Jovem irlandesa lendo
Daryl Rex Price (Nova Zelândia, contemporâneo)
óleo
Jovem irlandesa lendo
Daryl Rex Price (Nova Zelândia, contemporâneo)
óleo
Mulher ao espelho, 1948
Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Geraldo Carneiro
do outro lado um estranho
faz simulações como se fosse
um demônio familiar
é sempre noite, um assassino sonha
com mulheres assassinadas em série
sob as palmeiras de Malibu
o mundo é só uma ficção plausível
a imagem que baila ao rés-da-lâmina
é um último e improvável vestígio
da existência de Deus
o resto são ecos de outras faces
gestos de espanto e despedida
a música dos relógios, a morte
Em: Folias metafísicas, Geraldo Carneiro, Rio de Janeiro, Relume Dumará: 1995

Rio de Janeiro visto de Niterói
Aluísio do Valle (Brasil, 1906 – 1988)
óleo sobre madeira, 27 x 35 cm
Retrato de Mikhail Konchalovsky, filho do artista sentado numa poltrona, 1921
Petr Konchalovsky (Rússia, 1876 – 1956)
óleo sobre tela, 119 x 140 cm
Primeiro encontro do Clube de leitura de Rio das Ostras.
Foi com muito prazer que vimos o Clube de Leitura de Rio das Ostras se formar e ter uma promissora primeira reunião. Sua organizadora é membro do nosso grupo de leitura, Ao pé da letra, que se reúne na cidade do Rio de Janeiro, no quarto domingo do mês. Lili Moreira, a organizadora em Rio das Ostras é psicóloga e há anos trabalha com livros e literatura, além do exercício da psicologia. Carioca, morou no Nordeste brasileiro de onde retém um pequeno cantar na fala. Voltou há pouco tempo para o nosso estado. Apesar de residir em Rio das Ostras, continua membro do grupo de leitura Ao pé da letra.
Agitando a cena cultural da cidade praieira, Lili Moreira apostou em abrir um grupo de leitura. E deu certo. Parabéns!
O grupo funciona da seguinte maneira: nas reuniões um livro é votado para leitura durante o mês seguinte. Cada membro lê o livro por sua conta. Dá-se então o encontro, em dia e hora marcados, e os temas trazidos à tona pela leitura são então discutidos por todos os presentes. Novas sugestões de leitura são consideradas e votadas para o mês seguinte.
Parabéns a todos. Muito sucesso, que o grupo siga os exemplos do Ao Pé da Letra (um ano e meio de existência) ou do grupo Papalivros (há quatorze anos e meio lendo livros sem interrupção)!
Cabeça e busto e mulher sentada
Antoine Watteau (França, 1682-1721)
Giz negro, vermelho e branco, com acabamento em grafite, 18 x 15 cm
The Morgan Library & Museum, Nova York
Imperador Constantino I, cujo reinado foi dos anos 310 a 337, oferece uma representação da cidade de Constantinopla em homenagem à Virgem Maria e Menino Jesus, c. 1000
[Detalhe da entrada sudoeste da antiga basílica de Santa Sofia em Constantinopla, hoje Istambul, Turquia]
Mosaico
Basílica de Santa Sofia
Uma das coisas que me fascina a respeito das obras do historiador francês Francis Fèvre é a reconstituição imaginária de um ambiente, de uma realidade, que às vezes parece próxima, ainda que ele esteja descrevendo algo que se passou há mais de mil anos. Sua habilidade de usar dados existentes, como historiador que é, e recriar o mundo antigo é inigualável, quer o leiamos em francês ou em tradução para o português. Não é à toa que pertence à Academia Francesa de Letras. Seu livro, Teodora, a imperatriz de Bizâncio, publicado em 1991 (Nova Fronteira), é uma das obra à qual retorno de vez em quando para degustar as descrições de um império surgido há mais de 1.500 anos. Aqui fica um exemplo de sua prosa… estamos no primeiro capítulo. A tradução é de Léa Novaes.
“… As muralhas de Teodósio acompanham a orla da Propôntida e continuam ao longo de um grande vale fluvial, o Corno de Ouro, que contribui para isolar a região rochosa em que está situada a cidade. É um vasto triângulo em que dois lados limitam-se com a água, dando a essa antiga colônia de marinheiros gregos uma vocação portuária. No mesmo nível das ondas da Propôntida, agitadas pelo frio vento do norte, os altos muros de pedra constituem a base de um quadro impressionante que se espelha na água azulada. Apoiada nas colinas, a cidade imperial ergue casas e palácios em direção ao céu, e a primeira impressão é de uma confusão anárquica. Patamares em diferentes planos sustentam os edifícios e os jardins da cidade, o conjunto formando um relevo ondulado. Nos bairros populares acumulam-se as pequenas construções de habitações pobres. Mas os tetos de madeira e as primeiras cúpulas das igrejas dominam a paisagem urbana. Apesar de sua enorme população, a capital conserva uma presença etérea, diluída na atmosfera inconstante dos confins do Mar Negro. O marinheiro que navega nas grandes barcas que cruzam as águas da Propôntida conhece uma a uma as espessas folhagens dos parques imperiais, que abrem no espaço urbano grandes espaços verdes. Os edifícios do Palácio Sagrado, assim chamado devido à presença de seus habitantes imperiais quase divinizados, assentam-se sobre patamares que se abrem sobre a Propôntida (atual Mar de Mármara) e para o calor do sul. De uma maneira geral, os inúmeros edifícios públicos e religiosos destacam-se nitidamente das ruelas sombrias onde se comprime a população cosmopolita em Constantinopla.”
Em: Teodora, a imperatriz de Bizâncio, Francis Fèvre, tradução de Léa Novaes, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1991, p. 14.
Mosaico da antiga Basílica de Santa Sofia em Constantinopla (Istambul, Turquia).
A Virgem Maria no centro segura o Menino Jesus em seu colo. À sua direita o imperador Justiniano I, oferece um modelo da basílica. À esquerda, o Imperador Constantino apresenta para ela um modelo da cidade.
Mapa de Constantinopla de 1422 [900 anos após a descrição acima]
Cartógrafo Cristoforo Buondelmonti (Florença, 1386-c. 1430)
Este é o mapa da cidade mais antigo que se conhece e o único que trata de Constantinopla antes da invasão turca em 1453.
Liber insularum Archipelagi (1824), versão na Bibliothèque nationale de France, Paris
Duas lendo
Maurice Asselin (França, 1882-1947)
óleo sobre tela, 96 x 94 cm
Cheltenham Art Gallery & Museum, Grã-Bretanha
Mapa do inferno, 1480-1490
Ilustração para A Divina Comédia de Dante
Sandro Boticelli (Florença, entre 1444-1445 — 1510)
Bibliotheca Apostolica Vaticana, Roma
Pouca gente sabe que o pintor florentino Sandro Botticelli, cujo nome de nascença era Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, ilustrou a Divina Comédia de Dante, a pedido de Le Popolano, ou seja, Lorenzo di Pierfrancesco de Médici (1463 –1503), membro da família de banqueiros de Florença e político. Botticelli começou a ilustrar essa obra por volta de 1490. Muitas das páginas de ilustrações se perderam no século XV para serem redescobertas no século XVIII. Havia inicialmente um conjunto de 102 ilustrações. Hoje são 92 e estão divididas entre o Vaticano e Berlim.
Estrada arborizada, 1990
Cristiano Amadeo Lorenzato (Brasil, 1900 – 1995)
óleo sobre chapa de madeira, 90 x 70 cm