Imagem de leitura — Andrey Meschanov

25 06 2010

Sobre o amor, 1999

Andrey Meschanov (Rússia, 1963)

óleo sobre tela, 120 x 65 cm

Andrey Vicktorovich Meschanov nasceu em Kolomna, na Rússia em 1963.





Fal Azevedo assombra em Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite

24 06 2010

Vaso com flores, 1988

Fang (China/Brasil, 1931)

gravura, 48 x 58 cm

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Tenho um fraco por esculturas.  Num seminário em história da arte, há muitos anos, escrevi um artigo sobre o uso do espaço vazio, do vão, digamos assim, como parte vibrante das esculturas de Henry Moore e Giacometti: no trabalho de ambos e de maneiras diferentes, o que não está presente, o buraco (em Henry Moore) ou o espaço à volta (em Giacometti)  tem uma função tão grande, tão intensa que faz parte da escultura que vemos, que analisamos, com o mesmo peso que as formas do bronze que nos fascinam.  Este é o vazio positivo, sentido mas não visto, que conta com o ausente, tanto quanto com o que está exposto.  Pensei nesse artigo, enquanto lia o romance de Fal Azevedo, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite, Rocco: 2008.  Nele, o que não é dito, conta.  Fala.  Nos move e comove.  A eloquência desses pequenos silêncios  pode ser vista no minúsculo parágrafo, que cito aqui por inteiro:

O gato amarelo veio fumar comigo.  Ele morde meu dedão, charmosa tentativa de me convencer de ir até a cozinha.  A coisa mais fofa nesse gato é que, quando eu choro, ele apoia a  pata no meu rosto.  Como agora.”

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O texto segue, com outro assunto, com outro momento.

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Quantas vezes ela precisou chorar para perceber esse comportamento do gato?  Por que chorava?   O conforto de um gato seria o único conforto dado à autora dessas frases?   Não sabemos, não nos é explicado.  Passamos rapidamente para o assunto seguinte.  A vida é curta.  Há muito acontecendo.  O peso do passado também assombra.  No entanto, o sofrimento implicado pelo texto fala alto.  E nos cala.  Fal Azevedo trabalha com a elipse, a omissão do sentimento retratado,  assim como Henry Moore trabalhava com um buraco no meio do corpo de uma mulher reclinada.   Tanto em um como no outro, cabe ao leitor/observador fazer a conexão, participando ativamente do encontro.   Envolvendo-se.   O resultado sedutor, mostra um texto, que carregado de tristeza, consegue ser leve, irônico e muito, muito agradável.

Figura reclinada, década de 1980

Henry Moore ( Grã-Bretanha 1898-1976)

Litografia

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Presenciamos nesse romance a chegada de Alma, personagem principal, à segunda metade de sua vida.  Aos 44 anos, já viveu muitas vidas e mortes.  Homeopaticamente conhecemos um pouco destes eventos através de lembranças doloridas, de cicatrizes mal curadas.  Tudo é passado a limpo: as dezenas de passados, as dúzias de vidas.  Alma escrupulosamente exorciza seus fantasmas e nos lembra dos nossos.  É impossível não ter empatia.  É impossível ignorarmos a nós mesmos.  O que lhe vem à mente, chega em pequenos parágrafos, camafeus de potencialidades perdidas, nódoas de sofrimento físico e emocional do passado que ajudam a caracterizar o dia a dia de um tempo mais atual, que também presenciamos.  Estes são quase entradas em um diário, que têm, como pano de fundo, o passado.  O estilo é sucinto.  Twitter sucinto.  A cada parágrafo um tempo, uma realidade.  E sempre, sempre a angústia das vidas vividas.  O medo.  A dor.  A consciência da solidão.  

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 De grande auxílio é o formato do texto: intercala o tempo mais contemporâneo com as lembranças do passado, em diferentes parágrafos.  Cada qual tem sua própria aparência gráfica, o que facilita o entendimento da trama.  Este artifício simplifica e esclarece também um quase fluxo de consciência que nos permite conhecer Alma intimamente.   Conhecemos os eventos.  Imaginamos as emoções.

Apesar da tristeza latente, das dores auto-geradas e das auto-impostas, das frustrações e  sofrimentos dessa mulher, uma artista plástica em busca de uma identidade profissional, esse romance é repleto de otimismo, de gosto pela vida e de humor.  Oferece então, ao leitor,  uma válvula de escape e um ponto de apoio nas lutas diárias pela sobrevivência física e emocional.  Sem ser piegas, sem ser auto-ajuda essa história nos força a refletir sobre a nossa própria existência e nas ramificações dos nossos atos.  

  

Fal Azevedo

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Eu poderia continuar nesse tópico por muito tempo.  De especial ironia são as cenas e os pensamentos na galeria de arte.  Tão real…  Mas quem não gostaria de ter os amigos de Alma como amigos?  E de receber emails tão precisamente relevantes quanto ela?  Tão irônicos e concisos?  E quem não gostaria de ter como vizinho um Seu Lurdiano, que como um anjo da guarda, alimenta sua amiga com comida do corpo e da alma?  Quem não gostaria de um amigo com quem se pode ficar calado por algumas horas na mais perfeita intimidade?

Mas nenhum desses amigos, nenhum desses emails, se os tivéssemos, nada,  conseguiria dar ao leitor o prazer desse texto e os parâmetros para a auto-reflexão que esse livro consegue gerar.  Aqui fica a sincera recomendação para a leitura desse pequeno mundo mágico de Alma.  Um dos melhores livros que li em 2010 e certamente um dos mais interessantes livros que li de autor brasileiro há muito, muito tempo.  Não percam.





Luiz Verri, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

24 06 2010

Futebol, s/d

Luiz Verri ( Brasil, 1912-1990)

Óleo sobre tela, 65 x 50 cm





Nilson Pimenta, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

23 06 2010

Futebol, 2005

Nilson Pimenta ( Brasil, 1956)

Acrílica sobre tela, 100 x 133 cm





O mosaico de Orfeu, réplica, vai a leilão dia 24 de junho.

23 06 2010

Réplica do mosaico de Orfeu.  EFE

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Vai a leilão esta semana a réplica do grande mosaico de Orfeu, encontrado em Gloucestershire, no Reino Unido.   Dois irmãos, pesquisadores, levaram 10 anos e utilizaram mais de 1 milhão de peças de argila recortadas a mão para construir a peça, que será vendida.    A reconstrução – uma cópia detalhada —  do maior mosaico romano maior já encontrado na Grã-Bretanha foi feita utilizando 1.600.000 peças .  O mosaico de Orfeu, descoberto em Woodchester, Gloucestershire, irá à venda, dia 24 de junho.   O trabalho está atualmente em exibição no Prinknash Abbey, perto de Stroud, mas o contrato chegou ao fim e seu dono – que não quer ser identificado – decidiu vender.

O mosaico original, que data de 325 dC,  é remanescente da época em que o Império Romano esteve na Grã-Bretanha. Hoje, ainda podem ser vistas marcas da passagem dos romanos, como a vila de Woodchester, que inclui 60 habitações da época romana. Foi nessa vila que foi encontrado o mosaico que representa Orfeu, uma das mais conhecidas figuras da mitologia grega, domando bestas.   Este mosaico foi totalmente escavado em 1793 e só ocasionalmente exposto, desde então.  Para sua proteção arqueólogos voltam a cobri-lo com terra e só o trazem à luz do dia de tempos em tempos.  Durante a sua mais recente exposição mais de 150.000 visitantes foram vê-lo.   Foi nessa ocasião que os irmãos Bob e John Woodward, encantados com o chão de mosaico romano, decidiram fazer uma reconstrução completa.   A réplica que eles criaram é agora reconhecida como um dos projetos arqueológicos mais significativos dos últimos tempos.

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Bob Woodward com o mosaico.

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A vila romana de Woodchester, perto de Stroud, onde o mosaico foi originalmente usado deve ter pertencido a alguém de enorme riqueza e influência.  A construção tinha 60 quartos, 20 deles com pisos de mosaico, incluindo o grande salão onde se encontrava o chão de Orfeu,  circundado pelas figuras mais importantes da mitologia grega.   Considerado o pai da música e da poesia, Orfeu foi presenteado neste mosaico com a lira de seu pai, o deus Apolo. 

O mosaico retrata Orfeu com sua lira pousada sobre o joelho esquerdo.  Ao lado dele seu fiel cão de caça e um grande número de animais ao redor, incluindo um tigre, um leopardo, um leão, um elefante, um urso, um grifo, um veado, um cavalo, javalis e aves: faisões, pavões e pombas. Duas ninfas da água são representadas em cada tímpano.

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Detalhe do mosaico

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Um dos primeiros relatos sobre este mosaico é de 1693, quando o pesquisador celta Edward Llwyd  fez o registro de ter visto “os pássaros e os animais no chão”.   Para essa reconstrução foi necessário fazer  uma cuidadosa pesquisa sobre outros conhecidos mosaicos Orfeu para ajudar a substituir as seções em falta com a maior precisão possível.  De interesse especial foi o mosaico da Barton Farm, em Cirencester, que tinha vários animais semelhantes.  A grande diferença entre o original e a réplica está no material utilizado.  Uma réplica com o calcário original teria sido muito pesada e extremamente cara.  Os irmãos  Woodward então percorreram a Inglaterra para encontrar argilas, cujas cores naturais, fossem naturalmente adequadas ao trabalho.

O trabalho dos irmãos Woodward aparece atualmente no Guinness Book, o livro dos recordes, como o maior mosaico do mundo.

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FONTES:

  BBC — TERRA This is Gloucestershire





Cândido Portinari, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

22 06 2010

Futebol, 1958

Cândido Portinari ( Brasil, 1903-1962)

Óleo sobre tela, 65 x 80 cm





As palavras, poema para uso escolar de Eugênio de Andrade

22 06 2010
Homem escrevendo, ilustração, Oliver Ray.

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As palavras

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                                                                       Eugênio de Andrade

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São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

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Eugênio de Andrade

Eugênio de Andrade, (Portugal, 1923[1] — 2005), pseudônimo de José Fontinhas.  Poeta, escritor e ensaísta português.

Obras:

Poesia:

Adolescente, 1942

Pureza, 1945

As Mãos e os Frutos, 1948

Os Amantes sem Dinheiro, 1950

As Palavras Interditas, 1951

Até Amanhã, 1956, 13ª edição, 2002.

Coração do Dia, 1958

Mar de Setembro, 1961

Ostinato Rigore, 1964

Obscuro Domínio, 1971

Véspera de Água, 1973

Escrita da Terra, 1974

Homenagens e outros Epitáfios, 1974

Limiar dos pássaros, 1976

Primeiros Poemas, 1977

Memória Doutro Rio, 1978

Matéria Solar, 1980

O Peso da Sombra, 1982

Branco no Branco, 1984

Vertentes do Olhar, 1987

O Outro Nome da Terra, 1988

Contra a Obscuridade, 1988

Rente ao Dizer, 1992

Ofício de Paciência, 1994.

O Sal da Língua, 1995

Pequeno Formato, 1997

Os Lugares do Lume, 1998

Os Sulcos da Sede, 2001

Prosa

Os Afluentes do Silêncio, 1968

Rosto Precário, 1979

À Sombra da Memória,1993

Literatura Infantil

História da Égua Branca, 1977

Aquela Nuvem e Outras, 1986





21 de junho: Solstício de inverno

21 06 2010
Zé Carioca visita o Rio Grande do Sul, ilustração Walt Disney.

Hoje, dia 21 de junho,  às 03h46m (madrugada) tivemos o Solstício de Inverno no Hemisfério Sul e o Solstício de Verão para o Hemisfério Norte. Popularmente falamos que o Inverno começa oficialmente nesta data para nós aqui no Brasil e para todo hemisfério sul.

Época de comer pipoca enrolado em um cobertor e assistir um bom filme, quem sabe um vinho e um bom papo. Ou simplesmente um bom chocolate quente. Mas, você sabe por que isto ocorre? Por que é diferente em cada hemisfério? Algumas pessoas pensam que o Inverno é quando nosso planeta fica mais distante do Sol, ou mesmo porque o nosso hemisfério fica mais afastado. Isto não é verdade.

A causa das estações do ano, Primavera, Verão, Outono e Inverno e o fato de serem diferentes em cada hemisfério, está relacionada ao eixo inclinado da Terra em relação ao plano da eclíptica e sua órbita ao redor do Sol. As estações do ano do Verão e Inverno são os chamados pontos de Solstícios.

As estações do ano da Primavera e Outono são os chamados pontos de Equinócios. Um dos 14 movimentos que nosso planeta executa é o de Translação. Este movimento é a trajetória ligeiramente elíptica que a Terra realiza em torno do Sol. Para dar uma volta completa ela demora aproximadamente 365 dias e 6 horas e o faz a uma velocidade de 30 km/s, ou seja, a cada segundo nosso planeta percorre uma distancia de 30 km no espaço. Rapidinha não é? E você pensou que estava parado sentado no sofá de sua casa…

A diferença de 6 horas é acumulada e compensada a cada 4 anos com um ano bissexto, incluindo um dia no mês de Fevereiro.

Mais informações em SOMOS TODOS UM.





Fernando Mendonça, arte brasileira, nossa homenagem à Copa do Mundo

21 06 2010

Jogo de Futebol, s/d

Fernando Mendonça ( Brasil, Maranhão, contemporâneo)

Tecnica mista





Quadrinha infantil sobre a abelha

21 06 2010

A abelha trabalha sempre,

Não pára, não é vadia;

Faz esse mel tão gostoso

Que toda gente aprecia.