Imagem de leitura — Albert Joseph Moore

23 09 2011


Uma leitora, 1877

Albert Joseph Moore ( Inglaterra, 1841- 1893)

óleo sobre tela colada em madeira

Coleção Particular

Albert Joseph Moore nasceu em York, na Inglaterra em 1841, um dos quatorze filhos de William Moore, um conhecido pintor, daquela parte do país.  Mostrou interesse, habilidade, dedicação e talento para pintura desde muito cedo.   Encorajado pelo pai e por seus irmãos também artistas começou sua carreira cedo fazendo sua primeira exposição aos 16 anos, em 1857, antes mesmo de entrar para a Royal Academy. Considerado um dos pintores mais sensuais  e originais de sua época, teve uma vida curta, morrendo aos 52 anos de idade em 1893, em Londres.





Sonhos revelados — vendo as imagens dos seus sonhos

23 09 2011
Cascão conta porquinhos, ilustração Maurício de Sousa.

Usando ressonância magnética funcional (fMRI) e modelos computacionais, cientistas da Universidade da Califórnia Berkeley conseguiram decodificar e reconstruir a dinâmica das experiências visuais dos seres humanos – assistindo trailers de filmes de Hollywood.  Esse estudo que poderá no futuro auxiliar pessoas que têm dificuldades de comunicação verbal: vítimas de derrames, pacientes em coma e pessoas com doenças neurodegenerativas.  A esperança é que eventualmente esse estudo sirva de base para uma interface cérebro-máquina para que pessoas com paralisia cerebral ou paralisia, por exemplo, possam acionar computadores com suas mentes.

Até o momento, a técnica usada só conseguiu reconstruir clipes dos filmes que as três pessoas que participaram do estudo haviam visto. No entanto, a descoberta abre caminho para reproduzir as imagens dentro de nossos cérebros que ninguém mais vê, tais como sonhos e lembranças.    Os cientistas são os primeiros a apontar que esse estudo poderá levar  a leitura de pensamentos e às intenções de outras pessoas, como já foi retratado em alguns clássicos da ficção científica, entre eles, o filme Brainstorm [Douglas Turnbull, 1983], no qual os cientistas gravaram as sensações de uma pessoa para que outros pudessem experimentá-las.

A atividade cerebral foi gravada enquanto os voluntários observavam o primeiro conjunto de clipes.  Essa informação foi direcionada a um programa de computador, segundo a segundo, para relacionar os padrões visuais do filme com a atividade cerebral correspondente.

Nossa experiência visual natural é como assistir a um filme“, lembrou Shinji Nishimoto, principal autor do estudo e pesquisador pós-doutorado, “para que esta tecnologia tenha ampla aplicabilidade, devemos entender como o cérebro processa a dinâmica das experiências  visuais no cotidiano. Precisamos saber como o cérebro funciona em condições normais“, disse Nishimoto. “Para isso, precisamos primeiro entender como o cérebro funciona quando estamos assistindo a um filme.”

Fontes:  Terra, Science Daily





Quadrinha infantil para a chegada da primavera!

22 09 2011

Carta branca, 1965

René Magritte ( Bélgica, 1898-1967)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

National Gallery of Art, Washignton DC

O lavrador consciente,

Que sabe reflorestar,

Quando tomba uma floresta,

Planta outra em seu lugar!

(Walter Nieble de Freitas)





Imagem de leitura — Georges Braem

21 09 2011

O álbum, s/d

Georges Braem (Bélgica, 1931- 1998)

óleo sobre madeira,  38 x 46 cm

Georges Braem nasceu em Cauderan na  Bélgica em 1931.  Estudou na Escola de Belas Artes de Bordeaux.  Trabalhou por quatro ano num ateliê de litografia onde desenvolveu gosto pela gravira.  Sua maneira preferida de pintura era sobre madeira ou couro.  Fez numerosas exposições  tanto na França como no exterior: Espanha, Bélgica, Suiça, Alemanha, Suécia, Japão.  Faleceu em 1998.





Crianças amai as árvores — poema de Martins d’Alvarez

21 09 2011
Ilustração: Bolinha posa para fotografia subindo na árvore.

Crianças, amai as árvores!

Martins D’Alvarez

Meninos, amai as árvores!

Pois elas são como nós…

Têm coração nas raízes

E as folhas falam, têm voz.

Não devemos machucá-las;

Elas também sentem dor.

E são tão boas… Dão sombra,

E os seus frutos nos dão cor.

Elas morrem para dar

Conforto ao nosso viver…

Do leito, para sonhar,

Ao carvão para aquecer.

Sejamos irmãos das árvores!

Façamos-lhes festas mil!

A árvore é a fada da pátria…

Foi quem deu nome ao Brasil!

Feliz Dia da Árvore

para todos vocês!





Imagem de leitura — Tomás Santa Rosa

18 09 2011

Meninas lendo, s/d

Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)

óleo sobre tela

Tomás Santa Rosa nasceu em João Pessoa em 1909.  Depois de uma breve estadia em Salvador quando trabalhou como contabilista, muda-se para o Rio de Janeiro onde se torna um auxiliar de Candido Portinari na pintura mural.  Em 1933 começa a carreira de ilustrador, mas logo amplia os seus horizontes com as artes cênicas, onde seu talento amadurece.  Morre subitamente na Índia, em 1956, onde participava de uma conferência internacional.

 





Tchick, de Wolfgang Herrndorf, montes de aventuras e grande humor

17 09 2011
Ilustração Ben Swift, in The Daily Mail, Inglaterra.

Na capa de trás de Tchick de Wolfgang Herrndorf, [Tordesilhas:2011] está impresso o comentário de Ijoma Mangold do Süddeutsche Zeitung, “Então está provado: dá para escrever histórias inteligentes e, ao mesmo tempo, muito engraçadas em alemão”.  Exatamente o que pensei ao terminar a leitura dessa deliciosa aventura de dois meninos de quatorze anos em férias, no verão de 2010.

Wolfgang Herrndorf consegue captar exatamente como adolescentes pensam e em que tipo de aventuras conseguem se meter, nessa idade em que não se acham mais crianças, mas ainda não conhecem bem o mundo.   Dá para entender porque este romance se tornou um best-seller na Alemanha, onde vendeu mais de 120.000 exemplares: é uma aventura pra lá de gostosa, que sabemos que vai acabar mal – na verdade o livro começa pela fim — de modo que sabemos desde o início que as aventuras desses dois meninos vão acabar na polícia; é narrada com um humor delicioso, contagiante e é repleto de personagens com boas qualidades, com boas intenções.  No final é uma história que nos dá grande fé nos seres humanos, na sociedade e no futuro.

Acompanhamos dois meninos que, depois de não terem sido convidados para a festa da gatíssima Tatjana, se encontram sozinhos.  Mike Klingenberg e Tchick, colegas de escola,  embarcam, então, numa série de aventuras, num carro “emprestado”, um velho e quase indestrutível Lada.  Partem à procura de Valáquia  [região sul da România], onde Tchick diz ter familiares.  Mas sem mapas e sem meios seguros de navegação, parece difícil chegarem lá.  É justamente o trajeto, a viagem, que se torna a própria aventura, e abre algumas janelas do mundo para ambos os adolescentes.  Uma amizade inesperada se desenvolve entre esses dois rapazes que até o início das férias de verão não conseguiam se ver como amigos.  Uma deliciosa série de aventuras, contadas com muito humor, sem pieguismos.

Wolfgang Herrndorf

Recomendo sem hesitação Tchick para jovens e adultos.  Qualquer leitor terá garantidas muitas horas de prazer e entretenimento.  E para os adultos esse texto  trará de volta a lembrança de como pensa um jovem adolescente.  Dois detalhes enriquecem esse volume: a excelente tradução de  Cláudia Abeling, e a dinâmica capa de Kiko Farkas e Adriano Guarnieri/ Máquina Estúdio.  Uma publicação esmerada que vale ouro!





Árvore, poema de Hélio Pellegrino, para o Dia da Árvore

17 09 2011

Paisagem, década de 1940

Joaquim Figueira (Brasil, 1904-1943)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

Árvore

Hélio Pellegrino

Quanto silêncio em tua raiz,

árvore, respiraste,

para chegar a ousar

a doçura que ousaste;

quanta nortada sacudiu,

na fúria rouca de águas bravas,

tua galharia, até que houvesse

esta flor calma em tua haste.

Em: Minérios domados- poesia reunida,  Hélio Pellegrino,  Rio de Janeiro, Rocco: 1993


Hélio Pellegrino nasceu em Belo-Horizonte em 1924 e morreu no Rio de Janeiro em 1988.  Cursou a faculdade de medicina em Belo Horizonte, mas terde vindo para o Rio de Janeiro com a família, inicia-se na psicanálise, que  praticou por décadas ao mesmo tempo que se dedicava ao jornalismo. Teve também a oportunidade de desenvolver sua carreira de  escritor e poeta.

Obras literária :

Poema do príncipe exilado, 1947

A burrice do demônio, 1988

Minérios Domados, 1993

Meditação de Natal, 2003

Lucidez embriagada, 2004





Imagem de leitura — Sergei Arsenevich Vinogradov

16 09 2011

Leitura na sacada, 1910-20

Sergei Arsenevoch Vinogradov ( Rússia, 1869-1938)

óleo sobre tela

Sergei Arsenevich Vinogradov nasceu em  Bolshie Soly, na Rússia em 1869.  Foi um dos líderes em Moscou do impressionismo  russo.  Estabeleceu-se como pintor de gênero, e de retratos de camponeses.  Morreu em Riga, na atual Letônia, em 1938.





A rua Paissandu, no Flamengo, na década de 1930 — Ronaldo Wrobel

16 09 2011

Rua Paissandu, no bairro do Flamengo, década de 1930, Rio de Janeiro.  Cartão postal.

Coloco aqui uma das muitas passagens evocativas da época de 1930, encontradas no romance de Ronaldo Wrobel, Traduzindo Hannah.

“Os bairros do Rio de Janeiro eram tão diferentes uns dos outros que se tinha a impressão de cruzar continentes dentro de um bonde.  Do Relógio da Glória para o sul, por exemplo, já não se viam as ruas abarrotadas e barulhentas do centro, com seus prédios encardidos e letreiros comerciais.  No centro, a pressa não tinha hora; já no Flamengo, a hora não tinha pressa.  O silêncio reinava nas ruas sombreadas por árvores onde senhoras puxavam seus cachorrinhos empertigados.  Carrões deslizavam suavemente entre palacetes não raro ocupados por embaixadas e repartições de alto nível enquanto, nas praças, babás uniformizadas tomavam conta de suas crianças promissoras. 

Max gostava de contemplar as palmeiras que ladeavam a rua Paissandu desde o Palácio Guanabara até a rua Marquês de Abrantes.  Aqueles troncos esguios tinham visto coches com marquesas e barões, broches e tiaras antes que o automóvel infestasse a cidade e a monarquia brasileira se exilasse em museus.  Pois as palmeiras da rua Paissandu não tinham se curvado à modernidade:  nenhuma república saberia roubar sua altivez ou a nobreza daquelas folhagens que se abriam como asas soberanas.  Perto dali ficava o campo do Fluminense com suas torcidas estrondosas.  A cada gol os pássaros disparavam dos galhos em revoadas que adentravam a saleta onde Max descansava ao fim do dia, instalado em sua bergère, ao som da risonha criançada que as mães só tiravam da rua depois da Hora do Brasil. Então escolhia um Haydn ou Mozart, deixando a agulha da vitrola surtir seus melodiosos efeitos enquanto comia algo leve na mesa da copa.  Puxava a manta depois das dez, lendo até adormecer no quarto de fundos, ninado pelos gatos vadios que, lá fora, se enroscavam na escuridão.

Dois andares, a nova casa de Max era grudada nas vizinhas feito irmã siamesa.  Custara uma pechincha porque um velho muito velho estava para morrer e os filhos queriam apressar o negócio, tendo aceitado a oficina da Praça Onze como parte do pagamento.  Inacreditável!  O resto Max ia pagando mês a mês avalizado por ninguém menos que o Capitão Avelar.  Perto da bergère, uma estante de jacarandá compunha com a mesa redonda deixada pelo antigo dono.  Max comprou quatro cadeiras de palhinha e uma fruteira de porcelana portuguesa sempre cheia de maçãs, laranjas e bananas.  Na cozinha mantinha as provisões de sal e açúcar que os vizinhos vinham-lhe pedir em cordiais incursões, para depois revisitá-lo com fatias de bolo ou pudim.   Calçava chinelos para não arranhar o parquê bicolor nem estragar o tapete arraiolo em seu quarto.  Agora, sim, Max tinha uma casa decente.”

Traduzindo Hannah, Ronaldo Wrobel, Rio de Janeiro, Record:2010, Pp- 151-2