Leitora
Frédéric Dufaux (Suíça, 1852-1943)
óleo sobre tela, 32 x 24 cm
“A arte do escritor consiste principalmente de nos fazer esquecer que ele emprega palavras.”
Henri Bergson
Leitora
Frédéric Dufaux (Suíça, 1852-1943)
óleo sobre tela, 32 x 24 cm
Henri Bergson
Plantando uma árvore
Sir George Clausen, R.A., R.S.W. (GB, 1852-1944)
óleo sobre tela, 35 x 29 cm
“Há duas espécies de terra… Uma tem água embaixo, faz-se um buraco e aflora. É terra fácil.
A outra depende do céu. tem só aquela fonte. É magra, ladra, capaz de roubar água ao vento e à noite, e assim que consegue um pouco gasta-a logo toda em cores retidas no miolo das pedras e põe força de açúcares nos frutos e atira perfume de descarada. É terra de céu seco, prefiro-a.”
Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 35.
Menina lendo, 2010
Adilson Santos (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 43 x 31 cm
“…A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável em academias de ginástica e mesas de cirurgiões plásticos, não é um bem comprável em lojas de móveis caros, não é uma senha guardada por esteticistas, decoradores, estilistas. É a minúscula e poderosa alegria de um gesto. Um toco de lápis, uma pequenina cicatriz na pele, o sol sobre a calçada rachada diante da papelaria, à tarde. Os vinte, trinta, cinquenta arco-íris de um pequeno prisma de vidro. A cunhatã de um poema de Manuel Bandeira, escurinha, quatro anos de idade, para quem o ventilador era coisa que roda e que quando se machucava dizia: Ai, Zizus!”
Em: Um beijo de Colombina, Adriana Lisboa, Rio de Janeiro, Rocco:2003, p.53

Retrato de Lidiya Brodskaya, esposa do pintor, 1948
Fyodor Pavlovich Reshetnikov (Rússia, 1906-1988)
óleo sobre tela
Montaigne
Doceria, ilustração de Anton Pieck.
“Os comerciantes são a veia porta do corpo da nação. Quando não ocorre florescimento comercial, embora o corpo tenha membros fortes, o sistema circulatório carecerá de sangue e o corpo como um todo apresentará pouca resistência: haverá subnutrição. Impor taxas e tributos sobre essa classe raramente produz proveitosos do ponto de vista da realeza porque aquilo que o rei pode ganhar sobre uma centena de indivíduos perde no país inteiro que empobrece, porque a massa dos impostos só é possível de crescer proporcionalmente à massa de fundos empregados no comércio.”
Em: Da soberania e Da arte de comandar, Francis Bacon, Ensaios, tradução Edson Bini, São Paulo, Edipro: 2015, 2ª edição, p.73

Forma e luz, 2013
Daniela Astone (Itália, 1980)
óleo sobre tela
Abraham Lincoln
Natureza morta com livros, 1890
Henri Matisse (França, 1869 – 1954)
óleo sobre tela, 45 x 38 cm
Coleção Particular
“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.
Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”
Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.
Ciprestes, 1889
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 93 x 74 cm
Metropolitan Museum, N.Y.
” Vou pelo campo com uma nova muda de macieira para plantar.
Deposito-a no chão, viro-a, olho seus ramos mal esboçados tentarem lugar no espaço em torno.
Uma árvore precisa de duas coisas: sustança sob a terra e beleza fora. São criaturas completas mas impulsionadas por uma força de elegância. Beleza necessária a elas é vento, luz, pássaros, grilos, formigas e uma meta de estrelas em direção às quais apontar a fórmula dos ramos.
A máquina que nas árvores impulsiona linfa para cima é beleza, porque só a beleza na natureza contradiz a gravidade.
Sem beleza a árvore não quer. Por isso para num ponto do campo e pergunto: “Aqui, quer?”
Não espero uma resposta, um sinal no punho em que seguro seu tronco, mas gosto de dizer uma palavra à árvore. Ela sente as bordas, os horizontes e procura um lugar exato para se erguer.
Uma árvore escuta cometas, planetas, nuvens e enxames. Sente as tempestades do sol e as cigarras sobre ela com a mesma urgência de velar. Uma árvore é aliança entre o próximo e o perfeito longínquo.
Se vem de um viveiro e tem de enraizar-se em solo desconhecido, fica confusa como uma jovem camponês no primeiro dia de fábrica. Assim levo-a a um passeio antes de escavar-lhe o lugar.”
Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Berlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 26.
Senhora lendo carta, 1662
Gerard Terborch ou ter Borch (Holanda, 1617 – 1681)
óleo sobre tela, 45 x 33 cm
Wallace Collection, Londres
Jean-Baptiste Say
Leitura, 1906
Armand Rassenfosse (Bélgica, 1862-1934)
óleo sobre papelão, 35 x 26 cm
Norberto Morais