Camille Paglia e o ensino dos clássicos

3 04 2015

 

 

 

Raffaello,_concilio_degli_dei_02O conselho dos deuses, 1518

Rafael Sanzio (Urbino, 1483-1583)

Afresco

Villa Farnesina, Roma

 

 

 

Sean Salai, S. J. — Na sua opinião como classicista, o que os antigos gregos e romanos nos ensinam como seres humanos?

Camille Paglia — Sigo os passos de meu herói cultural, Oscar Wilde, não concordo com a implícita suposição moralista que a literatura ou a arte “ensinam” algo para nós. Elas simplesmente abrem a nossa visão para um mundo maior, ou nos permitem ver o mundo através de uma lente diferente. A cultura greco-romana que está se afastando rapidamente da educação universitária americana, é uma das duas tradições fundamentais da civilização ocidental; a outra é a judaico-cristã. Essas tradições se entrelaçaram e se influenciaram mutuamente ao longo dos séculos, produzindo uma complexidade titânica do ocidente, tanto para o bem quanto para o mal. Ignorar ou minimizar o passado greco-romano é colocar antolhos intelectuais, mas é isso que vem exatamente acontecendo à medida que as faculdades abandonam gradualmente, a grande, cronológica, visão panorâmica da antiguidade clássica, em cursos de dois semestres, que fora enfatizada no passado. A trajetória, agora, está no “presentismo”, uma concentração míope na sociedade desde a Renascença – por falar nisso, um termo humanístico nobre, que está sendo descartado implacavelmente e substituído pela amorfa entidade marxista, “Proto-Modernidade”.

 

 

Em: “The Catholic Pagan:10 questions for Camille Paglia“, America: the national catholic review, 25 de fevereiro de 2015.

[Tradução é minha]

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Na biblioteca, texto de John Williams

2 04 2015

 

 

HOMEM LENDO. ROCKWELLDormindo com livro

Norman Rockwell (EUA, 1894-1978)

 

 

“Na biblioteca da universidade passeava entre a estantes, em meio a milhares de livros, inalando o odor mofado do couro, do tecido e das páginas ressecadas como se fosse um incenso exótico. Às vezes se detinha, tirava um volume das prateleiras e o segurava em suas mãos grandes, que vibravam com o contato, ainda insólito, com a lombada, a capa e as páginas dóceis. Depois, folheava o livro, lendo um parágrafo aqui e ali, seus dedos rígidos virando as páginas, quase temerosos de destruir com seu desajeitamento o precioso conteúdo.

Não tinha amigos, pela primeira vez em sua vida teve consciência de sua solidão. Às vezes, de noite em seu sótão, erguia os olhos de um livro que estava lendo e espiava os cantos escuros de seu quarto, onde a luz do lampião tremulava contra as sombras. Se olhasse fixo e atentamente, a escuridão se reuniria numa luz, que assumia a forma insubstancial do que estivera lendo. E ele sentia que estava fora do tempo, como sentira naquele dia na aula em que Archer Sloane falara com ele. O passado avolumava-se da escuridão onde jazia, e os mortos se erguiam para viver à sua frente, e juntos, fluíam para o presente entre os vivos, e assim, por um intenso instante, ele tinha a sensação de unir-se a eles numa única e densa realidade da qual não podia escapar. Tristão, Isolda a bela, caminhavam à sua frente; Helena, e o brilhantes Paris, seus rostos graves de amargura, erguiam-se da treva. E Stoner se sentia mais próximo deles do que de seus colegas que iam de aula em aula, hospedados numa grande universidade em Columbia, no Missouri, e que caminhavam distraídos em meio ao ar do Midwest.”

 

Em: Stoner, John Williams, Rio de Janeiro, Rádio Londres:2014, tradução de Marcos Maffei, páginas 21-22.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

1 04 2015

 

Gino Bruno - Natureza Morta - O.sEucatex - 54x45Natureza Morta, s.d.

Gino Bruno (Itália/Brasil, 1899-1977)

óleo sobre eucatex,  54 x 45 cm





Imagem de leitura — Hans Olaf Heyerdhal

31 03 2015

At the Window. 1881 Hans Olaf Heyerdahl. Swedish, (1857-1913)À janela, 1881

Hans Olaf Heyerdhal (Noruega, 1857-1913)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

Galeria Nacional, Oslo





” A língua portuguesa”, José Eduardo Agualusa

31 03 2015

mb_1894_cam2A redenção de Cam, 1895

Modesto Brocos (Espanha/Brasil, 1852-1936)

óleo sobre tela, 199 x 166 cm

MNBA [Museu Nacional de Belas Artes], Rio de Janeiro

“A verdade é que ainda persiste em Portugal uma certa saudade imperial e, sobretudo, uma enorme ignorância no que diz respeito à história do próprio idioma. É sempre bom recordar que antes de Portugal colonizar a África, os africanos colonizaram a Península Ibérica durante oitocentos anos. A língua portuguesa deve muito ao árabe. A partir do século XVI, com a expansão portuguesa, a língua começa a enriquecer-se, incorporando vocábulos bantos e ameríndios, expressões e provérbios dessas línguas, etc.. A minha língua é esta criação coletiva de brasileiros, angolanos, portugueses, moçambicanos, caboverdianos, santomenses, guineenses e timorenses. A minha língua é uma mulata feliz, fértil, generosa, que namorou com o tupi e com o ioruba, e ainda hoje se entrega alegremente ao quimbundo, ao quicongo ou ao ronga, se deixando engravidar por todos esses idiomas.”

Em: “Um brinquedo de criar prodígios“, José Eduardo Agualusa, O Globo, 30/03/2015, 2º caderno, página 2.





Palavras para lembrar — Doris Lessing

31 03 2015

SASHA HARTSLIEF  (4) (Africa da Sul, 1974) Leitura com gato, ostMoça e gato, 2011

Sasha Hartslief (África do Sul, 1974)

óleo sobre tela, 67 x 70 cm

www.sashahartslief.co.za

 

 

“Se você lê, você aprende a pensar por si mesmo”.

Doris Lessing

 





Nossas cidades — Lins

30 03 2015

 

 

manabu mabe, Paisagem de Lins, óleo sobre tela, 50 x 60 cm, 1949Paisagem de Lins, 1949

Manabu Mabe (Japão/Brasil, 1924-1997)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm





Imagem de leitura — Konstantin Makovsky

30 03 2015

 

olenka-and-kolya-on-the-steps-konstantin-makovskyKONTANTIN MAKOVSKYOlenka e Kolya nos degraus, c. 1900

Konstantin Makovsky (Rússia, 1839-1915)

óleo sobre tela





Domingo, um passeio no campo!

29 03 2015

 

ANDERSON CONDE (Brasil, MG, 1967) Cavalinho, aquarela, 1989,26x15wwwandersoncondecombrCavalinho, 1989

Anderson Conde (Brasil, 1967)

aquarela, 26 x 15 cm

www.andersonconde.com.br





Flores para um sábado perfeito!

28 03 2015

 

 

Acerbi, José Carlos - Flores - ost-p - 12 X 9 cm - acid - 1988 -Flores, 1988

José Carlos Acerbi (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 12 x 9 cm