A menina do papai
Karin Jurick (EUA, 1961-2021)
óleo sobre placa, 20 x 20 cm
“O tempo é um químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substâncias morais.”
Machado de Assis
A menina do papai
Karin Jurick (EUA, 1961-2021)
óleo sobre placa, 20 x 20 cm
Machado de Assis
Autorretrato com Saturno, 2007
Marta Kiss (Hungria, 1974)
óleo sobre tela, 70 x 50 cm
Carlo Rovelli, A ordem do tempo

Natureza morta com violino, flauta doce, partituras e frutas, 1725
Jean-Baptiste Oudry (França, 1686-1755)
óleo sobre tela, 63 x 77 cm
Coleção Particular
“Há no violino — quando não se vê o instrumento e não se pode ligar o que se ouve à sua imagem, coisa que modifica a sonoridade — acentos que lhe são tão comuns com certas vozes de contralto, que se tem a ilusão de que uma cantora veio juntar-se ao concerto. Erguemos os olhos e só vemos as caixas dos violinos, preciosas como estojos chineses, mas, por um momento, ainda nos iludimos com o enganoso apelo da sereia; às vezes também se julga ouvir um gênio cativo que se debate no fundo da sábia caixa, enfeitiçada e fremente, como um diabo numa pia d’água benta; ou então é no ar que o sentimos, como um ser sobrenatural e puro que passasse desenrolando a sua invisível mensagem.”
Marcel Proust, em: No caminho de Swann, volume I da obra Em busca do tempo perdido, Marcel Proust, tradução de Mário Quintana.
Gatinho, 1970
Aldemir Martins (Brasil, 1922 – 2006)
óleo sobre tela, 22 x 16 cm
“Alice perguntou: Gato Cheshire… pode me dizer qual o caminho que eu devo tomar?
Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.
Eu não sei para onde ir! – disse Alice.
Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.”
Lewis Carroll, em Alice no país das maravilhas
Albert Einstein
Orlando, 2024
Nikoleta Sekulovic (Itália-Espanha, contemporânea)
pastel, grafite e tinta acrílica sobre tela, 194 x 225 cm
Fernando Pessoa
Ashley lendo, 2008
Milé Murtanovski (Canadá, 1971)
aquarela sobre papel, 56 x 76 cm
Contardo Calligaris
Moça lendo
Hirezaki Eiho (Japão,1881-1968)
Monzaemon Chikamatsu (1653-1724)

O castelo de cartas, 1869
Théodore Gérard (Bélgica, 1829-1895)
óleo sobre tela, 59 x 74 cm
“Junto à mesa, onde ardia o candelabro, Lúcio estava muito aplicado em levantar castelos de cartas para entreter Adélia.
Feliz idade em que a imaginação entre risos de prazer edifica palácios com essas figuras coloridas! Mais tarde, em vez de castelos de carta, são os castelos de vento, edificados com as ilusões e as esperanças de nossa alma. Vem um sopro de criança e arrasa o suntuoso palácio. O menino reúne as cartas e levanta novo castelo. O homem debalde tenta coligir as ilusões que tombaram: não encontra nem o pó; desfizeram-se em fumo.”
José de Alencar, O tronco do Ipê
Publicado pela primeira vez em 1871, foi o segundo romance regionalista de Alencar. Foi também o primeiro romance “de gente grande”, como minha mãe anunciou, quando me deu para ler nas férias de julho depois de eu completar dez anos no mês anterior. Nem sei quantas vezes o reli. Muitas. Já soube algumas partes de cor. Ainda sei nomear todos os personagens. Aliás foi o início de um bom relacionamento meu com o autor. A história se passa numa fazenda em Teresópolis, cidade com que eu estava familiarizada por passar férias lá. Há menções do rio Paquequer, assim como também acontece em O Guarani. Depois de O tronco do ipê, ainda jovem adolescente, cheia de histórias românticas na cabeça, li todos os outros “perfis de mulher’ dele, ou os chamados romances urbanos: Cinco minutos, A viuvinha, Lucíola (de que não gostei muito), A pata da gazela, Til. Mais tarde, não sei exatamente quando, provavelmente quando tinha quatorze anos, li Senhora, que se tornou um de meus livros favoritos de toda a minha juventude. Qual não foi minha boa surpresa saber, muitos anos depois, que Senhora havia sido traduzido para o inglês e fazia parte de muitos currículos de literatura sobre empoderamento feminino, em universidades nos Estados Unidos. Li também, algumas vezes, Iracema, de que gosto mais do que O Guarani, mas não cheguei a ler, Minas de Prata, nem O Gaúcho. Tínhamos a coleção toda lá em casa, mas esses, nunca chegaram a me interessar. Talvez seja a hora de voltar a Alencar, quem sabe?
Parti direto dos romances urbanos de Alencar para A mão e a luva e Helena de Machado de Assis. Essa foi a minha apresentação, pelas mãos de minha mãe a Machado. Funcionou porque apesar de ler Don Casmurro, depois aos quinze-dezesseis anos, ele não me interessou tanto quanto Memórias Póstumas de Brás Cubaslido em seguida, que foi por um bom tempo meu livro de cabeceira.
Miguel Esteves Cardoso