O maior cemitério da Espanha pré-histórica

8 05 2010

Hoje, perambulando pela rede descobri esse vídeo das escavações feitas na Espanha, quando descobriram, em meados de Janeiro de 2009, a maior sepultura pré-histórica daquele país.  Não resisti e trouxe para cá, não só o vídeo como a notícia original como apareceu no Portal Terra há um ano e meio atrás.

“Os arqueólogos descobriram perto de Murcia (sudeste) uma sepultura com o maior número de restos humanos jamais encontrados na Espanha, anunciou o governo regional.

O sítio arqueológico “Camino del Molino”, no município de Caravaca de la Cruz, contém pelo menos 1,3 mil indivíduos enterrados em torno do ano 2400 a.C. até 1950 a.C, segundo comunicado da prefeitura de Murcia.

Segundo a secretaria regional de Cultura e Turismo, trata-se do sítio pré-histórico com o maior número de corpos já encontrado.

A descoberta desta jazida permitirá estudar a população completa de um habitat pré-histórico dessas dimensões, analisando as questões relacionadas a idade da morte, doenças, dietas e diferentes traços antropométricos”.

Fonte: Portal Terra





Quadrinha infantil da criança feliz

8 05 2010

Não me esqueço um só instante

Do que a mamãe sempre diz:

A que criança que estuda

Vive contente e feliz.





O futuro dos livros impressos: há esperanças!

7 05 2010

 

No início deste ano, a maioria dos jornais, tanto aqui no Brasil como lá fora, fez retrospectivas da 1ª década do século.  Houve muitos best-sellers em diversos campos de publicações para que se tenha uma boa perspectiva do mercado editorial aqui e no mundo.  Às vezes a aparição do livro eletrônico parece confundir um pouco o assunto.  O sucesso dos leitores eletrônicos [ A Amazon teve um sucesso enorme de vendas com o seu kindle no Natal passado] e  o lançamento dos livros eletrônicos da Google; o aumento de todos nós com a dependência da leitura de livros e documentos na rede] tudo parece estar contribuindo para uma grande mudança no mercado.  Essa previsão traz insegurança entre os editores.  É  natural que o  tradicional mundo editorial esteja cauteloso quanto ao futuro.  Mas tudo indica que a venda de livros — quer impressos ou eletrônicos —  ainda tenha um futuro brilhante.  No Brasil a venda de livros continua a crescer de ano para ano, mas há editoras que mostram relutância em se engajarem no mercado eletrônico.  É difícil dizer como o leitor brasileiro irá se comportar num mercado que ofereça tanto o livro em papel quanto o livro eletrônico.  No entanto acredito que o mercado editorial ande mais temeroso do que deveria estar e previsões de uma catástrofe editorial não parecem realistas.    

A crítica literária, ou os intelectuais, por  outro lado, esperneiam se comiserando quanto a qualidade do produto que é publicado, porque não vê crescimento no que considera “leitura de substância”.  Realmente para editoras poderem crescer e lucrar [afinal minguém abre uma editora para perder dinheiro, é um negócio como qualquer outro] elas terão que oferecer mais daquilo que o publico deseja.  Com esse assunto em mente, lembrei-me de um perfil sobre o sucesso das publicações na primeira década do século desenhado por Lee Ferguson, para a CBC News e fui de volta às minhas notas.  Coloco aqui o artigo publicado no final do ano passado, em 5/11/2009, pela  CBC News  do Canadá, intitulado Reading the signs: the biggest publishing phenomena of the decade, [Interpretando as pistas:  o maior fenômeno de publicação da década], para consideração das modas e do que fez sucesso nos últimos dez anos.  Vou traduzir esse artigo livremente, do inglês, para que todos nós possamos considerar os pontos mencionados, quando possível coloquei os títulos em português.

“Neste final de década com uma indústria editorial sofrida que tenta sobreviver à crise econômica, há um vigoroso debate sobre o futuro.  E tudo indica o final precoce da palavra impressa.  Mas, se olharmos para os livros e para as tendências editoriais que marcaram a primeira década do século, vemos uma realidade diferente.  Os leitores, por mais cansados que estivessem não chegaram a perder a fé nos livros. 

 

Conectando-se:

Um dos subprodutos da era digital é o excesso de informação.   Não obstante, um bom número de escritores decidiu navegar pelo pântano de idéias e trazer para a superfície algumas significativas conexões.   Thomas Friedman delineou as “pressões” que fazem o mercado global um campo de batalha igual para todos no seu O mundo é plano: uma breve história do século XXI (2005), enquanto Steven D. Leavitt e Stephen Dubner usaram teoria econômica para explicar tudo desde de uma gangue de drogas de Chicago até as taxas de abortos no Freaknomics (2005).  O ensaísta nova-iorquino Malcolm Gladwell pode até ser considerado o mestre deste curioso sub-gênero.  Conseguindo sucesso com Blink: a Decisão Num Piscar de Olhos (2005) e  Fora de série: outliers (2008) seu estilo popular levando em consideração símbolos accessíveis a todos desde A rua Sésamo aos calçados Hush Puppies, fez dele uma das modas que ele mesmo descreveu no livro O Ponto da Virada (2000).

 

O código Da Vinci:

Salman Rushdie o considerou “um livro tão ruim que dá aos livros ruins um nome ruim”.  Mais de 80 milhões de leitores discordam.  Publicado em 2003, a aventura com uma trama bastante intrincada sobre um professor de simbologia que tenta resolver um assassinato no Louvre, explorou tudo aquilo pelo que os leitores do mundo inteiro precisavam:  mistério, religião, locais exóticos e teorias de conspiração com o Santo Graal e Maria Madalena adicionados para ficar no ponto.   O código Da Vinci deu a todo mundo um tópico de conversa e se transformou no livro mais popular da década. 

 

 

Ilustração Walt Disney, Minie escolhe um livro.
 
 

O debate sobre Deus:

Deus esteve na frente  e no centro de diversos livros na década.  Um grupo de escritores ateus desacreditou de sua existência: O fim de fé de Sam Harris (2005), Deus não é grande: como a religião envenena tudo de Christopher Hitchens (2007) e  Deus, um delírio de Richard Dawkins (2006). (Este último gerou uma pequena indústria de repostas raivosas que incluíram títulos como O ateu iludido [De Douglas Wilson] e O dilema de Dawkins: iludido ou não [de Michael Austin – não traduzido no Brasil]).  Dois dos livros mais rigorosos e reflexivos da década sobre espiritualidade forma publicados graças a teóloga Karen Armstrong [ Em defesa de Deus – The case for God – não achei a tradução no Brasil] e Deus é, do autor premiado com o Prêmio Giller, David Adams Richards [sem tradução no Brasil].  Não há claros vencedores no debate religioso, só uma sensação muito forte de que todo mundo nos anos 2000 estava no meio de uma crise de fé.  Mesmo assim, as vendas na Bíblia subiram vertiginosamente. 

 

Fato ou ficção?

Como Joan Didion e Dave Eggers podem provar a primeira década do século foi uma ótima época para as lembranças.  Mas depois que o livro aprovado por Oprah [Winfrey] Um milhão de pedacinhos de James Frey mostrou ser uma coleção de eventos exagerados e emocionalmente explorados, a rainha vesperal da televisão o derrubou com estrondo pelo mundo inteiro.  A autobiografia se tornou subitamente suspeita, e autores de J T Leroy [Maldito coração, Sarah] a Herman Rosenblat {não encontrei seus livros publicados no Brasil] foram chamados de falsos.   David Sedaris, [Pelado, Eu falar bonito um dia, De veludo cotelê e jeans: crônicas autobiográficas, Engolido pelas labaredas] uma das verdadeiras estrelas literárias da década, foi um dos poucos memorialistas a aparecer sem prejuízos, talvez porque tenha sempre tido o bom senso de admitir que mistura ficção com realidade.

 

Literatura de mulherzinha:

Na primeira década do século houve uma onda da mania Bridget Jones; uma meia dúzia de autoras criaram uma nova safra de personagens de sucesso, tais como Os delírios de consumo de Becky Bloom [Sophie Kinsella], Diários de Nanny [Emma McLaughlin and Nicola Kraus], O diabo veste Prada [Lauren Weisberger], o cânone de Candace Bushnell [ Janey Wilcox: Alpinista Social, a série de livros Sex and the City]: heroínas em grande parte neuróticas, com empregos agonizantes em Manhattan, sempre à procura de um Martini e de um bom par de sapatos.   Já que livros com capas cor de rosa provaram ser de grande sucesso econômico – o consumismo de Becky Bloom virou uma franquia – parece provável que as pernas torneadas da literatura de mulherzinha continuarão a ter sucesso na década começando em 2010. 

 

 

Ilustração de Jonathan Burton, inspirada num quadro de Seurat.

 

A nova vanguarda global:

 

Quando o romance pluri-cultural, passado num bairro ao norte de Londres de Zadie Smith, Dentes Brancos foi publicado, no ano 2000, ele abriu uma das tendências mais interessantes da década: a ficção global.  A cacofonia de diversas vozes se seguiu com: a tragédia de Khaled Hosseini retratada em O caçador de pipas;  a ode de Monica Ali [Um lugar chamado Brick Lane] aos imigrantes de  Bangladesh, de 2003;  e O Tigre Branco, de Aravind Adiga, sobre a Índia desconhecida, que lhe deu o Man Booker em 2008.  Nesse ínterim o autor de origem libanesa nascido em Montreal Rawi Hage nos seduziu com o De Niro’s Game (2006) e Cockroach (2008), [seu único título no Brasil, sai este ano, Exílio, agora em maio] provando que a excelência literária não pertence só ao grupo de homens caucasianos de meia idade. 

 

Tudo virou verde:

 

Ele não foi eleito president, mas Al Gore mesmo assim deixou sua marca quando em 2006 lançou o livro (acompanhado do filme) Uma verdade inconveniente.  Seu livro foi um de muitos sobre os efeitos do aquecimento global, na década que viu títulos tais como Hell and High Water [não traduzido para o português, o título do autor Joseph Romm encontrado nas nossas bandas é Empresas Eco-eficientes] e Field Notes from a Catastrophe  [ da autora Elizabeth Kolbert, cujo único livro em português que encontrei foi Planeta Terra em Perigo, que não sei se é o mesmo — os títulos são muito diferentes].  Mas talvez a voz mais pungente no assunto tenha sido a de Tim Flannery, o cientista australiano cujo livro Os Senhores do Tempo – O Impacto do Homem nas Alterações Climáticas e no Futuro do Planeta (2006) baixou nas livrarias com a força de uma tsunami. Com sua escrita clara e urgente e pesquisa meticulosa, o sucesso de vendas de Flannery convenceu os leitores de que a hora da mudança era agora.

  

Os narradores diferentes:

 

Uma menina assassinada que se comunica do além (Uma vida interrompida, de Alice Sebold); um menino autista participante de um inexplicável mistério ( O estranho caso do cachorro morto de Mark Haddon); um hermafrodita preso entre gêneros ( o livro de Jeffrey Eugenedes, Middlesex) – esses foram alguns dos personagens que nos fascinaram com suas histórias excêntricas na década passada.   E, ao longo do tempo, os protagonistas deixaram de ser estranhos para serem verdadeiros trapaceiros.  O quase sinistro monólogo do paquistanês em  O fundamentalista relutante, de Mohsin Hamid e o sobrevivente de naufrágio que passou sete meses num barco com um tigre de Bengala de 200 quilos, no livro A vida de Pi, de Yann Martel forçaram os leitores a questionarem suas próprias percepções dos acontecimentos da década, quando histórias da carochinha e narradores pilantras apareceram em grande número.

 

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

Alimento para o cérebro:

Graças a Eric Schlosser com seu alarmante País Fast Food (2001), muitos de nós começamos a década conscientes de que nunca mais olharíamos para um nugget de frango do MacDonald’s da mesma maneira.   Um imenso bufê de livros sobre comida foi então produzido com escritores alardeando de tudo, desde a dieta ecologicamente correta, à vida orgânica, aos méritos da gordura.    Precisamos da tentadora prosa do jornalista Michael Pollan para nos sentirmos felizes de novo com uma refeição.  Pleiteando ingredientes verdadeiros e uma refeição simples ao invés de substâncias que parecem comida, em ambos os livros Em defesa da comida: um manifesto e The Omnivore’s Dilemma: A Natural History of Four Meals [não traduzido para o português] Pollan nos ajudou a fazer sentido de novo da nossa comida.

 

 

Harry Potter/ Crepúsculo:

Se alguns livros de ficção pareciam obrigatórios para todos, um outro gênero pareceu até mesmo ainda mais sedutor sobre os leitores: a fantasia.   A medida que pequenos Trouxas lutaram para ter em suas mãos o último volume da série do Harry Potter, J. K. Rowling se tornou a primeira escritora bilionária do mundo.  Assim que a mania de Harry Potter parecia estar diminuindo, os românticos sugadores de sangue de Stephanie Meyer da série Crepúsculo deram às meninas adolescentes e às editoras à procura de lucros alguma coisa do que falar. “

 

***





Imagem de leitura — Carl Larsson

6 05 2010

Senhora lendo jornal, 1886

Carl Larsson ( Suécia, 1853-1919)

Aquarela

Carl Larsson nasceu em  Estocolmo, em 28 de maio de 1853, numa família muito pobre.  Seu talento artístico só se desenvolveu aos  treze anos quando  entrou para a Principskolan, um departamento temporário da Academia de Arte.  Lá ele achou difícil se adaptar, sentindo-se  em inferioridade social.  Aos dezesseis anos, foi transferido para  um departamento menor da Academia de Arte, onde aos pouco tornou-se mais confiante, e passou a participar ativamente do grupo estudantil.

Formando-se, dedicou-se à  ilustração de livros, revistas e jornais diários.  Passou anos em Paris sem conseguir muito sucesso até 1882 quando conhecer um artistas escandinavos fora de Paris.  Lá conheceu sua esposa, casando-se em 1883.  Abandonou a pintura a óleo em favor da aquarela  pintando então seus mais importantes trabalhos.  Sua esposa e filhos tornaram-se seus principais modelos. Larsson ficou famoso por aquarelas retratando a vida em família. As coleções Ett Hem (Uma Casa) de 1899, (26 aquarelas);  Larssons (Os Larssons), 1902 com (32 aquarelas)  e o grupo  Åt solsidan (O Lado Ensolarado) de 31 aquarelas foram livros que, ilustrando  a vida simples do campo, tiveram uma enorme influência no design de interior sueco para as gerações seguintes.  Morreu em 1919.





A mãe, poesia para crianças de Luísa Ducla Soares

5 05 2010

 

Mãe e filho, s/d

Arsen Kurbanov  (Makhachkala, Daghestan, Rússia, 1969)

óleo sobre tela

50cm x 42 cm

  —

 

A Mãe

                                                                             Luísa Ducla Soares

A mãe 

é uma árvore 

e eu uma flor. 

A mãe 

tem olhos altos como estrelas. 

Os seus cabelos brilham 

como o sol. 

A mãe 

faz coisas mágicas: 

transforma farinha e ovos 

em bolos, 

linhas em camisolas, 

trabalho em dinheiro. 

A mãe 

tem mais força que o vento: 

carrega sacos e sacos 

do supermercado 

e ainda me carrega a mim. 

A mãe 

quando canta 

tem um pássaro na garganta. 

A mãe 

conhece o bem e o mal. 

Diz que é bem partir pinhões 

e partir copos é mal. 

Eu acho tudo igual. 

A mãe 

sabe para onde vão 

todos os autocarros, 

descobre as histórias que contam 

as letras dos livros. 

A mãe 

tem na barriga um ninho. 

É lá que guarda 

o meu irmãozinho. 

A mãe 

podia ser só minha. 

Mas tenho de a emprestar 

a tanta gente… 

A mãe 

à noite descasca batatas. 

Eu desenho caras nelas 

e a cara mais linda 

é da minha mãe.

Em: Poemas da Mentira e da Verdade, Lisboa, Livros Horizonte, 1983; 2005

 

 

Luísa Ducla Soares (Lisboa, 1939) escritora, tradutora, consultora literária e jornalista.  Mais recentemente sua produção  é dedicada ao público infanto-juvenil.  Formada em Filologia Germânica.

Obras:

Contrato (Poesia), 1970

A História da Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1972 ; 1977

Maria Papoila, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

O Dr. Lauro e o Dinossauro, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1988

Urso e a Formiga, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Soldado João, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 2002

O Ratinho Marinheiro (Poesia para a infância), 1973 ; 2001

O Gato e o Rato, prosa (Infanto-juvenil), 1973 ; 1977

Oito Histórias Infantis, prosa (Infanto-juvenil), 1975

O Meio Galo e Outras Histórias, prosa (Infanto-juvenil), 1976 ; 2001

AEIOU, História das Cinco Vogais, (prosa) (Infanto-juvenil), 1980 ; 1999

O Rapaz Magro, a Rapariga Gorda, prosa (Infanto-juvenil), 1980 ; 1984

Histórias de Bichos, prosa (Infanto-juvenil), 1981

O Menino e a Nuvem, prosa (Infanto-juvenil), 1981

Três Histórias do Futuro, prosa (Infanto-juvenil), 1982

O Dragão, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 2002

O Rapaz do Nariz Comprido, prosa (Infanto-juvenil), 1982 ; 1984

O Sultão Solimão e o Criado Maldonado (Poesia para a infância), 1982

Poemas da Mentira… e da Verdade (Poesia para a infância), 1983 ; 1999

O Homem das Barbas, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Senhor Forte, prosa (Infanto-juvenil), 1984

A Princesa da Chuva, prosa (Infanto-juvenil), 1984

O Homem alto, a Mulher baixinha, prosa (Infanto-juvenil), 1984

De Que São Feitos os Sonhos: A Antologia Diferente, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 1994

O Senhor Pouca Sorte, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Boa, prosa (Infanto-juvenil), 1985

A Menina Branca, o Rapaz Preto, prosa (Infanto-juvenil), 1985

6 Histórias de Encantar, prosa (Infanto-juvenil), 1985 ; 2003

A Vassoura Mágica, prosa (Infanto-juvenil), 1986 ; 2001

O Fantasma, prosa (Infanto-juvenil), 1987

A Menina Verde, prosa (Infanto-juvenil), 1987

Versos de Animais (Antologia de Literatura Tradicional), 1988

Destrava Línguas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

Crime no Expresso do Tempo, prosa (Infanto-juvenil), 1988 ; 1999

Lenga-Lengas (Antologia de Literatura Tradicional), 1988 ; 1997

O Disco Voador, prosa (Infanto-juvenil), 1989 ; 1990

Adivinha, Adivinha: 150 adivinhas populares (Antologia de Literatura Tradicional), 1991 ; 2001

É Preciso Crescer, ( infanto- juvenil (1992

A Nau Catrineta, prosa (Infanto-juvenil), 1992

À Roda dos Livros: Literatura Infantil e Juvenil (Divulgação), 1993

Diário de Sofia & Cia aos Quinze Anos(Infanto-juvenil), 1994 ; 2001

Os Ovos Misteriosos, prosa (Infanto-juvenil), 1994 ; 2002

O Rapaz e o Robô, prosa (Infanto-juvenil), 1995 ; 2002

S. O. S.: Animais em Perigo!…, prosa (Infanto-juvenil), 1996

O Casamento da Gata, poesia (Infanto-juvenil), 1997 ; 2001

Vamos descobrir as bibliotecas (Divulgação), 1998

Vou Ali e Já Volto, prosa (Infanto-juvenil), 1999

Arca de Noé, poesia (Infanto-juvenil), 1999

A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca (Poesia para a infância), 1999 ; 2000

ABC, poesia (Infanto-juvenil), 1999 ; 2001

25 (Poesia para a infância), 1999

Seis Contos de Eça de Queirós (Contos), 2000 ; 2002

Com Eça de Queirós nos Olivais no ano 2000 (Divulgação), 2000

Com Eça de Queirós à roda do Chiado (Divulgação), 2000

Mãe, Querida Mãe! Como é a Tua?, prosa (Infanto-juvenil), 2000 ; 2003

Lisboa de José Rodrigues Miguéis (Divulgação), 2001

Roteiro de José Rodrigues Miguéis: do Castelo ao Camões (Divulgação), 2001

A flauta, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Uns óculos para a Rita, prosa (Infanto-juvenil), 2001

Todos no Sofá, poesia (Infanto-juvenil), 2001

1, 2, 3, poesia (Infanto-juvenil), 2001 ; 2003

Alhos e Bugalhos (Divulgação), 2001

Meu bichinho, meu amor, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Cores, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Gente Gira, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Tudo ao Contrário!, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Viagens de Gulliver, adaptação livre (Teatro para a infância), 2002

O Rapaz que vivia na Televisão, prosa (Infanto-juvenil), 2002

Contrários, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Quem está aí?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Cavalo no Tempo, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Pai, Querido Pai! Como é o Teu?, prosa (Infanto-juvenil), 2003

A Carochinha e o João Ratão, poesia (Infanto-juvenil), 2003

Se os Bichos se vestissem como Gente, prosa (Infanto-juvenil), 2004

A festa de anos, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Contos para rir, prosa (Infanto-juvenil), 2004

Abecedário maluco, poesia (Infanto-juvenil), 2004

Histórias de dedos, prosa (Infanto-juvenil), 2005

A Cidade dos Cães e outras histórias, prosa ( Infanto- juvenil ), 2005

Há sempre uma estrela no Natal, contos ( Infanto-juvenil ) Civilização,2006

Doutor Lauro e o dinossauro, prosa (Infanto-Juvenil), 2.ª ed, Livros Horizonte, 2007

Mais lengalengas (recolhas ),Livros Horizonte,2007

Desejos de Natal (Infanto-juvenil ), Civilização,2007

A fada palavrinha e o gigante das bibliotecas





A grande contribuição da internet …

5 05 2010

Pateta lendo, ilustração Walt Disney.

No sábado passado, dia 1º de maio, o jornal O Globo publicou no caderno Prosa e Verso  um pequeno artigo de Guilherme Freitas, intitulado O livro muda para continuar sendo o mesmo, em que o autor apresenta para o público o novo lançamento da Editora Record, Não contem com o fim dos livros, do jornalista francês Jean Philippe.  Este é um livro que reúne diálogos entre o escritor italiano Umberto Eco e o escritor francês Jean-Claude Carrière.    Entre outros assuntos mencionados no livro, Guilherme Freitas ressalta a posição de Jean-Claude Carrière quando este comenta sobre a memória coletiva:

Fascinado pelos critérios subjetivos que regem a transmissão dos saberes ao longo da História,  Carrière diz que o acesso maciço a informações possibilitado pela internet muda nossa relação com o conhecimento.

— O que vemos agora é uma nova forma de erudição.  Não se trata mais apenas de uma questão de saber, mas de ser capaz de discernir aquilo que devemos reter nessa grande massa de informação na qual vivemos.  Isso desperta inúmeras questões.  Cada indivíduo constrói seus próprios filtros?  Ou existem fatores sociais e coletivos que influem nisso?  É um tema fascinante.

Esse é um assunto que me é particularmente caro, principalmente depois que voltei a estabelecer residência no Brasil.  Peço permissão para passar um pouquinho da  minha história pessoal.

 Tio Patinhas foi à biblioteca, ilustração Walt Disney.

Nos primeiros meses que tive contato com uma universidade americana, uma das coisas que mais me surpreendeu, muito antes da internet existir, foi a facilidade de acesso à informação que cada aluno tinha em solo americano.  Não só alunos, mas todos.  Tanto as universidades particulares (conheci de perto a Universidade Johns Hopkins) quanto as do governo (estudei na Universidade de Maryland, governo estadual), — e mais tarde pude verificar o mesmo em outras universidades que entraram para o meu dia a dia, tais como Universidade Duke (privada), North Carolina State University e University of North Carolina at Chapel  Hill (as duas do governo estadual) tinham excelentes bibliotecas abertas ao público em geral,  quer universitários ou não.  Qualquer pessoa podia consultar seus acervos.  Era só uma questão de estar interessado o suficiente para fazê-lo.   Essa democratização do conhecimento na época estava bastante distante da realidade brasileira, assim como ainda está.  Mas foi um aspecto importantíssimo para que eu viesse a entender a sociedade americana de uma maneira diferente do mero visitante, diferente da pessoa que vai fazer um pequeno curso de especialização.  Porque só esse convívio diário com “os templos do saber”  em cidades e estados diferentes conseguem dar a idéia de quão abrangente o acesso ao conhecimento pode ser. 

Parece então muito natural que o maior ímpeto para a democratização do conhecimento, para a democratização de textos, do saber – digamos assim – tenha vindo através de ferramentas eletrônicas – internet, Google, livros digitais e muito mais – criadas por indivíduos estabelecidos  nos Estado Unidos, americanos ou não.

Numa das primeiras visitas minhas ao Brasil depois de estar estudando nos EUA,  marquei um encontro com antigos professores e colegas de turma das duas faculdades que cursei —  uma no Rio de Janeiro e outra em Niterói.  Fiquei  desapontada, na época, com o preconceito que demonstraram ao me dizerem que o ensino nos EUA não poderia se comparar ao europeu.  Na época não quis rebater.  Achei que talvez se tratasse de um pouco de ciúmes, de um pouco de desconhecimento.  Mas, confesso, não voltei a procurá-los.  Hoje, entendo melhor, porque vejo claramente que ainda temos muitas raízes no preconceito que estipula que “conhecimento é para uns poucos iluminados”.  Este preconceito fertilizado e cuidado é perpetuado por uma sociedade que se divide em classes sociais rígidas e em que uma delas se encontra os “intelectuais”—estes que por suas próprias cornetas alardeiam a importância de seus conhecimentos, de suas habilidades de discernimento.  

 —

Ilustração francesa, autor desconhecido.

A memória cultural, a memória coletiva de um povo, só pode identificá-lo, quando o acesso ao conhecimento vai além da propriedade de uns poucos para ser generalizado.  Alguns dirão que o processo democrático não deveria influenciar o que “realmente vale a pena reter” porque as massas não saberão entender o que lhes será de maior valia.  Mas nunca foi assim.  Como  Carrière mesmo reflete no diálogo acima, a retenção do saber sempre passou por critérios completamente subjetivos.  Se olharmos a história da transmissão de pensamentos e idéias, das barreiras impostas por traduções ou falta delas do grego ou do árabe sabemos que mais frequentemente do que gostamos de imaginar, o conhecimento de alguma nova equação, de algum conhecimento científico, dependeu lá atrás, há muitos e muitos séculos, da habilidade de algum monge de traduzir um texto do grego, do orgulho de algum rei ou califa de construir uma biblioteca repleta de preciosos manuscritos de outros povos, por vezes povos conquistados, para abrilhantar o seu reino ou o seu ego.  E muito do que foi passado de geração em geração, principalmente nas culturas orais – como é o caso da nossa —  dependeu, mais do que se admite da memória singular de uma avó, de uma tia, de um antepassado que cantava o seu conhecimento.

Graças à internet e à democratização de tudo que se conhece e do que se pensa ou pensou, não viveremos mais sob a ditadura do conceito de que o acesso a qualquer informação é só para os iniciados.  Graças à internet e ao fácil acesso a informação conseguiremos mudar a cara do Brasil, saber quem realmente somos e decidir sobre aquilo que devemos reter nessa grande massa de informação na qual vivemos.





Cantiga de ninar, poema de Décio Valente

3 05 2010

Ilustração de um quadro de Donald Zolan.

Cantiga de ninar

Décio Valente

Cai a chuva no telhado,

chuva boa, criadeira;

cai e corre, corre e pinga,

pinga e bate a noite inteira.

Bate, bate, pingo-d’água,

vai batendo pelo chão,

tique, taque, tique, taque,

como faz o coração.

Bate, chuva, de mansinho,

nos caixilhos da janela;

vai ninando esta criança,

pedacinho meu e dela…

Bate, chuva, vai batendo,

bate, bate, sem parar;

quero ouvir, a noite toda,

o teu canto de ninar.

Em: Cantigas simples, Décio Valente, São Paulo: 1971.

 

Décio Valente, nasceu em Capivari, SP.

Obras:

Anedotas e contos humorísticos, 1955

Cenas humorísticas, 1955

Cantigas simples, 1963

Seleta filosófica, 1964

Pensamentos e reflexões, 1966

Vida e obra de Euclides da Cunha, 1966

Coisas que acontecem…, 1969

Do medíocre ao ridículo, s/d

Ramalhete de trovas, 1977

O plágio, 1986





Filhotes fofos: elefantinho

2 05 2010

Foto: AP

Um elefante, com quatro dias de vida, passeia com sua mãe em Whipsnade, Inglaterra. O filhote, ainda sem nome, nasceu com 124 kg





Mariette em êxtase, de Ron Hansen

2 05 2010

 

 

Santa Teresa em êxtase, 1645-1652       [DETALHE]

Gian Lorenzo Bernini ( Itália, 1598-1680)

Escultura em mármore

Capela Cornaro, Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma.

Não sei exatamente porque escolhi recentemente a leitura  de Mariette em êxtase, [Editora Objetiva: 1996] romance do escritor americano Ron Hansen, um livro que já fazia moradia na minha estante há alguns anos.  Não sei tampouco como esse livro  “apareceu aqui em casa” tendo um perfil tão diferente do que costumo comprar.  Mas estou grata às circunstâncias que me levaram a ele, pois essa foi uma leitura cativante, rica e inesperadamente marcante.

A história se passa no início do século XX, no convento das  freiras Irmãs da Crucificação, no interior do estado de Nova York.  Mariette, uma bela jovem de dezessete anos, filha de um médico local, decide entrar para esse convento, o mesmo escolhido anos antes por sua irmã mais velha, também chamada para a vida monástica.  Mariette é uma jovem devota, extremamente espiritual, dada a sonhos e transes, que se realiza na vida doméstica e regrada das religiosas.  Com essa abertura, seria difícil imaginar que o cotidiano de um convento, com rotinas de orações, horas para meditação, jantares em silêncio seria evocado de tal maneira que ler o texto até o final poderia tornar-se uma obsessão tão aguda quanto se essa história fosse um conto de espionagem.

E é.  Foi assim que me senti.  Acho que esta é de fato uma história de quase espionagem, uma história de mistério.  Não da espionagem como a entendemos entre nações rivais, companhias multinacionais roubando novas idéias umas das outras.  Nem mesmo uma história de mistério com algum crime por resolver.  Mas há  semelhanças com a espionagem porque depois de seis meses de vida conventual Mariette recebe sinais de que suas preces e sua devoção são respondidas.  Sua fé talvez esteja sendo agraciada por poderes espirituais desconhecidos por meros mortais.   Agraciada por quem?  Como ela conseguiu esse canal de comunicação com o mundo espiritual?  Porque não qualquer outra freira do convento?  Fervorosa nas suas orações, zelosa ao manter suas penitências, obstinadamente dedicada à sua crença, Mariette é arrebatada por eventos fora de seu controle:  estigmas que aparecem em suas mãos, sangue que jorra de feridas no seu corpo.   Esse é o mistério que a abraça, que a faz diferente das outras irmãs. 

 

A natureza da diferença de Mariette em  relação às suas companheiras é o fator de divisão nessa pequena comunidade.  Devemos acreditar ou não nos sinais de fé da Mariette?  São verdadeiros ou forjados?   Logo, logo o convento se divide.  O mistério invocado pelos estigmas é onipresente,  devastador.  Nesse aspecto, o romance chegou a me lembrar do filme O anjo exterminador de Luís Buñuel (1962).  Não que haja perigo de morte para os habitantes do convento, mas a presença do mistério, do indescritível poder de uma força diferente, exterior, alienígena leva a revelações íntimas sobre as próprias freiras.  As conseqüências são as dúvidas sobre o próprio mistério, são a inveja, são as inseguranças de cada membro afloradas.  Tudo isso me lembrou forçosamente da parede invisível que condena os convidados de um jantar a uma clausura indefinível do filme mexicano.

O sucesso dessa narrativa deve-se principalmente à magnífica prosa de Ron Hansen, — em grande parte deixada intacta pela excelente tradução de Marcos Santarrita —  que não usa uma palavra a mais do que o necessário; que mantém até o final o enigma dos mistérios testemunhados pelos personagens e pelo leitor.  O ritmo da narrativa é fundamental nesse romance.  Determinado a não se acomodar a soluções fáceis e a dar ao leitor a opção de solucionar o que se passa por si mesmo, Ron Hansen consegue produzir uma pequena obra prima que nos leva a considerar a natureza da fé e do milagroso.  Esse é um livro fascinante.  De leitura rápida e bem ritmada, sua história fica na nossa imaginação sendo revivida de diversas formas, sendo aludida com freqüência.  Uma ótima leitura.

Ron Hansen





Quadrinha infantil para o Dia das Mães!

1 05 2010

 

Ilustração, Maud Tousey Fangel.

Mãe – não há outro nome

Mais doce, meigo e gentil;

No entanto posso escrevê-lo

Só com três letras e um til.