Berço, poesia de Stella Leonardos

7 07 2015

 

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Berço

 

Stella Leonardos

 

 

Foi vime que nasce à toa

Debruçado na lagoa,

Colhido de manhã cedo.

Já viu garça azul que voa,

Já viu rastro de canoa,

Já escutou vento e arvoredo.

Por isso a fragrância boa,

Esse cheiro de segredo.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.11





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

29 06 2015

 

homem com cachorro 1929Homem com cachorro, ilustração de 1929.

 

“Cuidado com o homem que não fala e com o cão que não ladra.”




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

24 06 2015

 

bezerrinho mamandoIlustração sem identificação de autoria.

 

 

“Bezerro manso mama na mãe dele e na dos outros.”





As flores e os pinheiros, poema de Machado de Assis

23 06 2015

 

Guilherme Matter (1904 -1978) plantação de trigo no Paraná.Plantação de trigo no Paraná

Guilherme Matter (Brasil, 1904-1978)

óleo sobre tela

 

 

As flores e os pinheiros

Machado de Assis *

 
Vi os pinheiros no alto da montanha
Ouriçados e velhos;
E ao sopé da montanha, abrindo as flores
Os cálices vermelhos.

Contemplando os pinheiros da montanha,
As flores tresloucadas
Zombam deles enchendo o espaço em torno
De alegres gargalhadas.

Quando o outono voltou, vi na montanha
Os meus pinheiros vivos,
Brancos de neve, e meneando ao vento
Os galhos pensativos.

Volvi o olhar ao sítio onde escutara
Os risos mofadores;
Procurei-as em vão; tinham morrido
As zombeteiras flores.

 

*Este poema é a tradução de Machado de Assis do poema publicado em francês do poeta chinês Tin-Tun-Sing.

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 173.





Trova do acidente de carro

22 06 2015

 

 

acidente, carro, tintin, hergéTintin observa o resultado dos pneus furados, ilustração de Hergé.

 

Todo “barbeiro” sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!…

 

(Izo Goldman)





As noivas de branco…Desde quando?

12 06 2015

 

 

Casamento russo 3Casamento na Rússia, década de 1960. Ignoro a autoria dessa ilustração.

 

“Até meados do século XVII, as noivas usavam vestidos coloridos, com pedrarias e bordados. Tons vermelhos e dourados  eram os mais comuns. Foi a rainha Vitória, da Inglaterra, que inaugurou o visual da noiva mais usado até hoje — ao se casar de branco com seu primo, o príncipe Albert. Ela também acrescentou ao seu traje nupcial um véu — detalhe, na época era proibido para rainhas que, para provarem sua identidade e soberania, nunca deveriam cobrir o rosto. O mais curioso é que ela o pediu em casamento, pois não se permitia fazer esse pedido diretamente à rainha. Com a chegada da burguesia, o vestido branco ganhou outro significado: o da virgindade.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 44.





25 anos, soneto de Menotti del Picchia

8 06 2015

 

75e570ac2d6c8ac4e71bc03d71d14182Menino com cesto e cão, 1861

Édouard Manet (França,1832-1883)

Óleo sobe tela, 92 x 72 cm

Coleção Particular, Paris

 

25 anos

 

Menotti del Picchia

 

Quase me desconheço. Onde anda o imbele

menino alegre, de calcinha curta,

cantando, sempre aos saltos entre a murta,

entre os cafeeiros tão amigos dele?

 

Cresceu: ei-lo descrente… Eu sou aquele menino alegre.

A vida logo encurta as ilusões, a idade os risos furta…

E quem diria agora que eu sou ele?

Hoje me desconheço.

 

O outro, a criança lembro,

toda risonha, ao sol ardente

pelos campos em flor vagando a esmo…

 

Mas, sempre que me vem isto à lembrança,

sinto-me tão mudado e diferente

que chego a ter saudades de mim mesmo.

 

 

Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 57.





Codice Romanov: presente no seu dia a dia…

3 06 2015

 

 

café Joseph_C_LeyendeckerLanche, ilustração de Joseph Leyendecker.

 

“A origem do guardanapo é muito interessante. Antes dele cachorros e coelhos eram utilizados para limpar as mãos dos comensais, já que o padrão medieval era o de comer com as mãos. Apesar de não oficial, atribui-se a origem desse artefato a Leonardo Da Vinci (1452-1518), por meio de um livro chamado Codice Romanov, constituído de anotações culinárias atribuídas a Da Vinci. Antes da inclusão como item indispensável à mesa, as toalhas de mesa e, em seguida, as mangas dos trajes serviam para limpar os lábios.”

 

Em: Sempre, às vezes, nunca – etiqueta e comportamento, Fábio Arruda, São Paulo, Arx: 2003, 8ª edição, p: 96.





Palavras para lembrar — Marcelino Freire

1 06 2015

Aldo Bonadei, (1906-1974) Homem lendo, tec mista, 25x17cm Costureira lendo, s.d.

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

técnica mista, 25 x 17cm

“O melhor do Brasil é o brasileiro que sabe ler.”

Marcelino Freire





Trova do rio

30 05 2015

 

 

rio pedregoso, hergéTintim e Milu sobem o rio pedregoso, ilustração de Hergé.

 

Já repararam que o rio,

quando vai a caminhar,

é nas pedras do caminho

que mais parece cantar?

 

 

(Albercyr Camargo)