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Yoshiya Takaoka (Japão, 1909 — Brasil, 1978)
óleo sobre tela colada em madeira, 48 x 60 cm
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Yoshiya Takaoka (Japão, 1909 — Brasil, 1978)
óleo sobre tela colada em madeira, 48 x 60 cm
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Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)
óleo sobre papel, 70 x 70 cm
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J. G. de Araújo Jorge
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A manhã surge
aos sons do Concerto nº 1 de Grieg
no rádio madrugador de meu vizinho.
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A tarde chega
acampanhada pelo Prelúdio nº 24 de Chopin,
num piano sem lugar.
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A madrugada se embala
com a música do mar.
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Em: A outra face: poesia, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1957, p. 157
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Colette Foune (França, 1927)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
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Colette Foune nasceu em Montmartre em 1927. Seu trabalho é muitas vezes classificado como naïf, mas sem dúvida apresenta maior familiaridade como o onírico ou com o surrealismo, onde cenas do dia a dia são repletas de detalhes interessantes ainda que frequentemente insólitos. Também mencionada como Colette Foune-Dentz.
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Giuseppe Mascarini (Itália, 1877-1954)
óleo sobre tela,
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Francesco Petrarca
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Girassóis, 1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
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Sabia-se que Van Gogh havia originalmente pintado algumas telas diferentes com girassóis. Isso, no verão, em agosto de 1888. Seu objetivo era decorar o quarto de Gauguin. Mas dois desses quadros desapareceram. Um desapareceu na Segunda Guerra Mundial, no Japão. E o outro? Onde estaria? A questão se torna ainda mais interessante quando se leva em consideração a grande popularidade que têm os girassóis de Van Gogh nos museus de Munique e de Londres. Eles estão entre os favoritos do público em geral. Há outras cópias de girassóis feitas pelo próprio van Gogh em outros museus. Mas o que acontecera com aquele outro? Onde estaria?
O livro de Martin Bailey, um dos grandes conhecedores da obra de van Gogh, autor de The Sunflowers are mine, que acaba de ser publicado, explica o destino de cada um desses quadros e descobre o proprietário, o colecionador particular, que tem em seu poder o quadro “perdido” de van Gogh. Já encomendei o meu volume. Querendo mais informações veja o artigo no jornal The Guardian, do dia 4 de setembro.
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Livraria, 2012
John Farnsworth (EUA, contemp.)
Óleo sobre tapel colado em madeira, 21 x 21 cm
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“A livraria era frequentada por curiosos que passavam as tardes remexendo livros, anotando cadernos e abrindo gavetas; desencavavam edições esgotadas, gozavam da intimidade do patrão, cuspinhavam literatura, falavam mal dos outros e galanteavam Teresa, — galanteios de esporas.
Ela se acostumara, só fazia sorrir. Fechou o decote e desceu as mangas, mas os seios empinados desafiavam os fregueses. Impossível disfarçá-los, primeiro lugar para onde espiavam.
Uma tarde quase caía da cadeira alta junto à maquina: a mão que se estendia pedindo-lhe o troco era a mesma que lhe fizera carinhos. Não mudara: o asseio de sempre, a camisa bem alva, o bigode certo, a roupa cinzenta. Estranhou-lhe a calma; surgia tão sereno, tão sem surpresa que parecia mentira. Jamais pensou que fosse assim, um tipo sem alma, lembrou-se de um livro que lera. Na livraria havia facilidade de obter, emprestados, romances da moda; quase todos contavam histórias de amores infelizes, de pobres mocinhas que sonhavam com príncipes encantados.
Afável, cordial e alheio, como se nada entre eles houvesse ocorrido. Num minuto atravessava Teresa um mundo de recordações: noites de lágrimas, a perseguiçã ao vidro de formicida, tudo por ele, que estava ali calmo e distante, sorriso incolor, sem um aperto de mão. Sujeito ordinário, pensou em dizer-lhe. Noivo? Teria casado? Os olhos cinzentos iam dominá-la; seu rancor tropeçava, fraquejava. O mesmo rapaz, nem alto nem baixo, roupa nova, a gravata escura, o cabelo cortado. Por ele sofrera, esquecida e apagada; se não fosse o emprego, teria morrido de tédio. Andaria iludindo outras tolas, sujeito ordinário, quase dizia. Soçobrava nas recordações tumultuadas, o ódio adormecia, o desejo imperava. Fraqueza. Cadê o amor-próprio? Não devia ceder. Seria capaz de repetir a loucura? Loucura não houvera. O coração de Teresa perdendo o compasso, subia e descia, não havia o que falar. Se falasse, iria se render, iria adular, iria chorar. Que coisa trágica, o amor. Os homens não amavam, aproveitavam a fraqueza das pobres para se divertir.
— Quem quiser se divertir, compre macaco — proclamava Viriato.
Mas Viriato também fazia sofrer a irmã de um amigo.
Coração descompassado, alegria e horror.
— Quase não a reconhecia — falou. Cada vez mais bonita.”
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Em: O amigo Lourenço, Permínio Asfóra, Rio de Janeiro, José Olympio: 1962, pp, 96-97