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Ilustração, autoria desconhecida.
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Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …
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(Heloísa Zanconato Pinto)
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Ilustração, autoria desconhecida.–
Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …
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(Heloísa Zanconato Pinto)
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Moça lendo o jornal
Cayetano Arquer Buigas (Espanha, 1932)
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Louisa May Alcott
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O pôr-do-sol no horizonte,
com seus raios, me seduz
e eu vejo por trás do monte
uma cascata de luz.
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(Hélio Pedro Souza)
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Hotel Kandalama, em Sri Lanka (antigo Ceilão em português).–
Projetado pelo mais famoso arquiteto do país, Geoffrey Bawa, o edifício representou na época em que foi construído, 1991-1994, sua maneira de balancear o mundo natural com a interferência humana de maneira harmoniosa, com grande sensibilidade. O hotel não se distingue da natureza que o cerca. Com paisagismo de Aitken Spende, o hotel consegue dar a impressão ao visitante que o edifício simplesmente é coberto pela extensão da vegetação à sua volta, sem ser ofuscado pela pedra Sigiriya Rock. Ao contrário, o prédio foi construído um pouco mais longe, abraçando a parte mais baixa de um morro, aos pés do qual é construído, como se fosse sua própria continuação.
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A entrada do hotel fica num nível mais abaixo do que a construção propriamente dita. E acesso ao edifício é feito através de um corredor que leva até o saguão principal. A ideia por trás de toda a construção é oferecer uma varanda para a natureza que o cerca e não chamar atenção para a construção propriamente dita.
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O arquiteto convenceu seu cliente a escolher um local alternativo, cerca de 15 km ao sul do plano original sobre terreno rochoso. O que Geoffrey Bawa conseguiu prever: as características marcantes naturais, que eram um desafio do projeto acabaram por permitir que houvesse um menor impacto da construção no local. Nenhuma máquina de terraplenagem foi utilizada, e as formações rochosas foram mantidas e utilizadas como um elemento importante no projeto final.
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Outros elementos importantes do projeto incluem a sua localização, ao longo dos cumes existentes, de passarelas externas ao longo da face do penhasco e treliças de madeira com vegetação trepadeira. Esses elementos ajudam a emendar o edifício ao local, criando uma relação simbiótica de seu entorno com o prédio. Desta maneira ele apaga a distinção entre o natural e o artificial. A localização, a ambiguidade espacial e articulação da fachada combinam para criar uma experiência única para quem ali se instala.
Os 28.110 m² de hotel foram construídos sobre palafitas para manter o fluxo de água da chuva natural. O paisagismo foi restaurado até os alicerces da coluna, e 80 por cento dos telhados são plantados com horticultura indígena. O edifício foi planejado ao longo de um pano de fundo de uma formação de rocha para fornecer maior grau de resfriamento passivo, o que reduziu a carga de resfriamento global.
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Toda a água é reciclada e reutilizada. Ela vem de poços profundos do próprio local e é tratada, antes de circular no edifício. Depois passa por duas estações de tratamento e, em seguida, utilizada para o paisagismo. A água excedente é devolvida ao aquífero. Todas as necessidades de água e esgoto do edifício são satisfeitas a partir de recursos locais, sem conexões com o serviço público.
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Os telhados planos (inclinação de 1%) e as colunas verticais finas, combinadas com os telhados verdes e fachadas, dão sensação de autossuficiência e conforto para os visitantes.
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A proximidade a um edifício que interfira pouco no meio ambiente em que está localizado ainda é mais acentuada pelo uso das árvore Gliricidia sepium nativas do local, de tamanho médio, chegam a 10 -12 metros de altura. Elas produzem flores entre o rosa e o lilás dando cor a paisagem na época de inflorescência.
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Bem cedinho, o pescador,
No rio, foi apanhar
Esse peixe apetitoso
Que eu vou comer no jantar.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Morro do Borel, Rio de Janeiro, 1971
Armando Vianna ( Brasil, 1897-1992)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
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Celina Ferreira
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Navios vão-se atracando,
chegam noturnos mineiros,
andarilhos vêm andando
e em cavalos, cavaleiros
trocando o sul e os cavalos,
as colheitas e o dinheiro
por uma braça de um rio
de inexistente janeiro.
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As casas vertiniginosas
na floresta de cimento
sobem doidas, caprichosas,
arranhando o firmamento.
As ruas crescem, comprimem
o corpo azul do gigante
que se levanta irrascível,
touro raivoso e espumante.
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Medrosos troncos se abraçam
na floresta verdadeira.
Cipós covardes se enlaçam
pelo corpo das palmeiras.
Tudo debalde. O homem lança
um olhar de certeira flecha,
dardo de fogo que alcança
o coração da floresta.
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Ai soluço ressequido,
pranto escuro de carvão!
Ai fundo e negro suspiro
que se eleva na amplidão!
Línguas de um fogo faminto
estralam gula e paixão.
Ai! Das matas sobe um grito,
descem lavas de um vulcão.
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Os homens plantam sementes
de fogo e míseras casas,
crivam duros alfinetes
na renda verde das matas.
Nas grimpas nuas, as chagas,
ontem, rubras de clarão,
hoje são tendas plantadas
entre reboco e carvão.
E a miséria fecundada
no gineceu das taperas
rebenta nas densas matas
uma estranha primavera.
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Em: Poesia Cúmplice, Celina Ferreira, Rio de Janeiro, Livraria São José Ed.: 1959
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Celina Ferreira — nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 1928. Jornalista, dedicou-se também à literatura infantil.
Obras:
A princesa Flor-de-Lótus , 1958
Papagaio gaio: poeminhas, 1998
Obra poética:
Poesia de ninguém, 1954
Poesia cúmplice, 1959
Hoje poemas, 1967
Espelho convexo, 1973
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Cena de café, s/d
Rodolfo Amoedo (Brasil, 1857-1941)
aquarela, 22 x 28 cm
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro
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Rodolfo Amoedo nasceu em Salvador, na Bahia em 1857. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1868, onde estudou no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles e Antônio de Souza Lobo. Logo depois matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde estudou com Agostinho da Motta, Victor Meirelles, Zeferino da Costa e Chaves Pinheiro. Viajou para Paris em 1879, estudando na Académie Julian e na Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, com Alexandre Cabanel e Puvis de Chavanne. Retornou ao Brasil em 1887 e no ano seguinte expõe individualmente pela primeira vez no Rio de Janeiro. Foi professor honorário de pintura histórica e teve como alunos Baptista da Costa, Eliseu Visconti, Candido Portinari, Eugênio Latour e Rodolfo Chambelland, entre muitos outros. Realizou trabalhos de decoração no Palácio Itamaraty, na Biblioteca Nacional, no Supremo Tribunal Federal e no Supremo Tribunal Militar, no Rio de Janeiro; no Museu do Ipiranga – atualmente Museu Paulista da Universidade de São Paulo – MP/USP, em São Paulo; e no Teatro José de Alencar, em Fortaleza. Após sua morte, no Rio de Janeiro em 1941, parte de sua obra foi doada ao Museu Nacional de Belas Artes – MNBA no Rio de Janeiro. [Itaú Cultural]
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Pato Donald e Margarida parados no trânsito, ilustração Walt Disney.–
Motorista, paciência…
Calma lá, meu companheiro!
Não se esqueça: competência
nem sempre é chegar primeiro.
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(Antônio Augusto de Assis)
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Jovem lendo, s/d
Marc Chalme (França, 1969)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
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Arthur Schopenhauer
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Jaguatirica na árvore, Capa da Revista Caça e Pesca de abril de 1943, ilustração de Rafael Falco.Quando hoje fazemos uma pesquisa sobre qualquer assunto, a primeira ideia que nos chega é consultar a internet. Lá, deve haver alguém que se preocupou com o assunto que nos aflige. Nem sempre é o caso. Principalmente quando tratamos das artes visuais no Brasil. Há pouca informação. Não é de todo culpa daqueles que usam a internet, nem é por falta de interesse. É que temos que nos reeducar. Aprender a dividir conhecimentos, algo raro num país em que por tantos séculos o saber, o conhecimento eram a maneira de se manter classes sociais distintas. Somar forças ainda é a melhor maneira de se combater um mal. Ainda bem que a internet chegou, democratizando a cultura. Sem ela, a postagem de hoje não existiria não fossem os esforços de muitos e principalmente de duas pessoas: 1) do artista plástico, arquiteto, mestre em arqueologia pelo MAE/USP, Paulo Araújo de Almeida. Dele são todas as fotos das capas das revistas Caça e Pesca. 2) ao médico e cirurgião Benedito Martins de Lacerda, descendente de Rafael Falco, cujas pesquisas sobre a família e o paradeiro das obras de Falco contribuíram para essa postagem e ainda irão aumentar o nosso conhecimento sobre esse pintor brasileiro no futuro. Dele são alguns dados pessoais sobre a famíia do pintor. A minha pesquisa se resumiu até hoje a uma ida à Biblioteca Nacional onde minhas esperanças de maior informação não foram de todo vãs, mas ficaram aquém do esperado. De qualquer maneira, segue aqui o que já se conseguiu a respeito. Aqueles que estão pegando esse bonde andando, sugiro que leiam as postagens sobre o pintor Rafael Falco nesse blog.
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Rafael Falco nasceu em Oran, na Argélia em 1885 [Dicinário de Pintores Brasileiros, Walmir Ayala, 2 volumes, Rio de Janeiro, Spala: 1986]. Filho de Gaspar Falco e de Antonia Falco Jaén, ela de família originária de Alicante na Espanha, [informações da família de Rafael Falco]. A família diz que o pai de Rafael foi um soldado Zuavo, do exército francês. Os zuavos eram soldados da infantaria da Argélia, a serviço do exército francês, desde 1830. Tinham um uniforme diferenciado e eram todos nascidos na Argélia. Eram comandados por um militar francês, mas eram argelinos – que na época era território francês. Como Oran também era uma cidade com grande população de espanhóis – até hoje a influência espanhola pode ser sentida na cidade em sua Plaza de Toros, entre outras construções típicas da região – é possível que tanto o pai como a mãe de Rafael Falco fossem realmente naturais da Argélia, trazendo a cidadania francesa por terem nascido em território de domínio francês. [No entanto, veja ao final do parágrafo a informação que sua neta conseguiu na documentação de imigração.] Se o casal sempre residiu em Oran, ou não, ainda está para ser documentado. O casal teve seis filhos entre eles Rafael. A família emigrou para o Brasil a tempo de Rafael Falco passar a infância em Taubaté, onde fez seus primeiros estudos. Sua neta Isabelle, que generosamente dividiu conosco algumas informações, pesquisou e encontrou documentação em São Paulo sobre a data de chegada da família no Brasil: 1890. Nesses documentos a família consta como de origem espanhola. Por esses documentos sabemos que Rafael Gaspar Falco tinha cinco anos quando chegou ao Brasil.
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“Transferindo residência mais tarde para São Carlos (SP) passou a lecionar na Escola Normal dessa cidade. Sua tela, ‘Tiradentes ante o carrasco’, exposta no XVI Salão Paulista de Belas Artes, recebeu o Prêmio Prefeitura de São Paulo, e depois de passar alguns anos no Palácio Tiradentes, foi transferida para o Palácio do Planalto, em Brasília, tendo sido aproveitada para ilustrar as notas novas de cinco mil cruzeiros, emitidas pelo Tesouro Nacional.” [Dicinário de Pintores Brasileiros, Walmir Ayala, 2 volumes, Rio de Janeiro, Spala: 1986]. A família de Rafael Falco menciona que foi um familiar, Emmanuel, sobrinho de Rafael Falco, quem serviu de modelo para Tiradentes nessa obra.
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Walmir Ayala em seu Dicinário de Pintores Brasileiros lista as principais coletivas do pintor:
1939 – Salão Paulista de Belas Artes, medalha de bronze, São Paulo (SP)
1940 – Salão Palista de Belas Artes, pequena medalha de prata, São Paulo (SP)
1951 – Salão Paulista de Belas Artes, Prêmio Prefeitura de São Paulo (SP)
1960 – Salão Paulista de Belas Artes, Prêmio Assembléia Legislativa, São Paulo (SP)
1961 – Salão Paulista de Belas Artes, medalha de prata, São Paulo (SP)
1965 – Salão Paulista de Belas Artes, Prêmio Prefeitura de São Paulo (SP)
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Já Theodoro Braga, no livro de referências bibliográficas, Artistas Pintores no Brasil, São Paulo, Ed. São Paulo, 1942. lista as seguintes fontes bibliográfcas para Rafael Falco. Isso quer dizer, para quem não está acostumado com esses termos, ele lista os seguintes artigos que se referem à obra de Rafael Falco.
– Catálogo do VII– 1940, Salão Paulista de Belas Artes
– Diário Popular, São Paulo, 20 de dezembro de 1939.
– Revista da Semana, Rio de Janeiro, 8 de abril de 1939.
– Belas Artes, Rio de Janeiro, abril de 1938, nº 35-3, página 3
– O Estado de São Paulo, São Paulo, 12 de fevereiro de 1941, página 8
– O Revelador, São Paulo, Janeiro de 1942, Ano IX, nº 1
– Diário Popular, São Paulo, dezembro de 1941
– Grupo Escolar em Taubaté, (São Paulo), 1904
– Escola Normal Secundária de São Carlos, SP, 1911
– Catálogo VIII — 1942, Salão Paulista de Belas Artes, página 39
– Catálogo do V e do VI, 1938-1939, Salão Paulista de Belas Artes
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A família de Rafael Falco encontrou uma foto do pintor ainda jovem, de 1904, do Clube Taubateense. Mas ainda não a recebi. A família também já entrou em contato com a escola em São Carlos, que confirmou possuir algumas obras de Rafael Falco, todas no momento em estado precário, necessitando restauro. Assim, aos poucos talvez possamos reconstituir parte da trajetória desse artista que como muitos outros, foi um competente pintor, que caiu no esquecimento por não estar entre os mais inovadores. No entanto, a nossa história cultural deve uma grande porção a esses artistas que estabeleceram para muitos, alguns princípios estéticos rudimentares. O caso de Rafael Falco é emblemático de muitos outros artistas que se dedicaram à ilustração para ajudar nas contas do fim do mês. Sua obra talvez tenha sido a única forma de arte que muitas pessoas, menos ligadas aos movimentos artísticos, tenham conhecido, entre elas caçadores e pescadores que viram, que entraram em contato, mês após mês, com as capas bem feitas, ilustrativas da época.
Já está mais do que estabelecido, fora do Brasil, que foram ilustradores — aqueles responsáveis pelas capas de revistas de grande circulação — que acabaram estabelecendo uma linguagem estética que aproximava a pessoa comum das obras de arte. Exemplos existem às centenas desses “educadores visuais”: Norman Rockwell, William Morris, Beatrix Potter, George Barbier, entre muitos e muitos outros. Alguns, como o pintor surrealista belga René Magritte, dedicaram-se não só às páginas de revistas, mas às capas de partituras musicais, folhinhas, rótulos de bebidas, cartazes e assim modificaram, ajustaram, formaram o gosto do público à sensibilidade estética da época.
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Falta no Brasil um levantamento dedicado a esses trabalhadores incansáveis. Falta reconhecimento de sua importância como linha de frente na batalha da educação estética.
Não dá para sabermos ainda as técnicas de trabalho de Rafael Falco. Muitos de sua geração usavam a aquarela sobre papel — que melhor se ajustava às necessidades de impressão a cores das capas de revistas. Grande parte dos ilustradores em outros países usam a aquarela. Mas recentemente tive acesso aos trabalhos do ilustrador Henry [Hy] Hintermeister, nascido na Suiça, que tendo emigrado para os Estados Unidos, fazia algumas cenas quase cômicas de suas ilustrações bastante divulgadas nos anos 1920 a 1950 — como capas de revistas — em óleo sobre canvas. Isso não é tão comum. Qualquer informação sobre a técnica de Rafael Falco será bem-vinda e eventualmente partilhada por aqui.
Agradeço mais uma vez a Paulo Araújo de Almeida, a Benedito Martins de Lacerda e a Isabelle Polz que generosamente dividiram suas informações para que essa postagem ficasse mais completa.
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Partida, Revista Caça e Pesca, janeiro de 1943, ilustração Rafael Falco.—–
NOTA: O nome do pintor pode aparecer como Rafael Falco, Raphael Falco ou Raphael Gaspar Falco. Para quem quiser aprofundar a pesquisa essas três variações precisam ser testadas. Como todos os documentos de época também eram na sua maioria escritos à mão há que decifrá-los. Também há possibilidade de erros na transcrição de um documento para outro pode gerar diferenças em como se escreve um nome ou sobrenome.