Nossas cidades: Piracicaba

18 03 2025

Às margens do Rio Piracicaba, 1941

Álvaro Paulo Sêga (Brasil, 1917-1991)

óleo sobre tela





Resenha: O barman do Ritz de Paris, de Philippe Collin

17 03 2025

Trabalhadores franceses, 1942

Ben Schahn (EUA, 1898-1969)

têmpera sobre papelão, 102 x 145 cm

Museu Thyssen-Bornemisza, Madri

 

 

Mais uma excelente escolha do grupo de leitura Papalivros neste ano — O barman do Ritz de Paris do escritor francês Philippe Collin [Record: 2025, minha edição: Kindle] com tradução de Yvone Benedetti — conta a história de Frank Meier, famoso barman daquele hotel.  Baseado nas próprias lembranças do personagem principal, acompanhamos a tomada do Ritz pelos oficiais alemães desde de o início da ocupação alemã da França, no que é conhecido como governo Vichy até a liberação de Paris, no final da guerra.

São inúmeros os livros de ficção que cobrem a Segunda Guerra Mundial, mas há relativamente poucos tratando do dia a dia da França ocupada, ou seja no governo Vichy.  Lembro-me bem da popular série publicada nos anos oitenta, da escritora Regine Deforges, cujo primeiro volume de três chamava-se A bicicleta azul, e se concentrava no período da França ocupada, mas não na área de ocupação necessariamente.  Um dos livros que li, que me deu outra visão desse período foi o de anotações de um diário do escritor inglês Somerset Maugham, Assunto Pessoal.  Bem mais recente,  houve a publicação do best-seller Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr, mas mesmo esse não se detém no cotidiano da guerra na ocupação alemã da França. Isso tem aparecido mais em filmes. De qualquer jeito, O barman do Ritz de Paris, vem para preencher esse pequeno hiato.  E fazer muito mais, porque o Hotel Ritz havia sido escolhido como local preferido do comando do exército alemão em Paris.

 

 

 

Essa é uma narrativa ágil, cheia de viradas na trama que não foram inventadas, ou feitas para manter a atenção do leitor. Trata-se de um relato de quem assistiu, vivenciou e colocou sua vida em perigo, vivendo com os nazistas, sendo ele mesmo um judeu austríaco, protegendo outros judeus à sua volta, mas trabalhando em Paris, servindo a todos os militares alemães. 

Para o leitor há ainda o prazer de ver circularem personagens famosos e históricos que encontram no Ritz alívio para o período da ocupação alemã. Conhecido por sua  habilidade de compor deliciosos drinques,  já com fama internacional desde que chegara a Paris depois do sucesso que tivera como barman em Nova York,  Frank Meier diariamente, durante toda a ocupação, se preocupa com os dois mundos que o circundam no Ritz, desde o domínio alemão sobre a capital da França.  De Ernst Hemingway a Coco Chanel, somos expostos pelos olhos de Frank Meier,  aos segredos daquela sociedade e seus truques para sobrevivência.  Nem sempre os generais famosos, escritores ou no caso de Chanel, saem dessa narrativa com o brilho que hoje lhes damos, o que torna a narrativa ainda mais interessante.

 

Philippe  Collin

 

O autor, Philippe Collin, jornalista, escritor, radialista escreveu um livro agradável de ler, coordenou com eficácia as partes do diário de Frank Meier e a narrativa histórica. Ficamos familiarizados com a história do Ritz, que sobreviveu muito bem e até hoje é um marco na paisagem urbana de Paris,  mas também percebemos que a sobrevivência naquelas circunstâncias exigia muita flexibilidade em atitudes, sem comprometer os princípios de cada um.  Essa é uma narrativa que nos faz lembrar que somos humanos e cada um sobrevive de maneira diferente.

Recomendo a leitura, rica em detalhes, em ação, vivaz, mas que deixa espaço para entendermos a complexidade dos sentimentos dos que sobreviveram à guerra. 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Imagem de leitura: Armand Schönberger

16 03 2025

Moça lendo

Armand Schönberger (Hungria, 1885-1974)

têmpera sobre papel, 60 x 88 cm





Paisagens brasileiras…

16 03 2025

Noite com arco-íris,1991

Ivan Freitas (Brasil, 1932-2003)

acrílica sobre tela (aerografo), 85 x 100 cm

 

 

Noite de luar,1989

Glauco Rodrigues (Brasil,1929-2004)

óleo sobre tela, 60 x 73cm





Em casa: Herbert Badham

16 03 2025

Café da manhã, 1936

Herbert Badham (Austrália, 1899-1961)

óleo sobre placa, 59 x 71 cm

Art Gallery, NSW, Sydney, Austrália

 

 

 

Nota: No que parece uma manhã tranquila em que a esposa do pintor toma o café, na ponta da mesa, em contraste a esse momento, o jornal da manhã anuncia que Mussolini, chefe do governo italiano, manda seu exército invadir a Abissínia, hoje Etiópia.  A invasão da Abissínia em 1935,  pela Itália, foi um dos eventos que deram início à Segunda Guerra Mundial.

 

 





Flores para um sábado perfeito!

15 03 2025

Flores

Vera Sabino (Brasil, 1949)

acrílica sobre tela

 

 

Vaso com flores na janela, 1990

Lia Mittarakis (Brasil,1934-1998)

óleo sobre eucatex,  73 x 53 cm





Eu, pintor: Edward Munch

14 03 2025

Autorretrato, 1882-83

Edvard Munch (Noruega,1863-1944)

óleo sobre tela sem primer

 





Vento do mar e o sol no meu rosto a queimar…

14 03 2025

Lagoa Rodrigo de Freitas, 1894

João Baptista da Costa (Brasil, 1865-1926)

óleo sobre madeira, 25 x 61 cm





Corujas e Picasso

13 03 2025

Coruja vermelha sobre fundo negro, 1957

Pablo Picasso (Espanha 1881-1973)

Cumbuca de terracota parcialmente cinzelada, vitrificada

número 3/150

[Christie’s]

 

 

Em 12 de maio de 2020 coloquei aqui neste blog uma pequena postagem sobre Picasso e a coruja de Antibes.  Corujas foram um tema contínuo na obra do artista espanhol desde os anos 40 até o anos 60 do século passado.  Ontem vi que mais uma coruja de Picasso entrava no mercado com venda em leilão, resolvi portanto postar algumas das corujas de Picasso que venho colecionando.  Não, ainda não esgotei minha coleção de fotos desse tema na obra dele.  Espero que gostem.

 

 

Coruja em uma cadeira com ouriços do mar, 1946

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

óleo sobre tela

A grande coruja da neve, autorretrato, 1957

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

 

 

Coruja, Natal, 1949

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

desenho

Coruja

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

Cerâmica

 

Coruja, 1957

Pablo Picasso (Espanha, 1881 – 1973)

medalhão em faiança, série de 100

pintado em frente e verso





Resenha: “O segredo de Espinosa”, de José Rodrigues dos Santos

12 03 2025

Portrait of Benedictus de Spinoza, c. 1665

Anônimo

óleo sobre tela

Biblioteca Herzog August, Wolfenbüttel

 

 

Biografias de intelectuais famosos, pensadores, podem facilmente se tornar narrativas que se perdem nas explicações teóricas sobre as contribuições dos retratados.  Essas podem desinteressar o leitor comum, nem sempre motivado para aulas teóricas na leitura de entretenimento. Ou, na tentativa de agradar a maior público esses livros podem pecar também ao  passarem por cima de teoria representativa da contribuição dos biografados no intuito do texto ser melhor digerido pelo público não especializado.  Esse não é o caso de O segredo de Espinosa, de José Rodrigues dos Santos [Planeta: 2023].  Esse é um livro muito bem escrito, cobrindo a vida do filósofo Baruch Espinosa, nascido na Holanda, judeu marrano de origem portuguesa. que trata por meio de diálogos, uma boa parte dos posicionamentos de Espinoza, fazendo-os acessíveis ao leitor sem entediá-lo.

Essas ponderações são ainda mais pertinentes quando se trata de uma obra que traz ao leitor o papel da religião no dia a dia, assim como na vida do Estado. Espinosa foi um dos grandes defensores da separação entre Igreja e Estado. Levando a racionalidade de Descartes a nível não imaginado anteriormente. Considerado o filósofo que abre a era da modernidade nos estudos filosóficos, ele está hoje entre os filósofos mais influentes do mundo atual. Toda essa importância poderia tornar O segredo de Espinosa difícil de ler, difícil de interpretar, mas José Rodrigues dos Santos fez um excelente trabalho cobrindo desde a infância de Espinosa até seus últimos dias.


 

 

Além de ser fiel aos argumentos de Baruch Espinosa, José Rodrigues dos Santos presenteia o leitor com deliciosas vinhetas da vida na Holanda do século XVII, historicamente confirmadas,  assim como eloquentes cenas da política local, da população em revolta.  Não se recusa tampouco a delinear com precisão as questões religiosas e culturais complexas da época.

Ao longo da Breestraat viam-se as lojas e os armazéns a exibirem os produtos mais variados; muitos provenientes de empresas neerlandesas como a Companhia das Índias Orientais e a Companhia das Índias Ocidentais, outros de empresas portuguesas como a Carreira das Índias e a Companhia Geral do Comércio do Brasil, outros ainda de navios oriundos de Veneza, de Antuérpia, de Hamburgo ou de outros pontos, incluindo saques efetuados por corsários marroquinos. As prateleiras enchiam-se assim de porcelanas de Cantão e de Nuremberg, tapetes de Esmirna, tulipas de Constantinopla, sedas de Bombaim e de Lyon, pimenta das Molucas, sal de Setúbal, linho branco de Haarlem, lã de Málaga, faiança de Delft, sumagre do Porto, açúcar do Recife, madeira de Bjørgvin, tabaco de Curaçau, marfim de Mina, azeite de Faro. Havia ali de tudo e de toda a parte, como se o bairro português de Amsterdã fosse o bazar dos bazares, o mercado do mundo.

 

 

José Rodrigues dos Santos

Esse é um romance histórico, uma biografia cuidadosamente construída, que explora a maneira como Espinosa desenvolveu levou adiante as ideias de Descartes.  A obra afirma a retidão de seu caráter, expõe a maneira como as publicações se espalhavam no século XVII, e trabalha a narrativa de tal forma que o leitor não deseja parar de ler.  Foi um presente conhecer esse autor português.  Irei procurar outras de suas obras.  Recomendo sem qualquer restrição, foi para minha lista de favoritos.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.