Almada Negreiros (Portugal 1893-1970)
Desenho a carvão
DA SABEDORIA DOS LIVROS:
Não penses compreender a vida dos autores.
Nenhum disso é capaz.
Mas, à medida que vivendo fores,
Melhor os compreenderás.
[ Mário Quintana]
Almada Negreiros (Portugal 1893-1970)
Desenho a carvão
DA SABEDORIA DOS LIVROS:
Não penses compreender a vida dos autores.
Nenhum disso é capaz.
Mas, à medida que vivendo fores,
Melhor os compreenderás.
[ Mário Quintana]
CASAMENTO
Luísa Ducla Soares
Casei um cigarro
com uma cigarra,
fizeram os dois
tremenda algazarra
porque o cigarro
não sabe cantar
e a cigarra
detesta fumar.
Não digam que errei
(mania antipática!)
só cumpri a lei
que manda a gramática.
Em: Poemas da Mentira e da Verdade, Livros Horizonte, 1999.
—
Luísa Ducla Soares (Lisboa, 1939) escritora, tradutora, consultora literária e jornalista. Mais recentemente sua produção é dedicada ao público infanto-juvenil. Formada em Filologia Germânica.
Obras:
Contrato (Poesia), 1970
A História da Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1972 ; 1977
Maria Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977
O Dr. Lauro e o Dinossauro, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1988
Urso e a Formiga, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002
O Soldado João, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002
O Ratinho Marinheiro (Poesia para a infância), 1973 ; 2001
O Gato e o Rato, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977
Oito Histórias Infantis, prosa (Infanto-juvenil), 1975
O Meio Galo e Outras Histórias, prosa (Infanto-juvenil), 1976 ; 2001
AEIOU, História das Cinco Vogais, (prosa) (Infanto-juvenil), 1980 ; 1999
O Rapaz Magro, a Rapariga Gorda, prosa (Infanto-juvenil), 1980 ; 1984
Histórias de Bichos, prosa (Infanto-juvenil), 1981
O Menino e a Nuvem, prosa (Infanto-juvenil), 1981
Três Histórias do Futuro, prosa (Infanto-juvenil), 1982
O Dragão, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 2002
O Rapaz do Nariz Comprido, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 1984
O Sultão Solimão e o Criado Maldonado (Poesia para a infância), 1982
Poemas da Mentira… e da Verdade (Poesia para a infância), 1983 ; 1999
O Homem das Barbas, prosa (Infanto-juvenil), 1984
O Senhor Forte, prosa (Infanto-juvenil), 1984
A Princesa da Chuva, prosa (Infanto-juvenil), 1984
O Homem alto, a Mulher baixinha, prosa (Infanto-juvenil), 1984
De Que São Feitos os Sonhos: A Antologia Diferente, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 1994
O Senhor Pouca Sorte, prosa (Infanto-juvenil), 1985
A Menina Boa, prosa (Infanto-juvenil), 1985
A Menina Branca, o Rapaz Preto, prosa (Infanto-juvenil), 1985
6 Histórias de Encantar, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 2003
A Vassoura Mágica, prosa (Infanto-juvenil), 1986 ; 2001
O Fantasma, prosa (Infanto-juvenil), 1987
A Menina Verde, prosa (Infanto-juvenil), 1987
Versos de Animais (Antologia de Literatura Tradicional), 1988
Destrava Línguas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997
Crime no Expresso do Tempo, prosa (Infanto-juvenil), 1988 ; 1999
Lenga-Lengas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997
O Disco Voador, prosa (Infanto-juvenil), 1989 ; 1990
Adivinha, Adivinha: 150 adivinhas populares (Antologia de Literatura Tradicional), 1991 ; 2001
É Preciso Crescer, ( infanto- juvenil (1992
A Nau Catrineta, prosa (Infanto-juvenil), 1992
À Roda dos Livros: Literatura Infantil e Juvenil (Divulgação), 1993
Diário de Sofia & Cia aos Quinze Anos(Infanto-juvenil), 1994 ; 2001
Os Ovos Misteriosos, prosa (Infanto-juvenil), 1994 ; 2002
O Rapaz e o Robô, prosa (Infanto-juvenil), 1995 ; 2002
S. O. S.: Animais em Perigo!…, prosa (Infanto-juvenil), 1996
O Casamento da Gata, poesia (Infanto-juvenil), 1997 ; 2001
Vamos descobrir as bibliotecas (Divulgação), 1998
Vou Ali e Já Volto, prosa (Infanto-juvenil), 1999
Arca de Noé, poesia (Infanto-juvenil), 1999
A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca (Poesia para a infância), 1999 ; 2000
ABC, poesia (Infanto-juvenil), 1999 ; 2001
25 (Poesia para a infância), 1999
Seis Contos de Eça de Queirós (Contos), 2000 ; 2002
Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000 (Divulgação), 2000
Com Eça de Queirós à roda do Chiado (Divulgação), 2000
Mãe, Querida Mãe! Como é a Tua?, prosa (Infanto-juvenil), 2000 ; 2003
Lisboa de José Rodrigues Miguéis (Divulgação), 2001
Roteiro de José Rodrigues Miguéis: do Castelo ao Camões (Divulgação), 2001
A flauta, prosa (Infanto-juvenil), 2001
Uns óculos para a Rita, prosa (Infanto-juvenil), 2001
Todos no Sofá, poesia (Infanto-juvenil), 2001
1, 2, 3, poesia (Infanto-juvenil), 2001 ; 2003
Alhos e Bugalhos (Divulgação), 2001
Meu bichinho, meu amor, prosa (Infanto-juvenil), 2002
Cores, prosa (Infanto-juvenil), 2002
Gente Gira, prosa (Infanto-juvenil), 2002
Tudo ao Contrário!, prosa (Infanto-juvenil), 2002
Viagens de Gulliver, adaptação livre (Teatro para a infância), 2002
O Rapaz que vivia na Televisão, prosa (Infanto-juvenil), 2002
Contrários, poesia (Infanto-juvenil), 2003
Quem está aí?, prosa (Infanto-juvenil), 2003
A Cavalo no Tempo, poesia (Infanto-juvenil), 2003
Pai, Querido Pai! Como é o Teu?, prosa (Infanto-juvenil), 2003
A Carochinha e o João Ratão, poesia (Infanto-juvenil), 2003
Se os Bichos se vestissem como Gente, prosa (Infanto-juvenil), 2004
A festa de anos, prosa (Infanto-juvenil), 2004
Contos para rir, prosa (Infanto-juvenil), 2004
Abecedário maluco, poesia (Infanto-juvenil), 2004
Histórias de dedos, prosa (Infanto-juvenil), 2005
A Cidade dos Cães e outras histórias, prosa ( Infanto- juvenil ), 2005
Há sempre uma estrela no Natal, contos ( Infanto-juvenil ) Civilização,2006
Doutor Lauro e o dinossauro, prosa (Infanto-Juvenil), 2.ª ed, Livros Horizonte, 2007
Mais lengalengas (recolhas ),Livros Horizonte,2007
Desejos de Natal (Infanto-juvenil ), Civilização,2007
A fada palavrinha e o gigante das bibliotecas
Para conservar os dentes,
Sempre em boas condições,
Não se esqueça de escová-los
Logo após as refeições.
(Walter Nieble de Freitas)
O SAPO
–
Ferreira Gullar
–
Aqui estou eu: o Sapo,
Bom de pulo e bom de papo.
Falo mais que João do Pulo,
Pulo mais que João do Papo.
Por cautela, falo pouco,
Pra evitar de ficar rouco.
Mas, na verdade, coaxo.
Sou quem toca o contra-baixo
em nossa orquestra de sapos,
pois com os sons de nossos papos
fazemos nosso concerto:
um som fechado, outro aberto,
um que parece trombone,
outro flauta ou xilofone.
Tocamos em qualquer festa.
O nosso e-mail é <orquestra
@sapos. com. floresta>.
—
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira) Pseudônimo: Ferreira Gullar, nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão,
Obras:
A Estranha vida banal,1989
A Luta corporal, 1954
A Luta corporal e novos poemas, 1966
A Saída? Onde fica a saída? ,1967
Antologia poética, 1977
Antonio Henrique Amaral – paintings 1978
Argumentação contra a morte da arte 1993
Arte brasileira hoje, 1973
As Melhores crônicas de Ferreira Gullar, 2005
As Mil e uma noites 2000
Augusto dos Anjos ou Morte e vida nordestina 1976
Barulhos, 1980-1987 1987
Cidades inventadas 1997
Crime na flora, ou, ordem e progresso 1986
Cultura posta em questão 1965
Dentro da noite veloz 1975
Dr. Getúlio, sua vida e sua obra 1968
Etapas da arte contemporânea 1985
Ferreira Gullar 1980
Gramacão 1996
Indagações de hoje 1989
João Boa-Morte, cabra marcado para morrer 1962
Lygia Clark 1980
Muitas vozes 1999
Na vertigem do dia 1980
Nise da Silveira 1996
O Formigueiro 1991
O Menino e o arco-íris 2001
O Meu e o Seu – Antonio Henrique Amaral XX d
O Touro encantado 2003
Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar 1983
Poema sujo 1976
Poemas 1958
Poemas escolhidos 1983
Poesias 1982
Por você por mim 1968
Quem matou Aparecida? 1962
Rabo de foguete
Relâmpagos : (dizer o ver) 2003
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come 1966
Sobre arte 1982
Teoria do não objeto 1959
Toda Poesia 1981
Um Gato chamado gatinho 2000
Um pouco acima do chão 1949
Um Rubi no umbigo 1978
Uma Luz do chão 1978
Uma Tentativa de compreensão 1977
Vanguarda e subdesenvolvimento 1969
Ilustração Paul Bransom (1885-1979), copyrighted 1940.
Coelho Neto
A árvore não é só o enfeite da terra; ora em flor, ora em fruto, ela é a purificadora do ar que respiramos, a garantidora do manancial que jorra para nossa sede e para rega das lavouras. Movendo docemente os seus ramos, trabalha como fiandeira do sol: recebendo na copa os raios ardentíssimos, desfia-os em brando calor, agasalhando assim os que se chegam à sua sombra.
Ela é medicina e é beleza frondejando à beira da nossa morada, e ainda é confidente dos nossos pezares e alegrias, quando, sob seus galhos, recordamos saudades ou edificamos no sonho.
Assim é a árvore viva.
Morta, ela é tudo — o princípio e o fim: berço e esquife, e, entre esses dois polos, tudo é árvore — a casa e o templo, o leito e o altar, o carro que roda nas terras lavradas, o navio que sulca os mares, o cabo da enxada, a haste da lança, e tantos outros utensílios da vida. Matar a árvore é estancar uma fonte. Onde se devastam as florestas estende-se o deserto estéril — resseca-se o terreno, os rios minguam, somem-se os animais. Assim, a árvore, sendo beleza, é ao mesmo tempo, a fiadora da vida.
*****
Em: Apologia da árvore, de Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF: 1973.
Ilustração, David Zolan.
A Primavera explodiu
em folhas e cores novas!
Quem fez tudo ninguém viu
mas as flores são as provas…
Ilustração, Carolyn Haywood, 1933.
A Primavera vigora
com seus poderes de cores,
abrindo as sessões da aurora
numa assembléia de flores.
(Augusto Astério de Campos)
A mão de Deus, sabiamente,
pôs, com grandeza incontida,
na pequenina semente,
todo o mistério da vida.
(Chagas Fonseca)
Ilustração. Tony Brice, 1964
–
–
Manoel Pereira Reis Júnior
–
Chegou a primavera, a fiandeira,
vestindo policrômica roupagem;
olha como se veste, mãe, a terra inteira,
para a dança festiva da paisagem!
É a festa das cores nos caminhos,
nas alamedas, nos jardins, nos campos,
alma que tange a lírica dos ninhos,
e vive envolta em véus de pirilampos…
É um pássaro de luz que pousou nas ramadas
e parece chegou de paragens distantes,
e partiu como partem as valquírias aladas
em alígeros corcéis de crinas ondulantes!
E foi levar fulgor as campinas virentes,
às flores dos pauis, aos vales e às estradas,
e passou pela terra espalhando sementes,
anêmonas de luz ao leu, despetaladas. . .
Há cantigas no alto das ermidas,
nas mamoranas, no beiral das casas;
são gorjeios de aves, mas são vidas
na revoada rútila das asas…
E tudo transformou-se, mãe; a natureza
engalanou-se de belezas raras,
do ouro vivo do sol à singeleza
das penas coloridas das araras…
–
–
Manoel Pereira Reis Júnior ( Catu, BA, 1911 — RJ, RJ 1975) Poeta biógrafo, professor, jornalista, historiador, prêmi ABL (1944 e 1973).
Obras
As Últimas do outono, 1973
Canções do infinito, 1943
Cantigas da mata, 1936
Delírio de Pã, 1938
Epopéia heróica, 1941
Iocaloa, 1932
Maria da Graça, 1931
Ronda luminosa, 1934
Teia de aranha, 1930
A FLOR
Afonso Lopes de Almeida
Que linda flor! – dizeis – porém
reparai bem:
vede que a sábia Natureza
não lhe deu só beleza,
mas fê-la útil também.
Beleza que é só beleza
embora que nada se iguale,
é coisa fútil…
Pois, com franqueza,
ser belo de nada vale,
se não se é útil.
Leis da vida, leis do amor!
Tudo produz, e o produto
novos produtos adiante,
constante, continuamente!
A flor se transforma em fruto,
o fruto faz-se semente,
volta a semente a ser planta,
torna a planta a abrir-se em flor!
Se tudo é útil no mundo,
e produtivo, fecundo,
nós, por nosso próprio bem,
trabalhemos,
estudemos,
sejamos úteis também!
Em: O mundo da criança, vol. I, Poemas e Rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta, s/d
——–
Afonso Lopes de Almeida (RJ, RJ, 1888 – RJ, RJ, 1953), poeta, prosador, bacharel em Direito, membro da Academia Carioca de Letras. Filho da escritora brasileira Julia Lopes de Almeida.
Obras:
A Árvore, 1916
A Neve ao Sol: viagem lírica pelos cinco continentes
Evangelho da Bondade e Outros Poemas, 1921
Mãe, 1945
Através da Europa, no Ano Primeiro da Era, 1923
O Gênio Rebelado,1923
Terra e Céu, 1914