Estrangeiro, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

24 05 2021

Figura

Darel Valença (Brasil, 1924-2017)

Desenho, 54 x 25 cm

 

 

Quando o tempo no vento se eterniza,
a estranheza do mundo é mais precisa.

 

 

Estrangeiro

 

Reynaldo Valinho Alvarez

 

Sou estrangeiro em todos os lugares.

Inútil procurar-te, aldeia minha.

Subo de escada todos os andares,

com a fria espada a acutilar-me a espinha.

Não sou daqui nem sou de lá. Perdi-me

na indecisão de becos e de esquinas.

Como o pardal diante do gato, vi-me

apanhado por garras assassinas.

Os mapas pendurados nas paredes

riem de mim como insensíveis redes,

rasgando os peixes que já não fogem mais.

Prenderam-me entre muros que abomino

e toda noite entoam-me seu hino

de insultos, gritos e ódios triunfais.

 

Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.61





Em casa: Margaret Hannah Olley

23 05 2021

Natureza morta com vista do porto

Margaret Hannah Olley (Austrália, 1923-2011)

óleo sobre madeira, 68 x 91 cm





Flores para um sábado perfeito!

22 05 2021

Vaso de cobre com cravos vermelhos e brancos, s.d.

Domingos Gemelli (Brasil, 1903-1985)

óleo sobre tela, 33 x 41 cm

Coleção Particular





Rio de Janeiro, uma joia tropical

21 05 2021

Feira livre na Glória, 1991

Alfredo Lowenstein (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 22 x 27 cm





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

19 05 2021

Mesa com frutas tropicais ao fundo o Pão de Açúcar

Celso de Oliveira (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 70 X 100





Nossas cidades: Cachoeiro de Itapemirim

18 05 2021

Casa de Rubem Braga em Cachoeiro de Itapemirim

Aldo Garcia Roza (Brasil,1907- 1997)

óleo sobre tela





Sublinhando…

17 05 2021

Leitora, 1905

Theodeor Axentowicz, (Polônia 1859- 1938)

pastel sobre papel

 

 

“E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.”
 

Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918), em Via Láctea, 1888, IV [“Como a floresta secular, sombria”]





Santos, poesia de Ribeiro Couto

17 05 2021

Porto de Santos, 1986

Aldemir Martins (Brasil, 1922-2006)

acrílica sobre tela, 54 x 46 cm

 

Santos

Ribeiro Couto

 

Nasci junto ao porto ouvindo o barulho dos embarques.

Os pesados carretões de café

Sacudiram as ruas, faziam trepidar o meu berço.

 

Cresci junto ao porto, vendo a azáfama dos embarques.

O apito triste dos cargueiros que partiam

Deixava longas ressonâncias na minha rua.

 

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.

Os grãos de café, perdidos no lajedo,

Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

 

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,

Faziam sonhar (tantas mercadorias!)

E me ensinavam a poesia do comércio.

 

Sou bem teu filho, ó cidade marítima,

Tenho  no sangue o instinto da partida,

O amor dos estrangeiros e das nações.

 

Oh, não me esqueças, nunca, ó cidade marítima,

Que eu te trago comigo por todos os climas

E o cheiro do café me dá tua presença.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 17.





Em casa: Sergei Vinogradov

16 05 2021

Na Dacha, no verão, s.d.

Sergei Vinogradov (Rússia, 1869 – 1938)

óleo sobre tela





Rio de Janeiro, uma joia tropical

14 05 2021

No Jockey, 1993

Mauro Bandeira de Mello (Brasil, 1960)

óleo sobre tela, 54 x 65 cm