Mosteiro de São Bento, 1945
Gérson de Azeredo Coutinho (Brasil, 1900-1967)
óleo sobre madeira, 35 x 27cm
Mosteiro de São Bento, 1945
Gérson de Azeredo Coutinho (Brasil, 1900-1967)
óleo sobre madeira, 35 x 27cm
Luz da manhã
James H. Crank (EUA, ?)
óleo sobre tela, 91 x 66 cm
Coryna Ferreira Rebuá
Como faz frio neste quarto agora!
A chuva bate em cheio na vidraça
E o relógio da igreja, de hora em hora,
Soa. Há passos na rua… E a ronda passa…
Não consigo dormir. Como demora
Essa vigília que me torna lassa!
Se abro um livro, não leio. E lá fora
Chove. Há passos na rua… E a ronda passa…
Dormes? Não creio. Eu sei que estás velando,
Porque eu pressinto que, de quando em quando,
Vem o teu corpo fluídico e me enlaça.
O relógio da igreja está batendo.
São quatro horas. Que insônia! Está chovendo.
Ouço passos na rua… E a ronda passa.
Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 318
Bibliografia:
Felicidade, 1930
Alma Sedenta, 1932
Vida, 1940
Meu Romance de Amor, 1942
Moça na cerca, Fran Weston Benson
Tempestade Tropical
Tiffany Blaise (Austrália, contemporânea)
óleo e cera sobre papel, 42 x 29 cm
Ladyce West
Ar denso, turvo,
Grávido de umidade
Pesa na fronte, nos ombros,
no âmago da alma.
Afoga os pulmões, martiriza o corpo,
Apoia-se no cenho, escorre da testa,
desliza nas costas,
brita nas têmporas,
vaza na nuca.
A camisa, segunda pele, adere.
Restringe, circunscreve
Movimentos, pensamentos.
O peso do mundo escorado nos ombros.
Silêncio.
Céu de chumbo.
Um lágrima grossa cai;
Duas, um choro sofrido
Raivoso, ruidoso, calamitoso.
A chuva é cortina fechada.
Estrondosa. Cortante.
Correntes d’água aprisionando
Homens, mulheres, animais,
Andantes.
Entorta árvores
Torce fios, destrói muros,
Placas, pavimentos.
Caudalosa torrente, batelada.
Os deuses despejam fúria liquida
nas ruas, casas, praças da cidade.
Montanhas se escondem
Nuvens se iluminam
Raios rompem o céu
Soam trovões enraivecidos.
Meia hora. Silêncio.
Tudo volta à norma.
Lavado. Límpido. Nítido.
Submerso em água.
Mas o suor continua
desliza sobre o corpo.
O calor abafa e sufoca.
É verão sob o trópico de Capricórnio.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2019

Alzira Chagas Carpigiani
O gambá agora
anda elegante,
passa até perfume
e desodorante.
Ele pôs um fim
na tal história
do fedor danado.
Quer saber por quê?
Eu conto o segredo:
– O gambá cheiroso
está apaixonado!
Vaso de bico de papagaio
Anita Malfatti (Brasil, 1889 – 1964)
óleo sobre tela
Casa de leilões, James Lisboa, 2014
Com a seguinte nota: Inscrição no verso “Declaro que este quadro de Flores de Bico de Papagaio, é de autoria de minha irmã Anita Malfatti. Georgina Malfatti”. Etiqueta do Museu de Arte Brasileira Fundação Armando Alvares Penteado.

Olavo Bilac
Cascão e Jeremias, ©Maurício de Sousa.
Goiania, 1992
Amaury Menezes (Brasil, 1930)
O jornal O GLOBO de hoje, (24-07-2018) publicou resultados interessantíssimos sobre a apreciação e o acesso à cultura no país, em artigo de Matheus Pichonelli. Nessa pesquisa foram considerados itens como leitura, ida ao cinema, ida ao teatro, a concertos de música clássica, a shows e a galeria de artes.
Todos os itens são do interesse deste blog carioca. Mas a leitura é de principal relevância porque a leitura é a base de conhecimento que depois de adquirido, qualquer que seja, abre portas para outros aspectos culturais.
Surpreendentemente Salvador, na Bahia, é a cidade que mais lê no Brasil. Seguida por São Paulo e Rio de Janeiro, nesta ordem. No entanto, a cidade brasileira que apresenta maior interesse em todas as diferentes formas de expressão cultural é Belo Horizonte, ou seja a cidade com nível de interesse mais equilibrado entre os interesses culturais.
A cidade que menos lê, mas a mais foliona de todas é Recife. Sobre a folia de Carnaval, outro item surpreendente: no Rio de Janeiro a festa favorita é São João. Só 21% dos cariocas são apreciadores do Carnaval. De fato, o Carnaval não é tão popular quanto se imagina, praticamente no país inteiro, ainda que seja muito mencionado como festa favorita em Recife.
Link: O GLOBO,
Serra dos Órgãos, 1935
Paulo Gagarin (Rússia/Brasil, 1885-1980)
óleo sobre tela colada em cartão, 47 x 73 cm