Resenha: “Amor e memória” de Ayelet Waldman

14 01 2016

 

 

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Conny Lehmann (Alemanha, 1967)

aquarela sobre papel, 45 x 61 cm

 

Comprei esse livro porque achei a descrição da trama imperdível. Além disso, minha curiosidade havia sido instigada porque soube que a autora Ayelet Waldman participou da FLIP em 2015.  O eixo principal dessa história é o retorno ao seu próprio dono de um medalhão com o desenho de um pavão que havia sido roubado durante a Segunda Guerra Mundial. Este medalhão fazia parte de um grupo de objetos, que haviam sido confiscados pelos nazistas, das família judias.

Achei interessante a história que trazia um novo elemento para a ficção literária sobre a Segunda Guerra.  A guerra em si chegava ao fim em 1945 quando sabemos do trem repleto de tesouros  confiscados na Hungria.  Um dos soldados americanos  responsável pelo trem é o foco da narrativa na primeira parte do livro. Por uma série de peripécias, Jack, acaba sendo o guardião do medalhão. E, à beira da morte, pede à sua neta que descubra os verdadeiros donos da joia.

 

 

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A segunda parte se dedica à procura da pessoa ou de seus descendentes proprietários do medalhão: a melhor parte do livro.  E na terceira e última parte, vemos a história dos proprietários da peça.  Com essa estrutura o livro funciona como três contos diferentes, com leves ligações entre eles. São épocas, personagens e mistérios diferentes.  A terceira parte me pareceu entediante.  A razão é simples: no afã de ser precisa sobre a psicanálise,  Ayelet Waldman dedica muito texto ao processo de análise da neurastenia, em 1913.

 

 

ayelet aldemanAyelet Waldman

 

Aliás, já no início da trama, quando a ação ainda se passa em Salzburg, na Áustria, há diálogos cuja intenção é divulgar para o público em geral, os costumes e festividades judaicos. Isso contribuiu para diálogos forçados e aquém da realidade informal dos soldados americanos.  Há outras formas de se passar informações culturais ou de época que causam menor intervenção no texto.

Ao que eu saiba, este é o único livro da autora traduzido no Brasil. Difícil justificar então seu convite para participar da FLIP.  Não deve ter sido por esta obra.





Imagem de leitura — Franz Xavier Simm

20 09 2015

 

 

preparing-for-the-ball-franz-xaver-simm-austrian-1853-1918_thumbPreparando para o baile

Franz Xavier Simm (Áustria, 1853-1918)

óleo sobre painel, 40 x 29 cm





Pais que dão exemplo: Imagens de leitura

9 08 2015

 

 

Alois Heinrich Priechenfried (ÁUSTRIA, 1867 -1953). Leitor em bibliioteca rococo, ost, 48x 36cm

Leitor em biblioteca de estilo Rococó

Alois Heinrich Priechenfried (Áustria, 1867 -1953)

óleo sobre tela, 48x 36cm

 

Abbott Fuller Graves (1859 – 1936, American)the-fishermans-lessonA lição do pescador

Abbott Fuller Graves (EUA, 1859 – 1936)

óleo sobre tela

 

 

 

Carrington, Dora (1893-1932) Samuel Carrington, the artists father, 1915Samuel Carrington, o pai da artista, 1915

Dora Carrington (EUA, 1893-1932)

óleo sobre tela

 

cathy-jourdan, going to work, acrílica sobre papel.Indo para o trabalho

Cathy Jourdan (EUA, contemporânea)

acrílica sobre tela.

 

 

Chad Gowey, (eua,1987)ESTACIONAMENTO NO FERIADOEstacionamento no feriado

Chad Gowey (EUA, 1987)

 

 

Nicolaas van der Waay3Decifrando a autoria

Nicolas Waaij Weesmeisjes (Holanda, 1855-1936)

óleo sobre tela

 

Djanira, O leitor e seu vizinho,1945, ost, 65x55O leitor e seu vizinho, 1945

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1914-1979)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm

 

Edvard Munch Andreas Reading, 1882-83, Edvard MunchAndreas lendo, 1882

Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)

óleo sobre cartão

 

Albert Ramos Cortés

Retrato de meu pai, José Alberto Ramos Román

Ramos Cortés (Espanha, contemporâneo)

óleo sobre tela colada em placa, 90 x 90 cm

 

camille pissarro portrait-of-rodo-pissarro-readingRodo lendo, 1900

Camille Pissarro (França, 1830-1903)

óleo sobre tela, 7 x 9 cm

Coleção Particular

 

 

Georgette Agutte (França) Marcel Semblat lisant, 1910-1920, Musée de GrenobleMarcel Semblat lisant, 1910-1920

Georgette Agutte (França, 1867-1922)

óleo sobre tela

Musée de Grenoble

 

 





Imagem de leitura — Hans Hamza

21 06 2015

 

 

Hans Hamza (Wien 1879-1945) Hans Hamza (Wien 1879-1945) Wachauerin, signiert Hans Hamza, Öl auf Holz, rückseitig wie oben betitelt, 19 x 13,7 cm, gerahmt, (W)Bela jovem camponesa

Hans Hamza (Áustria, 1879-1945)

óleo sobre madeira, 19 x 13 cm

 





O mundo animal de Carl Reichert

22 02 2015

 

 

 

Carl-Reichert-The-painter-disputeDisputa entre pintores,1903

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 24 x 30 cm

 

 

Carl_Reichert_DinnerpartyHora do jantar,1918

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 28 x 34 cm

 

 

Carl_Reichert_Auf_dem_Weg_zum_MarktA caminho do mercado,1918

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 17 x 24 cm

 

 

Carl_Reichert_Der_Liebling_der_Familie_1915O xodó da família,1915

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 27 x 21 cm

 

 

Carl-Reichert-XX-Cats-in-the-Boudoir-XX-Private-collectionGatinhos no boudoir, até 1918

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 24 x 18 cm

 

 

Carl_Reichert_MäuseCamundongos, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

aquarela, guache e carvão sobre o papel, 22 x 20 cm

 

 

Z 017Dois mal comportados, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre tela, 60 x 40 cm

 

 

Carl_Reichert_With_heaty_good_wishesCom os melhores votos, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 31 x 23 cm

 

7b5a072eGata com filhotes, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira

 

 

100394584_Carl_Reichert__18361918_2O aquário, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira

 

 

Carl_Reichert_Jagdbeute_1912Caça à raposa, 1912

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

aquarela sobre papel, 15 x 21 cm

 

 

carl-reichertGatos com cacatua, 1898

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 47 x 30 cm

 

 

H0027-L18947365Depois da caça, s.d.

Carl Reichert (Áustria, 1836-1918)

óleo sobre madeira, 44 x 55 cm





Imagem de leitura — Marianne Stokes

21 10 2014

 

 

Marianne Stokes,(1855-1927) Candlemas DayFesta da Candelária, c. 1901

Marianne Stokes (Áustria, 1855-1927)

têmpera sobre painel de mogno, 41 x 34 cm

Tate Gallery, Londres





Inveja, o pecado da baixa auto-estima em ‘A acompanhante’, de Nina Berberova

27 09 2014

 

 

priechenfried-alois-heinrich-the-recital_thumbALOIS HEINRICH PRIECHENFRIEDO recital

Alois Heinrich Priechenfried (Áustria, 1867-1933)

óleo sobre tela,  35 x 58 cm

 

A inveja, pecado mortal, fonte segura dos sentimentos mais complexos no ser humano, é o tema central desse pequeno romance (seria melhor chamá-lo novela, no sentido literário da palavra, ou seja um conto longo que não chega a ser um romance) titulado A acompanhante de Nina Berberova (Rússia, 1901- EUA,1993). Para os amantes de literatura russa essa escolha é perfeita, em estilo, prática, tema e complexidade emocional a autora, só descoberta por aqueles que não leem em russo, nos anos 80  do século passado, quase 30 anos após emigrar para os Estados Unidos, tornando-se cidadã americana.

Publicado no Brasil em 1997 pela Imago, só agora, participando de um grupo de leitura cujas obras precisam ter  menos de 150 páginas, cheguei a esse exímio retrato psicológico de Sonetchka uma pianista jovem, pobre, bastarda, competente e feia.  Isso não sou eu quem diz, mas um personagem que, sem interesse secundário em suas habilidades na música, a leva para jantar e diz: “Você é gentil, muito gentil. Tão feia e tão gentil. Tão pequena e tão feia” [81].  Como se sente então essa jovem diante da cantora Maria Nikolaevna Travina, mulher atraente, enigmática, sedutora,  portadora de uma bela voz, que lhe deu emprego, comida, roupas e uma vida fora da miséria em que nascera? Grata por ter sido reconhecida como competente?  Feliz por ter um emprego que a tira da pobreza profunda?  Fascinada com a oportunidade de sair da Rússia, ir a Paris?  Não.  A inveja a domina.

 

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Sonetchka não consegue ser generosa e apreciar o que de bom acontece na vida de sua patroa.  Muito pelo contrário gostaria de destruir esses bons eventos. E  não se livra tampouco  dos preconceitos da sociedade russa, nem mesmo depois de deixar o país para trás.  Não consegue se desfazer do complexo de inferioridade alimentado por ser filha de mãe solteira; por sentir que repetirá a vida de subsistência de sua mãe. Julga aqueles que a salvaram de um futuro incerto e faminto pelos rígidos  parâmetros da mesquinhez.  E a bela cantora que a salvara de um futuro abismal é o fruto de um ódio murmurante, impiedoso, abrigado na alma de sua acompanhante.

Mas eu não notei nada, nada exceto aquela espécie de doçura que ela tinha, e de vez em quando um olhar incerto. De novo, ela era gentil e atenciosa com Pavel Fedorovich, de novo trabalhava muito e com aplicação; por períodos ela se embelezava de modo impressionante, e continuava sua existência com segurança e total liberdade. E eu sentia que sumia cada vez mais do lado dela, enquanto ela crescia como cantora e, física e espiritualmente, se aproximava de uma espécie de ponto focal de sua vida, ponto que poderia fazer durar por muitos anos, com sua inteligência, sua beleza e seu talento. ” [85]

 

nina-berberovaNina Berberova

Não é suficiente  alimentar o asco, torcer para que as coisas não se resolvam, não é suficiente imaginar o que faria para desmascará-la.  O ódio que sente contra a bela e generosa cantora, precisa machucar. É preciso ferir Maria Nikolaevna Travina do mesmo modo que Amy, a mais jovem das irmãs em Mulherzinhas de Luísa May Alcott, precisa queimar o manuscrito de Jo, quando não pode ir a teatro. Não bastava sentir raiva, era necessário machucá-la, feri-la, naquilo que entendia ser sua fonte de poder.  Com Sonetchka o mesmo acontece. Mas a vida lhe rouba até mesmo a oportunidade de ser central no evento que mudará a vida de sua patroa. Traída mais uma vez pelas circunstâncias a acompanhante mergulha em sua própria sopa de fel.

Uma poderosa narrativa, surpreendentemente detalhada para tão pequena obra. Vale a leitura.





Imagem de leitura — Rudolf Ernst

25 04 2014

Rudolf Ernst (Austria,1854 – 1932)The_Reader_TwoLeitora II

Rudolf Ernst (Áustria, 1854-1932)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Johann Baptist Reiter

1 02 2012

O pequeno leitor, s/d

Johann Baptist Reiter (Áustria, 1813-1890)

óleo

Johann Baptist Reiter nasceu em Urfahr, na Áustria em 1813 numa família de marceneiros.  Seu primeiro contato com tintas foi auxiliando seu pai na pintura de móveis.  Por sugestão de um negociante de arte ele entrou para a Academia de Viena, entre seus professores estavam: s Leopold Kupelwieser, Anton Petter e Thomas Ender.  De 1830 a 1837 ganhou a vida como pintor de porcelanas, mas já em 1834 fazia sua primeira exposições nos salões de Viena.  A partir de 1837 sua carreira toma ímpeto e ele se torna um conhecido pintor de cenas históricas e retratos.  Faleceu em Viena em 1890.





5 melhores livros de crime publicados nos EUA em 2008, NPR

22 11 2008

 

 

No início desta semana a National Public Radio, nos EUA, revelou sua lista dos 5 melhores livros de crime publicados em 2008.

 

O critério foi baseado numa frase de Sam Spade no livro O Falcão Maltês:  um grande mistério deve tirar a tampa da vida e deixar você ver como funciona.  A parte de entretenimento também foi considerada essencial, mas defuntos, jóias roubadas, cartas, material que faz parte de todo bom mistério são só motivos para se falar dos grandes mistérios da vida: amor, morte, Deus e a presença do Mal na vida diária.   De acordo com a NPR, todos esses elementos estão presentes nos cinco mistérios selecionados:

 

 

Small Crimes de Dave Zeltserman: é um mistério noir.  A história é contada crime-zeltserman_200por Joe Denton, um tipo clássico deste tipo sombrio de mistério dos anos 30 —  um ex-policial corrupto, que ao sair da prisão depois de sete anos encarcerado por ter assassinado a facadas um promotor publico começa a receber todo tipo de visitas de pessoas que lhe cobram por seu passado.  

 

crime-larsson_200The girl with the Dragon Tatoo, de Stieg Larsson: se passa na Suécia.  O autor, jornalista, estreou como escritor com este título que foi imensamente bem recebido pelo público europeu.  O livro inclui corrupção corporativa, suspense na corte da justiça, uma família disfuncional e um quebra-cabeças do gênero Agatha Christie.  Tudo enquanto o repórter Mikael Blomkvist é empregado por um velho mogul para desvendar um antigo crime envolvendo o desaparecimento de sua sobrinha, há 40 anos.  Junto com o repórter está a hacker de computadores Lisbeth Salander.  

 

 

The Chinaman, de Friedrich Glauser, é a tradução de um antigo mistério do escritor austríaco, nascido em 1896.   Glauser passou muitos anos de sua vida entrando e saindo de hospitais e clínicas psiquiátricas mas mesmo assim crime-glauser_200conseguiu escrever uma série de romances de mistério com narrativas completamente hipnóticas.  Eles são estrelados pelo policial Suíço Sargento Studer.  [ Em reconhecimento pelo grande escritor, a Alemanha nomeou seu mais prestigiado prêmio para a ficção de mistério de Prêmio Glauser].  Este mistério é o quarto da série de Glauser e foi publicado pela primeira vez em 1939.  

 

 

Death Vows, de Richard Stevenson, tem Donald Strachey, o conhecido crime-deathvows_200detetive gay, que habita os romances de Stevenson.  Este é seu nono livro e motivo central circula à volta do direitos do casamento gay.   Strachey é contratado por um grupo de amigos, que suspeitam de alguma coisa errada sobre o noivo, logo, logo marido, de um amigo deles Bill Moore.  Assim que Strachey entra em cena, um assassinato acontece.  

 

 

The Long Embrace, de Judith Freeman, é um mistério com uma narrativa crime-freeman_200atmosférica.  Apesar de não ser tecnicamente um livro de crime, este romance gira em torno da vida de um dos escritores de histórias de detetives mais queridos nos EUA: Raymond Chandler.  O livro se concentra no casamento de 30 anos  desse escritor  com Cissy Pascal, que era 18 anos mais velha que ele. 

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Títulos  no Brasil:

 

 

Stieg Larsson:  Os homens que não amavam as mulheres, tradução de Paulo Neves, Companhia das Letras: 2008, São Paulo.