Adolfo Fonzari (Itália/Brasil, 1880-1959)
óleo sobre tela, 37 x 43 cm
Olímpia Couto (Brasil, contemporânea)
vinil sobre tela colado em eucatex, 90 x 70 cm
Augusto Frederico Schmidt
As flores do jambeiro vão caindo.
E aos poucos reina em sangue a madrugada.
Deste alto, o olhar domina ao longe
O mar tranquilo e azul.
E no mar, um veleiro vai fugindo
E o vento o afasta para longe,
para o reino que não sei.
Foge o veleiro e foge o tempo,
Para onde vão?
Não sei.
Vejo apenas as sombras
E as estrelas,
E mesmo a magra lua
Se esconderam;
E que no mar,
As asas claras de um veleiro
Fogem para um reino que não sei.
Em: Eu te direi as grandes palavras – seleção poética, Augusto Frederico Schmidt, Rio de Janeiro, José Aguilar:1975, p. 134
Guillermo Marti Ceballos (Espanha, 1958)
óleo sobre tela, 70 x 70 cm
Dizem que não há coincidências. Próximo ao Carnaval procurei por livros de autores de que gostei no passado. Queria ter certeza de que iria me divertir com a leitura. Lembrei-me de Claudia Piñeiro, cujo As viúvas das quintas-feiras havia me agradado imensamente. No entanto, o livro que achei em uma livraria virtual, Betibu, só chegaria às minhas mãos de 3 a 5 dias e eu queria algo para ontem. Entre vésperas de feriados, não dava para esperar. Passei na pequena livraria perto de casa, e logo na bancada, lá estava um volume da autora, à minha espera: Tua. Levei na hora e não me arrependi.
Se você vai passar um fim de semana em casa, uma tarde, se for um dia chuvoso, se precisa esperar por algumas horas na fila do DETRAN, do médico, do que seja, invista nessa pequena obra de suspense com humor. Desde as primeiras páginas não consegui colocar o livro de lado e foi devorado em meras quatro horas. Não tenho visão de super-herói, mas são só 140 páginas bem espaçadas. E a leitura foi dinâmica por conta da ansiedade de saber sua resolução.
Dizem em inglês “Hell hath no fury like a woman scorned” [A fúria do inferno não se compara à de uma mulher desprezada]. Claudia Piñeiro demonstra como esse fenômeno pode se manifestar. Trata-se de uma história de muitas traições entre os poucos personagens principais da trama: um casal, uma filha adolescente, a secretária dele e sua sobrinha. O ritmo é muito rápido, como se estivéssemos diante de um script, de um roteiro para a televisão ou cinema. Aliás Cláudia Piñeiro é roteirista para televisão e dramaturga, além de escritora de romances de suspense.
Mais cativante ainda, além da boa trama, é seguir a racionalização que cada personagem usa para justificar suas ações. As cenas em que Inês reflete sobre sua vida, e o que deve fazer para consertá-la, são de muito humor. Tenho certeza que em um momento ou outro, qualquer mulher se reconhecerá no absurdo retratado, e vai sorrir, por conhecimento de causa.
Claudia PiñeiroMeu único senão: gostaria de ter visto o desenvolvimento da história da adolescente melhor tecido com o resto da trama. Achei a história um pouco paralela, sem justificar completamente sua presença. Dizer mais, sobre um livro de suspense seria injusto, eu acabaria por me tornar indiscreta e revelar mais do que devo. Posso dizer no entanto que este é um livro divertido, cuja leitura nos faz virar páginas com ansiedade e que o esforço é bem recompensado no final.
Niels Frederik Schiottz Jensen,(Dinamarca 1855 –1941)
óleo sobre tela
Italo Calvino
Raro e alto incensório imperial chinês, século XV
Período Xuande
decoração baseada em flores de lótus, peônias e crisântemos em cores brilhantes esmaltada.
Cloisonné, com alças na forma de Fênix e pés em cabriolé na forma de cabeças de elefantes. Tampa com dragão dourado. Bronze dourado.
Altura, 40 cm, 32 cm, 19 cm
Tom e Jerry na praia, disputas e perseguições de lado.
Bom ver brigas resolvidas. A vida é curta. Ninguém ganha com desentendimentos. Mas brigas que levam anos são mais difíceis de resolver. O rancor cria raízes. Por isso é surpreendente que uma das mais famosas brigas literárias do século XX tenha chegado ao final este mês: Paul Theroux e V. S. Naipaul, voltaram a se falar.
V. S. Naipaul tinha como “discípulo” Paul Theroux. Os dois eram muito amigos. Até o dia em que Naipaul decidiu vender alguns presentes que Theroux havia lhe dado…
Pronto. Briga feita. Por anos não se falaram. Quase duas décadas!
O gesto de reconciliação veio de Theroux, a parte que havia se sentido ferida. Talvez, aos 73 anos de idade, ele tenha aprendido a perdoar. Mas, contrário à sabedoria popular, nem sempre a sensatez é resultado da idade. Paul Theroux, que não é bobo, deve ter reconhecido que presentes são dados para que o recipiente faça o que quiser com eles. Ou não seriam presentes, seriam empréstimos…
O momento da reconciliação foi público, durante o Festival Literário de Jaipur na Índia. Em uma palestra, Paul Theroux elogiou o livro de Naipaul, Uma casa para o Sr. Biswas, comparando o recipiente do Nobel de Literatura em 2001, com o autor britânico do século XIX, Charles Dickens. V. S. Naipaul, que estava na plateia, mostrou, aos 82 anos de idade, como havia sido importante a amizade deles e como a briga o havia afetado. Teve um momento de catarse, chorando abertamente ao ouvir os elogios de seu antigo discípulo. Um momento de dar engasgo na garganta…
Boas novas!
Fonte: The Telegraph