Excellent Painters, Sculptors, and Architects , Giorgio Vasari (1550)  Biografia misturada com anedotas retratando a vida de pintores e escultores de Florença.

5 – The life of Samuel Johnson, James Boswell (1791) – Boswell faz um retrato do lexicografo baseado nas notas de seu próprio diário.

6 –  The diaries of Samuel Pepys, Samuel Pepys ( 1825) — ” O Senhor seja louvado, no final do ano passado eu estava com boa saúde”.  Assim começa o diário muito vívido do período da Restauração.

7 – Eminent Victorians, Lytton Strachey (1918) — Strachey fez o modelo para a biografia moderna, com sua narrativa irreverente e espirituosa de quatro heróis da era vitoriana.

8 – Goodbye to All That, Robert Graves (1929) — autobiografia de Graves conta a história de sua infância, dos primeiros anos de casado,  e a grande parte do livro conta das brutalidades e banalidades da Primeira Guerra Mundial.

9 – A autobiografia de Alice B. Toklas, Gertrude Stein (1933)   [Editora Cosac Naify, ISBN: 9788575038024] – Inovadora autobiografia de Stein, escrita sob o disfarce de uma autobiografia de sua amante.

Pintura romana, 1674

[cópia da então recente escavação da Tumba dos Nasonii, Via Flaminia, Roma]

Pietro Santi Bartoli (Itália, 1635-1700)

Do livro de sketches e manuscrito

Glasgow Univeristy Library

Cultura

10 – Notes on Camp, Susan Sontag, (1964) — Sontag propões que a sensibilidade moderna foi modelada pela ética judia e pela estética homossexual

11 – Mithologies, Roland Barthes (original em francês, publicado em 1957) — Barthes procura os significados dos mitos daquilo que nos rodeia, nesses estudos sagazes  mitos contemporâneos.

12 – Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente, Edward Said (1978) [Editora de Bolso, ISBN: 9788535910452] — Said argumenta que as representações românticas da cultura árabe são condescedentes e políticas.

As quatro estações, c. 1895

Alphonse Mucha ( República Checa, 1860-1939)

Litografia colorida

Meio ambiente

13 – Primavera Silenciosa, Rachel Carson (1962) [ Editora Gaia, ISBN: 9788575552353] – análise dos efeitos dos pesticidas no meio ambiente que serviram de base para o movimento de proteção ao meio-ambiente.

14 – A vingança de Gaia, James Lovelock (1979) — [Editora Intrínseca,  ISBN: 9788598078168 ] – o argumento de Lovelock —  uma vez que a vida tenha se estabelecido no planeta, ela constrói condições para sua própria sobrevivência — revolucionou a nossa percepção do nosso lugar no esquema das coisas.


Um “Trabant” [marca do carro da Alemanha do Leste] atravessa a parede.

Grafite no Muro de Berlim.

História

15 — Histórias, Heródoto (c. 400 aC), [em português só em edição portuguesa em diversos volumes, Edições 70, ISBN:9789724414492] —  A História começa com a narrativa da guerra Greco-Persa.

16 — O declínio e a queda do império romano, Edward Gibbon (1776) [Em português, edição abreviada, Editora Companhia do Bolso, ISBN: 9788535907445] — o primeiro historiador moderno do período romano, se voltou para fontes arcaicas, para concluir que a decadência moral levou o império ao declínio total.

17 — The History of England, Thomas Babington Macaulay  (1848) — um marco no estudo da história do ponto de vista de um historiador liberal.

18 — Eichmann em Jerusalém — Hannah Arendt (1963) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571649620] — sobre julgamento de Adolf Eichmann, e os mecanismos sociológicos e psicológicos do Holocausto.

19 — The Making of the English Working Class, EP Thompson (1963) — Thompson virou a história de cabeça para baixo quando fixou seu olhar no povo, quando a maioria dos estudiosos tratava o povo como uma massa anônima.

20 — Enterrem meu coração na curva do rio: a dramática história dos índios americanos, Dee Brown (1970) [Editora LP&M, ISBN: 9788525412935] — A história do tratamento dos índios americanos pelo governo dos EUA.

21 — Hard Times: an Oral History of the Great Depression, Studs Terkel (1970) —  Uma tapeçaria de impacto feita de histórias contadas sobre a Grande Depressão.

22 — Shah of the Shahs, Ryszard Kapuściński (1982) – o grande jornalista polonês conta a história do último Xá do Irã.

23 — Era dos extremos, Eric Hobsbawm (1994) –[ Editora Cia das Letras, ISBN: 9788571644687] ] demonstra a falência tanto do capitalismo, como do comunismo, nessa história do século XX.

24 — Gostaria de informá-lo que amanhã seremos mortos com nossas famílias: histórias de Ruanda, (1994) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535908923] O terror dos massacres em Ruanda e a falencia da comunidade internacional.

25 — Pós-guerra, uma história da Europa desde 1945, Tony Judt (2005) [Editora Objetica, ISBN:  9788573028799] um grande relato da história da Europa desde 1945.


Fantômas ( cachimbo e jornal), 1915

Juan Gris ( Espanha, 1887-1927)

óleo sobre tela, 60 x 73 cm

National Gallery of Art, Washington D.C.

Jornalismo

26 — O jornalista e o assassino, Janet Malcolm (1990) [Editora Cia de Bolso, ISBN: 9788535918342] uma análise do dilema moral do jornalismo.

27 — O teste do ácido do refresco elétrico, Tom Wolfe (1968) [Editora Rocco, ISBN: 9788532504036]  o homem de terno branco segue Ken Kesey e sua banda Merry Pranksters quando eles atravessam os EUA numa viagem cheia de LSD.

28 — Despachos do Front, Michael Herr (1977)[Editora Objetiva, ISBN: 9788573027372] relato das experiências de Herr na guerra do Vietnã.

Arte e Literatura, 1867

Adolphe William Bouguereau ( França, 1825-1905)

óleo sobre tela, 200 x 108 cm

Museu de Arte Arnot, Elmira, NY

Literatura

29 — The life of the Poets, Samuel Johnson (1781) – estudos críticos e biográficos dos poetas ingleses do século XVIII.

30 — An Image of Africa, Chinua Achebe (1975) — o autor desafia o imperialismo cultural ocidental argumentando que o livro O coração das trevas, de Joseph Conrad é um romance racista, que não dá humanidade a seus personagens africanos.

31 — A psicanálise dos contos de fadas, Bruno Bettelheim (1976) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530380] — argumenta que a parte soturna dos contos de fadas, dão meios às crianças de lidarem com seus medos.

Resolvendo o problema, s/d

Henri-Jules-Jean Geoffroy (conhecido como Geo) (França, 1853-1924)

óleo sobre tela

Matemática

32 — Gödel, Escher, Bach: an eternal golden braid, Douglas Hofstadter (1979)  um meditação sobre música, mente e matemática, que explora uma complexidade formal e auto-referencial.

Homem escrevendo carta, 1664-66

Gabriel Metsu (Holanda 1629-1667)

Óleo sobre painel de madeira, 52 x 41 cm

National Gallery, Dublin, Irlanda

Memórias

33 — Confissões, Jean-Jacques Rousseau (1782) — [Editora Edipro, ISBN: 9788572835817] Rousseau estabelece com essa obra o modela para a moderna autobiografia com a história íntima de sua vida.

34 — Narrative of the Life of Frederick Douglass, an American Slave, Frederick Douglass (1845) uma história vívida, narrada na 1ª pessoa, foi a primeira vez que a voz de um escravo foi ouvida na sociedade em geral.

35 — De profundis, Oscar Wilde (1905) [Editora LP&M Pocket, ISBN: 9788525408259]  Na prisão, Wilde conta a história de seu caso amoroso com Alfred Douglas e também conta sobre seu desenvolvimento espiritual.

36 — Os sete pilares da sabedoria, T. E. Lawrence (1922) [Editora Record, ISBN: 9788501021472]  um relato fascinante de suas experiências contra o império otomano.

37 — Ghandi: Autobiografia, minha vida e minhas experiências com a verdade, Mahatma Gandhi (1927) [Editora Palas Athena, ISBN: 9788572420280] um clássico no gênero das confissões, Ghandi conta suas primeiras dificuldades  e sua batalha para chegar ao auto-conhecimento.

38 — Lutando na Espanha, George Orwell (1938), [Editora Globo, ISBN: 9788525041913] um relato claro de sua experiência com traição e confusão durante a Guerra Civil da Espanha.

39 — O diário de Anne Frank, Anne Frank (1947) [Editora Bestbolso, ISBN:  9788577990009] publicado por seu pai, depois da Segunda Guerra Mundial, esse relato da vida familiar escondida, ajudou a formar os relatos posteriores do Holocausto.

40 — Speak Memory, Vladimir Nabokov (1951) – Nabokov reflete sobre sua vida antes de sua migração para os EUA em 1940.

41 — The Man Died, Wole Soyinka  (1971) um poderoso relato de sua experiência na cadeia, quando prisioneiro durante a guerra civil na Nigéria.

42 — A tabela periódica, Primo Levi ( 1975) [Editora Relume Dumará, ISBN:  9788573160079] uma visão de sua vida, incluindo o período como prisioneiro num campo de concentração,  pelas lentes da química.

43 — Bad Blood, Lorna Sage (2000) demole a fantasia da família, explicando como seus antepassados passaram raiva, dor e desejos frustrados através de gerações.

A condição humana, 1933

René Magritte (Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 100 x 81 cm

Coleção Simon Spierer, Genebra, Suíça

Mente

44 — A interpretação dos sonhos, Sigmund Freud (1899) [ No Brasil em 2 volumes, Editora Imago, ISBN 1º volume 9788531209789] argumento de que as nossas experiências enquanto sonhamos possuem as chaves para a nossa vida psicológica, e com esse livro abriu a porta para a psicoanálise.

A tocadora de bandolim, s/d

David Jermann ( EUA, contemporâneo)

óleo sobre madeira, 58 x 78cm

www. davidjermann.com

Música

45 — The Romantic Generation, Charles Rosen (1998) – examina como os compositores do século XIX expandiram os limites da música e os seus comprometimentos com a literatura, a paisagem e o divino.

Aristóteles contemplando o busto de Homero, 1653

Rembrandt van Rijn ( Holanda, 1606-1669)

óleo sobre tela, 144 x 137 cm

Metropolitan Museum of Art, Nova York

Filosofia

46 –  O banquete, Platão (c. 380 aC) [Editora Edipro, ISBN: 9788572836692] — uma viva discussão numa reunião em um jantar, sobre a natureza do amor.

47 — Meditações, Marco Aurélio (c. 180) [Editora Madras, ISBN: 9788573748710 ] — uma série de reflexões pessoais, aconselhando a calma face aos conflitos e o cultivo de uma perspectiva cósmica.

48 — Os ensaios, Michel de Montaigne (1580) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560063] — um sábio e bem-humorado exame de si-mesmo, da natureza humana, que lançou o ensaio como uma forma literária.

49 — The Anatomy of Melancholy,  Robert Burton (1621), um exame da cultura humana pelos olhos da melancolia.

50 — Meditações sobre a Filosofia Primeira, René Descartes (1641)[Editora Unicamp, ISBN:  9788526806740] Duvidando de tudo exceto de sua própria existência, Descartes tenta construir Deus e o universo.

51 — Diálogos sobre a religião natural, David Hume ( 1779) [Portugal, Edições70, ISBN: 9789724412429] Hume testa sua fé numa conversa examinando os argumentos para a existência de Deus.

52 — Crítica da razão pura, Immanuel Kant ( 1781) [Editora WMF, ISBN: 9788578273576] Se a filosofia ocidental é só uma nota de rodapé de Platão, então a tentativa de Kant de unir razão com experiência fornece muitos dos títulos dos assuntos.

53 — Fenomenologia do Espírito, GWF Hegel, (1807) [Editora Vozes, ISBN: 9788532627698] Hegel leva o leitor através da evolução da consciência.

54 — Walden, Henry David Thoreau ( 1854) [Editora LP&M, ISBN: 9788525420602] um relato de dois anos morando numa cabana de madeira em que examina as ideías de independência e de sociedade.

55 — Sobre a liberdade, John Stewart Mill (1859) [ Editora Hedra, ISBN: 9788577152001] John S Mill argumenta que a única razão para a qual o poder pode ser exercido sobre qualquer membro da comunidade civilizada, contra a sua vontade, seria para prevenir o dano aos outros.

56 — Assim falou Zaratrusta, Friedrich Nietzsche  (1883) [Editora Civilização Brasileira, ISBN: 9788520004746] Inválido, Nietzsche declara a morte de Deus e o triunfo do Super-Homem.

57 — A estrutura das revoluções científicas, Thomas Kuhn (1962) [Editora Perspectiva, ISBN: 9788527301114] uma teoria revolucionária sobre a natureza do progresso científico.

Entretenimento nas eleições, 1755

William Hogarh (Inglaterra, 1697-1764)

óleo sobre tela

Sir John Sloane’s Museum, Londres

Política

58 — A arte da guerra, Sun Tzu (c. 500 aC) [Editora LP&M, ISBN: 9788525410597] um estudo da guerra que enfatiza a importância do posicionamento e habilidade de reagir de acordo com as mudanças das circunstâncias.

59 — O príncipe, Nicolau Maquiavel (1532) [Editora Penguin, ISBN: 9788563560032] Maquiavel injeta realismo num estudo do poder, argumentando que os governantes devem estar preparados para abandonar a virtude a favor da estabilidade.

60 — Leviatã, Thomas Hobbes (1651) [Editora Martins Fontes, ISBN: 9788533624085] Hobbes defende a posição do poder absoluto, para evitar que a vida seja brutal.

61 — Direitos do homem, Thomas Paine (1791) [Editora Edipro, ISBN:9788572834827 ] uma defesa da Revolução Francesa de grande influência, que aponta para a ilegitimidade dos governos que não defendem os direitos do cidadão.

62 — A Vindication of the Rights of Women, Mary Wollstonecraft (1792) argumenta que as mulheres devem ter o direito à educação para que possam contribuir para a sociedade.

63 — O manifesto comunista, Karl Marx e Friedrich Engels ( 1848) [Editora Paz e Terra, ISBN: 9788577530434] Uma análise social e política em termos de luta de classes, que lançou um movimento com a vibrante declaração “o proletariado não tem nada a perder a não ser suas próprias correntes”.

64 — The Souls of Black Folk, W.E.B. Dubois (1903) – uma série de ensaios que defendem a igualdade de direitos no Sul dos Estados Unidos

65 — O segundo sexo, Simone de Beauvoir ( 1949) — no Brasil em 2 volumes [Editora Nova Fronteira, ISBN 1º volume, 000.85.209.0316-9 ou 9788520903162 [código de barras] — Beauvoir examina o que é ser mulher, e como a identidade feminina tem sido definida em relação aos homens através da história.

66 —  The Wretched of the Earth, Frantz Fanon (1961) um estudo sobre o impacto psicologico do colonialismo

67 —  The Medium is the Message, Marshall McLuhan ( 1967) O grande sucesso da gráfica  popularizaçao das idéias de Marshall McLuhan sobre tecnologia e cultura foram co-criadas com Quentin Fiore.

68 — The Female Eunuch, Germaine Greer (1970) Greer argumenta que a sociedade dominada por homens reprime a sexualidade feminina.

69 — Manufacturing Consent , Noam Chomsky e Edward Herman (1988) Chomsky argumenta que a comunicação corporativa apresenta uma imagem distorcida do mundo para engendrar maiores lucros.

70 — Here comes everybody, Clay Shirky (2008)  uma vibrante primeira história da revolução das mídias sociais do momento.

Velha senhora rezando,  final da década de 1630, início da década de 1640

Matthias Stom (Holanda 1599-1600?, Itália, depois de 1652)

óleo sobre tela, 78 x 64 cm

Metropolitan Museum of Art, Nova York

Religião

71 — The Golden Bough, James George Frazer (1890) uma tentativa de identificar os elementos em comum das diversas religiões do mundo, que sugere elas terem se originado dos rituais de fertilidade.

72 — The Varieties of Religious Experience, William James (1902) argumenta que o valor das religiões não deve ser medido em termos de sua origem nem exatidão empírica.


Operação, 1929

Christian Schad (Alemanha, 1894-1982)

óleo sobre tela, 125 x95 cm

Städtische Galerie em Lenbachhaus, Munique

Ciência

73 — A origem das espécies, Charles Darwin (1859)[Editora Escala, ISBN:  9788575569870]  Darwin relato da evolução das espécies através da seleção natural transformou a biologia e o nosso lugar no universo.

74 — The Character of Physical Law, Richard Feynmann (1965) uma elegante análise das leis da física por um dos maiores teóricos do século XX.

75 — DNA: o segredo da vida, James Watson (1968) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535907162] relato pessoal do autor explicando como ele e Francis Crick conseguiram abrir a estrutura do DNA.

76 — O gene egoísta, Ricard Dawkins (1976) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535911299] Dawkins lança uma revolução na biologia com a sugestão de que a evolução é melhor vista pela perspectiva do gene ao invés do organismo.

77 — Uma breve história do tempo, Stephen Hawking (1988) [Editora Rocco, ISBN: 9788532502520] um livro nas mãos de 10 milhões de pessoas, pode-se dizer uma febre, em que Hawkins conta a origem do universo.

Sociedade Parisiense, 1931

Max Beckmann (Alemanha, 1884-1950)

óleo sobre tela, 109 x 176 cm

Solomon Guggenheim Museum, Nova York

Sociedade

78  — The Book of the City of Ladies, Cristina de Pisano (1405) Uma defesa das mulheres na forma de uma cidade ideal,  com a população de mulheres famosas através dos tempos.

79 — Elogio da loucura, Erasmo (1511) [Editora LP&M, ISBN:  9788525412683]  essa  sátira elogiosa à loucura humana ajudou a lançar a Reforma considerando os escândalos e abusos da Igreja Católica.

80 — Cartas filosóficas, Voltaire (1734) [Editora: Martins Fontes, ISBN: 9788533623491]  Voltaire olha criticamente para a Inglaterra, comparando -a com a vida do outro lado do canal.

81 — O suicidio: estudo de sociologia, Émile Durkheim (1897) [Editora WMF, ISBN: 9788578273859] uma investigação sobre as culturas católica  e protestante, que defende que quanto menor o controle nas sociedades católicas, menor o índice de suicidios.

82 — Economia e Sociedade, Max Weber ( 1922) [no Brasil em 2 volumes, Editora UNB, ISBN: 9788523003142 do 1º volume] uma análise profunda dos mecanismos da religião, política e economia que estabeleceu o padrão para os estudos de sociologia.

83 — A Room of One´s Own, Virginia Woolf (1929) um longo ensaio defendendo um espaço verdadeiro e metafórico  para escritoras mulheres numa tradição literária dominada pelos homens.

84 —  Elogiemos os homens ilustres, James Agee e Walker Evans (1941) as imagens de Evans e as palavras de Agee pintam um retrato preciso da vida entre os camponeses no sul dos EUA.

85 — The feminine mystique, Betty Friedan (1963) — um estudo da infelicidade de muitas donas de casa da década de 1950 e 1960 apesar da vida material confortável e das famílias estáveis que tinham.

86 — A sangue frio, Truman Capote (1966) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535904116] um relato romanceado de um assassinato brutal na cidade de Kansas, que lançou Capote para fortuna e fama.

87 — Slouching towards Bethlehem, Joan Didion (1968) ensaios que evocam a vida na Califórnia na década de 1960

88 — The Gulag Archipelago, Aleksandr Solzhenitsyn (1973) análise do sistema de carceragem na União Soviética, incluindo a experiência do próprio autor como prisioneiro russo, questionando a base moral da União Soviética.

89 — Vigiar e punir, Michel Foulcault ( 1975)  [Editora Vozes, ISBN: 9788532605085]  Foucault examina o sistema de encarceramento na sociedade moderna.

90 — Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez (1996) [Editora Record, ISBN: 9788501046949] a história de um rapto levado a cabo pelo grupo do cartel de Pablo Escobar Medellin.

Mercado em Jafa, 1887

Gustav Bauerfeind (Alemanha, 1848-1904)

óleo sobre tela

Relatos de viagem

91 — The travels of Ibn Battuta, de Ibn Battuta (1355) – o maior viajante do mundo árabe registra suas memórias de viagem através do mundo conhecido e além.

92 — A viagem dos inocentes, de Mark Twain (1869) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN:  9789896710507]  o relato de viagem do autor à Europa, contado de maneira franca, foi um sucesso imediato.

93 — Black Lamb and Grey Falcon, Rebecca West (1941) uma viagem de seis semanas à Iugoslávia torna-se o eixo de um estudo monumental sobre os Balkans.

94 — Veneza, Jan Morris (1960) [edição portuguesa, Editora Tinta da China, ISBN: 9789896710002 ] um guia excêntrico mas conhecedor da arte, história, cultura e do povo de Veneza.

95 — A Time of Gifts, Patrick Leigh Fermor (1977) — o 1º volume da viagem do autor a pé por toda a Europa. Uma brilhante evocação da memória da juventude.

96 — Danúbio, Cláudio Magris, (1986) [Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535913378] Magris mistura viagem, história , causos e literatura à medida que viaja pelo Danúbio até sua foz.

97 — China Along The Yellow River,  de Jinqing Cao (1995) um trabalho pioneiro de sociologia chinesa, explorando a China moderna com uma cara moderna.

98 — Os anéis de Saturno: uma peregrinação inglesa, W. G. Sebald, (1995)[Editora Cia das Letras, ISBN: 9788535917239] uma viagem a pé pelo sudeste da Inglaterra se torna numa meditação melancólica sobre a decadência e a transitoriedade.

99 — Passage to Juneau, Jonathan Raban (2000) uma viagem ao Alaska de veleiro, partindo de Seattle, leva a considerações sobre a arte nativa americana, a imaginação romântica,  e seu próprio relacionamento pessoal a ponto de se desintegrar.

100 — Cartas a um jovem escritor, Mario Vargas Llosa (2002) [Editora Campus/Elsevier, ISBN: 9788535228076]  Vargas Llosa destila uma vida inteira de leituras e escrita num manual sobre a arte de  escrever.

***

Cada um de nós poderia adicionar ou retirar livros dessa lista.  Mas no todo é um ótimo guia para quem quiser saber das principais obras que otimizam o nosso momento.  Há muitos modismos nas leituras, principalmente quando uma nova teoria ou um novo crítico de peso leva a uma releitura de algum antigo escritor.  Cada uma dessas listas é sempre transitória e sempre retrata o momento em que foram feitas.  No entanto, pelos livros citados nas áreas em que tenho interesse, haveria muito pouco a adicionar.  Gostei imensamente da seção de Literatura de Viagens ser extensa — um enfoque bem britânico, um país que já produziu grandes escritores no gênero.

Bem, vou parar por aqui.  Há alguns volumes dessa lista que me esperam…  Pena que muitas das nossas traduções estejam esgotadas ou que não tenham sido feitas…  Fica o alerta para as pequenas editoras.

Divirtam-se.  Quem sabe nesse inverno, no friozinho de julho, um ou dois desses clássicos não mereçam a sua atenção?





Quadrinha sobre o namoro

9 04 2011

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Se estiverdes namorando,

aos beijinhos, no portão,

já sabes, o amor é cego,

porém, os vizinhos,  não…

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(Dieno Castanho)





Bolhas de sabão, poesia de Oliveira Ribeiro Neto, contribuição da leitora Leda Meira

15 03 2011

As bolhas de sabão, s/d

Charles Joshua Chaplin ( Inglaterra, 1825-1891)

óleo sobre tela

Quem acompanha este blog sabe que faz muito tempo que alguns leitores pedem essa poesia.  Coube a leitora Leda Meira descobrí-la e passá-la para mim.  Coloco essa postagem com muito prazer por saber que irá satisfazer a muitos que têm a poesia na lembrança. 

Bolhas de Sabão

                                  Oliveira Ribeiro Neto

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Queima o sol do meio-dia.
Feitas de espuma fria
sobem bolhas de sabão
luzentes como estrelas…
E vendo o neto fazê-las,
chora-lhe de saudades o coração.

——

Em tempos há muito passados,
quando era pequenina,
seus olhitos espantados
viam as bolhas amarelas
como as asas daquelas
borboletas dos prados.

E a bolha refletia
os seus sonhos de pequena:
—  um gato branco (que mia),
e uma boneca morena
com grandes olhos de louça…

—-
Mais tarde, quando era moça,
a bolha maravilhosa
não tinha a cor amarela
das borboletas de ouro;
— era toda cor-de-rosa
qual seus sonhos de donzela…


Então via um príncipe bem loiro
de brilhantes coroado
e um castelo encantado!

Depois,  já cansada a vista
e a cabeleira prateada,
a bolha de sabão triste ela via
da cor saudosa da ametista…


… Não mais uma boneca ela queria,
ou um príncipe armado duma espada:
—  Hoje, o espelho de ametista refletia
um céu azul e mais nada…

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Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro Netto (SP, 1908 – SP, 1989) jornalista, crítico literário, escritor, poeta e tradutor.  Diplomado em letras e em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade do Largo de São Francisco, promotor público, juiz, adido cultural do Itamarati, membro.  Foi membro e secretário-geral da Academia Paulista de Letras por 35 anos, tendo sido por três vezes eleito presidente.

União Brasileira de Escritores  —  http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=993

Obras:

Dia de sol, poesia, 1928

A Festa do amor, poesia, 1929

Luiz Gama, o libertador, ensaio, 1931.

Vida, poesia, 1932

A Confederação dos Tamoios, ensaio, 1934

Estrela d’Alva, poesia, 1937

A Vida continua, romance, 1939

Canções das sete cores, poesia, 1941

Cantos de glória, poesia,  1946.

Sol na montanha, poesia, 1949

O Natal de Jesus, 1950

Barrabás, o Enjeitado, 1954

Cinco Capítulos das Letras Brasileiras, crítica literária, 1962

O Rei Dom Carlos de Portugal, ensaio, 1964

As Árvores do vale, poesia, 1964

O Romance de Maria Clara, romance, 1965

Arco triunfal,  poesia, 1968

Sicília Poesia, poesia, 1970.

Pastor do Tédio, poesia, 1970

Eu Canto a América, poesia, 1976