Natureza morta
Lucy Citti Ferreira (Brasil, 1911-2008)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Natureza morta, 1970
Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre madeira, 33 x 42 cm
Natureza morta
Lucy Citti Ferreira (Brasil, 1911-2008)
óleo sobre tela, 33 x 41 cm
Natureza morta, 1970
Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre madeira, 33 x 42 cm

Autorretrato
Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899-1970)
nanquim sobre papel, 23 x 19 cm
“A função dos relógios é indicarem todos a mesma hora. Mas essa ideia também é mais moderna do que podemos imaginar. Durante séculos, enquanto se viajava a cavalo, a pé ou de carruagem, não havia motivo para sincronizar os relógios de um lugar para outro. Existia um ótimo motivo para não fazê-lo: meio-dia é, por definição, o momento em que o sol está mais alto no céu. Cada cidade ou aldeia tinha uma meridiana que marcava o momento em que o sol estava a meio-dia e permitia regular o relógio do campanário, visível a todos. O sol não chega ao meio-dia no mesmo momento em Lecce, Veneza, Florença ou Turim, porque vai de leste para oeste. Meio-dia chega primeiro em Veneza e bem mais tarde em Turim, e durante muitos séculos os relógios de Veneza estiveram uma boa meia hora adiantados em relação aos de Turim. Cada cidadezinha tinha sua “hora” peculiar. A estação de Paris mantinha uma hora própria um pouco atrasada em relação ao restante da cidade por cortesia aos viajantes.
No século XIX, chega o telégrafo, os trens se tornam comuns e rápidos, e passa a ser importante sincronizar bem os relógios de uma cidade para outra. É difícil organizar horários ferroviários se cada estação tiver uma hora diferente das outras. Os Estados Unidos são o primeiro país a tentar padronizar a hora. A proposta inicial é estabelecer uma hora universal para todo o mundo. Chamar, por exemplo, de “doze horas” o momento em que é meio-dia em Londres, de modo que o meio-dia corresponda às doze horas em Londres e a aproximadamente dezoito horas em Nova York. A proposta não agrada, porque as pessoas são apegadas às horas locais. O acordo é obtido em 1883, com a ideia de dividir o mundo em fusos “horários” e padronizar a hora só dentro de cada fuso. Desse modo, a discrepância entre as doze horas do relógio e o meio-dia local compreende no máximo em torno de trinta minutos. Aos poucos, a proposta é aceita no restante do mundo, e os relógios começam a ser sincronizados entre cidades diferentes.”
Em: A ordem do tempo, Carlo Rovelli, tradução de Silvana Cobucci, Ed. Objetiva: 2018
ONTEM
Discussão do livro A CARTEIRA. Livro de maio de 2025.
Muitas gostaram, algumas acharam mais ou menos, uma se decepcionou e eu realmente não gostei. Mas quem gostou…gostou muito. 😊

Vale do Sertig no outono, 1925
Ernst Ludwig Kirchner (Alemanha, 1880-1938)
óleo sobre tela, 136 x 200 cm
Kirchner Museum, Davos, Suíça
Álvaro Moreyra
Ah! como eu sinto o Outono
nesses crepúsculos dispersos,
de solidão e de abandono…
nessas nuvens longínquas, agoureiras,
que têm a cor que um dia houve em meus versos
e nas tuas olheiras…
Tomba uma sombra roxa sobre a Terra…
A mesma nuança, em torno, tudo encerra
nuns tons fanados de ametista…
Paisagem morta, evocativa, doce…
como se o Ocaso fosse
um pintor simbolista…
Caem violetas…
Canta uma voz, distante…
E a luz vai a fugir, esfacelando
em trêmulas silhuetas
os troncos da alameda agonizante…
O Outono é uma elegia
que as folhas plangem, pelo vento, em bando…
E o Outono me endolora e anestesia
com a saudade remota do silêncio…
Silêncio vesperal das ressonâncias
esquecidas
que o Ângelus lento deixa sempre no ar…
Silêncio
irmão das covas, das ermidas…
incenso das distâncias…
onde a memória fica a ouvir perdidas
palavras que morreram sem falar…
E do silêncio em névoas esgarçado,
a cuja extrema sugestão me abrigo,
tu te evolas, dolente,
tal uma hora feliz de tempo alado
que às vezes brota de repente
de um velho aroma ou de acorde antigo…
Em: Legenda da luz e da vida, Álvaro Moreyra, 1911
Laranjal, 1986
Armando Romanelli (Brasil, 1945)
óleo sobre tela, 35 x 70 cm
Colheita de laranjas, 1978
Enrico Bianco (Itália-Brasil, 1918-2013)
óleo sobre placa de madeira industrializada, 38 x 48 cm
A menina do papai
Karin Jurick (EUA, 1961-2021)
óleo sobre placa, 20 x 20 cm
Machado de Assis