Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

12 08 2013

???????????????????????????????Leitura de Mário Puzzo, Paço Imperial.




Por que o brasileiro está longe dos livros?

10 08 2013

Cyril Edward Power, (1872-1951)Tube, 1934, linocut,“Tube” [metrô], 1934

Cyrill Edward Power (Inglaterra, 1871-1951)

gravura em linóleo

Então, do Pará ao Rio Grande do Sul, o brasileiro lê em média 6 minutos por dia. É uma constatação devastadora.  A pesquisa, feita pelo IBGE, como noticiou o jornal O Globo ontem, mostra que lemos 5 vezes menos por dia do que os americanos durante a semana e 6 vezes menos do que eles durante o fim de semana.  Essa leitura inclui qualquer leitura. Não estamos falando simplesmente de romances, de entretenimento.  Dedicamos muito pouco tempo à leitura de qualquer coisa: jornal, texto científico, romance, texto histórico, matemático, poesia, ciências naturais, físicas, qualquer coisa, provavelmente até livros de culinária.

Agora, como é que queremos ir para frente?  Progredir?  Tornar este país competitivo?

Vejo com frequência nas redes sociais um enorme ressentimento contra os nossos vizinhos do norte, os americanos porque “querem dominar o mundo” culturalmente.  Mas, eles pelo menos se dedicam a aprender, a ler, a explandir os conhecimentos.  Domínio cultural, através de filmes, de livros, de programas de televisão acontece mesmo.  É subproduto de um país que se dedicou a uma educação generalizada para toda a população, de uma cultura que se dedicou ao estudo e à leitura.  De um país que dá todo o apoio possível à criatividade quer ela seja científica ou não.  Somos levados no cabresto por eles, sim, culturalmente.  Mas para lutar contra esse domínio, não adianta sair às ruas, nem pedir dinheiro para o governo bancar projetos culturais.  Porque os brasileiros nem sequer sabem da importância desses projetos.  Não sabem porque não lêem.  E niguém nasceu sabendo. E a única maneira de se complementar o que se conhece, o que se sabe é lendo.

Não é culpa da internet.  Hoje para se usar a internet, para se construir uma base de conhecimento que possa levar ao manuseio da internet, da cultura virtual, não se pode ser unicamente um usuário, um visitante das páginas sociais e bater papo com os amigos.  É um erro pensar que visitar os amigos nas redes sociais é dominar a internet, que é progresso.  Para que possamos realmente fazer uma contribuição para o mundo virtual, é necessário saber como virar esse conhecimento técnico a nosso favor.  E no entanto, sem ler, não chegaremos lá.

Não lemos. Portanto não expandimos os nossos cérebros, não aumentamos o nosso conhecimento pragmático ou emocional.  Estamos nos tornando, em passos rápidos, uma cultura de zumbis, de não pensadores.  Em compensação gostamos de vegetar em frente da televisão. 85% do tempo livre dos brasileiros é gasto em frente da televisão. Deixamos assim que outros pensem por nós.

Há horas que dá muito desânimo.

Fonte: Brasileiro passa muito tempo longe dos livros, O GLOBO





Quadrinha do pássaro na gaiola

10 08 2013

Capa da revista Fruit & Garden, década 1910.

Um pássaro engaiolado

qualquer maldade suplanta.

Pois ele foi condenado,

simplesmente porque canta!

(Hildemar de Araújo Costa)





Marcos de Oliveira um artista brasileiro

3 08 2013

_DSC7302 marcos de oliveiraMetamorfose II

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 160 x 200 cm

www.marcosdeoliveira.com

Acredito que tudo tem o seu tempo.  Mas hoje quase duvidei desse aforismo.  Imaginem vocês que em maio deste ano recebi, muito gentilmente, um email do ateliê do artista plástico, natural da Bahia, mas radicado em São Paulo, Marcos de Oliveira.  Este email veio assim do nada, uma surpresa, um presente.  Dava-me os links para que eu pudesse conhecer seus trabalhos, uma bela obra contemporânea.

GUERREIROS DA ANUNCIAÇÃO,AST 200X800 CM  2010 - 2012 marcis de OLIVEIRAGuerreiros da anunciação, 2010-2012

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 200 x 800 cm

www.marcosdeoliveira.com

Mas … Eu estava muito ocupada na primeira metade deste ano.  Havia começado a dar um curso novo para mim, onde recentes pesquisas, com novas dados descobertos nos últimos anos, informações interessantes, tinham que ser incorporadas às minhas poucas notas anteriores.  A preparação dessas aulas acabou tomando muito mais tempo do que eu havia imaginado. Faltou-me tempo até para o blog que costumo organizar com alguma antecedência.  O blog sofreu com um número bem menor de postagens.  Mas o curso ficou redondinho, ainda que um pouquinho mais longo do que o imaginado.

OGUM GUERREIRO,AST 200X160CM SPmARCOS DE OLIVEIRAOgum Guerreiro

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 200 x 160 cm

www.marcosdeoliveira.com

Aí hoje, decidi que era a hora de mostrar a todos alguns trabalhos do Marcos de Oliveira.  Eu me lembrava dele.  Não só porque gostei das telas, mas porque coloquei uma foto de uma das telas dele numa pasta do Windows que abro pelo menos uma vez por dia.  Mas quem disse que eu encontrava o resto das informações? Procurei nas minhas 5 pen drives com imagens de telas, esculturas, etc (ou vocês acham que eu procuro na hora de postar alguma coisa?) Tenho tudo muito organizado porque é muita informação e pouca memória.  Mas quem foi que disse que eu achava?  Achei muita coisa que eu deveria ter deletado há tempos. É como  voltar ao passado, organizando antigas gavetas de papelada:  ideias de artigos, comparações entre uma obra de arte e outra…  Notas sobre um futuro curso, uma futura coleção disso ou daquilo…  Enfim, entrei numa revisão total dos últimos 5 anos de blogagem.,,, E achei!

Obra , Guerreiro Jorge , ast 120x200cm -sp  Coleção Metropolis Tv cultura -spmarcos de oliveiraGuerreiro Jorge

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 120 x 200cm

Coleção Metrópolis TV Cultura, SP

www.marcosdeoliveira.com

E fiquei muito feliz de ter achado porque gostei imensamente de seu trabalho.  Gosto de ver as soluções que ele encontrou.  É evidente que esta é uma pessoa que já digeriu muita informação artística e conseguiu uma solução criativa, única, que leva a sua assinatura, por assim dizer, entre o abstrato e o figurativo.  Se estivéssemos ainda no século XX poderíamos chamá-lo de neo-surrealista.  Mas hoje, na segunda década do século XXI, qualquer denominação de “surrealismo” considero anacrônica.  É também desnecessário rotular.  Além disso, gosto da sua sofisticação no traço e no acabamento.

A METAMORFOSE DO SER,AST 100X190CM Marcos de OliveiraA Metamorfose do Ser

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 100 x 190 cm

www.marcosdeoliveira.com

Só de flanar virtualmente entre as peças no site e no blog dá para perceber algo de sua trajetória.  As cores fortes contrastam com a delicadeza dos detalhes geométricos, onde alguns triângulos até conseguem projetar sombras, como na tela acima.  Tudo indica que Marcos de Oliveira se sente confortável, nesse caminho do meio, entre telas de temática mais abstrata, representando engrenagens de máquinas imaginárias,  como na Metamorfose II (primeira tela desta postagem), como também na execução de telas tradicionalemnte associadas à figura humana como a Madona, abaixo.

MADONNA,AST 200X120 CMMadona

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrílica sobre tela, 120 x 200 cm

www.marcosdeoliveira.com

Há leveza e deliciosa jocosidade nessa Madona, cujos anjinhos e ela própria lembram as enigmáticas imagens das cartas nobres dos baralhos.  Sem deixar as raízes religiosas e também folclóricas dos seus temas, Marcos de Oliveira encontra uma iconografia própria. Ele consegue inserir o seu trabalho numa tradição brasileira, e dialoga com Tarsila do Amaral, Djanira e até mesmo com Rubem Valentim.  E sobretudo encontra e honra o seu próprio caminho.

OGUM, ACRÍLICA SOBRE TUBO DE CARTÃO ,128X25X25 CMOgum

Marcos de Oliveira (Brasil, 1980)

Acrilica sobre tubo de cartão, 128 x 25 x 25 cm

www.marcosdeoliveira.com





Pouca luz, maior criatividade…

1 08 2013

???????????????????????????????Amadeu de se dedica a escrever ficção histórica, ilustração Walt Disney.

“Um ambiente pouco iluminado provoca uma sensação de liberdade, auto-determinação  e de reduzida inibição” assim descreveram os pesquisadores alemães no no Journal of Environmental Psychology ;  “a escuridão aumenta a liberdade das restrições, que por sua vez promove a criatividade”.

Foram estes os resultados de uma pesquisa que levou em consideração características da criatividade em relação a mais ou menos luz no ambiente.  A iluminação fraca nos deixa mais criativos, mas há um caveat:  a luz fraca não pode ser difusa no meio ambiente.  Para funcionar, ponha uma lâmpada de fraca voltagem  pendurada diretamente acima da sua cabeça, de preferência lâmpada nua, sem globo. E… depois disso… peça às musas que lhe façam uma visita.

Fonte: SALON





Palavras para lembrar — Marcel Proust

1 08 2013

Franz Kupka, Na escala amarela, 1907Na escala amarela, 1907

Franz Kupka (República Checa,1871-1957)

óleo sobre tela, 79 x 75 cm

Museu de Belas Artes de Houston, EUA

“Todo o leitor é leitor de si mesmo.”

Marcel Proust





Quadrinha do criminoso

29 07 2013

Ladrão, batendo no ladrãoMonica faz justiça, ilustração de Maurício de Sousa.

Neste mundo de cobiça,

o criminoso se esquece

que embora falhe a justiça,

sempre a verdade aparece.

(Simeão Cohen)





Palavras para lembrar — Joseph Joubert

20 07 2013

BOTERO, Um prazer

Mulher lendo, 2003

Fernando Botero (Colômbia, 1932)

óleo sobre tela, 104 x 89 cm

“A grande inconveniência dos livros novos é de nos impedir de ler os antigos.”

Joseph Joubert





Harmonicórdio, poesia de Fagundes Varela

19 07 2013

ROSINA BECKER DO VALLE (1914 - 2000)Floresta com animais, o.s.t. - 60 x 73. Assinado cie e datado 1966A Floresta, 1966

Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)

óleo sobre tela,  60 x 73 cm

Coleção Particular

Harmonicórdio

Fagundes Varela

O homem fala e a mulher cochicha,

O papagaio palra, o corvo grasna,

Cacareja a galinha, a rã coaxa,

Gorjeia o sabiá, chilra a cigarra;

Late o cão, mia o gato e grunhe o porco,

A raposa regouga, o touro muge,

Arrulha a linda pomba, zurra o asno,

Assobia o macaco e berra a cabra;

Ruge o leão, mas o corcel relincha,

Silva a serpente e o fradalhão se esgoela,

compõe o mestre belas harmonias,

— Só o poeta as compreende e canta!

Em: Poesias Completas de Fagundes Varela, Rio de Janeiro, Edições de Ouro: 1965, p. 166





Meio ambiente: aprendendo com os antigos romanos

15 07 2013

??????????Aqueduto romano na Espanha, foto: Superstock

Quem me conhece sabe: das civilizações antigas é a romana que me faz vibrar.  A ingenuidade, a arquitetura, as estradas, o uso comum do espaço urbano, suas esculturas tudo me encanta na Roma antiga.  Mas são suas construções o que mais me causam admiração.  Por isso mesmo, não me passou despercebida a publicação no mês passado do artigo  Roman Seawater Concrete Holds the Secret to Cutting Carbon Emissions [ O concreto romano submarino mostra o segredo da diminuição das emissões de carbono] que li na Science Daily.  Puxa duas paixões conectadas num só artigo?  Eu não podia deixar de ler.

Foi um quebra-mar de concreto romano, que passou os últimos dois mil anos submersos no mar Mediterrâneo, que deu a dica a uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Paulo Monteiro, professor de engenharia civil e ambiental da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Analisando as amostras do material de construção desse quebra-mar os cientistas descobriram as razões do concreto romano ser superior ao mais moderno concreto, quando falamos de durabilidade e mais, porque é menos prejudicial ao meio ambiente.

É claro que o concreto usado hoje é bom, é excelente.  Mas sua fabricação polui.  7% do dióxido de carbono colocado no ar vem da fabricação de cimento portland, que é o cimento comum, usado no mundo inteiro, nos nossos dias.  Mas se fazer o cimento portland é necessário aquecer uma mistura de calcário e argilas a 1.450 graus centígrados, liberando carbono no processo de fabricação.  Os romanos, por outro lado, usavam muito menos cal e  com isso podiam produzir o cimento a uma temperatura muito mais baixa —  900 ˚C  ou menos — exigindo muito menos combustível do que o cimento portland.

Os romanos faziam concreto através da mistura de cal e pedra vulcânica. Para estruturas subaquáticas, cal e cinzas vulcânicas foram misturados para formar a argamassa, e esta argamassa e tufos vulcânicos foram embalados em formas de madeira. A água do mar provocou imediatamente uma reação química quente.  A cal hidratada – que incorporou as moléculas de água na sua estrutura – reage com as cinzas, cimentando o conjunto todo com a mistura.

Não só o uso de pedra vulcânica diminui o gás carbônico emitido na produção do cimento, como acaba produzindo cimento que ao invés de durar os 50 anos que o cimento portland dura, pode durar muito mais.  Se hoje fazemos construções que durem 100 a 120 anos, se usássemos pedra vulcânica estaríamos fazendo construções para durarem 1.000 anos.

E a economia de se fazer pontes, edifícios e quaisquer outras estruturas que durem muitos séculos seria imensurável.  Poderíamos muito bem aprender mais uma lição com os antigos romanos.

Para mais detalhes sobre essa descoberta não deixe de ver o artigo inteiro na Science Daily.