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John Michael Carter (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 75 x 75cm
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“A leitura deve ser para o espírito, como o alimento para o corpo, moderada, saudável e digerível.”
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Fénelon
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John Michael Carter (EUA, contemporâneo)
óleo sobre tela, 75 x 75cm
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Fénelon
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[Retrato da artista Maria Yakunchikova e auto-retrato]
Konstantin Korovin (Rússia, 1861 — França, 1939)
óleo sobre tela
Galeria Tretyakov, Moscou.
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Muito assunto interessante foi ventilado no excelente artigo sobre a indústria do livro, no blog Roundtable, da revista literária Lapham’s Quarterly. Curtis White pondera sobre o que frequentemente esquecemos: a literatura é mutável. Ela é tão viva quanto são vivas as indústrias de que depende. Livrarias, editoras, críticos e mais recentemente as publicações de massa são todas entidades em constante mutação. E no centro dessas forças mutantes está a disputa pelo poder de determinar o que se considera literatura. O resultado depende de quem é a autoridade do momento. Há algum tempo atrás eram os donos das editoras e de livrarias que definiam o que era literatura. Hoje, estamos vendo a luta entre grandes grupos de leitores, clubes de leitura na televisão, por exemplo, que discutem livros através da mídia e as equipes de marketing das casas editoriais.
No passado podia até ser diferente. Curtis White lembra que no século XIX havia pouca diferença entre o editor e a livraria. Muitas vezes os editores arriscavam seus próprios pescoços – o perigo de processo e prisão podia rondar as casas editoriais. Mas era comum que livrarias vendessem os livros que elas mesmas publicassem o que tornava a casa editorial um negócio que vivia do marketing direto. Precedendo as “noites de autógrafos”, hoje populares em qualquer canto do mundo, o famoso editor John Murray, que correu sérios riscos ao publicar a poesia de Lord Byron, estabeleceu em sua livraria/casa editorial, o programa Às quatro com amigos quando leitores poderiam ir tomar chá com o autor.
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Evert Thielen (Holanda, 1954)
têmpera sobre madeira, 40 x 50 cm
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Essa conexão de livrarias com seus leitores continuou, apesar de estar morrendo, até os dias de hoje – mas só com as pequenas livrarias. Nos anos 50 a 70 ainda havia nos Estados Unidos muitas livrarias que se orgulhavam do serviço que prestavam aos seus clientes. Apesar da fácil acessibilidade a títulos de qualquer editora — realmente o sistema de distribuição nos Estados Unidos é extraordinário – as livrarias pequenas, independentes americanas passaram a oferecer exatamente o que as grandes livrarias em cadeia ofereciam, com pouquíssimas exceções. No final dos anos 90 praticamente só as grandes cadeias de livrarias compravam títulos de editoras de pequeno ou médio porte.
Para Curtis White a desmoralização do serviço que livrarias prestavam aos seus clientes vem de ter-se mantido, nos EUA, um modelo baseado na década de 1930, que não funciona mais nos dias de hoje: a consignação. Esse modelo se baseava em representantes das editoras – pessoas que não liam e que não entendiam nada sobre os livros que vendiam – que iam de livraria em livraria colocando livros em consignação, como se livros fossem mercadoria que estivesse enchendo armazéns e de quem alguém precisasse se desfazer colocando à venda em qualquer lugar. As livrarias, por sua vez, aceitavam esses livros como se estivessem adquirindo decoração para suas lojas, para que afinal se parecessem livrarias. Pois o que interessava mesmo eram os livros que tinham vendas garantidas tais como memórias de celebridades, confissões de políticos que estavam no ocaso de uma carreira política, livros óbvios de auto-ajuda, que eram colocados nas mesas de maior evidência na entrada desses estabelecimentos.
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Norman Neasom (Inglaterra, 1915-2010)
aquarela
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O grande problema do sistema de consignação como foi instituído é que permite que as livrarias, sem gastar um centavo, tenham acesso a novos livros, novos títulos e retornem todos os livros que a editora mandou meses atrás, sem que haja ou que tenham tido qualquer interesse, ou feito qualquer esforço para que a venda desses livros se concretizasse. Essas livrarias não conseguem vender os livros porque ninguém trabalhando nelas lê ou se dá ao trabalho de ler esses livros. Tornou-se consequentemente um círculo vicioso.
Mas agora, as coisas ainda estão piores, como escritores e poetas independentes descobriram. Nos últimos dez anos, para todos nós que nos acostumamos com o auxílio do computador, o ato de comprar um livro está cada vez mais dependente da oferta eletrônica da Amazon, do Google e talvez da Barnes & Noble.
Especialistas – no caso John O’Brien , editor – consideram que o maior perigo para a indústria editorial nos EUA está na Amazon. A companhia virtual está agora tomando o lugar de distribuidora e editora e não há casa editorial que possa competir com isso. John O´Brien esá convencido que a Amazon procura o controle da publicação e da distribuição, o que para ele seria uma horrenda perspectiva já que a companhia teria o poder de determinar o que pode ser publicado e em que termos. Quando isso acontecer eles poderão estipular o preço dos livros e estabelecer aqueles que se tornarão best-sellers. Ao que tudo indica, eles poderão fazer isso porque parece que serão – no futuro, talvez até no futuro próximo — a única companhia no mercado. As grandes casas editoriais dos Estados Unidos estão por sua vez acreditando que o futuro está incerto já que tudo leva a crer que só duas companhias estarão no mercado editorial: Amazon e Google. A possibilidade de falência para todas as outras é real.
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Claude Fossoux (França, 1946)
óleo sobre tela, 60 x 73 cm
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A maior nota de precaução fica com a seleção que a Amazon e até a Google venham a fazer sobre o que publicar. Apesar de Curtis White prever um futuro desastroso para as publicações literárias – de literatura como a conhecemos, sem necessariamente ser um sucesso financeiro – eu acredito que alguma solução que ainda não conhecemos virá ao nosso encontro, uma outra maneira de se publicar aquilo que pode não ser lucrativo. Basta haver um problema para podermos pensar num caminho para a solução. Os seres humanos continuarão a escrever. A escrever tanto a prosa ou poesia comerciais quanto aquelas que podem até ter maior significado mas que não teriam apelo financeiro para o grande público. Isso não vai mudar. Os seres humanos continuarão a ser criativos. Tanto os escritores quanto os homens de negócios. E alguma solução, alguma nova maneira de conduzirmos o comércio da literatura virá a aparecer. Afinal como Curtis White mencionou no início, muitas foram as mutações da literatura.
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©Ladyce West, 2011
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Nunca estamos satisfeitos
com aquilo que alcançamos.
Queremos o que não temos,
o que temos desprezamos.
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(Luís Carlos Rohan)
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Retrato de Miss Elliott, 1892
José Villegas Cordero (Espanha, 1844-1921)
Óleo sobre tela, 101 x 127cm
Coleção Particular
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José Villegas Cordero nasceu em Sevilha em 1844. Começou a aprender pintura bem cedo com o pintor José Maria Romero. Estudou com ele até ingressar na Escola de Belas Artes de onde se forma. Em 1867 começaram diversos períodos de viagens: Madri, Marrocos, Roma, retornando à Espanha, voltando ao norte da África, à Itália até 1877, quando passou a residir por longos períodos em Veneza. Em 1898 tornou-se diretor da Academia Espanhola de Belas Artes em Roma e em 1901 diretor do Museu do Prado em Madri, onde viveu até falecer em 1921.
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Esperando pela praia, s/d
Suzanne Clements (EUA, contemporânea)
acrílica sobre tela 35 x 45 cm
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Cervantes
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Chico Bento lê à noite. Ilustração Maurício de Sousa.–
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Nas páginas de um bom livro,
Há mais luz e ensinamento
Do que em todas as estrelas
Que brilham no firmamento.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Rita Valnere ( Letônia, 1929)
óleo sobre tela, 100 x 120cm
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Rita Valnere nasceu na Letônia em 1929. Estudou arte na Escola de Arte Janis Rozental em Riga, formando-se em 1949. Depois extendeu seus estudos no Departamento de Pintura da Academia de Artes da Letônia sob os cuidados do pintor E. Kalnins. Tem tido uma carreira auspiciosa desde então com numeorsas exposições dentro e fora do país assim como prêmios.
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Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)
óleo sobre tela
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Rachel Jardim
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Santa Rosa morreu na Índia, um país onde a morte é considerada um acidente natural, ou apenas uma pequena pausa. Ele, tão plantado na vida, buscando-a sempre, persistentemente, em tudo o que fazia.
Nesta ocasião apareceu o seu retrato nos jornais – rosto redondo, óculos, nenhum cabelo, cigarro constantemente pendurado na boca. Era um tipo arredondado, sem arestas, sem ossos à vista. Carregado de humanidade, alguém para se levar para casa, sentar no sofá e deixar falar.
Por essa época, literatura estava muito fora das minhas cogitações. Mas aquela estranha morte na Índia me deixou muitos dias abalada. Não combinava com ele, tampouco parecia destinado a qualquer tipo de tragédia. Sua integração à nossa paisagem era total. Como pois aceitar aquela morte num mundo tão diferente?
Uma vez, ilustrou um conto meu. A ilustração era muito melhor do que o conto. Dera a ele uma dimensão que não tinha. Quando vi a ilustração pensei: era assim que eu queria ter escrito. Eu falava numa chuva translúcida. Ele fez uma chuva translúcida.
Pelos idos de 40 fui parar, não sei como, no seu atelier. Sentei-me num caixote. Livros e quadros por toda parte. Maquetes para cenários. Ele nem desconfiava que eu era a moça, de quem, alguns anos antes, tinha ilustrado um conto. Nada lhe disse.
Tirei da estante o Romancero Gitano, de Garcia Lorca.
— Que tipo lorquiano, você é – disse-me. – Por dentro e por fora.
Eu ri e concordei. Leu-me uns versos do Romancero e depois me disse:
— Olhe, não quer posar para mim? Faria de você um retrato lorquiano.
Olhei para os seus quadros na parede. Não havia quase figuras. Uma nítida atmosfera da época, a visão de beleza da época. Ninguém retratou tão bem o espírito a sensibilidade da década.
Pensei – posarei. E combinei aparecer no dia seguinte. Não o vi mais.
Tão importante. Tão humano, sua arte impregnada de vida. Perdi o retrato, mas guardei sua imagem. Lembro-me dele totalmente – voz, gestos, riso, modulações, terno, sapato. Pouca gente permaneceu tanto dentro de mim. Foi curto o instante, mas tão permanente. Não pintou meu retrato, mas o dele pintou-se em mim.
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Em: Os anos 40 de Rachel Jardim, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973
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Avião, ilustração de Hergé de revista das Aventuras de Tintin.–
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Num aparelho a explosão,
Mais pesado do que o ar,
Alberto Santos Dumont
Foi o primeiro a voar.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Eugen Spiro ( Alemanha, 1874- EUA 1972)
óleo
Museu de Arte de Tel Avive
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Eugen Spiro nasceu em Breslau na Alemanha em 1874. Estudou em Breslau com Albrecht Bräuer e mais tarde foi a Munique para estudar com Franz von Stuck. Como pintor ficou famoso por seus retratos de personalidades importantes na Europa. Depois de 1906 vai para Paris onde se torna membro do grupo de artistas do Café Parisiense do Dôme. Em 1914 volta para Berlim, onde fica até 1933. Proibido de trabalhar na Alemanha de Hitler por sua ascendência judia, Eugen Spiro emigra para Paris em 1935. Fugindo mais uma vez do avanço das forças de Hitler, Spiro mais uma vez emigra, dessa feita para os EUA, onde permanece até sua morte em 1972.