A música dos anjos na Candelária

7 08 2011

Orquestra para Violoncelos e Contrabaixos de Volta Redonda, concerto na Igreja da Candelária no Rio de Janeiro.

Hoje, arcanjos cantaram na Candelária e foram acompanhados por uma notável orquestra de violoncelos e contrabaixos.  Experiência única: ouvirmos o contraste de vozes  humanas acariciadas pelos sons de uma orquestra tão singular.   Não sou novata.  Este não é entusiasmo de quem ouve um concerto pela primeira vez.  Mas música dos anjos foi a maneira encontrei para descrever a emoção suscitada em mim e na platéia à minha volta quando da apresentação da Orquestra para Violoncelos e Contrabaixos de Volta Redonda sob a direção da maestrina Sarah Higino.   Não foram poucos os olhos marejados ao final do programa, cuja apresentação fez parte da 17ª edição do Rio International Cello Encounter, um evento que reúne alguns dos maiores violoncelistas do mundo.

A Orquestra para Violoncelos e Contrabaixos de Volta Redonda faz parte do projeto “Volta Redonda Cidade da Música”, criado pelo maestro Nicolau Martins de Oliveira  e mantido pela prefeitura.  Ele envolve cerca de 4.000 alunos das escolas municipais da cidade.   Se você ainda não conhece esta orquestra, precisa fazê-lo.  Aproveite as diversas apresentações desses músicos no estado.  Oportunidades existem aqui no Rio de Janeiro, assim como em outras localidades.  Decida ir.  Você não se arrependerá.

Deixo aqui abaixo o único vídeo da Orquestra de Cordas de Volta Redonda que inclui os 50 membros da orquestra de violoncelos e contrabaixos.  Foi o único vídeo que encontrei na rede.  Não apresenta os números do concerto da tarde de hoje, mas mostra a excelência de execução desses jovens integrantes.






Imagem de leitura — John Singer Sargent

4 08 2011

Homem lendo, c. 1910

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

Aquarela sobre carvão sobre papel,  35 x 53 cm

Fogg Art Museum, Cambrisge, Massachusetts

John Singer Sargent , nasceu em Florença na Itália, filho de pais americanos.  Estudou na Academia de Belas Artes de Florença de 1870 a 1874.   Logo depois partiu para a França, onde estudou com Emile Auguste Carolus Duran.   Mais tarde mudou-se definitivamente para Londres.  Um dos maiores retratistas da virada do século XIX e XX, John Singer Sargent foi um pintor prolífico produzindo mais de 900 óleos e mais de 2000 aquarelas, meio de pintura que favoreceu a vida inteira.  Al´me de retratista da sociedade influente européia, Sargent ficou também conhecido por suas maravilhosas aquarelas e sketches a carvão e lápis das grandes viagens a lugares exóticos que fez.   Com o passar dos anos tornou-se mais amplo em seus interesses passando a pintar paisagens e a fazer pinturas murais.  Morreu em 1925 em Londres.





Herança Paterna — poema de Vicente de Paula Reis, pelo Dia dos Pais

3 08 2011




Herança paterna

                                      Vicente de Paula Reis

De meu pai, como herança que bendigo,

Recebi, neste vale de amargura,

Um tesouro do qual não me desligo

E o guardo avaramente, com ternura.

Escudando-me nele é que consigo,

Tornando a minha vida menos dura,

Impávido, vencer qualquer perigo,

Sobrepondo-me à própria desventura.

Essa herança, meu pai, que me legaste,

Tem suavizado muito a minha vida,

Dos espinhos do mundo mal ferida!

E essa prenda moral, que me deixaste,

É toda essa riqueza de ser pobre!

É toda essa grandeza de ser nobre!

Vicente de Paula Reis ( Rio de Janeiro 1895-?) Professor de português do Colégio Pedro II e jornalista com colunas em diversos periódicos do Rio de Janeiro.

Obra:

Esparsos, poesia, s/d





A medida do mundo, de Daniel Kehlmann

2 08 2011

Vista das cordilheiras e dos monumentos dos povos indígenas da América, Paris, 1810, Alexandre von Humboldt.

Férias são para se fazer o que não se faz no cotidiano, para alargar horizontes, experimentar novos caminhos.  Apesar de não ter tirado férias, formalmente, passei o mês de julho brincando fora da caixa.  Minhas pseudo-férias incluíram uma vida repleta de  exposições de arte, festival do cinema feminino, mesas-redondas literárias e científicas, concertos, visitas com amigos que há tempos não via.  Um julho delicioso,  cheio de atividades que me tiraram da rotina, alimentaram o descanso, aliviaram a tensão.  Foi assim que encontrei e acabei me deliciando com o romance de Daniel Kehlmann,  A medida do mundo, [Cia das Letras: 2007].

Talvez tenha sido sincronicidade ler esse romance alemão um dia depois de ter assistido ao arrebatador filme de Woody Allen, Meia-noite em Paris [2011].  O que une estas duas obras é justamente a visita que se faz a uma época passada [cada qual num século e em países diferentes], a um específico local que borbulha com novas idéias, teorias.  Em ambas as obras sentimos a eletricidade dos principais pensadores que se interconectam, trocam idéias, se referem uns aos outros e nos fazem desejar que tivéssemos sido contemporâneos de seus protagonistas: Kant, Daguerre, Goethe, entram e saem das páginas desse romance com a facilidade com que uma limusine leva Gil [Owen Wilson] das ruas de Paris contemporânea aos encontros com os mais famosos escritores e artistas radicados naquela cidade nas primeiras décadas do século XX.

A medida do mundo é um romance baseado nas biografias de dois dos maiores cientistas que por razões diferentes saem de suas zonas de conforto e medem o mundo:  Humboldt vem para a América do Sul e mede tudo o que vê, das montanhas às margens dos rios.  Sua procura é incessante.  Ambientada no Novo Mundo a narrativa assume característica de uma aventura exacerbada por um realismo fantástico.  Gauss, por outro lado, nunca saiu de seu torrão natal: mede o mundo através de equações matemáticas ancoradas nas estrelas e por indução.  Assim como a narrativa de Humboldt parece espelhar a aventura sul-americana, o estilo literário que envolve a vida de Gauss reflete sua vida mais precisamente dimensionada. Suas vidas aparecem em capítulos intercalados, com uma narrativa bem-humorada e cativante, não se tem em nenhum momento a sensação de estranheza, mesmo tendo o autor deliberadamente diferenciado a maneira de retratá-los.

Daniel Kehlmann

Daniel Kehlmann trata todo o texto com cativante ironia e humor, além de fazer com poucas e precisas pinceladas, um retrato da efervescência intelectual da época.  Acabamos percebendo que mentes brilhantes podem vir em qualquer formato. As vidas de Gauss e Humboldt são comparadas e contrastadas dando-nos uma visão generosa das diferentes maneiras de se atingir objetivos pessoais. Esse não é um livro em que descobrimos detalhes biográficos da vida de cada cientista: essa não é a proposta.  Temos sim, ao final do romance, uma percepção rica das dificuldades corriqueiras da época, fartamente adubadas pela extraordinária imaginação do autor que nos lembra de cheiros e sons; do desconforto das viagens em carruagens, das dores de noites dormidas em desconfortáveis colchões;  da arrogância da nobreza e de sua filantropia.  Tudo retratado com leveza e ironia.  Uma leitura deliciosa diferente do que se poderia esperar de um romance histórico, de uma biografia ou até mesmo de um livro sobre cientistas.  Invista nessa leitura, não se arrependerá.





Imagem de leitura — Bertha Worms

1 08 2011

A dama da revista, 1909

Bertha Worms ( França, 1868 — Brasil,  1937)

óleo sobre tela,  100 x 68 cm

Anna Clemence Berhe Abraham Worms, nasceu em Uckange na França em 1868. Começou cedo, aos treze anos, sua educação na pintura, iniciando os estudos na  Escola de Belas Artes de Paris.   Foi aluna de Robert Fleury,  Gustave Boulanger e de Benjamin Vonstant.  Como professora de desenho dedicou-se ao ensiono nas escolas comunitárias de Paris.  Depois de se casar em 1892 com o brasileiro Fernando Samuel Worms, emigra para o Brasil.  Fixando residência em São Paulo abre o Curso de  Desenho e Pintura.  Já em 1895 ganha a Medalha de Ouro na I Exposição de Belas Artes no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.  De dicou-se sobretudo à pintura de gênero e ao retrato.   Morreu em São Paulo em 1937.





Vou me embora para o passado — Jessier Quirino, para continuar o proveito dessas férias!

31 07 2011




Este é um vídeo para a diversão de final de férias.  Voltamos com postagens regulares, a partir de amanhã.





Meus tiranos, poema de Frederico Trotta, em homenagem ao Dia dos Avós

26 07 2011

Cena de interior, 1901

[também chamado  O Polichinelo]

Alessandro Sani (Itália, 1870,1950)

óleo sobre tela, 36 x 85cm

Meus Tiranos

Frederico Trotta

                          (aos meus sete netos)

Oh!  filhos de meus filhos, meus tiranos,

que a casa me invadis, alacremente,

na expansão natural dos tenros anos,

como um bando de pássaros, contente!

Não deixais sossegados móveis, panos,

em tudo remexeis alegremente.

Sois meigos, vivos, bons, não causais danos

e a tristeza espantais, jocosamente!

E junto da avó, em grupo tagarela,

à larga expandis os corações,

formando um cromo, cândida aquarela,

tal qual Branca de Neve e os sete anões!

Adoro essa balbúrdia domingueira,

de brincos infantis e risos castos,

de suave sabor patriarcal!

Vós me tornais feliz de tal maneira

que, praza aos céus, na hora derradeira,

ao fechar para sempre os olhos gastos,

cerrando sobre a vida espesso véu,

ouça invadir a casa toda inteira,

vosso clamor;

fanfarra triunfal,

a conduzir-me à porta azul do céu!

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Jnaeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 291.

Frederico Trotta

Frederico Trotta (1899-1980), advogado, militar, político, jornalista, poeta.  Como poeta começou publicando poesias soltas, em 1920 na revista Boa Noite.  Como jornalista fez contribuições para  O Jornal e Manhã.  Foi diretor-secretário de ATarde, de Curitiba em 1932,  Em 1950 teve uma coluna diária para o Diário do Povo.

Obras literárias:

Mãe, antologia sentimental, 1957

Meu pai, meu bom amigo, antologia sentimental, 1957

O talismã do Cabo Pierre, contos, 1957

Um roseiral para alegrar a vista, poesias, 1957





Imagem de leitura — Anthony Stewart

21 07 2011


Climax, s/d

Anthony Stewart (EUA, contemporâneo)

acrílica sobre tela, 45 x 60 cm

http://anthonystewartfineart.com

 





Um senhor documentário: A FAMÍLIA BRAZ

21 07 2011

Tempo de férias.   Ainda bem que fazemos coisas diferentes e fora do hábito comum.  Neste período de julho, estou curtindo férias na minha cidade, dando uma chance de me recarregar saindo quase todos os dias para fazer coisas de que gosto nos horários mais diversos.  Estou com a agenda cheia.  Muito mais cheia do que esperava.  Há muito que fazer, que ver, que compartilhar.  E os amigos, sabendo dessa abertura, estão telefonando, batendo à porta.  Um prazer!  Será que me acostumo a rotina de sempre, mais tarde?

Entre as surpresas dessa temporada o está o maravilhoso documentário A Família Braz: dois tempos, de Arthur Fontes e Dorrit Harazin,  eleito o Melhor Filme no festival de cinema É Tudo Verdade.  O filme retrata uma família que mora em Brasilândia, na periferia de São Paulo.  Um casal e seus quatro filhos.  Esse retrato é feito em 2 épocas diferentes com 10 anos de intervalo.  Por causa disso criamos uma afinidade com cada um dos retratados, já que somos apresentados aos seus sonhos e desejos do passado e a realidade em 2010.   Poderia ter sido uma experiência desastrosa…  Mas, ao contrário, é uma experiência maravilhosa, ver como cada um deles conseguiu ir muito além do que esperava…

A família, que poderia se considerar de classe média baixa, com o pai trabalhando sem carteira assinada como bombeiro hidráulico e a mãe dona de casa, é composta de 4 filhos, que no primeiro retrato estavam entre 14 e 24 anos.  Hoje, bem estabelecida na classe média paulistana, está a caminho de sonhos muito maiores do que aqueles imaginados em 2000.  As conquistas – de todos – são o resultado de muito esforço, de muito estudo e trabalho.  Mas são evidentes.  E é um prazer acompanhá-los.

Sem cunho político – o que é um alívio – o documentário mostra o Brasil que queremos ter.  Se você está precisando daquela força para acreditar que tudo vai dar certo.  Se a sua confiança no futuro desse país está num momento de fragilidade – e todos nós temos isso, porque não faltam razões – vá assistir a esse documentário.  Tenho certeza de que você voltará para casa com as suas energias renovadas.





Feliz dia do amigo!

20 07 2011

Obrigado amigo, ilustração Walt Disney.

Feliz dia do amigo!

A todos os amigos e leitores do blog, um muito obrigada pela amizade e leitura.  Um grande abraço, da Peregrina, que anda peregrinando por essas férias de julho, mas lembrando-se sempre de todos.