
Marjorie tricotando
[Retrato da esposa do pintor]
Leonard John Fuller, (Inglaterra, 1891-1973)
óleo sobre tela
Coleção Particular

Marjorie tricotando
[Retrato da esposa do pintor]
Leonard John Fuller, (Inglaterra, 1891-1973)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Junho está à porta. E este blog comemora então seu décimo sétimo ano de existência. Foi mudando ao longo do tempo. Nos 17 anos que tenho postado praticamente todos os dias, a internet mudou. Ficou mais acessível, mais pessoas se dedicaram a postagens. Muitas desistiram. Sou uma blogueira antiga.
No início eu me dediquei à educação visual e literária para todos, mas algumas escolas me deram preferência. Naquela época, quase vinte anos atrás, havia pouco publicado que pudesse ser utilizado pelos professores do ensino fundamental e médio e tive muito apoio deles, principalmente do Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Professores passaram algumas páginas como “dever de casa” e me comprometi a não ajudar as crianças dando respostas certas para suas perguntas, deixando que elas resolvessem por si só a moral da fábula, ou o que o poeta quis dizer.
Algumas postagens também foram colocadas pensando nesse público: assim vieram os Filhotes Fofos, O verde do meu bairro, Natureza maravilhosa, Palavras para lembrar [a respeito da leitura], Minutos de sabedoria [citações de conhecidos pensadores], Boas maneiras (um tantinho de etiqueta), Poesia infantil e outras pequenas, não tão resilientes postagens regulares do blog. Assim cheguei hoje aos quase 12 milhões de diferentes acessos ao blog, ou seja 12 milhões de pessoas diferentes acessaram o blog, se você voltou a acessar o blog, não conta, são 12 milhões de diferentes acessos.
Os anos passaram, muito coisa apareceu na internet, alunos e professores encontravam postagens mais relevantes para seu trabalho, e… fui rareando algumas dessas postagens. Muito acontece em quase 20 anos. De repente, a partir da segunda metade do 24 e agora. nesses cinco meses que passamos em 2025, comecei a receber por email, pedidos para algumas coisas que se referiam a esses tópicos que eu havia deixado de lado. Acho que como celebração desses 17 anos de postagens, vou tentar voltar a postar alguns desses nichos mencionados acima, para alegria de quem pediu de volta.
Comecei ontem. Vamos ver… Se você gostaria de ver mais alguma coisa neste blog, por favor entre em contato. Não posso prometer que farei. Nem sei se conseguirei manter todas essas postagens dos nichos antigos. Hoje tenho menos tempo. No passado, meu marido fazia as compras, eu tinha diarista, hoje não é bem assim… Mas farei um esforço. Que venha o 18º, o 19º, o 20º anos.
Ah, sim, vou adicionar minha própria website por aqui. Sempre fui meio tímida para isso. Mas parece que se você não faz sua própria propaganda… está fadada ao esquecimento no mundo atual. Vocês (notaram que meu blog não tem anúncios? Pois é, eu pago a WordPress para não ter anúncios. E não faço um único centavo com o blog. Para mim é um hobby. É assim que quero manter.
Os anúncios que coloco são das minhas aulas e do meu livro, futuramente de meu segundo livro e estou (aconselhada por uma pessoa de marketing) aumentando o número de postagens que me mostram como escritora, Dia a dia…, porque é uma mudança ‘profissional’ para mim, ou seja, de historiadora da arte estou também tenho que explicar que escrevo.
As resenhas de livros, acreditem há mais de 350 resenhas de livros no blog, e listas de livros, muito populares, continuarão. Tudo continuará, só voltamos a ter mais dos temas antigos.
Obrigada a todos pela constância das visitas, num dia normal, quando todos os blogs já quase desapareceram, e que a maioria que tem visitantes é de política, religião e outros assuntos de interesse geral, continuo com meus visitantes, de 3.500 a 5.000 por dia. Obrigada a todos. Há alguns de vocês muito fieis e isso me deixa muito feliz. Adoro ver seus comentários, suas observações. Fico feliz. E… embarquemos juntos nesses novos-antigos parâmetros.

Filhotinho chita com sua mamãe no Zoológico de Dallas.
Pedra da Moreninha, Paquetá, 1966
Gastão Formenti (Brasil, 1894-1974)
óleo sobre eucatex, 15 x 21 cm
Gato
Carlos Anesi (Argentina-Brasil, 1943-2010)
óleo sobre tela, 90 x 130 cm
“E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.
O escuro ainda chorava:
– Sou feio. Não há quem goste de mim.
– Mentira, você é lindo. Tanto como os outros.
– Então porque não figuro nem no arco-íris?
– Você figura no meu arco-íris.
– Os meninos têm medo de mim. Todos têm medo do escuro.
– Os meninos não sabem que o escuro só existe é dentro de nós.
– Não entendo, Dona Gata.
– Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro só mora quem lá inventamos. Agora me entende?
– Não estou claro, Dona Gata.
– Não é você que mete medo. Somos nós que enchemos o escuro com nosso medos.”
Mia Couto, em O gato e o escuro; Cia das Letrinhas: 2008

Hoje tivemos um almoço gostosíssimo. Marina, que é de São Paulo, está no Rio de Janeiro em brevíssima estadia. Mas seria aniversário de seu pai… que já se foi. Reuniu então os tios e primos que em pouco tempo pudessem se encontrar, lembrar de seu pai e tudo, antes dela embarcar de volta para casa…. Foi coisa improvisada. Mas o improviso às vezes sai melhor que o programado. Foi um momento feliz, num restaurante em Botafogo…

“Estavam voltando de uma tarefa que tinham ido fazer na casa da tia Yaaye quando Binta disse para Kadiatou: “Vamos subir nesta árvore”. “Mas meninas não sobem em árvores. E se alguém contar?” “Ninguém vai contar.” “A gente vai cair”, falou Kadiatou. “E vamos levantar”, disse Binta. Era um pé de acácia bem firme, com galhos espalhados como membros, prontos para receber um abraço. O dia estava ofuscante de sol, e Kadiatou prendeu a saia na mão e subiu atrás de Binta, seu coração batendo depressa, receosa de não estar seguindo suas linhas cuidadosas. Ela parou num galho bifurcado, mas Binta subiu mais. Dava para ver os telhados inclinados da aldeia lá embaixo e o vale majestoso banhado numa bruma melancólica ao longe. Ela tinha mesmo subido numa árvore, estava em cima de uma árvore, bem lá no alto. Que estimulante descobrir que conseguia ultrapassar os limites que tinha imposto para si mesma.Mais tarde, ao descer, Kadiatou sentiu-se feliz por ter subido, mas tinha certeza de que nunca mais faria aquilo de novo. Elas não souberam ao certo quem contou a Bappa Moussa. Ele ralhou com elas e disse que trariam vergonha para a família se comportando daquele jeito, como meninas sem modos. Kadiatou pediu desculpas, enquanto Binta apenas o encarou, carrancuda e em silêncio. E então Kadiatou pediu desculpas várias vezes, para compensar o silêncio de Binta. Aquilo fez Kadiatou se lembrar de que, quando o chefe da aldeia passava, ela o cumprimentava com olhar baixo e respeitoso, enquanto Binta o encarava, levando a irmã a fazer uma mesura ainda mais profunda, como se quisesse compensá-la. Kadiatou sabia se encolher na presença de seus superiores, mas Binta nem sequer sabia que tinha superiores. Mais tarde, Binta disse para Mama: “Eu consigo subir mais alto até do que Bhoye”, e Mama, espalhando pétalas de hibisco num tapete, riu com um brilho nos olhos e disse: “Binta!”. Kadiatou sabia que a mãe a amava por cumprir seus deveres e ser confiável, mas às vezes, secretamente, queria que a mãe a amasse como amava Binta, por ser livre.”
Em: A contagem dos sonhos, Chimamanda Ngozi Adichie, tradução de Julia Romeu, Rio de Janeiro, Cia das Letras: 2025
O destino nos ensina
mensagens que são verdades:
– Quem só enfrenta neblina
fraqueja nas tempestades !…
(José Valdez de Castro Moura)