Segredos de Oetzi, o homem do gelo, revelados

28 10 2011

Fotografia, Robert Clark — www.robertclarkphoto.com

Os artistas Adrie e Alfons Kennis usaram scanners em  3-D do esqueleto do homem do gelo e outros detalhes anatômicos para criarem um modelo  de tamanho natural.  Os cientistas no passado haviam reconstruido Oetzi com olhos azuis, mas os exame de DNA provou que ele tinha olhos castanhos.

Oetzi, o homem do gelo, descoberto em 1991, e que tem mais de 5300 anos, finalmente revela mais alguns de seus segredos, através de uma autopsia que levou quase nove horas.  Seu genoma foi seqüenciado com grande detalhe e nova análise do material recolhido começou a aparecer em junho quando  Albert Zink, diretor do Instituto para Múmias e do Homem do gelo — EURAC em Bolzano, no tirol italiano, como publicou a revista National Geographic.

As descobertas clarificam alguns aspectos, mas também intensificam alguns dados intrigantes.  Sabe-se, por exemplo, que Oetzi tinha cabelos e olhos castanhos.  Ele era provavelmente – como milhões e milhões de pessoas hoje em dia – intolerante à lactose, em suma, não digeria leite.  Como Stephen S. Hall explica no artigo Autópsia do homem do gelo [Iceman Autopsy] esse era um fato irônico já que tudo indica que ele era um pastor.

Alpes Italianos, Oetzal, fotografia Robert Clark — www.robertclarkphoto.com

 A seta vermelha mostra onde excursionistas encontraram o corpo do Homem do gelo em 1991, numa bacia de gelo na pedra, numa altitude de 3200 metros.  À sua volta estavam diversos artefatos da Era Neolítica.

Oetzi, que foi encontrado no tirol italiano a 3.200 metros de altitude, em 1991, está mais relacionado às pessoas que vivem no sul da Europa, norte da África e Oriente Médio, do que às pessoas do norte europeu como se imaginava inicialmente.  Seu DNA tem relações estreitas com as populações modernas da Sardenha, da Sicília e da Península Ibérica.  Além disso, se ele não tivesse sido assassinado, por uma flecha,  teria morrido de um ataque cardíaco ou de um AVC em dez anos, já que deveria ter desenvolvido, nesse período,  endurecimento das artérias.  Uma grande surpresa foi descobrir que Oetzi já tinha sido infectado pelo carrapato que transmite a doença de Lyme, o que o faz uma das primeiras vítimas dessa doença.

Para mais detalhes sobre a autópsia, consulte o artigo na National Geographic Magazine.





Quadrinha da borboleta

27 10 2011

Ilustração: menino e borboleta, autor desconhecido.

Qual menino sonhador

eu fico às vezes pensando

que a borboleta é uma flor

que gosta de andar voando.

(Soares da Cunha)





Palavras para lembrar — Marquês de Maricá

26 10 2011

Helen, 2005

Erik Slutsky (Canadá, 1957)

óleo sobre tela

“A companhia dos livros dispensa com grande vantagem a dos homens.”

Marquês de Maricá





Quadrinha da menina com laço de fita

26 10 2011

Menina com laço de fita, Stanislaw Wyspianski.

O laço de fita preta

dos teus cabelos, faceira,

parece uma borboleta

pousada numa roseira.

(Adelmar Tavares)





Imagem de leitura — Rudolph Friedrich Wasmann

25 10 2011

Minna Wasmann lendo, 1822

[a irmã do pintor]

Rudolph Friedrich Wasmann ( Alemanha 1805-1886)

óleo sobre tela

Rudolph Friedrich Wasmann começou a estudar pintura aos 17 anos com Christoph Suhr em Hamburgo.  Depois entrou para a Academia de Artes de Dresden, completando seus estudos na Academia de Munique. Viajou muito.  De 1832 a 1835 residiu em Roma, onde se converteu ao catolicismo.  Passou depois mais seis anos divididos entre Mezano e Bolzano na Itália, antes de retornar a Hamburgo.  Ficou conhecido como um grande pintor de retratos. Depois de 1846 voltou a morar em Merano, no Tirol italiano.





Embarcação mongol do século XIII descoberta no Japão

25 10 2011

Samurais japoneses invadindo barcos Yuan.

Os restos de um navio que teria participado da fracassada tentativa do rei mongol, Kublai Khan (1215-1294), de conquistar o Japão, no século XIII, foram encontrados em relativamente bom estado, na costa do país.  Até então só antigas pedras de âncora e balas de canhão haviam sido encontradas aqui e ali datando da investida de esquadras mongóis dessa época.  Os pesquisadores agora acreditam que têm material para melhor entender a tecnologia de navegação do século XIII.  Encontraram um pedaço de 12 m do casco da embarcação, que era feito de tábuas de madeira de 10 cm de espessura e de 15 a 25 cm de largura.  O casco foi descoberto enterrado a 1 metro de profundidade do fundo do mar, próximo da ilha Takashima em Matsuura, no distrito de Nagasaki.  Foi a primeira vez que o casco de um barco usado na invasão mongol foi recuperado.

Os pesquisadores da universidade de Ryukus, em Okinawa,  sob a supervisão do Prof. Yoshifumi Ikeda usaram equipamento ultrasônico para detectar os restos do navio. Os ataques frustrados contra o Japão foram uma das poucas vezes em que os mongóis foram derrotados durante o século XIII.  O casco que parece ter tido 20 metros de comprimento havia sido todo pintado de cinza e ligado por pregos. Tijolos e armas chineses da dinastia Yuan também foram encontrados a bordo.

Os pesquisadores dizem esperar que a descoberta os ajude a entender os motivos da vitória japonesa.  Registros históricos sugerem o número de 4.400 navios, levando 140,000 soldados mongóis desceram no Japão em 1281 e lutaram Cintra os samurais da região ao norte de Kyushu.  Mas que depois de voltarem para os seus navios a esquadra foi dizimada por um tufão devastador que acabou com os planos de invasão dos soldados mongóis. Os japoneses costumam atribuir a vitória a esses ventos e tempestades que destroçaram as embarcações mongóis durante as tentativas de invasões de 1274 e 1281.

Descobertas sob a areia de partes de embarcação mongol do século XIII.

A estrutura do navio lembra a das embarcações chinesas da mesma época. Os mongóis chegaram a desembarcar e ter algum sucesso contra os japoneses, que tinham menos habilidade no arco e flecha. Mas em ambas as ocasiões, os mongóis e as tropas chinesas e coreanas sob seu comando tiveram que bater em retirada por causa de tufões que se aproximavam, impedindo seus planos.

As águas próximas à ilha Takashima são o local onde,  historicamente,  se assumiu a devastação da esquadra em 1281, pelos “ventos divinos”.  O “vento divino”  kamikaze, em japonês, foi a palavra que serviu de inspiração para os pilotos japoneses que se lançaram em ataques suicidas na Segunda Guerra Mundial.

Como nômades da Ásia Central, os mongóis tinham pouca experiência no mar e usaram chineses e coreanos subjugados para construir seus navios. “Acredito que iremos entender mais sobre a construção de navios da época assim como sobre a troca de mercadorias na Ásia Ocidental”, disse o prof. Ikeda.  Ele ainda lembrou que o casco da embarcação deve ter-se mantido em bom estado porque estava enterrado na areia.  Enquanto a estrutura da embarcação, semelhante às usadas pelos chineses do século XII,  levou os pesquisadores a fazerem a associação à frota Yuan.

Fontes: The Telegraph, Terra





O subjuntivo, esse amigo do bem-falar!

25 10 2011

Magali tem dúvidas!  Ilustração Maurício de Sousa.

No outro dia, fui buscar um quadro numa loja de molduras.  Na oficina, ainda trabalhavam no acabamento da moldura.  Sem pensar duas vezes disse para o Sr. Pedro:

—  Quer que venha mais tarde?

Ele foi verificar, no fundo da oficina, a que horas os empregados teriam o quadro pronto.  Do lado de fora do balcão, sentado pacientemente num canto, com as mãos pousadas numa bengala, estava um senhor.  Só depois vim a conhecê-lo por causa de nossa conversa, soube tratar-se de um conhecido pintor paisagista de Minas Gerais.  Mas quando ele me abordou, enquanto o Sr. Pedro verificava o horário, eu não sabia quem era.

— Mas a senhora usa o subjuntivo!  — ele disse surpreso.

— Como?  — eu não entendi, assim de repente, o que ele queria dizer…  Estava fora de contexto…

— Pouca gente usa o subjuntivo.  A senhora não é carioca, é?

— Sou sim, disse rapidamente, acostumada a responder a essa pergunta seguidamente. E assim começou uma conversa que durou pra lá de duas horas.  Ele dizia que nós cariocas estávamos nos esquecendo do subjuntivo.  E por isso ele achou que eu não era carioca além, é claro, da minha pronúncia ser um tanto sulista.

Minha mãe, apesar de carioca, foi educada em São Paulo e ficou com a pronúncia dos esses mais acentuada do que a dos cariocas, apesar de usar o erre carioca.  Nós todos, os filhos, cariocas, falamos os plurais com esses em vez de xis e também temos uma pronúncia clara, quase cantada.  Minha mãe era professora de português e não deixava por menos: todos tínhamos que falar corretamente.  Ela nos corrigia automaticamente, a qualquer momento, em qualquer ocasião, não deixava passar uma oportunidade.  Venceu pela persistência, tenho certeza.

Depois dessa abordagem na loja das molduras, passei a prestar mais atenção ao uso do subjuntivo.  E realmente não só o carioca anda abusando de não usá-lo, mas a imprensa também, tanto a escrita quanto a falada.  É pena, porque o subjuntivo esclarece o pensamento além de auxiliar o interlocutor a entender as variáveis daquilo que se fala.  Sei disso, por estar casada com um estrangeiro e ser colocada constantemente no papel que minha mãe tinha comigo: corrigir o português a qualquer momento.  Meu marido passou a gostar do subjuntivo e hoje o usa em grande parte dos casos, sem erro.  Há uma pequena regra que ajuda a clarificar o uso do subjuntivo.

Chico Bento tem dúvidas…  Ilustração Maurício de Sousa.

Se há duvida na primeira frase, a segunda vai para o subjuntivo.

Uma regra clara e eficiente.  A dúvida pode ser claramente expressada [pelo uso de verbos como duvidar] ou pode ser implícita.

Vejamos os exemplos:

É possível  [dúvida] que eu ao cinema amanhã.

Imagina-se  [dúvida] que o ladrão tenha fugido pela porta da frente.

Meu tio desconfia  [dúvida] que seu emprego esteja por um fio.

Os bombeiros suspeitam  [dúvida] que o fogo tenha-se iniciado na cozinha.

Os médicos receiam  [dúvida] que as medidas tomadas contra a epidemia de dengue não sejam suficientes para evitar mortes no bairro.

Duvidamos  [dúvida] que o  horário de verão acabe antes do Carnaval.

Julgava-se  [dúvida] que o criminoso tivesse saído pela porta da frente, mas descobriu-se que esse não fora o caso.

Supúnhamos  [dúvida] que as respostas do ENEM fossem dadas à tarde, mas nos enganamos.

João suspeitou  [dúvida] que fosse traído pela mulher.

Maria suspeitou  [dúvida] que sua melhor amiga roubasse os bombons da caixa assim que os visse.

Os senadores duvidam que o ministro permaneça no cargo até o final do ano.

Desconfiei  [dúvida] de que o teste de hepatite fosse dar negativo.

Façam bom proveito!





Quadrinha sobre a mentira

25 10 2011

Super-pato contesta a descoberta,  ilustração de Walt Disney.

Nunca mintas, meu amigo,

escuta uma opinião certa:

— A mentira é um perigo,

pois é sempre descoberta.

(Roosevelt da Silveira)





Quadrinha da boa alimentação

24 10 2011

Refeição em família, ilustração de Avelino Guedes.

A água , o suco de frutas,

O leite, os refrigerantes

São as melhores bebidas

Para os jovens estudantes.

(Walter Nieble de Freitas)





A chácara do Chico Bolacha — poesia infantil de Cecília Meireles

23 10 2011

A chácara do Chico Bolacha

Cecília Meireles

Na chácara do Chico Bolacha,
o que se procura
nunca se acha!

Quando chove muito,
o Chico brinca de barco,
porque a chácara vira charco.

Quando não chove nada,
Chico trabalha com a enxada
e logo se machuca
e fica de mão inchada.

Por isso, com o Chico Bolacha
o que se procura
nunca se acha!

Dizem que a chácara do Chico
só tem mesmo chuchu
e um cachorro coxo
que se chama Caxambu.

Outras coisas ninguém procura,
porque não acha,
coitado do Chico Bolacha!

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa