O espelho, poesia de Geraldo Carneiro

7 07 2017

 

 

 

b7a56c34a359a0ed2ad0b7650ae72519Mulher ao espelho, 1948

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

O espelho

 

Geraldo Carneiro

 

do outro lado um estranho

faz simulações como se fosse

um demônio familiar

é sempre noite, um assassino sonha

com mulheres assassinadas em série

sob as palmeiras de Malibu

o mundo é só uma ficção plausível

a imagem que baila ao rés-da-lâmina

é um último e improvável vestígio

da existência de Deus

o resto são ecos de outras faces

gestos de espanto e despedida

a música dos relógios, a morte

 

Em:  Folias metafísicas, Geraldo Carneiro, Rio de Janeiro, Relume Dumará: 1995





Rio de Janeiro, minha cidade natal!

7 07 2017

 

 

ALUISIO VALLE (1906-1988). Rio de Janeiro visto por Niterói, óleo smadeira, 27 x 35. Assinado no c.i.d.

Rio de Janeiro visto de Niterói

Aluísio do Valle (Brasil, 1906 – 1988)

óleo sobre madeira, 27 x 35 cm





Imagem de leitura — Petr Konchalovsky

6 07 2017

 

 

Petr Konchalovsky(Russia,1876 – 1956) Portrait of Mikhail Konchalovsky, the artist_s son, sitting in an armchair,1921, ost, 119 x 140 cmRetrato de Mikhail Konchalovsky,  filho do artista sentado numa poltrona, 1921

Petr Konchalovsky (Rússia, 1876 – 1956)

óleo sobre tela, 119 x 140 cm





Clube de Leitura de Rio das Ostras

6 07 2017

 

 

19787216_835356063295565_3605760935805239449_oPrimeiro encontro do Clube de leitura de Rio das Ostras.

 

 

Foi com muito prazer que vimos o Clube de Leitura de Rio das Ostras se formar e ter uma promissora primeira reunião.  Sua organizadora é membro do nosso grupo de leitura, Ao pé da letra, que se reúne na cidade do Rio de Janeiro, no quarto domingo do mês.  Lili Moreira, a organizadora em Rio das Ostras  é psicóloga e há anos trabalha com livros e literatura, além do exercício da psicologia.  Carioca, morou no Nordeste brasileiro de onde retém um pequeno cantar na fala.  Voltou há pouco tempo para o nosso estado.  Apesar de residir em Rio das Ostras, continua membro do grupo de leitura Ao pé da letra.

Agitando a cena cultural da cidade praieira, Lili Moreira apostou em abrir um grupo de leitura.  E deu certo.  Parabéns!

O grupo funciona da seguinte maneira: nas reuniões um livro é votado para leitura durante o mês seguinte.  Cada membro lê o livro por sua conta.  Dá-se então o encontro, em dia e hora marcados, e os temas trazidos à tona pela leitura são então discutidos por todos os presentes. Novas sugestões de leitura são consideradas e votadas para o mês seguinte.

Parabéns a todos.  Muito sucesso, que o grupo siga os exemplos do Ao Pé da Letra (um ano e meio de existência) ou do grupo Papalivros (há quatorze anos e meio lendo livros sem interrupção)!





A arte do desenho: Watteau

6 07 2017

 

 

110107v_0001Cabeça e busto e mulher sentada

Antoine Watteau (França, 1682-1721)

Giz negro, vermelho e branco, com acabamento em grafite, 18 x 15 cm

The Morgan Library & Museum, Nova York

 

 





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

5 07 2017

 

 

Volpi, Alfredo(1896-1988),Natureza Morta,Têmpera s papel colado em placa,20 x 31 cmNatureza morta com figos e uvas

Alfredo Volpi (Itália/Brasil, 1896-1988)

têmpera sobre papel colada sobre placa,  20 x 31 cm

 





Nossas cidades: São Paulo

4 07 2017

 

 

Gregório Gruber - Anhangabaú, acrílica sobre tela, datada de 1980, medindo 100 x 140 cmAnhangabaú, 1980

Gregório Gruber (Brasil, 1951)

acrílica sobre tela, 100 x 140 cm





Constantinopla no século VI

3 07 2017

 

 

Constantine_I_Hagia_SophiaImperador Constantino I, cujo reinado foi dos anos 310 a 337, oferece uma representação da cidade de Constantinopla em homenagem à Virgem Maria e Menino Jesus, c. 1000

[Detalhe da entrada sudoeste da antiga basílica de Santa Sofia em Constantinopla, hoje Istambul, Turquia]

Mosaico

Basílica de Santa Sofia

 

 

Uma das coisas que me fascina a respeito das obras do historiador francês Francis Fèvre é a reconstituição imaginária de um ambiente, de uma realidade, que às vezes parece próxima, ainda que ele esteja descrevendo algo que se passou há mais de mil anos. Sua habilidade de usar dados existentes, como historiador que é, e recriar o mundo antigo é inigualável, quer o leiamos em francês ou em tradução para o português. Não é à toa que pertence à Academia Francesa de Letras. Seu livro, Teodora, a imperatriz de Bizâncio, publicado em 1991 (Nova Fronteira), é uma das obra à qual retorno de vez em quando para degustar as descrições de um império surgido há mais de 1.500 anos. Aqui fica um exemplo de sua prosa… estamos no primeiro capítulo. A tradução é de Léa Novaes.

“… As muralhas de Teodósio acompanham a orla da Propôntida e continuam ao longo de um grande vale fluvial, o Corno de Ouro, que contribui para isolar a região rochosa em que está situada a cidade. É um vasto triângulo em que dois lados limitam-se com a água, dando a essa antiga colônia de marinheiros gregos uma vocação portuária. No mesmo nível das ondas da Propôntida, agitadas pelo frio vento do norte, os altos muros de pedra constituem a base de um quadro  impressionante que se espelha na água azulada. Apoiada nas colinas, a cidade imperial ergue casas e palácios em direção ao céu, e a primeira impressão é de uma confusão anárquica. Patamares em diferentes planos sustentam os edifícios e os jardins da cidade, o conjunto formando um relevo ondulado. Nos bairros populares acumulam-se as pequenas construções de habitações pobres. Mas os tetos de madeira e as primeiras cúpulas das igrejas dominam a paisagem urbana. Apesar de sua enorme população, a capital conserva uma presença etérea, diluída na atmosfera inconstante dos confins do Mar Negro. O marinheiro que navega nas grandes barcas que cruzam as águas da Propôntida conhece uma a uma as espessas folhagens dos parques imperiais, que abrem no espaço urbano grandes espaços verdes. Os edifícios do Palácio Sagrado, assim chamado devido à presença de seus habitantes imperiais quase divinizados, assentam-se sobre patamares que se abrem sobre a Propôntida (atual Mar de Mármara) e para o calor do sul. De uma maneira geral, os inúmeros edifícios públicos e religiosos destacam-se nitidamente das ruelas sombrias onde se comprime a população cosmopolita em Constantinopla.”

 

Em: Teodora, a imperatriz de Bizâncio, Francis Fèvre, tradução de Léa Novaes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1991, p. 14.

 

 

Mosaïques de l'entrée sud-ouest de Sainte-Sophie (Istanbul, Turquie)Mosaico da antiga Basílica de Santa Sofia em Constantinopla (Istambul, Turquia).

A Virgem Maria no centro segura o Menino Jesus em seu colo. À sua direita o imperador Justiniano I, oferece um modelo da basílica.  À esquerda, o Imperador Constantino apresenta para ela um modelo da cidade.

 

Map_of_Constantinople_(1422)_by_Florentine_cartographer_Cristoforo_BuondelmonteMapa de Constantinopla de 1422 [900 anos após a descrição acima]

Cartógrafo Cristoforo Buondelmonti (Florença, 1386-c. 1430)

Este é o mapa da cidade mais antigo que se conhece e o único que trata de Constantinopla antes da invasão turca em 1453.

Liber insularum Archipelagi (1824), versão na  Bibliothèque nationale de France, Paris

 





Imagem de leitura — Maurice Asselin

2 07 2017

 

 

ASSELIN, Maurice(França, 1882-1947)2 lendo, ostDuas lendo

Maurice Asselin (França, 1882-1947)

óleo sobre tela,  96 x 94 cm

Cheltenham Art Gallery & Museum, Grã-Bretanha





Sandro Botticelli, ilustrador

2 07 2017

 

 

Sandro_Botticelli_-_La_Carte_de_l'EnferMapa do inferno, 1480-1490

Ilustração para A Divina Comédia de Dante

Sandro Boticelli (Florença, entre 1444-1445 — 1510)

Bibliotheca Apostolica Vaticana, Roma

 

 

Pouca gente sabe que o pintor florentino Sandro Botticelli, cujo nome de nascença era Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, ilustrou a Divina Comédia de Dante, a pedido de Le Popolano, ou seja,  Lorenzo di Pierfrancesco de Médici (1463 –1503), membro da família de banqueiros de Florença e político.  Botticelli começou a ilustrar essa obra por volta de 1490.  Muitas das páginas de ilustrações se perderam no século XV para serem redescobertas no século XVIII. Havia inicialmente um conjunto de 102 ilustrações.  Hoje são 92 e estão divididas entre o Vaticano e Berlim.