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Um chuvisco no palácio dos sonhos, ilustração de L. Kristoff.
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A palavra China, que descreve o país do Extremo Oriente, provavelmente deriva do nome de uma dinastia, a dinastia Qin, cuja pronúncia seria “chin”. O primeiro imperador dessa dinastia foi Qin Shi Huang (260-210 a.C.). Foi durante esta dinastia que a China foi unificada pela primeira vez em 221 a.C. e foi aí que começou o período imperial chinês que durou até o ano 1912 da nossa era; ou 2100 anos.
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Anita Fraga (Brasil, ativa no século XX, após 1930)
óleo sobre tela, 65 x 50 cm
[irmã da pintora Lucília Fraga]
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Aula de aritmética, s.d.
Nicolai Bogdanov-Belsky (Rússia 1868-1945)
óleo sobre tela
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No ano de 1840 frequentava eu o Colégio de Instrução Elementar, estabelecido à rua do Lavradio n. 17, e dirigido pelo Sr. Januário Matheus Ferreira, a cuja memória eu tributo a maior veneração.Depois daquele que é para nós meninos a encarnação de Deus e o nosso humano Criador, foi esse o primeiro homem que me incutiu respeito, em que macatei o símbolo das autoridades. Quando me recolho da labutação diária com o espírito mais desprendido das preocupações do presente, e sucede-me ao passar pela rua do Lavradio pôr os olhos na tabuleta do colégio que ainda lá está na sacada do n. 17, mas com diversa designação; transporto-me insensivelmente àquele tempo, em que de fraque e boné, com os livros sobraçados, eu esperava ali na calçada fronteira o toque da sineta que anunciava a abertura das aulas. Toda minha vida colegial se desenha no espírito com tão vivas cores, que parecem frescas de ontem, e todavia mais de trinta anos já lhes pairaram sobre. Vejo o enxame dos meninos, alvoroçando na loja, que servia de saguão; assisto aos manejos da cabala para a próxima eleição do monitor geral; ouço o tropel do bando que sobe as escadas, e se dispersa no vasto salão onde cada um busca o seu banco numerado. Mas o que sobretudo assoma nessa tela é o vulto grave de Januário Matheus Ferreira, como eu o via passeando diante da classe, com um livro na mão e a cabeça reclinada pelo hábito da reflexão.Usava ele de sapatos rinchadores; nenhum dos alunos do seu colégio ouvia de longe aquele som particular, na volta de um corredor, que não sentisse um involuntário sobressalto.
Januário era talvez ríspido e severo em demasia; porém, nenhum professor o excedeu no zelo e entusiasmo com que desempenhava o seu árduo ministério. Identificava-se com o discípulo; transmitia-lhe suas emoções e tinha o dom de criar no coração infantil os mais nobres estímulos, educando o espírito com a emulação escolástica para os grandes certames da inteligência.Os modestos triunfos, que todos nós obtemos na escola, e que não vêm ainda travados de fel como as mentidas ovações do mundo; essas primícias literárias tão puras, devo-as a ele, a meu respeitável mestre que talvez deixou em meu ânimo o gérmen dessa fértil ambição de correr após uma luz que nos foge; ilusão que felizmente já dissipou-se. Dividia-se o diretor por todas as classes embora tivesse cada uma seu professor especial; desse modo andava sempre ao corrente do aproveitamento de seus alunos, e trazia os mestres como os discípulos em constante inspeção. Quando, nesse revezamento de lições, que ele de propósito salteava, acontecia achar atrasada alguma classe, demorava-se com ela dias e semanas, até que obtinha adiantá-la e só então a restituía ao respectivo professor. Meado, o ano, porém, o melhor dos cuidados do diretor voltava-se para as últimas classes, que ele se esmerava em preparar para os exames. Eram estes dias de gala e de honra para o colégio, visitado por quanto havia na Corte de ilustre em política e letras. Pertencia eu à sexta classe, e havia conquistado a frente da mesma, não por superioridade intelectual, sim por mais assídua aplicação e maior desejo de aprender. Januario exultava a cada uma de minhas vitórias, como se fora ele próprio que estivesse no banco dos alunos a disputar-lhes o lugar, em vez de achar-se como professor dirigindo os seus discípulos.
Como e porque sou romancista, José de Alencar, Rio de Janeiro, Leuzinger: 1893 em DOMÍNIO PÚBLICO
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Desconheço a autoria dessa ilustração. Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.–
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Vinicius de Moraes
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Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?
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– Estou com um medo danado
Encontrei um passarinho!
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Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991
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Dizem que a famosa bailarina norte-americana Isadora Duncan, grande apreciadora da obra de George Bernard Shaw, uma vez escreveu para esse escritor irlandês dizendo que, pelos princípios da eugenia, eles dois deveriam ter um filho juntos.
— “Pense!”, disse ela entusiasmada,”com o meu corpo e o seu cérebro, que maravilha esse filho não seria!”
George Bernard Shaw não demorou a responder:
— “Sim. Mas… e se nascesse com o meu corpo e o seu cérebro?”
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Dona Cebola pede desculpas ao Seu Cebola, ilustração de Maurício de Sousa.–
Quem não cultiva a humildade
dentro do seu coração
por orgulho ou por vaidade
não sabe pedir perdão.
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(José Augusto Fernandes)
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Yvonne Visconti Cavalleiro (Brasil, 1901-1965)
óleo sobre tela, 36 x 25 cm