Mais antigo manuscrito com os Dez Mandamentos em Nova York

17 12 2011

O manuscrito mais antigo e conservado com as mensagens dos Dez Mandamentos que, segundo a fé judaica, Moisés recebeu no Monte Sinai, será exposto a partir desta sexta-feira no Museu Discovery de Nova York.

Escrito em hebraico, o pergaminho de mais de 2 mil anos possui aproximadamente 45 cm de comprimento por 7 cm de largura e faz parte da mostra mais ampla sobre os manuscritos do Mar Morto, que inclui mais de 500 artefatos cedidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês). O documento foi descoberto em 1954 e, segundo o Museu Discovery, faz parte de uma coleção de mais de 900 peças encontradas ao longo dos anos 40 e 50 em uma gruta de Qumran, região situada próxima ao Mar Morto.

Os manuscritos, também escritos em aramaico e grego, além de hebraico, são os documentos mais antigos encontrados sobre a vida na Judéia. Segundo o museu nova-iorquino, “os Dez Mandamentos são as regras que constituem os pilares da moralidade e da lei do mundo ocidental”, destacando que o texto reúne e define como os homens e as mulheres devem trabalhar e viverem juntos sob sua fé em uma sociedade civil“.

Essa é a primeira vez que esse pergaminho será exposto em Nova York.  A peça, que contém fragmentos do Deuteronômio, está datada entre os anos 50 e 1 a.C. e é um dos dois únicos manuscritos antigos com os Dez Mandamentos que conhecemos atualmente. O pergaminho contém o texto de Deuteronômio 5, o quinto livro do Antigo Testamento, onde Moisés explica a aliança do Deus israelitas com o seu povo, lembrando os mandamentos de Deus à geração mais jovem, que estava para entrar na terra prometida.

Não obstante a sua idade, o Museu Discovery confirmou que o estado de conservação do manuscrito é “excepcional“, apesar de ser feito com um material tão frágil como a pele de um animal, ou seja, muito vulnerável à umidade, à luz e às variações de temperatura.  O período da exposição —  15 dias —  é um dos mais longos já permitidos pela Autoridade de Antiguidades de Israel que propiciou esta mostra fora de Israel por causa da importância universal desses rolos de sua fragilidade e idade.  Os Dez Mandamentos são importantes para as três religiões monoteístas do Ocidente:  o judaísmo, o cristianismo e o Islã.  Imediatamente após a exposição, o livro será devolvido para Israel .

O outro manuscrito, conhecido como o Papiro Nash, está armazenado na Universidade de Cambridge. Apesar de estar fragmentado, a peça é datada entre o ano 150 e 100 a.C. A identidade do escriba ainda permanece desconhecida, embora a instituição nova-iorquina tenha afirmado que muitos especialistas acreditem que todos os manuscritos do Mar Morto tenham sido escritos por integrantes de uma seita que se distanciou do Judaísmo e viveu no deserto de Israel do século III a.C. até o ano 68 d.C. antes de os romanos destruírem aquela comunidade.

Descoberto perto de Khirbet, Qumran, o rolo com os Dez Mandamentos está entre os antigos tesouros escritos conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, que foram encontrados por pastores beduínos inicialmente entre 1947 e 1956 em uma série de cavernas perto da costa noroeste da Mar Morto.  Cerca de 900 manuscritos teriam sido encontrados em cavernas. Feitos com pele animal, o manuscrito com os Dez Mandamentos, em pergaminho, mede 18 centímetros de comprimento por 3 cm de altura e é escrito em hebraico.

Além dos rolos com os Dez Mandamentos, a exposição incluirá mais de 500 artefatos da era bíblica até o período Bizantino em Israel. Os artefatos e pergaminhos proporcionam “um olhar cativante e intrigante em um dos períodos mais influentes da história, quando surgiu o judaísmo, o domínio do Império Romano caiu, e as sementes do cristianismo surgiram,” disse Kristin Romney, consultor curador da exposição.  Objetos nunca antes vistos, incluindo mosaicos, esculturas em pedra, e utensílios domésticos, tais como jóias e cerâmica.

O pergaminho dos Dez Mandamentos poderá ser visto até o próximo dia 2 de janeiro, enquanto o resto da exposição, que foi inaugurada 28 de outubro, permanecerá aberta até o dia 15 de abril de 2012.

FONTES: Terra e Christian Post





O guarda-chuva tem cara de Natal? Sim, veja os cartões de Natal.

16 12 2011

Nos muitos e muitos anos que morei fora do Brasil, no hemisfério norte, pude verificar a ineficiência de um guarda-chuva como abrigo para a neve.  Na maior parte das vezes a neve não cai diretamente de cima para baixo como uma chuva pesada de verão.  Mais vezes do que se imagina, a neve mais ou menos que flutua, caindo levemente como se fosse feita de pluminhas, sem peso, indo em direções múltiplas, podendo até subir dependendo da brisa.  É, sem dúvida,  uma surpresa ver a quantidade de vezes em que o guarda-chuva é um elemento usado nos cartões de Natal.

Guarda-chuvas não oferecem nenhuma proteção possível para a neve, a não ser que seja uma neve muito pesada.  Fora do normal.  No entanto, o que acredito seja o caso, é simplesmente uma solução gráfica para o assunto.

Vejamos, uma paisagem com neve, com campos, telhados, árvores, tudo com neve, é um campo de brancos.  É um estudo nos diversos tons da cor branca e o guarda-chuva, oferece um pequeno campo de contraste, de uma cor forte que pode servir de fundo para a cena principal como mostra esse cartão de Natal francês.

O cartão acima, cujo desenho é provavelmente de origem alemã, dadas as semelhanças entre as crianças e as peças de porcelana decorativa Goebel, é um caso que parece demonstrar exatamente isso, num campo enorme de branco temos as carinhas dos nossos personagens colocadas numa moldura feita pelo semi-círculo do guarda-chuva que os abriga.  Este parece ser o caso em diversos cartões colocados a seguir:

Neste cartão com crianças inglesas de final de século XIX (ainda que eu ache que as letras são bem mais recentes…

Neste cartão com crinaças holandesas de virada do século XIX para o XX.

Neste cartão de Natal inglês

A este cartão de Natal francês dos anos 1960-70.  Tudo parece muito certinho, até que nos deparamos com as representações de Papai Noel no final do século XIX na Europa, um da Alemanha e os outros da Inglaterra.  Aí fica tudo sem explicação mesmo porque os cartões são repletos de cores e não precisariam de um campo de cor para constraste.  Vejam a seguir:

Tudo indica que Papai Noel é um homem vaidoso que mudou muito de roupas através das décadas e que entre seus accessórios temos o guarda-chuva.  Ele tem guarda-chuvas de muitas cores. E esse accessório o acompanha até hoje.

As crianças evidentemente adoram os guarda-chuvas… Aliás não deve ser isso não.  Os adultos adoram ver as crianças com guarda-chuvas, não é mesmo?

Mocinhas casadouras também parecem ser uma preferência:

Homens de neve, ou bonecos de neve parecem ter também muita necessidade de guarda-chuvas.  Mas com eles, acredito que a minha teoria inicial sobre a necessidade de se ter cores contrastantes prova ser correta.  Vejamos.

Até os pássaros e os gatinhos precisam se proteger com um guarda-chuvas no Natal





Quadrinha da catedral

16 12 2011

Natividade

Federico Barocci (Urbino, 1528 – 1612)

óleo

Museu do Prado, Madri

Vejo a imagem de Maria
nas luzes da Catedral,
tendo Jesus entre os braços
numa noite de Natal. 

(Paulo Athayde de Freitas)





Presentes de Natal? Livros é claro! — A Peregrina recomenda quatro livros!

15 12 2011

Sim, dou livros de presente de Natal.  Talvez seja porque não consigo imaginar a vida sem eles.  Também acho que o livro certo para a pessoa certa faz milagres.  Para presente, se não sei especificamente o gosto ou o desejo do presenteado, prefiro dar livros que abram portas além dos best-sellers.  Livros que:

1 –  possam ser lidos tanto por homens como por mulheres

2 – que sejam bem escritos.

3 – que surpreendam

A minha lista de recomendações este ano é pequena mas excelente!

Traduzindo Hannah
de Ronaldo Wrobel

Sinopse

O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia – inclusive sobre si mesmo.

Editora: Record: 2010,  ISBN: 8501091146,  Páginas: 272

Instruções para salvar o mundo
de Rosa Montero

Sinopse

Num cenário de subúrbio, onde a noite reclama o seu território e os fantasmas reivindicam o seu espaço, um taxista viúvo que não consegue superar a perda da mulher, um médico desiludido, uma cientista anciã e uma belíssima prostituta africana sedenta de vida cruzam os seus caminhos, para nos obsequiarem com uma visita guiada ao mundo vertiginoso e convulso que cada um encerra dentro de si. Mas esta não é uma história de horrores, é antes uma fábula de sobreviventes, de quatro personagens que reúnem todos os elementos necessários para serem considerados uns desgraçados, que se movem nos mundos limítrofes à máfia, ao tráfico de mulheres brancas, e a universos virtuais como Second Life, mas que conseguem encontrar um apoio que lhes permite a remição e a saída das trevas que os mantinham prisioneiros.

Editora Nova Fronteira: 2011, ISBN: 9788520926567 Páginas: 288

O pintor de letreiros
de R. K. Narayan
Sinopse

Malgudi é uma efervescente pequena cidade no Sul da Índia, onde se respira a força da cultura tradicional indiana unida ao anseio de integração no mundo moderno e global, um lugar em que palavras como ética, democracia, liberdade sexual e igualdade entre os sexos, individualismo e bem comum não só têm importância e sentido, como não estão necessariamente em conflito com a tradição. Um fio percorre e conecta a vida de uma inteira comunidade – são os letreiros de Raman. Do advogado ao comerciante, do sacerdote ao charlatão, é a escrita que os une. Raman prepara os letreiros no seu ateliê de fundo de quintal, onde vive sozinho com a tia, numa casa à beira do rio. Durante as solitárias leituras vespertinas ou pedalando a bicicleta a serviço dos fregueses e à caça de novos clientes, sua imaginação prevalece e torna incoerentes as convicções e certezas que defende e apregoa, fazendo-o cair em frequentes contradições, que geram situações embaraçosas e hilariantes ao mesmo tempo. Porém este equilíbrio na rotina metódica do pintor de letreiros é rompido com a chegada de uma forasteira. Idealista e determinada, ela contrata os seus serviços e o envolve numa viagem cheia de aventuras pela zona rural. Durante o percurso, Raman realiza uma dupla travessia – a atribulada viagem num carro-de-boi e o mergulho insidioso pelos meandros da paixão carnal e do romantismo.

Editora: Guarda-Chuva: 2011,  ISBN: 9788599537190 Páginas: 252

O aprendizado da srta. Beatrice Hempel: diário de uma jovem professora
de Sarah Shun-lien Bynum

Se existe algo que a srta. Beatrice Hempel acredita é que ela é uma terrível professora. Para tentar reverter esse quadro, a jovem faz de tudo um pouco. Libera os alunos cinco minutos mais cedo às sextas-feiras, começa o ano sempre lendo um livro que fala sobre o quanto os pais podem ser malvados com os filhos e faz de conta que não ouve quando os alunos falam mal dos outros professores. Ela não poderia estar mais equivocada, como se percebe ao longo da leitura de O aprendizado da srta. Beatrice Hempel – Diário de uma jovem professora, finalista do PEN/Faulkner Award em 2009. Os alunos adoram a professora criada por Sarah Shun-Lien Bynum, uma das 20 melhores ficcionistas norte-americanas da atualidade, segundo a prestigiada revista New Yorker. Afinal, que outro professor seria capaz de oferecer à sétima série aquele livro de Tobias Wolff, repleto de palavrões? Nem mesmo os pré-adolescentes sentiram-se confortáveis no início. Porém, como os próprios pais e mães observaram na reunião de pais, havia muito tempo que os alunos não liam um livro de forma tão voraz – se é que alguma vez isso havia ocorrido. A própria Beatrice Hempel tinha uma atração especial por palavrões. Em casa, o pai a proibia terminantemente de dizê-los. Como descreve a autora, ela até desejou um dia se tornar uma pessoa de boca imunda, mas não teve muito sucesso. Ao longo das páginas, a jovem professora vai relatando situações aparentemente corriqueiras da escola, enquanto recupera aqui e ali lembranças de sua própria infância. Reflete que na escola as crianças são livres para ser o que bem quiserem e sonhar com o futuro que acharem mais interessante. Beatrice Hempel lembra-se de quando ela mesma frequentava o colégio: “O maravilhoso na escola é isso, quando você vai bem no teste de matemática, pode um dia vir a trabalhar na Nasa, se o diretor do coral pede para que você cante um solo, já se imagina a Mariah Carey…” Enquanto acompanha pequenas conquistas dos alunos dia a dia e algumas dela mesma, a protagonista revela ao leitor alguns dos acontecimentos de seu passado, não apenas as interações com o pai, mas seus relacionamentos amorosos e mesmo relacionamentos com seus alunos, a quem normalmente trata com a reserva e distância que os papéis de ambos sugerem. A partir dessas pequenas histórias, a autora vai apresentando o caminho de transição percorrido por Beatrice Hempel desde as inseguranças do início da carreira até atingir a maturidade. Sarah Shun-Lien Bynum divide os relatos em oito capítulos, escritos de forma elegante e disciplinada, talvez como a própria Beatrice Hempel faria, caso ela se sentisse confortável escrevendo pareceres – especialmente aqueles sobre o comportamento e a evolução de seus alunos. A autora constrói assim um romance delicado, mas que reflete a complexidade e as nuances dos sentimentos e das relações humanas.

Editora: Rocco: 2011, ISBN: 9788532527011  Páginas: 192

E… ótimas leituras nesse Natal! 
Aproveite o tempo livre, leia pelo menos um livro!




Papai Noel viaja de carro! — cartões postais de Natal!

14 12 2011

Papai Noel com o carro estacionado.

Quando os carros se tornaram um pouquinho mais populares, Papai Noel viu a chance de entregar seus presentes com maior rapidez e aderiu ao carro, dirigindo-o por terra e pelo ar.

Cartão de Natal de 1910, carro de Papai Noel, genérico.

Quando dirige sua barba voa.  Isso me diz que para cumprir com suas obrigações de visitar as casas de todas as crianças do mundo ele tem que colocar o pé na tábua!

Cartão de Natal francês.

Nesse período — final do século XIX e início do XX — quando os carros começavam a fascinar a população, não importava se Papai Noel estivesse na Inglaterra, na França, na Alemanha, nos Estado Unidos, ele era um velhinho sábio que usava um carro eficiente e genérico.

Cartão de Natal, alemão.

Seus carros parecem frágeis, este por exemplo tem treliça!

Papai Noel e anjo passeiam de carro para enttregar presentes.

Às vezes seu carro é tão genérico que nem parece ter motor, mas o guidão e os faróis estão ali para trazerem conforto nas curvas e nas viagens noturnas.

Carro de Papai Noel, entulhado, cartão postal da 1ª década do século XX.

Reparem que Papai Noel confia no seu carrinho, com velocidade suficiente para o gorro e as fitas da guirlanda na mala do carro voarem, ele atravessa o caminho de neve, já ao escurecer, quando as casas já acenderam as luzes.

Papai Noel viaja na neve, cartão de 2009.

Mesmo com um carrinho que parece um trator, Papai Noel viaja até por cima dos pinheiros e acaba parando nos telhados das casas que visita.

Papai Noel no telhado de uma casa, jogando brinquedos pela chaminé.

Frequentemente ele precisa da ajuda de um elfo, um anjo ou às vezes até mesmo de uma menina ou um menino para a viagem noturna.

Papai Noel e seu ajudante, com a lanterna na mão, quase voando.  Faróis acesos.

Tudo indica que seus mais alegres auxiliares são alguns anjinhos franceses, como os dois postais seguintes refletem.

Às vezes ele dá uma caroninha para crianças bem comportadas…

Que será que essas crianças pensam de passear com Papai Noel?

Raramente Papai Noel é visto simplesmentes dirigindo com calma, como nos cartões acima.

Em geral ele está correndo contra o tempo …

De tal maneira que seu gorro de arminho, não consegue ficar preso à cabeça…

E ele passa chispando pela nossa casa, só tem tempo mesmo de acenar para o boneco de neve…

E quanto mais brinquedos ele distribui, mais brinquedos enchem o seu carro”

São bonecas. de todos os tamanhos, cavalinhos de madeira,

Tambores, ursinhos, bolas, marionetes…

Às vezes os presentes vêm embrulhados com laçarotes vistosos, que até os animais param para ver…

A medida que as horas passam, Papai Noel fica um pouquinho cansado.

Só nos tempos modernos ele passou a dirigir alguns carros de marca:

Ele e os elfos ajudantes gostam de um carro conversível…

E na Finlândia ele até para para colocar gasolina Polar, com elfos ajudantes calibrando o pneu….

Papai Noel é capaz de dirigir também muitos outros tipos de veículos que veremos em futuras postagens…  Até a próxima!





Quadrinha de pedido a Papai Noel

14 12 2011
Papai Noel se diverte com o pianinho, ilustração Lello.

Papai Noel, por favor,

do Natal afasta os medos,

e coloca mais amor

no meio dos teus brinquedos!

(Delcy Canalles)





Quadrinha de Natal, noite de festa e de luz

13 12 2011

Cartão de Natal da Europa Oriental, inicio do século XX.

É Natal — Noite de Festas,

De regozijos, de luz …

Fogem as sombras funestas:

No mundo nasceu Jesus!

(José Lara)





O transporte de Papai Noel: cartões postais de Natal contam histórias… (1)

12 12 2011

Papai Noel chega no carrinho de mão, cartão de Natal, de época,  inglês.

Quando eu era criança, Papai Noel vinha trenó puxado por renas, na noite de Natal. Era a única época do ano em que as palavras rena e trenó faziam sentido.  É claro, naquela mesma época Papai Noel chegava ao Rio de Janeiro, por volta do dia 8 de dezembro de helicóptero.  Não me lembro bem como nós mantínhamos essas duas chegadas simultaneamente, fazendo sentido… Mas criança gosta de Papai Noel de qualquer maneira.

Cartão postal com Papai Noel em trenó puxado a renas, 1909.

Fiquei surpresa de ver um cartão de Natal em que Papai Noel aparece sendo transportado num carrinho de mão.  Não tenho a menor idéia do que esse cartão inglês representa, acredito que reflita alguma história conhecida na Inglaterra, pois é muito curioso.

Papai Noel a pé na neve, acompanhado de um anjinho.

Mas quando pesquisamos em antigos cartões postais vemos que o meio de transporte de Papai Noel, pode mudar.  No século XIX ele aparece na maioria das vezes a pé. E até empurra um carrinho de mão, parecido com aquele do primeiro cartão postal, cheio de presentes, frutos e traz também a árvore de Natal.

A pé, ele também pode chegar esquiando ou deslizando com patins nos  lagos gelados.

Mas ele pode chegar a cavalo, a cavalo voador, de carruagem e de carroça puxada a burro.

Papai Noel chega em seu cavalo branco, cartão de Natal finlandês, século XX.

Cavalo voador, cartão de Natal, Ucrânia.

Carruagem cheia de presentes, neste cartão de Natal.-
Cartão do século XIX.

Papai Noel chega de carroça neste cartão francês.

E pode ter um ou outro acidente no percurso como mostra o cartão de Natal abaixo:

Dependendo da parte da Europa onde ele se encontra, seu trenó é puxado por um cavalo:

ou, como na Rússia, seu trenó sempre puxado por 3 cavalos, quer brancos ou não.

Mas Papai Noel pode surpreender ainda mais, seguir os passos de Hanibal e levar uma manada de  elefantes para sua viagem…

Pelo ar ele tem também muitas opções, por exemplo: o balão, Papai Noel pode viajar de balão:

Pode andar de avião:

Papai Noel atravessa os céus num monomotor.

É claro que Papai Noel também pode viajar de tapete mágico!

E quem procura por Papai Noel também vai pelos ares:

E se precisar descer rapidamente, há sempre um pára-quedas à disposição:

OUTRAS POSTAGENS EXAMINARÂO OUTROS MEIOS DE TRANSPORTE DESSE VELHINHO AVENTUREIRO…





“Fiz a cama na varanda”: o homem primitivo já dormia em colchões

12 12 2011

Ilustração Maurício de Sousa.

Os humanos primitivos da África do Sul já fabricavam colchões à base de erva e plantas medicinais há 77 mil anos, 50 mil anos antes do que se pensava.  Restos vegetais foram descobertos nas escavações da caverna de Sibudu, na província de KwaZulu -Natal, pela equipe comandada pelo professor Lyn Wadley, da Universidade de Witwatersrand (Johanesburgo).  Esses “colchões” são 50 mil anos mais antigos que outros exemplos conhecidos.  Nossos ancestrais da Idade da Pedra já faziam camas de folhas, sementes e caules de junco local adicionadas a gramíneas que colocavam no chão da caverna  a partir de 77 mil anos atrás. E pelos próximos 44 mil anos, os Homo sapiens nômades caçaram e se reuniram na área, utilizando Sibudu como seu local de descanso, usando a compactação de material vegetal para criar colchonetes.

O uso de colchões coincide com outros comportamentos introduzidos na vida cotidiana do homem moderno, entre eles uso de conchas como instrumentos e da tecnologia de lapidação da pedra.  Os especialistas destacam que modificar o espaço vital do habitat, incluindo o ambiente do dormitório, é um aspecto importante do comportamento e da cultura humana. Por isso, estes achados trazem informações “fascinantes” sobre os primeiros humanos modernos, que habitavam o sul da África.

Os pesquisadores descobriram pelo menos 15 centímetros de uma grossa camada de matéria vegetal encaixada dentro de um pedaço de sedimento, de 3m de espessura. Eles suspeitaram que essas camadas fossem camas humanas, mas já que as esteiras mais antigas para dormir conhecidas até hoje datavam só de 20.000 e 30.000 anos atrás, os arqueólogos tiveram que estudar o material sob o microscópio para ver de que exatamente era composta essa camada e se as pessoas haviam trazido essas plantas para o local intencionalmente.

Ilustração Maurício de Sousa.

Baseados na análise de fitólitos — pequenos restos de plantas fósseis — que permite a identificação das espécies de plantas e micromorfologia, o exame de alta resolução de vestígios arqueológicos, a equipe descobriu que as camadas, que datava de 77.000 a 58.000 anos atrás, eram feitas de caniços, juncos, e ervas, plantas que crescem além do rio Tongati mas que não são encontradas no abrigo rochoso e seco, ou próximas ao sítio da descoberta.   Assim, as pessoas em Sibudu devem tê-las juntado deliberadamente e trazido-as para a caverna. Sob o microscópio, o material vegetal mostrou sinais de compressão e de repetido pisoteio.  Na camada mais antiga, 77 mil anos de idade, a equipe descobriu que as folhas de Cryptocarya woodii, também conhecida como Cabo de louro, ou a “árvore de cânfora bastarda“, uma planta aromática cujas folhas são usadas até hoje na medicina tradicional, porque suas folhas contêm diversos compostos químicos que podem matar insetos.  A equipe sugeriu, então, que os primeiros seres humanos escolheram essas plantas especificamente para se proteger contra a malária,  transmitida por mosquitos e de outras pragas.

A seleção dessas folhas para a fabricação do colchão indica que os primeiros habitantes de Sibudu tinham um bom conhecimento das plantas que rodeavam sua caverna e da eficiência de seu uso medicinal“, explica Lin Wadley.  Os pesquisadores acreditam que os habitantes da caverna colheram as sementes e plantas das proximidades do rio Tongati e que as usavam não só para dormir, mas também para trabalhar sobre elas.  As camadas também mostraram evidência de queima regular, começando há 73 mil anos atrás.  Arqueólogos acreditam que as pessoas queimaram a cama para eliminar pragas que tinham infestado a plantas e / ou para reduzir a altura acumulada  com os anos de uso, para acabar com esteiras deterioradas e para que pudessem começar de novo, de maneira limpa. Este é o primeiro exemplo conhecido de seres humanos que usam o fogo para a manutenção de habitação.

Tudo indica que os habitantes dessa caverna não teriam vivido lá permanentemente, apesar de terem feito desse, um local tão agradável e acolhedor. Eles provavelmente usaram o espaço por algumas semanas de cada vez até que a área tivesse esgotado a sua caça e o material orgânico entrasse em decomposição atraindo vermes. Os arqueólogos encontraram fragmentos de lascas de pedras e ossos queimados no meio do material das plantas, portanto, além de usar as esteiras para dormir, seus criadores também podem tê-las usado como uma superfície de trabalho para fazer ferramentas e alimentos.

Há cerca de 58 mil anos atrás, as camadas da cama se tornaram mais freqüentes, sugerindo que a população em Sibudu estava crescendo durante este período. Os arqueólogos estimam que o Homo sapiens migrou da África 50 mil anos atrás, talvez, pela própria expansão populacional que os colchões indicam ter havido.

Fontes: Terra, The History Blog





Democracia na colméia ajuda a entender tomada de decisões

11 12 2011

Ilustração M&V Stúdio.

O voto democrático faz parte do gerenciamento tribal no mundo das abelhas, pelo menos essas são as primeiras conclusões de um grupo de cientistas estudando os métodos de comunicação e de escolha de um sítio entre as abelhas, para estabelecer uma nova colmeia.  Os métodos de comunicação incluem não só uma dança específica como uma diferenciação no zumbido e m aceno de cabeça.  Na dança as abelhas se comunicam entre si.  Essa dança, que paralela  as conexões neurais no cérebro no processo de decisão, pode vir a esclarecer o mecanismo de tomada de decisões, principalmente entre os primatas. “Os mecanismos de tomada de decisões nos sistemas nervosos e nas sociedades de insetos são muito similares“, destacou o estudo, da revista Science Express.

Anteriormente,  estudos com macacos mostraram que tomar uma decisão requer a ativação de muitos neurônios no cérebro. Mas certas células nervosas têm a tarefa de “parar” outras. No final, a alternativa escolhida é a que tem o menor número de sinais negativos.   Partindo desta premissa, uma equipe britânico-americana de cientistas chefiada por Thomas Seeley, da Universidade de Cornell, no estado de Nova York , demonstrou que as abelhas, enquanto dançam, “imitam” estes movimentos dos neurônios para se comunicar entre si , para decidirem onde irão formar a colmeia.

Os cientistas transferiram um enxame de abelhas para uma ilha em frente à costa do estado do Maine, onde não há lugares naturais para nidificar e puseram duas caixas idênticas onde podiam instalar sua colmeia. Em seguida, observaram como as abelhas exploradoras descobriram as duas caixas. O vídeo deste processo foi usado para analisar a dança das abelhas exploradoras, que serve para descrever o restante de suas descobertas.

Ilustração M&V Stúdio.

Ao gravar os sons desta dança, eles se deram conta de que o sinal de “parar” era uma batida de cabeça, acompanhada de um leve zumbido.  A comunicação com as outras abelhas sobre o que está lá fora, se faz com uma dança desenhando a figura oito acompanhado de um reboladinho.   O comprimento do rebolado diz o quão longe está o local da antiga colmeia. Os cientistas determinaram qual abelha havia escolhido qual caixa, marcando-as com as cores rosa ou amarela. Desta forma, estabeleceram quais eram os sinais de “parar” emitidos pelas abelhas exploradoras.  Essas abelhas que haviam visitado uma caixa, comunicavavam-se com a abelha bailarina indicando o lugar apropriado, quando esta parecia não se mostrar entusiasmada, já que considerava que outro local poderia valer a pena, “A mensagem da abelha exploradora, para a abelha bailarina parecia dizer para a bailarina conter o seu entusiasmo, porque não havia outro local do ninho digno de consideração” explicou P. Kirk Visscher, da Universidade da Califórnia em Riverside, coautor do estudo. “Esse sinal inibidor não é necessariamente hostil. É simplesmente um conselho: ‘Espere um minuto, aqui há outra opção a ser considerada, então não vamos ter pressa em recrutar cada abelha para um local que pode não ser o melhor para o enxame’“.

Ao deixar uma colmeia lotada em busca de um novo lar, o enxame leva consigo a abelha rainha. As exploradoras vão em busca de novos locais potenciais para construir a colmeia e voltam para comunicar ao grupo sua descoberta, que no geral se mantém perto da colmeia original até que um novo destino seja encontrado.

Visto que todas as abelhas buscam escolher o melhor lugar disponível, os cientistas acreditam que este processo ajude o grupo a tomar uma decisão, mesmo que as opções sejam quase as mesmas. “Estas conexões inibidoras ajudam a garantir que só se escolherá uma das alternativas e pode permitir uma tomada de decisões estatisticamente ótima“, destacou o estudo.  O número de abelhas exploradoras que gosta de um determinado local, eventualmente atinge um nível crítico, e o enxame decide de mudar para seu novo lar.

Fontes: Terra e Dawn